{"id":85067,"date":"2018-02-09T07:36:57","date_gmt":"2018-02-09T10:36:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=85067"},"modified":"2018-06-20T08:42:13","modified_gmt":"2018-06-20T11:42:13","slug":"artigo-o-futuro-das-agencias-missionarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2018\/02\/09\/artigo-o-futuro-das-agencias-missionarias\/","title":{"rendered":"Artigo: O Futuro das Ag\u00eancias Mission\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Eddie Arthur<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o: por Silas Tostes<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/wp-content\/uploads\/bfi_thumb\/m6-opti-nkkgeq26hwlxprbs8w9ejiaqfu1com79iffywc8cjs.jpg\" alt=\"m6-opti\" width=\"468\" height=\"234\" \/><\/p>\n<p>As ag\u00eancias mission\u00e1rias surgiram originalmente no contexto do mundo crist\u00e3o para enviar obreiros ao mundo n\u00e3o crist\u00e3o, com o prop\u00f3sito de pregar o evangelho. Neste artigo, com base na situa\u00e7\u00e3o do Reino Unido, Eddie Arthur reflete sobre a relev\u00e2ncia e o papel das ag\u00eancias mission\u00e1rias da atualidade. O mundo em que as ag\u00eancias operavam mudou:<\/p>\n<p>\u2022 Hoje, o que antes eram campos mission\u00e1rios, t\u00eam um n\u00famero maior de crist\u00e3os do que os pa\u00edses que antes enviavam mission\u00e1rios.<br \/>\n\u2022 Devido \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 pessoas de todas as na\u00e7\u00f5es nas grandes cidades do mundo.<br \/>\n\u2022 Os pa\u00edses que enviavam mission\u00e1rios, e que se consideravam parte do mundo crist\u00e3o, hoje n\u00e3o se consideram pa\u00edses crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Sendo assim, qual seria o papel de uma ag\u00eancia mission\u00e1ria nesta nova realidade? Dado que o campo mission\u00e1rio mudou, manter as mesmas estrat\u00e9gias n\u00e3o funciona mais; mudan\u00e7as devem ser feitas a partir de uma reflex\u00e3o que leve em considera\u00e7\u00e3o o contexto no qual a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria se dar\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 base b\u00edblica para a proclama\u00e7\u00e3o do evangelho.<br \/>\nNo Brasil, temos de fazer tamb\u00e9m a nossa li\u00e7\u00e3o de casa. Com base no nosso contexto brasileiro, devemos considerar qual \u00e9 o papel das ag\u00eancias mission\u00e1rias hoje.<\/p>\n<p>E, assim, a considera\u00e7\u00e3o a ser feita \u00e9 qual \u00e9 o papel de uma ag\u00eancia mission\u00e1ria \u00e0 luz das Escrituras. Embora este artigo pesquise a realidade inglesa e fale \u00e0 mesma, n\u00e3o deixa de ter relev\u00e2ncia para as ag\u00eancias mission\u00e1rias brasileiras. Ele nos leva a refletir sobre a import\u00e2ncia e o papel primordial da nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Silas Tostes<br \/>\nMiss\u00e3o Antioquia<br \/>\nAlian\u00e7a Crist\u00e3 Evang\u00e9lica Brasileira<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Antes de iniciarmos, precisamos definir brevemente o que entendemos por \u201cag\u00eancias mission\u00e1rias\u201d. Ralph Winter faz distin\u00e7\u00e3o entre dois tipos de estruturas de igreja: a estrutura ou modalidade eclesi\u00e1stica estabelecida e a estrutura ou associa\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>\u00a0No entanto, ainda que seja amplamente utilizada e discutida (veja 3.1 abaixo), a defini\u00e7\u00e3o de Winter \u00e9 ampla demais para nossas necessidades, por cobrir uma vasta gama de estruturas das quais nem todas seriam consideradas ag\u00eancias mission\u00e1rias.<!--more--><\/p>\n<p>Em termos hist\u00f3ricos, a g\u00eanese das ag\u00eancias mission\u00e1rias \u00e9 com frequ\u00eancia remontada \u00e0 obra de Carey, publicada em 1792:\u00a0<em>Enquiry into the Obligation of Christians, to use Means for the Conversion of the Heathen\u00a0<\/em>[Uma inquiri\u00e7\u00e3o sobre a responsabilidade de os crist\u00e3os usarem meios para a\u00a0convers\u00e3o dos pag\u00e3os] e a subsequente funda\u00e7\u00e3o da Sociedade Mission\u00e1ria Batista.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>\u00a0Carey prop\u00f4s o estabelecimento de sociedades volunt\u00e1rias com o prop\u00f3sito de dar condi\u00e7\u00f5es para os crist\u00e3os protestantes servirem como mission\u00e1rios em lugares distantes. Essas sociedades seriam dirigidas por diretorias independentes que cuidariam da administra\u00e7\u00e3o e do recrutamento necess\u00e1rios no Reino Unido. Mais de duzentos anos depois, a maior parte das ag\u00eancias mission\u00e1rias ainda funciona de modo bem semelhante ao sugerido por Carey, embora com a complexidade adicional que decorre do fato de serem organiza\u00e7\u00f5es internacionais com estruturas para administra\u00e7\u00e3o e governan\u00e7a em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil definir as ag\u00eancias em termos do que elas fazem. No in\u00edcio, o prop\u00f3sito principal das ag\u00eancias mission\u00e1rias era evangel\u00edstico, ainda que os servi\u00e7os educativos e m\u00e9dicos muitas vezes tamb\u00e9m fizessem parte de sua miss\u00e3o. Mais tarde, passaram a existir organiza\u00e7\u00f5es especialistas que t\u00eam por foco, por exemplo, o apoio \u00e0 igreja perseguida, a tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, assist\u00eancia social e desenvolvimento e outras \u00e1reas de a\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>\u00c9 igualmente dif\u00edcil definir as ag\u00eancias mission\u00e1rias em termos do relacionamento delas com as igrejas. Algumas, como a Sociedade Wycliffe de Tradutores da B\u00edblia, s\u00e3o governadas independentemente de qualquer estrutura eclesi\u00e1stica ou denominacional. Outras, como a Grace Baptist Mission [Miss\u00e3o Batista Gra\u00e7a], s\u00e3o quase independentes, como o bra\u00e7o mission\u00e1rio de uma denomina\u00e7\u00e3o. A Sociedade Mission\u00e1ria da Igreja Anglicana (CMS) tem muitas das caracter\u00edsticas de uma ag\u00eancia mission\u00e1ria, mas \u00e9 na realidade uma comunidade da Igreja da Inglaterra \u2014 uma express\u00e3o mission\u00e1ria dispersa da Igreja. Dando mais um passo, h\u00e1 tamb\u00e9m igrejas e denomina\u00e7\u00f5es envolvidas em trabalho mission\u00e1rio em outros pa\u00edses, sem nenhuma interven\u00e7\u00e3o de uma estrutura agenciadora.