{"id":9977,"date":"2010-05-14T13:48:13","date_gmt":"2010-05-14T16:48:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=9977"},"modified":"2010-05-14T13:48:13","modified_gmt":"2010-05-14T16:48:13","slug":"bombardeios-norte-americanos-no-paquistao-ja-mataram-850-em-2-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/14\/bombardeios-norte-americanos-no-paquistao-ja-mataram-850-em-2-anos\/","title":{"rendered":"Bombardeios norte-americanos no Paquist\u00e3o j\u00e1 mataram 850 em 2 anos"},"content":{"rendered":"<p>G1<\/p>\n<div id=\"aumenta\">\n<p>Nesta semana, as aten\u00e7\u00f5es do mundo se voltaram para Nova York, depois de um carro-bomba ter sido desmantelado na Times Square, provocando p\u00e2nico e paralisando a cidade. Dias depois, o paquistan\u00eas Faisal Shahzad foi detido, acusado de ter planejado o ataque frustrado &#8211; o que ele confessou. Neste domingo, o secret\u00e1rio de Justi\u00e7a dos EUA, Eric Holder, afirmou que os EUA reuniram provas de que o Talib\u00e3 paquistan\u00eas est\u00e1 envolvido no atentado, apesar de um porta-voz do movimento ter negado at\u00e9 que eles conhecessem Shahzad.<\/p>\n<p>Outra not\u00edcia envolvendo o Paquist\u00e3o, os EUA e bombas, no entanto, n\u00e3o chamou tanta aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0No mesmo dia da pris\u00e3o de Shahzad, um bombardeio causado por avi\u00f5es n\u00e3o tripulados dos EUA matou duas pessoas no noroeste do Paquist\u00e3o. Uma semana antes, foram 12 mortes. Nos \u00faltimos dois anos, uma contagem da ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters indica 850 mortes em 110 ataques. Os bombardeios fazem parte do programa antiterrorismo secreto do governo americano de avi\u00f5es n\u00e3o tripulados no Paquist\u00e3o, que est\u00e1 levantando um debate sobre quest\u00f5es legais e \u00e9ticas, depois que intelectuais pediram mais aten\u00e7\u00e3o ao Congresso americano sobre o tema e ap\u00f3s uma ONG ter movido uma a\u00e7\u00e3o exigindo informa\u00e7\u00f5es do programa.<\/p>\n<p>\u00a0O n\u00famero oficial de mortos n\u00e3o \u00e9 divulgado, nem o crit\u00e9rio usado pela ag\u00eancia de intelig\u00eancia americana, a CIA, para escolher os alvos. Os EUA garantem que, em sua maioria, as v\u00edtimas s\u00e3o militantes da rede terrorista da al-Qaeda, suspeitos ou envolvidos. Mas, segundo a contagem da Reuters e de outras organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, apenas 14 deles s\u00e3o considerados por especialistas l\u00edderes de alto escal\u00e3o da al-Qaeda, do Talib\u00e3 ou de outra organiza\u00e7\u00e3o militante e outros 24 s\u00e3o avaliados como insurgentes de escal\u00e3o m\u00e9dio.<\/p>\n<p>\u00a0<!--more--><\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de informa\u00e7\u00f5es sobre os alvos e v\u00edtimas, h\u00e1 um questionamento sobre a legalidade do programa americano em solo paquistan\u00eas.<\/p>\n<p>Para David Glazier, especialista em direito internacional e professor da Loyola Law School em Los Angeles, os bombardeios seriam legais em dois casos: se o Paquist\u00e3o permitisse, ou se fosse alegado um princ\u00edpio da autodefesa contra amea\u00e7as reais de militantes em Estados neutros incapazes de agir rapidamente. &#8220;Alguns ataques poderiam ser justificados nessa base at\u00e9 se o Paquist\u00e3o estivesse em desacordo. Mas n\u00e3o parece cr\u00edvel que o grande n\u00famero de bombardeios ocorridos satisfa\u00e7a esse padr\u00e3o de amea\u00e7a real que a lei internacional exige&#8221;, disse Glazier em entrevista ao G1, por e-mail.