{"id":9431,"date":"2010-05-11T08:07:15","date_gmt":"2010-05-11T11:07:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=9431"},"modified":"2010-05-11T08:07:15","modified_gmt":"2010-05-11T11:07:15","slug":"assessor-de-lula-ajudou-libio-acusado-de-fraude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/11\/assessor-de-lula-ajudou-libio-acusado-de-fraude\/","title":{"rendered":"Assessor de Lula ajudou l\u00edbio acusado de fraude"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cidad\u00e3o do pa\u00eds de Kadafi queria registro de investidor para conseguir obter visto de perman\u00eancia no Brasil. Mesmo sendo s\u00f3cio do ex-senador Ney Suassuna numa empresa que nunca funcionou, com a interveni\u00eancia de Gilberto Carvalho conseguiu o documento no mesmo dia<\/strong><\/p>\n<div id=\"texto\">\n<div id=\"img\">\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"10\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" title=\"Antonio Cruz\/ABr\" src=\"http:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/upload\/congresso\/gilbertocarvalho_antoniocruz_ABr.jpg\" alt=\"Antonio Cruz\/ABr\" align=\"left\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho interveio para que cidad\u00e3o l\u00edbio tivesse sucesso numa fraude contra o Minist\u00e9rio do Trabalho<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p><em><strong>L\u00facio Lambranho<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na rotina do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (TEM), um dos expedientes \u00e9 emitir para estrangeiros que t\u00eam neg\u00f3cios no Brasil um registro de investidor no pa\u00eds. Trata-se de um documento importante para que empres\u00e1rios de outros pa\u00edses que atuam aqui consigam, na Pol\u00edcia Federal, um visto de perman\u00eancia. A burocracia estatal faz com que esses registros demorem, em m\u00e9dia, 30 dias para sair. H\u00e1, por\u00e9m, um cidad\u00e3o l\u00edbio que conseguiu uma proeza: seu registro de investidor foi prorrogado no mesmo dia em que foi pedido. E ele nem tinha uma empresa em atividade no Brasil para comprovar seus neg\u00f3cios. Era apenas s\u00f3cio do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB) numa firma que nunca saiu do papel.<\/p>\n<p>A proeza desse l\u00edbio, de nome Khalifa Abdalla Gannai, explica-se por uma importante interven\u00e7\u00e3o em seu favor. Gilberto Carvalho, chefe do gabinete pessoal do presidente Lula, fez um pedido pessoal ao Minist\u00e9rio do Trabalho para que o registro fosse prorrogado. O caso de Khalifa e a interven\u00e7\u00e3o de Gilberto Carvalho s\u00e3o agora alvos de uma den\u00fancia que est\u00e1 sendo investigada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/p>\n<p>Processos iguais ao de Khalifa\u00a0e sem interven\u00e7\u00f5es como a de Carvalho costumam demorar cerca de 30 dias para serem analisados e aprovados no Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o do MTE. O registro garante a perman\u00eancia de estrangeiros no pa\u00eds, caso seja comprovado que suas empresas t\u00eam capital investido e capacidade de gerar empregos por meio de atividade regular.<!--more--><\/p>\n<p>Mas este n\u00e3o era o caso da Libras Brasil 2001 Importadora e Exportadora. Inqu\u00e9rito da Delegacia de Imigra\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, ao qual o Congresso em Foco teve acesso, mostra que Gannai, Rodrigo Suassuna &#8211; filho de Ney Suassuna e gestor da empresa &#8211; e Daniela dos Santos, que dizia ser funcion\u00e1ria da sociedade entre o l\u00edbio e a fam\u00edlia Suassuna, fizeram falsas declara\u00e7\u00f5es no processo para mascarar a inatividade da Libras.