<\/p>\n<p>Falando em termos pr\u00e1ticos, no contexto do Reino Unido o modo mais simples de identificar ag\u00eancias evang\u00e9licas \u00e9 pelo exame das organiza\u00e7\u00f5es que se autoidentificam como tais por meio de sua afilia\u00e7\u00e3o \u00e0 Global Connections, uma rede brit\u00e2nica de ag\u00eancias, igrejas, faculdades e servi\u00e7os de apoio.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>\u00a0Isso exclui um pequeno n\u00famero de ag\u00eancias que optaram por n\u00e3o se juntarem \u00e0 Global Connections, mas inclui a grande maioria delas.<\/p>\n<p>Mesmo essa defini\u00e7\u00e3o nos deixa com uma vasta gama de organiza\u00e7\u00f5es para considerar. Para os prop\u00f3sitos deste artigo, vamos nos concentrar principalmente no que Fiedler chama de \u201cmiss\u00f5es de f\u00e9\u201d \u2014 aquelas que \u201cremontam suas origens, ou as origens dos seus princ\u00edpios, direta ou indiretamente \u00e0 Miss\u00e3o para o Interior da China\u201d.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>\u00a0Isso inclui a maioria das ag\u00eancias grandes e bem conhecidas como OMF, AIM, SIM e Wycliffe. Essas ag\u00eancias colocam mission\u00e1rios em todo o mundo e t\u00eam liga\u00e7\u00f5es com muitas igrejas e denomina\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o prestam contas a nenhum grupo eclesi\u00e1stico espec\u00edfico.<\/p>\n<h3>1.1 O CONTEXTO HIST\u00d3RICO<\/h3>\n<p>As miss\u00f5es evangel\u00edsticas desenvolveram-se numa \u00e9poca em que era poss\u00edvel considerar o mundo como sendo dividido entre o Ocidente crist\u00e3o e o restante n\u00e3o crist\u00e3o. A distin\u00e7\u00e3o entre os dois era clara e a miss\u00e3o podia ser distinguida de outras formas de servi\u00e7o crist\u00e3o porque envolvia viajar para fora do mundo crist\u00e3o e entrar num mundo n\u00e3o crist\u00e3o.<\/p>\n<p>O mundo pol\u00edtico em que as ag\u00eancias mission\u00e1rias brit\u00e2nicas se desenvolveram era dominado pelo Imp\u00e9rio. Os lugares a que ag\u00eancias brit\u00e2nicas enviavam mission\u00e1rios eram tamb\u00e9m, com muita frequ\u00eancia, os mesmos lugares que se tornaram col\u00f4nias do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico. Ainda que o relacionamento entre as autoridades coloniais e os mission\u00e1rios fosse complexo, de certo modo eles estavam estreitamente entrela\u00e7ados, uma vez que o governo via os mission\u00e1rios como parte da estrat\u00e9gia para a expans\u00e3o do dom\u00ednio colonial.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>\u00a0Do ponto de vista dos que estavam recebendo os mission\u00e1rios, podia ser muito dif\u00edcil separar o programa religioso dos mission\u00e1rios do programa pol\u00edtico e comercial dos seus supervisores coloniais. Tamb\u00e9m havia a inevit\u00e1vel desigualdade de poder; os mission\u00e1rios eram vistos como pessoas amparadas pelas vastas riquezas e pelo poder militar do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>As ag\u00eancias mission\u00e1rias desenvolveram-se num clima intelectual dominado pelo Iluminismo, num per\u00edodo de r\u00e1pido desenvolvimento tecnol\u00f3gico. As ag\u00eancias tendiam a ser organiza\u00e7\u00f5es altamente pragm\u00e1ticas que adotavam rapidamente novas pr\u00e1ticas do mundo empresarial e comercial para fazer avan\u00e7ar a causa mission\u00e1ria.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>\u00a0Nos duzentos anos subsequentes, as ag\u00eancias mission\u00e1rias tamb\u00e9m foram r\u00e1pidas em adotar novas tecnologias como o r\u00e1dio, os computadores e a internet para expandir sua obra. Ao mesmo tempo, a separa\u00e7\u00e3o entre sagrado e secular, associada ao Iluminismo, tendia a distanciar os mission\u00e1rios das pessoas \u00e0s quais eles estavam servindo, uma vez que com frequ\u00eancia n\u00e3o conseguiam avaliar as complexas cosmovis\u00f5es espirituais de muitas sociedades ao redor do mundo.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a><\/p>\n<h3>1.2 A SITUA\u00c7\u00c3O HOJE<\/h3>\n<h3>1.2.1 RELIGI\u00c3O<\/h3>\n<p>Nos \u00faltimos cinquenta anos, o perfil religioso do mundo mudou de maneira impressionante. O que Andrew Walls chama de centro de gravidade crist\u00e3o passou do Ocidente para a \u00c1frica, a \u00c1sia e a Am\u00e9rica Latina.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>Philip Jenkins descreve essa mudan\u00e7a do seguinte modo:<\/p>\n<p>J\u00e1 hoje, as maiores comunidades crist\u00e3s no planeta encontram-se na \u00c1frica e na Am\u00e9rica Latina. Se quisermos visualizar um \u201ct\u00edpico\u201d crist\u00e3o contempor\u00e2neo, devemos pensar numa mulher que vive numa vila na Nig\u00e9ria ou numa favela brasileira.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Compara\u00e7\u00f5es entre tend\u00eancias em Uganda e no Reino Unido fornecem uma indica\u00e7\u00e3o do processo que est\u00e1 em andamento. O cristianismo s\u00f3 fincou ra\u00edzes em Uganda cerca de 150 anos atr\u00e1s, mas hoje 75% da popula\u00e7\u00e3o descrever-se-iam como crist\u00e3os.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>\u00a0Em contraste, um estudo realizado em 2005 pela Universidade de Manchester mostrou que apenas 50% dos pais crist\u00e3os brit\u00e2nicos conseguiram transmitir sua f\u00e9 aos filhos,<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>enquanto um relat\u00f3rio de Peter Brierly sugere que o n\u00famero de membros de denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s no Reino Unido cair\u00e1 para menos de 5% por volta de 2040, comparado com um pouco menos de 10% em 2005.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p>Sanneh resume o efeito cumulativo dessas duas tend\u00eancias:<\/p>\n<p>Por volta de 1985 houve mais de 16.500 convers\u00f5es por dia (na \u00c1frica), produzindo uma taxa anual de mais de 6 milh\u00f5es. No mesmo per\u00edodo, cerca de 4.300 pessoas estavam deixando a Igreja a cada dia na Europa e na Am\u00e9rica do Norte.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>As diferentes experi\u00eancias da igreja no Ocidente e em outros lugares produziram uma mudan\u00e7a no perfil dos crist\u00e3os no mundo. Em 1800, bem mais de 90% dos crist\u00e3os viviam na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, enquanto em 1990, mais de 60% viviam na \u00c1frica, na Am\u00e9rica do Sul, na \u00c1sia e no Pac\u00edfico, sendo que essa propor\u00e7\u00e3o aumenta anualmente.