{"id":9871,"date":"2010-05-13T14:40:13","date_gmt":"2010-05-13T17:40:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=9871"},"modified":"2010-05-13T14:40:13","modified_gmt":"2010-05-13T17:40:13","slug":"clubes-desaparecem-em-meio-a-boom-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/13\/clubes-desaparecem-em-meio-a-boom-na-internet\/","title":{"rendered":"Clubes &#8220;desaparecem&#8221; em meio a boom na internet"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Matheus Pichonelli, iG S\u00e3o Paulo<\/strong> <\/em><\/p>\n<p><cite><\/cite>Menos TV e (muito) mais internet. Menos clubes recreativos e mais universidades. Menos livrarias e mais museus e bibliotecas. Em dez anos, os munic\u00edpios brasileiros tiveram mudan\u00e7as consider\u00e1veis na utiliza\u00e7\u00e3o dos chamados equipamentos culturais e meios de comunica\u00e7\u00e3o, de acordo com a mais recente pesquisa sobre o Perfil dos Munic\u00edpios Brasileiros &#8211; Gest\u00e3o 2009 (Munic), do IBGE.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do percentual das atividades culturais presentes nos munic\u00edpios mostra crescimento de espa\u00e7os p\u00fablicos em detrimento dos n\u00facleos particulares de entretenimento.<\/p>\n<p>Exemplo \u00e9 que, nesse per\u00edodo, os clubes recreativos, esp\u00e9cies de redutos tradicionais de classe m\u00e9dia alta, desapareceram em boa parte do Pa\u00eds: eram espalhados em 70,4% dos munic\u00edpios mas, at\u00e9 o ano passado, estavam presentes em apenas 61,4%. Isso significa que nos \u00faltimos anos muitas fam\u00edlias deixaram de frequentar esses espa\u00e7os de lazer, esporte e cultura. Com a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, muitas dessas institui\u00e7\u00f5es entraram em decad\u00eancia e perderam terreno para outros espa\u00e7os de conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O per\u00edodo coincide com o incremento da classe m\u00e9dia brasileira, sobretudo a partir de 2005, e a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 internet. No mesmo per\u00edodo, o acesso \u00e0 TV aberta diminuiu. Antes presente em 98,3% dos munic\u00edpios, a cobertura, em 2006, era de 95,2%.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o aponte explica\u00e7\u00e3o para a tend\u00eancia, que dever\u00e1 ser confirmada nos pr\u00f3ximos levantamentos, segundo o pr\u00f3prio IBGE, o estudo mostra crescimento de 239% do n\u00famero de cidades com provedores de internet. Isso significa que a internet chegou a mais da metade dos munic\u00edpios (55,6%) brasileiros nesses dez anos. Foi justamente no final dos anos 1990 que o t\u00e9cnico em eletr\u00f4nica Carlos Fernando Carboni, de 29 anos, trocou o t\u00edtulo do clube de onde era s\u00f3cio e vizinho, em Araraquara (SP), e instalou uma conex\u00e3o para internet em sua casa. O clube ainda existe, apesar de ter perdido quase metade dos s\u00f3cios nos \u00faltimos dez anos, entre eles a maioria dos amigos de Carboni, que passaram a manter contato por meio de programas de mensagens instant\u00e2neas, como na \u00e9poca o ICQ (esp\u00e9cie de precursor do MSN).<!--more--><\/p>\n<p>\u201cNa \u00e9poca a gente j\u00e1 deixava de lado a pr\u00e1tica social e come\u00e7ava a descobrir o mundo virtual. Hoje um dos meus filhos tem mais contato com computador do que com esporte. Com sete anos, j\u00e1 brinca com jogos e participa do Orkut\u201d, diz Carboni, pai tamb\u00e9m de outro garoto de dois anos. Desde que deixou o clube, juntamente com dois irm\u00e3os e os pais, ele conta que praticamente nunca mais voltou ali, embora morasse, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, na esquina do local. No fim de semana, costuma hoje levar a fam\u00edlia para passeios na unidade do Sesc da cidade, que n\u00e3o existia h\u00e1 dez anos \u2013 na mesma pesquisa o IBGE aponta tamb\u00e9m maior presen\u00e7a de centros culturais pelo Pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Mais bibliotecas, menos livrarias<\/strong><\/p>\n<p>Outro dado apontado pelo Munic \u00e9 que em dez anos houve queda de 21% do n\u00famero de munic\u00edpios com livrarias \u2013 eram 35,5% em 1999 e hoje elas s\u00f3 existem em 28%. Os dados, por\u00e9m, n\u00e3o indicam uma poss\u00edvel retra\u00e7\u00e3o do mercado editorial do Pa\u00eds, mas apontam que outras formas de distribui\u00e7\u00e3o, como internet e supermercados, podem ter pulverizado as vendas de livros neste per\u00edodo, segundo o instituto.