{"id":9922,"date":"2010-05-14T07:33:20","date_gmt":"2010-05-14T10:33:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=9922"},"modified":"2010-05-14T07:33:20","modified_gmt":"2010-05-14T10:33:20","slug":"fiesp-corrupcao-custa-ao-pais-r-69-bilhoes-por-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/14\/fiesp-corrupcao-custa-ao-pais-r-69-bilhoes-por-ano\/","title":{"rendered":"Fiesp: corrup\u00e7\u00e3o custa ao pa\u00eds R$ 69 bilh\u00f5es por ano"},"content":{"rendered":"<p>A Fiesp levou \u00e0 p\u00e1gina que mant\u00e9m na web um estudo feito pelo seu Departamento de Competitividade e Tecnologia. Chama-se \u201cCorrup\u00e7\u00e3o: custos econ\u00f4micos e propostas de combate\u201d.<\/p>\n<p>No peda\u00e7o em que estima o pre\u00e7o dos malfeitos, o documento tra\u00e7a dois cen\u00e1rios. Um, mais realista, aproxima o Brasil de pa\u00edses que combatem a corrup\u00e7\u00e3o com rigor. Outro, ut\u00f3pico, considera um quadro em que a corrup\u00e7\u00e3o tenderia a zero.<\/p>\n<p>Na primeira cena, o pa\u00eds deixaria de gastar em subornos e propinas R$ 41,5 bilh\u00f5es por ano. Coisa de 1,38% do PIB. Na segunda, seriam poupados R$ 69,1 bilh\u00f5es. Ou 2,3% do PIB.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0Como corrup\u00e7\u00e3o zero \u00e9 coisa que s\u00f3 existe em estudo e em sonho, o documento concentra-se no cen\u00e1rio poss\u00edvel, aquele em que a corrup\u00e7\u00e3o despeja no ralo dos descaminhos R$ 41,5 bilh\u00f5es. A Fiesp esmi\u00fa\u00e7a a cifra.<\/p>\n<p>\u00a0<!--more--><\/p>\n<p>Informa que equivale a 60,2% de todo o dinheiro que o setor p\u00fablico (excluindo-se as estatais) aplicou em investimentos no ano de 2008. Representa 27% do gasto anual com educa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;Corresponde a cerca de 40% do or\u00e7amento da sa\u00fade p\u00fablica. Mais: os R$ 41,5 bilh\u00f5es da corrup\u00e7\u00e3o superam tudo o que a Uni\u00e3o e os Estados gastaram com seguran\u00e7a p\u00fablica no ano de 2008: R$ 39,52 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Detalhista, o estudo relaciona o custo das propinas a provid\u00eancias que o governo deixa de adotar. Anota, por exemplo, que o PAC destinou \u00e0 rubrica \u201chabita\u00e7\u00e3o\u201d R$ 55,9 bilh\u00f5es. Com esse dinheiro, o governo espera prover moradia a 3,96 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Diz o estudo: \u201cUtilizando o custo m\u00e9dio anual da corrup\u00e7\u00e3o (R$ 41,5 bilh\u00f5es) para constru\u00e7\u00e3o das habita\u00e7\u00f5es, temos que 2,94 milh\u00f5es de fam\u00edlias poderiam ser atendidas, ou seja, 74% das fam\u00edlias previstas pelo PAC\u201d.<\/p>\n<p>Noutro exemplo, o documento da Fiesp escreve que o PAC destinou R$ 33,4 bilh\u00f5es \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de 45,3 mil quil\u00f4metros de rodovias. E conclui: aplicando-se o dinheiro da corrup\u00e7\u00e3o em asfalto, \u201cseria poss\u00edvel construir 56,3 mil quil\u00f4metros, isto \u00e9, todos os projetos do PAC e ainda sobrariam mais 11 mil quil\u00f4metros\u201d.<\/p>\n<p>O documento tamb\u00e9m afirma que,\u00a0no per\u00edodo entre 1990 e 2008, a m\u00e9dia do PIB per capita do Pa\u00eds era de US$ 7.954. E anota que, se o Brasil estivesse entre os pa\u00edses menos corruptos, esse valor subiria para US$ 9.184. Um aumento de 15,5% na m\u00e9dia do per\u00edodo -1,36% ao ano.