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p>As ag\u00eancias mission\u00e1rias evang\u00e9licas que foram originalmente fundadas para levar o evangelho \u00e0 \u00c1sia e \u00e0 \u00c1frica agora trabalham num contexto em que com frequ\u00eancia h\u00e1 uma propor\u00e7\u00e3o mais elevada de crist\u00e3os nos \u201ccampos mission\u00e1rios\u201d do que nos pa\u00edses que tradicionalmente enviavam mission\u00e1rios.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma crescente disparidade entre a cosmovis\u00e3o da igreja no mundo em desenvolvimento e a das igrejas que enviam mission\u00e1rios. As igrejas do hemisf\u00e9rio Sul tendem a ser espiritualmente vibrantes, esperando que Deus intervenha em situa\u00e7\u00f5es em que suas contrapartes do Norte buscariam causas e solu\u00e7\u00f5es racionais e cient\u00edficas.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 um perigo de o Sul cada vez mais crist\u00e3o definir-se contra o que eles veem como o Norte secular e por demais liberal e de que isso possa levar a uma nova cis\u00e3o na igreja.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a>Podemos j\u00e1 estar vendo isso demonstrado na diversidade de atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 homossexualidade dentro da Comunh\u00e3o Anglicana.<\/p>\n<h3>1.2.2. POL\u00cdTICA<\/h3>\n<p>Desde a Segunda Guerra Mundial, praticamente todos os pa\u00edses que j\u00e1 fizeram parte do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico obtiveram independ\u00eancia, o que alterou fundamentalmente o relacionamento entre o Reino Unido e suas ex-col\u00f4nias.<\/p>\n<p>O relacionamento entre os mission\u00e1rios e os crist\u00e3os locais tamb\u00e9m mudou. J\u00e1 n\u00e3o se pode pressupor que os mission\u00e1rios ser\u00e3o os respons\u00e1veis; eles t\u00eam de aprender a trabalhar sob a dire\u00e7\u00e3o de l\u00edderes crist\u00e3os locais.<\/p>\n<p>No Reino Unido, o desaparecimento do Imp\u00e9rio tem sido acompanhado de um crescimento da culpa p\u00f3s-colonial que, por si, causa um impacto na obra mission\u00e1ria. A miss\u00e3o de proselitismo, que incentiva as pessoas a trocarem a religi\u00e3o que seguem pelo cristianismo, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 considerada adequada no mundo contempor\u00e2neo.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a>\u00a0Lamin Sanneh relata a hist\u00f3ria de um mission\u00e1rio brit\u00e2nico metodista que o desencorajou a converter-se do islamismo para o cristianismo.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn18\" name=\"_ednref18\">[18]<\/a>\u00a0O te\u00f3logo evang\u00e9lico Steve Holmes demonstrou que as cr\u00edticas da sociedade contra as miss\u00f5es est\u00e3o causando um impacto cada vez maior na maneira pela qual as congrega\u00e7\u00f5es percebem as ag\u00eancias mission\u00e1rias e a obra delas.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a>\u00a0Paul Hildreth chama a aten\u00e7\u00e3o para uma situa\u00e7\u00e3o paradoxal em que igrejas do Reino Unido est\u00e3o cada vez mais interessadas em miss\u00f5es para mu\u00e7ulmanos, mas sentem-se constrangidas pelo politicamente correto quanto a que podem dizer.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn20\" name=\"_ednref20\">[20]<\/a><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, h\u00e1 uma hostilidade ativa na m\u00eddia secular em geral em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obra da miss\u00e3o crist\u00e3. Isso pode ser visto nas p\u00e1ginas de coment\u00e1rios dos jornais ou de publica\u00e7\u00f5es importantes como\u00a0<em>The Missionaries<\/em>\u00a0de Norman Lewis.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn21\" name=\"_ednref21\">[21]<\/a><\/p>\n<p>Talvez seja significativo que em 2011 uma importante pesquisa sobre cren\u00e7as e h\u00e1bitos dos crist\u00e3os evang\u00e9licos no Reino Unido n\u00e3o fazia refer\u00eancia a miss\u00f5es em outros pa\u00edses.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn22\" name=\"_ednref22\">[22]<\/a><\/p>\n<h3>1.2.3. GLOBALIZA\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p>Globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o do progresso e da influ\u00eancia econ\u00f4mica ocidental por todo o mundo, em particular pela tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. \u201cEla tem um potencial ben\u00e9fico, mas tamb\u00e9m tem sido a origem de uma sociedade de consumo no Ocidente, uma crescente separa\u00e7\u00e3o entre ricos e pobres, destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, deslocamento massivo de pessoas e uma for\u00e7a homogeneizadora que imp\u00f5e o esp\u00edrito da cultura ocidental \u00e0s culturas do mundo.\u201d<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn23\" name=\"_ednref23\">[23]<\/a>A miss\u00e3o crist\u00e3 sempre foi desenvolvida dentro de um dado contexto. No entanto, o impacto da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 que agora n\u00e3o existe isso de um contexto puramente local. Cada situa\u00e7\u00e3o no mundo \u00e9 informada pelo contexto global maior.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn24\" name=\"_ednref24\">[24]<\/a><\/p>\n<p>A antiga distin\u00e7\u00e3o entre miss\u00f5es \u201cnacionais\u201d e miss\u00f5es \u201cestrangeiras\u201d est\u00e1 se tornando cada vez mais redundante num mundo globalizado. Conquanto continuaremos a usar esses temos neste artigo, trata-se mais de uma conveni\u00eancia que nos permite evitar longas explana\u00e7\u00f5es em vez de um reflexo da situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<h3>1.2.4. MUDAN\u00c7AS R\u00c1PIDAS<\/h3>\n<p>Estamos vivendo num per\u00edodo de enormes mudan\u00e7as: o mundo est\u00e1 cada vez mais urbanizado, a tecnologia da comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 evoluindo a um ritmo acelerado, enquanto o equil\u00edbrio econ\u00f4mico do mundo est\u00e1 se deslocando. A popula\u00e7\u00e3o na Europa e no Jap\u00e3o est\u00e1 envelhecendo, enquanto na \u00c1frica e em outras partes da \u00c1sia a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 crescendo a taxas explosivas. Em todo o globo, vasto n\u00famero de pessoas est\u00e1 se deslocando para fugir de conflitos ou simplesmente para melhorar seus padr\u00f5es de vida. Uma consequ\u00eancia dessa tend\u00eancia \u00e9 uma grande transfer\u00eancia de popula\u00e7\u00e3o que se afasta de \u00e1reas rurais em dire\u00e7\u00e3o a centros urbanos.