<\/p>\n<p>Sil\u00eancio<\/p>\n<p>Um dos principais problemas apontados na discuss\u00e3o sobre o programa da CIA no Paquist\u00e3o \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o. Para o conselheiro legal e membro da ONG ACLU (Uni\u00e3o Americana das Liberdades Civis, que moveu a a\u00e7\u00e3o contra a CIA) Jonathan Manes, &#8220;sem mais transpar\u00eancia sobre os par\u00e2metros do programa n\u00e3o h\u00e1 garantia de que a CIA est\u00e1 agindo de acordo com as leis internacionais ou com os valores americanos. [&#8230;] N\u00e3o sabemos quem a CIA est\u00e1 autorizada a matar, que medidas usam para diminuir as baixas civis, como determinam as t\u00e1ticas de ataque e como os agentes s\u00e3o supervisionados no caso de violarem as regras.&#8221;<\/p>\n<p>A reportagem do G1 entrou em contato cm a CIA e pediu informa\u00e7\u00f5es sobre o programa, mas at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p>Civis<\/p>\n<p>Os ataques acontecem geralmente na regi\u00e3o do Wazirist\u00e3o com avi\u00f5es n\u00e3o tripulados que carregam bombas. Uma reportagem do jornal &#8220;Washington Post&#8221; de abril deste ano informou que a CIA estaria usando m\u00edsseis menores e t\u00e9cnicas mais avan\u00e7adas de vigil\u00e2ncia para evitar baixas civis. Mas isso n\u00e3o foi suficiente para parar no Paquist\u00e3o os protestos contra o programa, nem para calar as entidades que exigem mais informa\u00e7\u00f5es sobre ele.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante que o governo divulgue o n\u00famero de baixas civis e informa\u00e7\u00f5es sobre como esses n\u00fameros s\u00e3o calculados. Neste momento, n\u00f3s n\u00e3o sabemos que crit\u00e9rio o governo usa para distinguir entre civis e guerrilheiros, nem ao menos como eles definem o grupo de pessoas que pode ser alvo dos ataques&#8221;, disse Manes.<\/p>\n<p>EUA + Paquist\u00e3o<\/p>\n<p>O programa da CIA come\u00e7ou durante a administra\u00e7\u00e3o George W. Bush e continuou sob o governo Obama. O investimento americano no Paquist\u00e3o \u00e9 alto: segundo o jornal ingl\u00eas &#8220;Times&#8221;, os EUA doaram ao Paquist\u00e3o mais de US$ 12 bilh\u00f5es em ajuda desde 2001. Todo o esfor\u00e7o \u00e9 para tentar reduzir a insurg\u00eancia e eliminar o terrorismo. Os EUA pressionam o aliado a acabar com os grupos radicais e com a influ\u00eancia Talib\u00e3.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo se os ataques forem legais, talvez n\u00e3o sejam inteligentes se vistos de uma perspectiva pol\u00edtica. Certamente existe raz\u00e3o para questionar se as vantagens obtidas por estes ataques, em termos do enfraquecimento da estrutura organizacional da al-Qaeda e do Talib\u00e3, s\u00e3o superiores \u00e0 revolta internacional que geram, e que provavelmente s\u00e3o combust\u00edvel tanto para o recrutamento como para o financiamento destas organiza\u00e7\u00f5es&#8221;, disse o professor Glazier.<\/p>\n<p>Sobre uma poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o entre o paquistan\u00eas detido nos EUA nesta semana e uma poss\u00edvel mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o EUA x Paquist\u00e3o, Glazier disse ser muito cedo para tirar qualquer conclus\u00e3o consolidada, &#8220;mas isso joga luz sobre o fato de que o terrorismo, por muito tempo, tem sido uma metodologia pela qual os fracos respondem \u00e0 a\u00e7\u00e3o militar dos poderosos. Os EUA at\u00e9 podem operar avi\u00f5es n\u00e3o guiados pelos c\u00e9us dos pa\u00edses, mas isso pode trazer um custo dom\u00e9stico depois.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>G1 Nesta semana, as aten\u00e7\u00f5es do mundo se voltaram para Nova York, depois de um carro-bomba ter sido desmantelado na Times Square, provocando p\u00e2nico e paralisando a cidade. Dias depois, o paquistan\u00eas Faisal Shahzad foi detido, acusado de ter planejado o ataque frustrado &#8211; o que ele confessou. Neste domingo, o secret\u00e1rio de Justi\u00e7a dos EUA, Eric Holder, afirmou que os EUA reuniram provas de que o Talib\u00e3 paquistan\u00eas est\u00e1 envolvido no atentado, apesar de um porta-voz do movimento ter negado at\u00e9 que eles conhecessem Shahzad. 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