{"id":8965,"date":"2010-05-07T07:48:30","date_gmt":"2010-05-07T10:48:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=8965"},"modified":"2010-05-07T07:48:30","modified_gmt":"2010-05-07T10:48:30","slug":"entrevista-especialista-do-ministerio-do-meio-ambiente-fala-sobre-potencial-da-caatinga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/05\/07\/entrevista-especialista-do-ministerio-do-meio-ambiente-fala-sobre-potencial-da-caatinga\/","title":{"rendered":"Entrevista: especialista do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente fala sobre potencial da caatinga"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin-left: 0px; margin-right: 0px; border: 0px;\" src=\"http:\/\/pmvc.com.br\/v1\/images\/editor\/images\/IMGP0003.JPG\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"150\" height=\"200\" align=\"left\" \/>Na manh\u00e3 desta quinta-feira, 06, o vice-prefeito de Vit\u00f3ria da Conquista, Ricardo Marques, esteve reunido com o t\u00e9cnico do Minist\u00e9rio de Meio Ambiente\/MMA, Jos\u00e9 Roberto de Lima, que veio a cidade participar da Semana de Agronomia, realizada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia\/Uesb.<\/p>\n<p>O assunto em pauta foi a desertifica\u00e7\u00e3o,\u00a0fen\u00f4meno que corresponde \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da terra nas regi\u00f5es \u00e1ridas, semi-\u00e1ridas e sub-\u00famidas secas, resultante de v\u00e1rios fatores, entre eles, as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e as atividades humanas.\u00a0No Brasil, o problema tem ocorrio, principalmente, no Nordeste. O especialista ainda falou sobre os cen\u00e1rios para 2050 e quais pol\u00edticas p\u00fablicas mais vi\u00e1veis para as mudan\u00e7a necess\u00e1rias para frear problema.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Segundo Ricardo Marques, &#8220;a reuni\u00e3o com Jos\u00e9 Roberto foi importante para ampliar e fortalecer a rede s\u00f3cioambiental de pol\u00edticas p\u00fablicas e debates que tem sido criada em Vit\u00f3ria da Conquista&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Roberto \u00e9 mestre em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o e doutorando em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Trabalha h\u00e1 mais de 20 anos na \u00e1rea de Pol\u00edticas P\u00fablicas de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e est\u00e1 h\u00e1 sete no MMA. Ap\u00f3s a reuni\u00e3o com o vice-prefeito, o especialista concedeu a seguinte entrevista para a Secretaria Municipal de Comunica\u00e7\u00e3o:<!--more--><\/p>\n<p><strong>Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013<\/strong> Durante esses 20 anos em que o senhor trabalha com o desenvolvimento regional sustent\u00e1vel, houve avan\u00e7os nas pol\u00edticas p\u00fablicas para o meio ambiente no Brasil?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Roberto de Lima \u2013<\/strong> Os avan\u00e7os foram significativos. Se nas d\u00e9cadas de 80 e 90 n\u00f3s t\u00ednhamos um momento de diminui\u00e7\u00e3o do Estado, de marginaliza\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio p\u00fablico e uma infla\u00e7\u00e3o que n\u00e3o nos permitia, em nenhuma hip\u00f3tese, fazer um planejamento mais adequado; hoje vivemos um momento em que a pol\u00edtica p\u00fablica se fortalece, o funcion\u00e1rio p\u00fablico se fortalece tamb\u00e9m como uma classe importante para o pa\u00eds e, principalmente, a redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o que permite fazer planejamentos cada vez mais ajustados\u00a0\u00e0s realidades regionais.<\/p>\n<p><strong>Secom \u2013<\/strong> Como est\u00e3o as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas a esta \u00e1rea no Nordeste, regi\u00e3o em que o senhor se especializou, e quais os avan\u00e7os?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Roberto \u2013<\/strong> Com rela\u00e7\u00e3o ao Nordeste t\u00eam algumas quest\u00f5es que nos preocupam muito, apesar da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica est\u00e1 mudando. Hoje se tem novos cen\u00e1rios e elementos muito importantes que precisam ser considerados nesta redefini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para o Nordeste. A mais grave conseq\u00fc\u00eancia disso tudo \u00e9 a desertifica\u00e7\u00e3o, que tem avan\u00e7ado e se mostrado um problema muito s\u00e9rio para o futuro da regi\u00e3o, principalmente somado aos novos cen\u00e1rios de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Isso precisa ser melhor divulgado e entendido pelo conjunto dos gestores. Os cen\u00e1rios s\u00e3o preocupantes. \u00c9 poss\u00edvel que at\u00e9 2050 uma faixa significativa de terras do Nordeste seja sacada do processo produtivo por conta da desertifica\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e de toda altera\u00e7\u00e3o do ciclo biol\u00f3gico resultante do desmatamento. N\u00e3o estamos