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn25\" name=\"_ednref25\">[25]<\/a>\u00a0Estamos vivendo em meio a essas mudan\u00e7as hoje e \u00e9 dif\u00edcil predizer como ser\u00e1 o impacto disso no futuro das ag\u00eancias mission\u00e1rias. No entanto, algo est\u00e1 claro: as ag\u00eancias que desejam corresponder a essas mudan\u00e7as precisar\u00e3o ser muito adapt\u00e1veis.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn26\" name=\"_ednref26\">[26]<\/a><\/p>\n<h3>1.2.5. TEND\u00caNCIAS NO REINO UNIDO<\/h3>\n<p>Observamos que a igreja tem crescido enormemente em todo o globo nas \u00faltimas d\u00e9cadas. No entanto, de modo geral o crescimento da popula\u00e7\u00e3o mundial acompanha o crescimento da igreja de tal modo que o n\u00famero de crist\u00e3os como porcentagem da popula\u00e7\u00e3o mundial muda muito pouco.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn27\" name=\"_ednref27\">[27]<\/a>\u00a0Portanto, a necessidade de miss\u00f5es evangel\u00edsticas alcan\u00e7arem pessoas que n\u00e3o t\u00eam oportunidade de ouvir a respeito de Jesus \u00e9 crucial como sempre foi.<\/p>\n<p>Contudo, pelo menos no Reino Unido, h\u00e1 uma consci\u00eancia de que as igrejas e as ag\u00eancias mission\u00e1rias est\u00e3o perdendo o foco na miss\u00e3o evangel\u00edstica. Em 1974, o Pacto de Lausanne ajudou os evang\u00e9licos a recapturarem a import\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o social como parte essencial da obra mission\u00e1ria.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn28\" name=\"_ednref28\">[28]<\/a>\u00a0Entretanto, nos \u00faltimos anos, o p\u00eandulo parece ter se movido em outra dire\u00e7\u00e3o de modo tal que a proclama\u00e7\u00e3o evangel\u00edstica est\u00e1 sendo sobrepujada por preocupa\u00e7\u00f5es com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, diminui\u00e7\u00e3o da pobreza e justi\u00e7a.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn29\" name=\"_ednref29\">[29]<\/a>\u00a0Em setembro de 2015, Martin Lee, da Global Connections, escreveu: \u201cA igreja evang\u00e9lica perdeu seu desejo de ajudar as pessoas a chegarem \u00e0 f\u00e9 no Senhor Jesus Cristo, contentando-se apenas em promover a\u00e7\u00e3o social e fazer o bem\u201d.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn30\" name=\"_ednref30\">[30]<\/a><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, um n\u00famero crescente de igrejas e denomina\u00e7\u00f5es est\u00e1 se envolvendo em miss\u00f5es sem a intermedia\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias mission\u00e1rias.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn31\" name=\"_ednref31\">[31]<\/a>\u00a0\u00c0s vezes, isso implica apenas uma parceria com um projeto, igreja ou diocese em outra parte do mundo, enquanto em alguns casos as igrejas est\u00e3o diretamente envolvidas na funda\u00e7\u00e3o de igrejas por todo o globo.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn32\" name=\"_ednref32\">[32]<\/a><\/p>\n<h3>1.2.5.1. N\u00daMERO DE AG\u00caNCIAS<\/h3>\n<p>Dadas as tens\u00f5es que mencionamos (o decl\u00ednio na igreja no Ocidente, a ambival\u00eancia para com a miss\u00e3o e a tend\u00eancia crescente de igrejas que optam por n\u00e3o trabalhar com ag\u00eancias) seria l\u00f3gico pressupor que o n\u00famero de ag\u00eancias no Reino Unido estaria declinando. No entanto, a realidade \u00e9 o oposto disso. O gr\u00e1fico abaixo compara o n\u00famero de ag\u00eancias mission\u00e1rias que s\u00e3o membros da Global Connections com a frequ\u00eancia semanal nas igrejas anglicanas no Reino Unido.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel argumentar que os n\u00fameros da Igreja da Inglaterra n\u00e3o representam inteiramente a igreja evang\u00e9lica no Reino Unido. Contudo, eles ilustram uma tend\u00eancia geral. Em \u00faltima an\u00e1lise, h\u00e1 mais e mais ag\u00eancias buscando apoio financeiro de um contingente que est\u00e1 encolhendo. Isso n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel nem mesmo a curto e m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<h3>1.2.6. MISSION\u00c1RIOS HOJE<\/h3>\n<p>Seria incorreto pressupor, de acordo com a discuss\u00e3o precedente, que n\u00e3o h\u00e1 lugar para mission\u00e1rios na igreja contempor\u00e2nea. Podemos identificar tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es-chave para mission\u00e1rios no mundo hoje:<\/p>\n<div class=\"mk-image mk-image-12 align-center simple-frame inside-image \">\n<div class=\"mk-image-container\">\n<div class=\"mk-image-holder\">\n<div class=\"mk-image-inner \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lightbox-false\" title=\"imagem-opti-o_futuro_das_agencias_missionaria\" src=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/wp-content\/uploads\/bfi_thumb\/imagem-opti-o_futuro_das_agencias_missionaria-nkkgl7664jygjnmtzdneqmp146fxos6zkbqfpl89l4.jpg\" alt=\"imagem-opti-o_futuro_das_agencias_missionaria\" width=\"1045\" height=\"724\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"clearboth\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>______<\/strong>\u00a0Frequ\u00eancia semanal m\u00e9dia<\/p>\n<p><strong>______<\/strong>\u00a0Ag\u00eancias<\/p>\n<ol>\n<li>Levar a mensagem crist\u00e3 a pessoas que ainda n\u00e3o ouviram a mensagem de Cristo.<\/li>\n<li>Servir \u00e0 igreja por meio de habilidades t\u00e9cnicas e fornecer treinamento.<\/li>\n<li>Incentivar e ensinar a igreja por meio de experi\u00eancias obtidas em contextos culturais muito diferentes.<\/li>\n<\/ol>\n<p>No entanto, a maioria desses mission\u00e1rios n\u00e3o ser\u00e1 de ocidentais e \u00e9 pouco prov\u00e1vel que eles dependam das estruturas ocidentais para a obra que desenvolver\u00e3o.