<\/p>\n<p>Na Educa\u00e7\u00e3o, diz a Fiesp, o dinheiro da corrup\u00e7\u00e3o daria para bancar a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00famero matr\u00edculas na rede p\u00fablica de ensino fundamental de 34,5 milh\u00f5es para 51 milh\u00f5es de alunos. Iriam aos bancos escolares mais 16 milh\u00f5es de jovens.<\/p>\n<p>Na sa\u00fade, a grana dos malfeitos seria suficiente para aumentar o n\u00famero de leitos para interna\u00e7\u00e3o no SUS em 89% \u2013 327.012 camas hospitalares a mais. Em saneamento, os recursos desviados levariam esgoto a 23,3 milh\u00f5es de casas \u2013acr\u00e9scimo de 103,8% em rela\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 previsto no PAC.<\/p>\n<p>Em infraestrutura, livrando-se dos desvios, o Brasil teria 13.230 quil\u00f4metros adicionais de ferrovias. Ou 184 novos portos. Ou 277 novos aeroportos.<\/p>\n<p>No peda\u00e7o do documento dedicado \u00e0s \u201cpropostas de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o\u201d, a Fiesp oferece uma agenda dividida em dois t\u00f3picos: reformas institucionais e reformas econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>No rol de provid\u00eancias institucionais, inclui: reforma pol\u00edtica, reforma do sistema judici\u00e1rio e reforma administrativa (elimina\u00e7\u00e3o de cargos de confian\u00e7a, reduzindo o espa\u00e7o para barganhas e pedidos de propinas).<\/p>\n<p>Na lista de medidas econ\u00f4micas, relaciona: reforma fiscal, reforma tribut\u00e1ria e reformas microecon\u00f4micas (entre elas o fortalecimento das ag\u00eancias reguladoras, dotando-as de independ\u00eancia e autonomia real).<\/p>\n<p>Beleza. Mas o estudo da Fiesp sonega \u00e0 plat\u00e9ia o essencial. Deixa de mencionar o papel do empresariado no jogo da corrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 novidade que, em Bras\u00edlia, tudo est\u00e1 \u00e0 venda. Excetuando-se a m\u00e3e, que n\u00e3o tem valor de mercado, vende-se de emendas ao Or\u00e7amento \u00e0 honra pessoal.<\/p>\n<p>Quem desce a Esplanada, rumo \u00e0 Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, ouve o tilintar de verbas. Se h\u00e1 o balc\u00e3o, existe demanda. Os compradores de facilidades s\u00e3o, por\u00e9m, invis\u00edveis. E n\u00e3o h\u00e1 quem queira identific\u00e1-los. Muito menos a Fiesp.<\/p>\n<p>S\u00f3 de raro em raro, numa a\u00e7\u00e3o fortuita do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Pol\u00edcia Federal, joga-se um facho de luz sobre um ou outro corruptor. O empresariado reclama do chamado \u201ccusto Brasil\u201d. Queixa-se dos portos ineficientes, das estradas esburacadas, da burocracia governamental, disso e daquilo.<\/p>\n<p>Mas cultiva um estrepitoso sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o ao \u201ccusto pilhagem\u201d, que inclui, al\u00e9m de propinas e de financiamentos eleitorais obscuros, a sonega\u00e7\u00e3o descarada de impostos.<\/p>\n<p>Sustenta-se h\u00e1 d\u00e9cadas o conveniente discurso de que o Estado \u00e9 o grande vil\u00e3o do descaminho do empreendimento brasileiro. O que a Fiesp se exime de dizer \u00e9 que, do outro lado do balc\u00e3o de malfeitorias, encontra-se a m\u00e3o do empresariado. Sem ela, n\u00e3o haveria corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Folha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Fiesp levou \u00e0 p\u00e1gina que mant\u00e9m na web um estudo feito pelo seu Departamento de Competitividade e Tecnologia. Chama-se \u201cCorrup\u00e7\u00e3o: custos econ\u00f4micos e propostas de combate\u201d. 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