dizendo que isso vai acontecer, estamos dizendo que ao se manter esta tend\u00eancia, a realidade caminha neste sentido. \u00c9 preciso que as pol\u00edticas p\u00fablicas vejam de forma mais clara o que est\u00e1 acontecendo, entendam este ciclo para que a gente possa redirecionar as pol\u00edticas no sentido de criar um Nordeste mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Secom \u2013<\/strong> Uma das vegeta\u00e7\u00f5es mais predominantes no Nordeste \u00e9 a caatinga. Quais as caracter\u00edsticas desta vegeta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Roberto \u2013<\/strong> Quando se fala em biomas todo mundo d\u00e1 muito valor \u00e0 Amaz\u00f4nia e ao cerrado e a caatinga s\u00f3 agora passa a ser compreendida como bioma. A caatinga \u00e9 uma floresta adaptada\u00a0\u00e0s regi\u00f5es clim\u00e1ticas com longos per\u00edodos de seca. Ela \u00e9 \u00fanica no mundo, eminentemente brasileira, e riqu\u00edssima em biodiversidade. Al\u00e9m disso, tem uma capacidade enorme de proporcionar uma vida digna ao sertanejo e isso nunca foi levado em considera\u00e7\u00e3o pelo conjunto das pol\u00edticas nacionais. A caatinga sempre foi vista como um bioma sem nenhum valor, uma regi\u00e3o-problema. Nunca se tratou o Nordeste como uma regi\u00e3o potencial. A gente precisa mudar com urg\u00eancia e a partir de dentro. A caatinga tem uma condi\u00e7\u00e3o muito grande, se for bem explorada de forma adequada, dentro dos limites ambientais e clim\u00e1ticos, de alavancar o desenvolvimento do Nordeste. E alavancando o desenvolvimento do Nordeste, alavanca tamb\u00e9m o desenvolvimento do pa\u00eds. O que nos preocupa hoje \u00e9 o desmatamento. Saiu recentemente os \u00edndices de desmatamento: j\u00e1 perdemos mais de 50% do bioma caatinga, principalmente em \u00e1reas nascentes e margens de rios. Se a falta de \u00e1gua \u00e9 um problema e se voc\u00ea sabe que desmatando a nascente ela vai secar, voc\u00ea n\u00e3o pode desmat\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>Secom \u2013<\/strong> Qual a maneira mais correta de conviver com esta vegeta\u00e7\u00e3o, de mudar a vis\u00e3o sobre a caatinga?\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Roberto \u2013<\/strong> N\u00f3s come\u00e7amos totalmente errado o processo de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional. O Nordeste come\u00e7ou com a produ\u00e7\u00e3o de coisas completamente inadequadas com as quest\u00f5es ambientais e clim\u00e1ticas da regi\u00e3o e at\u00e9 hoje a maioria dos colonos t\u00eam a cultura de produ\u00e7\u00e3o de milho, de arroz, de feij\u00e3o, produtos que n\u00e3o s\u00e3o adaptados\u00a0\u00e0s regi\u00f5es semi\u00e1ridas. Existe uma s\u00e9rie de outros produtos que a caatinga oferece e que n\u00e3o s\u00e3o considerados, n\u00e3o s\u00e3o explorados e que poderiam d\u00e1 outra condi\u00e7\u00e3o de vida ao sertanejo, at\u00e9 melhor do que essas culturas alien\u00edgenas, introduzidas de formas arbitr\u00e1rias. Ent\u00e3o se tem um processo cultural a mudar, tem-se que repensar o modelo de produ\u00e7\u00e3o do Nordeste brasileiro para que possamos realmente evitar o desmatamento do bioma. Porque o modelo de explora\u00e7\u00e3o da agricultura do Brasil \u00e9 colonial, por incr\u00edvel que pare\u00e7a; 500 anos de tantos desastres e n\u00f3s ainda insistimos em manter os modelos coloniais de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Secom \u2013<\/strong> Como v\u00ea o interesse do Governo Municipal de Vit\u00f3ria da Conquista em buscar este di\u00e1logo com especialistas ambientais?<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Roberto &#8211;<\/strong> \u00c9 importante que os gestores tenham conhecimento sobre estas pesquisas. N\u00e3o queremos trabalh\u00e1-las apenas na esfera cient\u00edfica, queremos que os governantes saibam desta realidade para que eles n\u00e3o promovam pol\u00edticas que aumentam ainda mais o problema apresentado e sim que mude este cen\u00e1rio. Creio que a nossa gera\u00e7\u00e3o pode deixar um Brasil muito melhor.<\/p>\n<p>SECOM\/PMVC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 desta quinta-feira, 06, o vice-prefeito de Vit\u00f3ria da Conquista, Ricardo Marques, esteve reunido com o t\u00e9cnico do Minist\u00e9rio de Meio Ambiente\/MMA, Jos\u00e9 Roberto de Lima, que veio a cidade participar da Semana de Agronomia, realizada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia\/Uesb. O assunto em pauta foi a desertifica\u00e7\u00e3o,\u00a0fen\u00f4meno que corresponde \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da terra nas regi\u00f5es \u00e1ridas, semi-\u00e1ridas e sub-\u00famidas secas, resultante de v\u00e1rios fatores, entre eles, as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e as atividades humanas.\u00a0No Brasil, o problema tem ocorrio, principalmente, no Nordeste. 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