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn33\" name=\"_ednref33\">[33]<\/a><\/p>\n<h3>1.3. RESUMO<\/h3>\n<p>Essa introdu\u00e7\u00e3o demonstrou que o mundo em que as ag\u00eancias mission\u00e1rias evang\u00e9licas operam mudou de modo significativo nos \u00faltimos cinquenta anos. David Smith descreve o impacto dessas mudan\u00e7as com termos marcantes:<\/p>\n<p>O que est\u00e1 claro no momento \u00e9 que tanto o conceito de miss\u00e3o como um movimento de m\u00e3o \u00fanica da cristandade para o mundo n\u00e3o evangelizado, quanto as estruturas elaboradas no final do s\u00e9culo 18 para facilitar esse movimento, t\u00eam sido surpreendidos por desenvolvimentos hist\u00f3ricos que os tornam cada vez mais irrelevantes e redundantes.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn34\" name=\"_ednref34\">[34]<\/a><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que as ag\u00eancias confrontam quest\u00f5es a respeito de seu prop\u00f3sito e estrutura, precisam enfrentar o desafio de obter recursos provenientes de uma igreja que tanto est\u00e1 em decl\u00ednio quanto aparentemente menos interessada na obra de miss\u00f5es internacionais do que as gera\u00e7\u00f5es anteriores e para quem o foco da miss\u00e3o tem muitas vezes se deslocado para o Reino Unido.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn35\" name=\"_ednref35\">[35]<\/a><\/p>\n<h2><strong>2. ABORDAGENS ATUAIS<\/strong><\/h2>\n<p>Em rea\u00e7\u00e3o a essas quest\u00f5es, as ag\u00eancias mission\u00e1rias brit\u00e2nicas t\u00eam feito algumas mudan\u00e7as quanto ao modo em que operam. Estas podem ser divididas em duas amplas categorias: ajuste e reforma.<\/p>\n<h3>2.1. AJUSTE<\/h3>\n<p>A resposta de algumas ag\u00eancias, em particular as maiores, que s\u00e3o menos amea\u00e7adas pela situa\u00e7\u00e3o atual, \u00e9 melhorar seus processos administrativos, aprimorar suas comunica\u00e7\u00f5es e levantamento de recursos e adaptar seus modelos de sustento\u00a0financeiro para fazer frente aos novos desafios. Esses ajustes s\u00e3o bem-intencionados e com frequ\u00eancia demonstram boa mordomia. No entanto, eles n\u00e3o refletem as dimens\u00f5es das mudan\u00e7as que ocorreram no ambiente em que as ag\u00eancias mission\u00e1rias operam e \u00e9 pouco prov\u00e1vel que sejam bem-sucedidos no longo prazo.<\/p>\n<p>Paul Hildreth, no seu relat\u00f3rio sobre ag\u00eancias mission\u00e1rias, referiu-se a essa abordagem como \u201coperar dentro do modelo\u201d.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn36\" name=\"_ednref36\">[36]<\/a><\/p>\n<h3>2.2. REFORMA<\/h3>\n<p>A alternativa recomendada por Hildreth \u00e9 reformar o modelo \u2014 que as ag\u00eancias encontrem maneiras de empregar suas for\u00e7as de trabalho de um modo que reflita as atuais realidades do mundo. De modo geral, s\u00e3o as ag\u00eancias menores e de m\u00e9dio porte que est\u00e3o adotando essas estrat\u00e9gias. Elas n\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o mais amea\u00e7adas pelas mudan\u00e7as no mundo, mas tamb\u00e9m t\u00eam flexibilidade para mudan\u00e7as e adapta\u00e7\u00f5es que podem n\u00e3o estar presentes entre algumas das ag\u00eancias maiores. A pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o ilustra algumas abordagens que est\u00e3o sendo adotadas.<\/p>\n<h3>2.2.1. MISS\u00c3O DE REDES EM DI\u00c1SPORA<\/h3>\n<p>Em geral, as ag\u00eancias mission\u00e1rias acumulavam expertise e experi\u00eancia no trabalho com pessoas de l\u00ednguas e culturas espec\u00edficas. Isso era feito pelo envio de mission\u00e1rios para as regi\u00f5es em que essas l\u00ednguas e culturas eram nativas. Hoje, por\u00e9m, num mundo muito m\u00f3vel, pessoas de vasta gama de contextos lingu\u00edsticos e culturais s\u00e3o encontradas na maioria das principais cidades do Ocidente. \u00c9 sugerido que um futuro papel\u00a0 das ag\u00eancias mission\u00e1rias ser\u00e1 alcan\u00e7ar essas comunidades em di\u00e1spora.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio da di\u00e1spora tem v\u00e1rios aspectos que s\u00e3o dignos de nota.<\/p>\n<p>O primeiro, e talvez o mais \u00f3bvio, \u00e9 fazer o evangelho chegar a comunidades imigrantes estabelecidas. Por exemplo, h\u00e1 mission\u00e1rios com experi\u00eancia no Subcontinente Indiano trabalhando com igrejas e grupos mission\u00e1rios indianos em cidades do Reino Unido. O trabalho que fazem na Gr\u00e3-Bretanha \u00e9 muito parecido com o que faziam na \u00cdndia, exceto por n\u00e3o precisarem viajar atravessando meio mundo. No Reino Unido existem v\u00e1rias comunidades que podem ser alcan\u00e7adas dessa maneira.<\/p>\n<p>Igualmente, no mundo dos neg\u00f3cios e dos estudos, h\u00e1 comunidades em di\u00e1spora mais transientes em que a expertise e a experi\u00eancia das ag\u00eancias mission\u00e1rias transculturais podem ser \u00fateis. \u00c9 estrategicamente importante alcan\u00e7ar essas comunidades transit\u00f3rias, pois os que s\u00e3o visitantes no Ocidente v\u00e3o retornar algum dia para o pr\u00f3prio pa\u00eds, e talvez levem o evangelho para lugares em que mission\u00e1rios expatriados encontram muita dificuldade para trabalhar.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio a refugiados e asilados no Ocidente \u00e9 uma \u00e1rea de crescente interesse, possibilidades e preocupa\u00e7\u00e3o. Muitas igrejas se preocupam com as popula\u00e7\u00f5es de refugiados que est\u00e3o se mudando para suas cidades, mas n\u00e3o t\u00eam ideia sobre como poderiam servir a eles de um modo melhor. As ag\u00eancias mission\u00e1rias bem podem ser capazes de dar apoio e aux\u00edlio nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio \u00e0 di\u00e1spora \u00e9 complexo e as vias para envolvimento est\u00e3o se expandindo.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn37\" name=\"_ednref37\">[37]<\/a>\u00a0Sem d\u00favida, as igrejas do Ocidente precisar\u00e3o de suporte e conselhos \u00e0 medida que tentarem ministrar para o crescente n\u00famero de comunidades internacionais no seu meio. O desafio para as ag\u00eancias mission\u00e1rias \u00e9 aprender a trabalhar ao lado das igrejas, dando-lhes suporte, mas sem suplant\u00e1-las.