Os dois principais partidos que apoiam a pré-candidatura de Paulo Souto ao governo do estado, PSDB e DEM, estão fechados para a chapa majoritária, mas ainda não se decidiram sobre a chapa proporcional, ou seja, para a disputa para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal. Enquanto os democratas querem a coligação para estadual, os tucanos rechaçam essa possibilidade. O presidente do PSDB, Antônio Imbassahy, não assume que existe desavença entre as duas siglas porque, para ele, isso é um fato novo. No entanto, reconhece que a posição dos tucanos é marchar isoladamente.

“Nós construímos uma chapa distribuída por regiões, mas com potencial de votação aquém dos candidatos do DEM. Nós nos organizamos para disputar a eleição com autonomia, isoladamente. Essa foi a nossa estratégia quando definimos os candidatos”, disse o tucano, colocando que a situação é matemática. Imbassahy considera que, para a Assembleia, a coligação proporcional com os democratas traria prejuízo aos candidatos do seu partido. “Diria que aqueles candidatos que têm 25 mil votos se colocariam como prejudicados. Então, há uma resistência dos nossos pré-candidatos, mas isso é uma coisa natural”, avaliou.

Sobre a coligação para a Câmara Federal, ele disse que a situação é a mesma. “Estou sabendo que eles têm proposta para não se coligar. Nós não vamos forçar nada”, disse o tucano, negando que isso venha prejudicar a aliança já definida na chapa majoritária, que terá Paulo Souto como o candidato.

“Não tem impasse. Diria apenas que isso contraria a nossa estratégia que foi traçada”, explicou. Para o deputado federal José Carlos Aleluia, uma das principais lideranças do DEM no Estado, não existe problemas para a definição na proporcional. “Estamos preparados para qualquer hipótese. Só será feita a aliança se for interessante para os dois partidos.

Quando se fizer uma análise do quadro, em maio e junho, é que se vai saber”, comentou. “Estamos mais claros para estadual, e para federal não é tão claro assim. Mas isso não será motivo de atrito para nós”, disse Aleluia, descartando desentendimento.

Impasse para a Assembleia

Contrário à coligação entre os dois partidos na disputa por uma vaga à Assembleia Legislativa, o único deputado estadual do PSDB, Sergio Passos, recorre à mesma tese de Imbassahy para justificar a sua posição. “Desde o início das nossas conversas, há mais de um ano, deveríamos fazer a coligação na majoritária, mas a proporcional não era do nosso interesse”, explicou.

“O pessoal do DEM, recentemente, procurou a nossa direção, alegando que a coligação não traria prejuízo. Mas nós não concordamos com isso”, frisou.

Destoando da posição do PSDB, o deputado Gaban disse que o momento não é oportuno para discutir sobre o assunto. “Tanto Paulo Souto quanto (José) Serra ainda estão discutindo a chapa. Depois que fechar (a chapa) é que vamos tratar de coligação”, disse. Contudo, Gaban defende que os dois partidos devem marchar juntos, tanto na majoritária quanto na proporcional.

“Acho que parceiros têm que andar juntos, de corpo e alma. Nosso objetivo principal é a majoritária, mas o bom senso deve prevalecer”, ponderou.