<\/p>\n<p>Ao perceber a fraude, a Pol\u00edcia Federal encaminhou uma den\u00fancia contra os tr\u00eas ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) em novembro de 2009. Khalifa Gannai n\u00e3o conseguiu seu visto de perman\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo a den\u00fancia do MPF, no suposto endere\u00e7o da empresa funcionava o Banco BRJ, onde trabalha at\u00e9 hoje Daniela dos Santos. &#8220;A empresa na realidade nunca funcionou e, pois, n\u00e3o teve funcion\u00e1rios, muito menos, em 2005, um investidor&#8221;, diz a den\u00fancia j\u00e1 transformada em a\u00e7\u00e3o penal pela Justi\u00e7a Federal do Rio de Janeiro e assinada pelo procurador da Rep\u00fablica F\u00e1bio Magrinelli Coimbra.<\/p>\n<p>A fraude foi descoberta pela PF somente ap\u00f3s o pedido de Gilberto Carvalho e quando o Conselho do MTE decidiu prorrogar o registro da empresa em 7 de abril de 2005. Intimadas pela PF, duas funcion\u00e1rias do MTE, que avalizaram a prorroga\u00e7\u00e3o, informaram \u00e0 PF sobre o pedido do chefe de gabinete do presidente Lula.<\/p>\n<p><strong>Comitiva presidencial<\/strong><\/p>\n<p>Gannai \u00e9 personagem conhecido no Pal\u00e1cio do Planalto n\u00e3o por sua atua\u00e7\u00e3o como empres\u00e1rio no Brasil. Ele foi int\u00e9rprete do presidente em encontros com representantes da Libia. Em mar\u00e7o deste ano, por exemplo, foi ele quem traduziu para o presidente Lula os termos da conversa que ele teve com Saif Kadaf, filho do presidente da L\u00edbia, Muammar Kadafi. Saif \u00e9 artista pl\u00e1stico e encontrou-se com Lula em S\u00e3o Paulo. Em 2003, Khalifa foi int\u00e9rprete de reuni\u00f5es de Lula com o pr\u00f3prio Kadafi em Tr\u00edpoli, capital da L\u00edbia.<\/p>\n<p>Um m\u00eas ap\u00f3s a tentativa frustrada de conseguir o visto na PF de posse do documento do MTE, em maio de 2005, Khalifa Gannai serviu de tradutor para o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da L\u00edbia, Abdelrahman Mohamed Shalqam, durante a C\u00fapula Am\u00e9rica do Sul-Pa\u00edses \u00c1rabes, e em um encontro reservado com o presidente Lula no Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>O encontro n\u00e3o consta da agenda oficial do presidente publicada na internet do dia 9 de maio de 2005, mas est\u00e1 registrado no sistema interno de recebimento de autoridades estrangeiras do Pal\u00e1cio Planalto, conforme encaminhou ao site a assessoria de Gilberto Carvalho.\u00a0<\/p>\n<p>O portugu\u00eas fluente, que ele aprendeu durante os mais de 10 anos em que viveu no Brasil ajudou Khalifa Gannai a se aproximar das autoridades brasileiras e ser habilitado como tradutor de confian\u00e7a dos dois presidentes.<\/p>\n<p>E foi justamente essa condi\u00e7\u00e3o do l\u00edbio que deu agilidade fora do comum ao seu pedido no MTE. Al\u00e9m dos documentos, declara\u00e7\u00f5es falsas e do pedido de Carvalho, Khalifa e o chefe de gabinete de Lula disseram para as duas funcion\u00e1rias do conselho de imigra\u00e7\u00e3o que o tradutor integraria uma viagem do presidente Lula para a L\u00edbia. E que tal viagem aconteceria dias depois dele requerer a prorroga\u00e7\u00e3o do registro de investidor.<\/p>\n<p><strong>Contradi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Neste mesmo processo, a ent\u00e3o coordenadora do Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o, Hebe Teixeira Romano, e Helo\u00edsa Helena de Melo, atualmente na Divis\u00e3o de Engenharia do MTE, confirmaram o pedido de Gilberto Carvalho.