<\/p>\n<h3>2.2.2. A MISS\u00c3O NO OCIDENTE<\/h3>\n<p>Uma vez que a igreja cresce e se desenvolve nos pa\u00edses em desenvolvimento e encolhe no Ocidente, a miss\u00e3o deixou de ser unidirecional. Particularmente relevante para n\u00f3s nesse contexto \u00e9 o fluxo de mission\u00e1rios que saem de antigos campos mission\u00e1rios e rumam para o Reino Unido e outras na\u00e7\u00f5es ocidentais. Algumas ag\u00eancias mission\u00e1rias, a Latin Link, por exemplo, est\u00e3o patrocinando mission\u00e1rios para que fundem igrejas entre a popula\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica nativa. Harvey Kwiyani refere-se a esse fen\u00f4meno como \u201co reflexo bendito\u201d.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn38\" name=\"_ednref38\">[38]<\/a><\/p>\n<p>Pode-se argumentar que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de as ag\u00eancias mission\u00e1rias se envolverem nesse movimento. H\u00e1 muitos crist\u00e3os e l\u00edderes crist\u00e3os que est\u00e3o migrando para o Ocidente, especialmente da \u00c1frica, como parte de um movimento econ\u00f4mico geral. Essas comunidades est\u00e3o fundando igrejas onde elas se estabelecem. Hoje, em Londres, h\u00e1 muitas igrejas africanas e foi sugerido que o n\u00famero de africanos que frequentam igrejas na cidade ultrapassa o de brit\u00e2nicos. Contudo, essas igrejas africanas tiveram impacto limitado na popula\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica.<\/p>\n<h3>2.2.3. TREINAMENTO DA IGREJA NO PA\u00cdS DE ORIGEM<\/h3>\n<p>Outro canal para envolvimento \u00e9 dar \u00e0s igrejas, no pa\u00eds de origem, o treinamento para o minist\u00e9rio transcultural. A Interserve oferece v\u00e1rios cursos com o objetivo de treinar crist\u00e3os brit\u00e2nicos para alcan\u00e7arem vizinhos que vieram de outros pa\u00edses. \u00c0 medida que o Reino Unido e o Ocidente em geral tornam-se mais multiculturais, \u00e9 evidente que esse tipo de treinamento passa a ser cada vez mais necess\u00e1rio. No entanto, \u00e9 \u00f3bvio que o n\u00famero de ag\u00eancias que t\u00eam potencial para oferecer treinamento excede em muito o n\u00famero que deve vir a ser necess\u00e1rio no contexto do Reino Unido.<\/p>\n<h3>2.2.4. PASSAR PARA UM MODELO DE CONSULTORIA<\/h3>\n<p>Bryan Knell sugere que as ag\u00eancias mission\u00e1rias precisam incentivar as igrejas a assumirem o papel que as ag\u00eancias um dia exerceram, enquanto as ag\u00eancias tornam-se entidades de consultoria e conselho, para apoiar as igrejas na obra mission\u00e1ria.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn39\" name=\"_ednref39\">[39]<\/a>\u00a0Contudo, isso n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o os servi\u00e7os pr\u00e1ticos e administrativos que as ag\u00eancias podem oferecer no apoio a obreiros no exterior.<\/p>\n<p>Numa observa\u00e7\u00e3o mais pr\u00e1tica, ainda que emp\u00edrica, h\u00e1 bem poucos ind\u00edcios de que as igrejas estejam usando os servi\u00e7os de consultoria que as ag\u00eancias j\u00e1 est\u00e3o oferecendo.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o pragm\u00e1tica \u00e9 que, no Reino Unido, as igrejas demonstram pouca disposi\u00e7\u00e3o de se envolverem diretamente em miss\u00f5es para os n\u00e3o alcan\u00e7ados de al\u00e9m-mar. Embora haja algumas exce\u00e7\u00f5es louv\u00e1veis, a maioria das igrejas da Gr\u00e3-Bretanha que assume responsabilidade direta por miss\u00f5es, ou que se envolve em parcerias no exterior, tende a trabalhar na \u00c1frica Oriental, onde \u00e9 poss\u00edvel empregar o ingl\u00eas e j\u00e1 existe uma presen\u00e7a crist\u00e3 significativa. Para que as ag\u00eancias possam transferir muito do que fazem para as igrejas, \u00e9 necess\u00e1rio haver um desenvolvimento significativo na vis\u00e3o mission\u00e1ria da igreja brit\u00e2nica. No momento, n\u00e3o h\u00e1 sinal vis\u00edvel de que isso esteja ocorrendo.<\/p>\n<h3>2.3. ONDE FICAMOS?<\/h3>\n<p>Todas essas op\u00e7\u00f5es t\u00eam sido adotadas de um modo ou outro por ag\u00eancias mission\u00e1rias no Reino Unido, mas todas essas abordagens t\u00eam em comum problemas significativos.<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o observamos a situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel de ter um n\u00famero crescente de ag\u00eancias mission\u00e1rias em paralelo com uma frequ\u00eancia cada vez menor nas igrejas. Nenhuma das abordagens acima trata dessa quest\u00e3o; de fato, algumas a exacerbam. Se as ag\u00eancias mission\u00e1rias deixarem de ser ag\u00eancias que enviam e passarem a servir \u00e0s igrejas com consultoria, ent\u00e3o haver\u00e1 necessidade de um n\u00famero significativamente menor de ag\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o ao que existe hoje.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 que cada uma dessas sugest\u00f5es depende de a igreja, seja como congrega\u00e7\u00e3o local, seja como denomina\u00e7\u00e3o, tomar certo curso de a\u00e7\u00e3o para fazer uso dos servi\u00e7os fornecidos pelas ag\u00eancias. Pelo que se observa, n\u00e3o h\u00e1 muitos ind\u00edcios de que as igrejas estejam usando as ag\u00eancias desse modo.<\/p>\n<p>Os passos que as ag\u00eancias deram para fazer frente \u00e0s mudan\u00e7as na situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o simplesmente muito menos radicais do que \u00e9 necess\u00e1rio. Mas Hildreth entende que \u00e9 pouco prov\u00e1vel que as ag\u00eancias adotem solu\u00e7\u00f5es realmente radicais a menos que experimentem um grau muito maior de dificuldades do que experimentam no momento.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn40\" name=\"_ednref40\">[40]<\/a><\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o vamos explorar algumas das quest\u00f5es com as quais seria necess\u00e1rio lidar para as ag\u00eancias fazerem mudan\u00e7as radicais no modo como operam. \u00a0Um primeiro passo \u00e9 explorar brevemente a legitimidade das ag\u00eancias como estruturas separadas, para come\u00e7ar.<\/p>\n<h2>3. DE QUEM \u00c9 O PROBLEMA, AFINAL?<\/h2>\n<h3>3.1. A LEGITIMIDADE DAS AG\u00caNCIAS<\/h3>\n<p>At\u00e9 este ponto, tomamos como certa a exist\u00eancia de ag\u00eancias mission\u00e1rias, sem questionar a validade delas. Entretanto, h\u00e1 algumas ambiguidades quanto \u00e0 natureza das ag\u00eancias que precisam ser brevemente examinadas antes de prosseguirmos.