<\/p>\n<p><cite>Foto: Ag\u00eancia Estado<\/cite> <a title=\"Biblioteca Nacional, localizada no centro do Rio de Janeiro\" rel=\"lightbox-ampliar\" href=\"\/cs\/Satellite?blobcol=urldata&amp;blobkey=id&amp;blobtable=MungoBlobs&amp;blobwhere=5300002202421&amp;ssbinary=true\">Ampliar<\/a><\/p>\n<p>Biblioteca Nacional, localizada no centro do Rio de Janeiro<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que o crescimento de bibliotecas p\u00fablicas, impulsionado por uma pol\u00edtica de universaliza\u00e7\u00e3o por parte do governo federal, foi de exatos 22,1%. Isso significa que, hoje, 93,2% das cidades brasileiras possuem ao menos uma biblioteca. Houve expans\u00e3o tamb\u00e9m no n\u00famero de cidades com teatros e museus, embora estes s\u00f3 cheguem a 21,1% e 23,3% dos munic\u00edpios, respectivamente. J\u00e1 os cinemas est\u00e3o hoje presentes em 9,1% dos munic\u00edpios \u2013 eram 7,2% h\u00e1 dez anos.<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m aumento significativo do n\u00famero de unidades de ensino superior, que praticamente dobraram entre 2001 e 2008: de 19,6% para 38,3%. A propor\u00e7\u00e3o, no entanto, ainda \u00e9 menor do que a de clubes.<\/p>\n<p>No per\u00edodo os brasileiros tiveram mais acesso, em suas cidades, a atividades esportivas. Em 86,7% dos munic\u00edpios existem atualmente est\u00e1dios ou gin\u00e1sios esportivos, n\u00famero que era de 65% h\u00e1 dez anos. A tend\u00eancia, de acordo com o instituto, \u00e9 que eventos como Copa do Mundo e Olimp\u00edadas ampliem o n\u00famero desses espa\u00e7os nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>J\u00e1 o n\u00famero de videolocadoras, presentes em 63,9% dos munic\u00edpios em 1999, atingiu 82,4% em 2006 e entrou em decl\u00ednio nos tr\u00eas anos seguintes. Hoje est\u00e3o presentes em 69,6% das cidades. Segundo o relat\u00f3rio, o fen\u00f4meno pode ser explicado em raz\u00e3o da conviv\u00eancia com outras formas de acesso aos v\u00eddeos e filmes (televis\u00e3o por assinatura e internet). A mesma revers\u00e3o recente ocorre com as lojas de CDs, fitas e DVDs, segundo o estudo.<\/p>\n<p>O estudo aponta que o aumento no n\u00famero de equipamentos ocorreu principalmente nas \u00e1reas mais empobrecidas do Pa\u00eds, onde muitos dos munic\u00edpios n\u00e3o tinham nenhum ou apenas um equipamento cultural: em 1999, 21,7% encontravam-se nessa situa\u00e7\u00e3o, reduzindo para 5,5% em 2009. Entretanto, aponta o IBGE, \u201cs\u00e3o ainda as regi\u00f5es mais desenvolvidas onde existe uma maior incid\u00eancia de infraestrutura cultural, sendo esta incid\u00eancia tamb\u00e9m mais significativa nos munic\u00edpios de maior porte populacional\u201d.<\/p>\n<p>A Munic permitiu identificar, segundo o relat\u00f3rio, uma na infraestrutura cultural que evidencia um \u201cforte tra\u00e7o audiovisual no Pa\u00eds\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Pichonelli, iG S\u00e3o Paulo Menos TV e (muito) mais internet. Menos clubes recreativos e mais universidades. Menos livrarias e mais museus e bibliotecas. Em dez anos, os munic\u00edpios brasileiros tiveram mudan\u00e7as consider\u00e1veis na utiliza\u00e7\u00e3o dos chamados equipamentos culturais e meios de comunica\u00e7\u00e3o, de acordo com a mais recente pesquisa sobre o Perfil dos Munic\u00edpios Brasileiros &#8211; Gest\u00e3o 2009 (Munic), do IBGE. 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