<\/p>\n<p>Hebe \u2013 que hoje \u00e9 chefe de gabinete do advogado geral da Uni\u00e3o, Lu\u00eds Adams \u2013 tamb\u00e9m refor\u00e7ou, para dar agilidade \u00e0 concess\u00e3o da prorroga\u00e7\u00e3o, que\u00a0Khalifa \u201cintegraria comitiva presidencial \u00e0 L\u00edbia&#8221;.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, em abril de 2005, quando Khalifa fez o pedido de prorroga\u00e7\u00e3o do registro, o presidente brasileiro n\u00e3o esteve na L\u00edbia. Na ocasi\u00e3o, Lula foi \u00e0 It\u00e1lia e a pa\u00edses da \u00c1frica Ocidental.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, mesmo que n\u00e3o tenha sido para a L\u00edbia, Khalifa n\u00e3o poderia ter integrado aquela comitiva presidencial. No dia 11 de abril de 2005, quando Lula estava na \u00c1frica num encontro com o presidente de Camar\u00f5es, Paul Biya, Khalifa Gannai estava na Pol\u00edcia Federal do Rio de Janeiro, tentando obter seu visto de perman\u00eancia no Brasil, de posse exatamente da aprova\u00e7\u00e3o do registro de investidor concedido pelo Minist\u00e9rio do Trabalho quatro dias antes. A viagem de Lula seguiu at\u00e9 14 de abril, e o presidente teve encontros com l\u00edderes da Comunidade Econ\u00f4mica dos Estados da \u00c1frica Ocidental (Ecowas), organiza\u00e7\u00e3o da qual a L\u00edbia n\u00e3o faz parte.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um outro ponto question\u00e1vel\u00a0na afirma\u00e7\u00e3o de que Khalifa Gannai precisaria do registro de investidor para integrar a comitiva de Lula caso ele fosse \u00e0 L\u00edbia. Ele \u00e9 cidad\u00e3o l\u00edbio.\u00a0N\u00e3o precisaria de nenhuma documenta\u00e7\u00e3o brasileira para entrar sem problemas em seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p><strong>Carvalho se defende<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que disse Hebe Teixeira Romano, o chefe de gabinete de Lula afirmou que a suposta viagem presidencial n\u00e3o teve relev\u00e2ncia para a obten\u00e7\u00e3o do visto e que pedidos como este s\u00e3o comuns na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tenho como provar se ele esteve ou n\u00e3o nesta viagem. Isso n\u00e3o \u00e9 relevante, o relevante \u00e9 que essa pessoa ajudou a melhorar a rela\u00e7\u00e3o comercial entre os dois pa\u00edses&#8221;, disse Gilberto Carvalho em entrevista ao <strong>Congresso em Foco<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto ao m\u00e9rito, naturalmente, cabe ao profissional que analisa as condi\u00e7\u00f5es se deve ou n\u00e3o atender. Eu pedi pura e simplesmente para ele ser atendido&#8221;, defende-se o chefe de gabinete de Lula.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n&#8220;Se o postulante integrou ou n\u00e3o comitiva presidencial, n\u00e3o \u00e9 de meu conhecimento, nem de minha responsabilidade&#8221;, justificou em nota encaminhada ao site a ent\u00e3o coordenadora do Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o do MTE, Hebe Teixeira Romano.<\/p>\n<p><strong>Fraude<\/strong><\/p>\n<p>Caso, por\u00e9m,\u00a0se comprove o que investiga o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a interven\u00e7\u00e3o feita em favor de Khalifa Gannai contribuiu para que o l\u00edbio tivesse sucesso numa fraude. Para conseguir o registro no MTE, o l\u00edbio apresentou documento em que afirma ter aplicado 200 mil d\u00f3lares no pa\u00eds, e um projeto em que informa atua\u00e7\u00e3o de sua empresa no mercado de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias em geral. Mas, no registro feito na Receita Federal ainda em 2001, a empresa tinha no ramo de atividade a comercializa\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica como \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ocorre que, um ano antes da