<\/p>\n<p>O Pacto de Lausanne \u00e9 positivo acerca da exist\u00eancia de ag\u00eancias especialistas:<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m agradecemos a Deus pela exist\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es que laboram na tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, na educa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, no uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, na literatura crist\u00e3, na evangeliza\u00e7\u00e3o, em miss\u00f5es, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn41\" name=\"_ednref41\">[41]<\/a><\/p>\n<p>Como mencionamos na introdu\u00e7\u00e3o, Winter racionaliza a exist\u00eancia das ag\u00eancias indicando que a igreja, em termos tanto globais quanto hist\u00f3ricos, sempre teve dois tipos de estruturas: as associa\u00e7\u00f5es (ordens volunt\u00e1rias) e as modalidades (as congrega\u00e7\u00f5es locais ou igrejas).<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn42\" name=\"_ednref42\">[42]<\/a><\/p>\n<p>No entanto, a conclus\u00e3o de Winter n\u00e3o tem aceita\u00e7\u00e3o universal. Schnable, por exemplo, argumenta que a explica\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica de Winter para estruturas eclesi\u00e1sticas e missionais n\u00e3o tem validade b\u00edblica.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn43\" name=\"_ednref43\">[43]<\/a><\/p>\n<p>Talvez uma abordagem mais proveitosa seja a adotada por alguns autores que, em vez de se prenderem a detalhes quanto \u00e0 legitimidade das ag\u00eancias, procuram lidar com elas em termos pragm\u00e1ticos. Assim, Neill escreve:<\/p>\n<p>As sociedades mission\u00e1rias, como as conhecemos hoje, n\u00e3o s\u00e3o, de modo algum, parte necess\u00e1ria da exist\u00eancia da igreja; s\u00e3o simplesmente um expediente tempor\u00e1rio para o desempenho de certas fun\u00e7\u00f5es que poderiam ser desempenhadas de diferentes maneiras.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn44\" name=\"_ednref44\">[44]<\/a><\/p>\n<p>De modo semelhante, Kirk conclui:<\/p>\n<p>A \u00fanica justificativa teol\u00f3gica delas est\u00e1 no servi\u00e7o que podem prestar \u00e0s igrejas, cumprindo aquelas tarefas que as igrejas consideram necess\u00e1rias, mas para as quais n\u00e3o t\u00eam recursos em n\u00edvel local. O objetivo principal delas deve ser facilitar a coopera\u00e7\u00e3o entre igrejas e atravessar fronteiras denominacionais. Elas podem fornecer oportunidades para comunh\u00e3o, adora\u00e7\u00e3o, ensino, evangeliza\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o, atuando como catalisadoras e dando incentivo, mas sem nunca tentar substituir as igrejas.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn45\" name=\"_ednref45\">[45]<\/a><\/p>\n<p>Scott Sunquist acrescenta: \u201cO conceito de sociedades volunt\u00e1rias, como uma estrutura paralela para miss\u00f5es, n\u00e3o era uma convic\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica \u2013 era uma necessidade pr\u00e1tica\u201d.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn46\" name=\"_ednref46\">[46]<\/a><\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia, ent\u00e3o, \u00e9 servir como um bra\u00e7o especialista da igreja, fazendo o que a igreja considera necess\u00e1rio, mas que requer um grau de especializa\u00e7\u00e3o ou alcance internacional que a igreja local n\u00e3o consegue obter. No entanto, isso significa que as ag\u00eancias precisam ouvir as igrejas e ser, de algum modo, orientadas por elas. Por v\u00e1rios motivos, nem sempre isso aconteceu.<\/p>\n<p>De novo, Neill deixa bem claro:<\/p>\n<p>Foi o fato de as igrejas n\u00e3o terem conseguido desenvolver um senso mission\u00e1rio que levou certas sociedades mission\u00e1rias a adotarem posi\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas desassociadas de qualquer coisa no Novo Testamento, e subsequentemente tentarem forjar uma justificativa teol\u00f3gica para o que em si \u00e9 teologicamente indefens\u00e1vel.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn47\" name=\"_ednref47\">[47]<\/a><\/p>\n<p>Contudo, nem todas as posi\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas adotadas pelas ag\u00eancias mission\u00e1rias s\u00e3o \u201cteologicamente indefens\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, membros da Igreja t\u00eam \u00e0s vezes sucumbido desnecessariamente ao esp\u00edrito empreendedor da \u00e9poca, iniciando projetos e fundando institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es que t\u00eam sido prejudiciais \u00e0 miss\u00e3o, em vez de promov\u00ea-la. Por outro lado, naquilo em que a Igreja em geral est\u00e1 claramente falhando em cumprir sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria com responsabilidade e dedica\u00e7\u00e3o, parecem perfeitamente cab\u00edveis as iniciativas de grupos crist\u00e3os em obedi\u00eancia ao evangelho.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn48\" name=\"_ednref48\">[48]<\/a><\/p>\n<p>No entanto, essas ocasi\u00f5es em que a igreja \u00e9 deficiente na sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria devem ser vistas como exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o a norma. Mesmo quando as ag\u00eancias percebem que a igreja n\u00e3o est\u00e1 cumprindo seu chamado mission\u00e1rio, a ag\u00eancia n\u00e3o deve simplesmente ocupar o espa\u00e7o, mas trabalhar em di\u00e1logo, provendo tanto um modelo quanto um incentivo para a igreja.<\/p>\n<p>Quando um mission\u00e1rio \u00e9 enviado por uma dentre os milhares de miss\u00f5es, ainda h\u00e1 a necessidade de a igreja ser o corpo prim\u00e1rio que envia, uma vez que miss\u00e3o \u00e9 o trabalho da igreja \u2014 a igreja universal, por meio de uma igreja local, particular.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn49\" name=\"_ednref49\">[49]<\/a><\/p>\n<h3>3.2. TRABALHANDO COM IGREJAS NA TERRA M\u00c3E<\/h3>\n<p>O conte\u00fado desta e da pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o simplificar\u00e1 inevitavelmente a situa\u00e7\u00e3o um tanto complexa enfrentada pelas ag\u00eancias no momento. Entretanto, um princ\u00edpio central precisa ser mantido. A fun\u00e7\u00e3o futura das ag\u00eancias mission\u00e1rias deve ser determinada em di\u00e1logo com as igrejas \u00e0s quais as ag\u00eancias devem prestar contas.<\/p>\n<p>Ao considerar o relacionamento entre a ag\u00eancia mission\u00e1ria e a igreja, \u00e9 conveniente identificar tr\u00eas tipos de ag\u00eancias.