prorroga\u00e7\u00e3o do registro, o s\u00f3cio de Khalifa, o ex-senador Ney Suassuna, j\u00e1 declarara publicamente que a empresa dos dois n\u00e3o tinha sa\u00eddo do papel. Em 2004, Suassuna, ent\u00e3o l\u00edder do PMDB no Senado, foi aos jornais para responder mat\u00e9ria publicada pelo jornal Correio Braziliense. A reportagem mostrava a rela\u00e7\u00e3o dele com o l\u00edbio. Suassuna e Khalifa pararam no jornal por uma raz\u00e3o n\u00e3o muito nobre: suspeitas de remessas ilegais de dinheiro para o exterior a partir de investiga\u00e7\u00f5es da CPI do Banestado.<\/p>\n<p>&#8220;A nossa sociedade acabou n\u00e3o saindo do papel, j\u00e1 que ele foi obrigado a retornar ao seu pa\u00eds de origem e eu n\u00e3o tive tempo de tocar a empresa&#8221;, respondeu Suassuna, ao justificar a sociedade com o l\u00edbio. O relat\u00f3rio final da comiss\u00e3o, que n\u00e3o chegou a ser votado, isentou Suassuna das acusa\u00e7\u00f5es de lavagem de dinheiro e remessas ilegais para o exterior.<\/p>\n<p>Assim, as declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do ex-senador j\u00e1 demonstravam que o registro no MTE n\u00e3o poderia ter sido prorrogado. Afinal, o s\u00f3cio brasileiro da empresa afirmava que ela nunca teve empregados e n\u00e3o funcionou de fato, pr\u00e9-requisitos \u00f3bvios para a concess\u00e3o do registro de investidor.\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u201cPe\u00e7a-chave\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Ao <strong>Congresso em Foco<\/strong>, Carvalho disse que, na ocasi\u00e3o, n\u00e3o sabia das liga\u00e7\u00f5es de Khalifa Gannai com Ney Suassuna. &#8220;Vim saber isso agora, posteriormente, que tinha vincula\u00e7\u00e3o com o senador. N\u00e3o houve pedido do senador. Esta pessoa \u00e9 de confian\u00e7a e, pelo que eu sei, continua ajudando empresas brasileiras que investem na L\u00edbia&#8221;, contou.<\/p>\n<p>&#8220;Ele \u00e9 o \u00fanico tradutor que funciona, o \u00fanico de confian\u00e7a. Eu estranho este processo do Kalifa, pois para n\u00f3s ele tem sido uma pe\u00e7a-chave para as rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que deve intrigar os investigadores do caso. No relat\u00f3rio de gest\u00e3o de 2005 do Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o consta a aprova\u00e7\u00e3o do pedido do s\u00f3cio do ex-senador junto com a de outros processos de estrangeiros deferidos pela pasta no mesmo ano, apesar de ter sido publicado no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU).\u00a0<\/p>\n<p>O site tenta h\u00e1 mais de uma semana contato com o MTE e com a servidora Helo\u00edsa Helena de Melo, por meio da assessoria de imprensa do Minist\u00e9rio do Trabalho. At\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, a reportagem n\u00e3o recebeu retorno ao pedido de esclarecimentos sobre este caso.<\/p>\n<p>Congresso em Foco<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidad\u00e3o do pa\u00eds de Kadafi queria registro de investidor para conseguir obter visto de perman\u00eancia no Brasil. Mesmo sendo s\u00f3cio do ex-senador Ney Suassuna numa empresa que nunca funcionou, com a interveni\u00eancia de Gilberto Carvalho conseguiu o documento no mesmo dia Chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho interveio para que cidad\u00e3o l\u00edbio tivesse sucesso numa fraude contra o Minist\u00e9rio do Trabalho L\u00facio Lambranho Na rotina do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (TEM), um dos expedientes \u00e9 emitir para estrangeiros que t\u00eam neg\u00f3cios no Brasil um registro de investidor no pa\u00eds. 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