<\/p>\n<ul>\n<li>As ag\u00eancias denominacionais, tais como a Sociedade Mission\u00e1ria Batista e a Sociedade Mission\u00e1ria da Igreja Anglicana, est\u00e3o de algum modo ligadas a uma estrutura denominacional que possibilita (pelo menos em tese) comunica\u00e7\u00e3o e presta\u00e7\u00e3o de contas transparentes. Em certo sentido, as ag\u00eancias denominacionais protestantes podem ser consideradas como hom\u00f3logas \u00e0s Ordens Cat\u00f3licas que est\u00e3o ligadas de um modo ou de outro \u00e0 estrutura eclesi\u00e1stica mais ampla.<\/li>\n<li>H\u00e1 tamb\u00e9m um n\u00famero de ag\u00eancias menores que t\u00eam liga\u00e7\u00f5es estreitas com um n\u00famero limitado de igrejas \u2014 muitas vezes as igrejas que o fundador da ag\u00eancia frequentou. Essas ag\u00eancias, estando dispostas a isso, t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de buscar conselho e opini\u00f5es a respeito de seu futuro nas igrejas \u00e0s quais prestam contas.<\/li>\n<li>No entanto, esses dois tipos de ag\u00eancias representam uma minoria tanto em termos de n\u00famero de ag\u00eancias quanto de n\u00famero de mission\u00e1rios enviados do Reino Unido. As miss\u00f5es de f\u00e9, como a OMF, a Associa\u00e7\u00e3o Wycliffe de Tradutores da B\u00edblia e a Interserve, representam uma situa\u00e7\u00e3o muito mais complexa. Essas organiza\u00e7\u00f5es tendem a ter liga\u00e7\u00f5es com um grande n\u00famero de igrejas individuais, mas v\u00ednculos muito mais t\u00eanues com estruturas denominacionais ou interdenominacionais. Isso significa que \u00e9 muito dif\u00edcil estabelecer qualquer comunica\u00e7\u00e3o significativa entre igrejas e as ag\u00eancias no que se refere ao futuro das ag\u00eancias.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em geral, o conselho administrativo tem sido o mecanismo pelo qual as igrejas t\u00eam conseguido interferir no trabalho e nos planos futuros das ag\u00eancias. Ao longo dos anos, a maior parte das ag\u00eancias mission\u00e1rias tem designado em suas diretorias um n\u00famero de cl\u00e9rigos que, mesmo sem car\u00e1ter representativo oficial, podem dar conselho e orienta\u00e7\u00e3o da perspectiva de suas igrejas. Entretanto, em anos recentes, a legisla\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica brit\u00e2nica tornou-se mais complexa e os conselhos administrativos precisam lidar com um ambiente legal e financeiro complexo. Por esse motivo, nas reuni\u00f5es do conselho h\u00e1 menos tempo dispon\u00edvel para discutir estrat\u00e9gias mission\u00e1rias, e as ag\u00eancias s\u00e3o obrigadas a incluir diretores com capacita\u00e7\u00e3o em leis, contabilidade e outras \u00e1reas profissionais.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, a fragmenta\u00e7\u00e3o do evangelicalismo brit\u00e2nico numa s\u00e9rie de novas \u201ctribos\u201d<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn50\" name=\"_ednref50\">[50]<\/a>\u00a0torna dif\u00edcil, se n\u00e3o imposs\u00edvel, as ag\u00eancias terem diretorias que representem todo o espectro do evangelicalismo.<\/p>\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias mission\u00e1rias \u00e9 outro problema moderno neste momento. Para os entendidos, as v\u00e1rias ag\u00eancias t\u00eam diferentes prop\u00f3sitos e caracter\u00edsticas, mas para um l\u00edder eclesi\u00e1stico ocupado, s\u00e3o muito parecidas e \u00e9 imposs\u00edvel envolver-se com todas elas.<\/p>\n<p>Talvez haja a necessidade de um di\u00e1logo nacional que envolva l\u00edderes de diferentes contextos eclesi\u00e1sticos, bem como um bom n\u00famero de ag\u00eancias, para considerar o modelo futuro de apoio e envolvimento mission\u00e1rio por parte do Reino Unido.<\/p>\n<h3>3.3. TRABALHANDO COM IGREJAS NO CAMPO<\/h3>\n<p>Aparentemente, \u00e9 mais simples buscar conselhos e opini\u00f5es das igrejas no \u201ccampo\u201d do que na situa\u00e7\u00e3o no \u201cpa\u00eds de origem\u201d. Embora as ag\u00eancias tenham de se relacionar com m\u00faltiplas igrejas na terra natal, com raras exce\u00e7\u00f5es elas se relacionam com uma ou duas denomina\u00e7\u00f5es no campo e \u00e9 bem poss\u00edvel que tenham liga\u00e7\u00f5es organizacionais diretas com essa denomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, duas quest\u00f5es significativas podem impactar a qualidade do di\u00e1logo: a primeira \u00e9 a qualidade da parceria entre a miss\u00e3o e a igreja, e a segunda diz respeito \u00e0 futura dire\u00e7\u00e3o da igreja pelo mundo.<\/p>\n<p>A parceria \u00e9 uma ideia maravilhosa; lament\u00e1vel a sua pr\u00e1tica! Uma participa\u00e7\u00e3o realmente igualit\u00e1ria continuar\u00e1 problem\u00e1tica para a Igreja em todo o mundo enquanto os recursos materiais continuarem sendo distribu\u00eddos de modo t\u00e3o irregular. \u00c9 muito comum Igreja e ag\u00eancias mission\u00e1rias ocidentais usarem est\u00edmulos financeiros ou amea\u00e7as veladas de suspens\u00f5es para promoverem conceitos pr\u00f3prios de miss\u00e3o e evangeliza\u00e7\u00e3o, crescimento, desenvolvimento de igreja e luta social. \u00c0s vezes, os programas e estrat\u00e9gias ocidentais recebem um manto de respeitabilidade ao assegurar que a lideran\u00e7a nativa do Terceiro Mundo ter\u00e1 voz ativa. Contudo, a tomada de decis\u00f5es e o planejamento de longo prazo mais importantes ainda s\u00e3o feitos do lado externo da situa\u00e7\u00e3o.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn51\" name=\"_ednref51\">[51]<\/a><\/p>\n<p>Esse tema do relacionamento entre as ag\u00eancias e as igrejas que elas ajudaram a fundar tem sido alvo de interesse desde os dias de Henry Venn. Mas para que descubra sua fun\u00e7\u00e3o futura, as ag\u00eancias precisam encontrar meios para facilitar um di\u00e1logo honesto, aberto e sem preconceitos com seus parceiros nos pa\u00edses em que trabalham.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn52\" name=\"_ednref52\">[52]<\/a><\/p>\n<p>Esse di\u00e1logo precisa levar em considera\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7a b\u00e1sica na natureza da igreja que destacamos na introdu\u00e7\u00e3o \u2014 o fato de que a maioria dos crist\u00e3os vive hoje nos continentes do Sul e do Leste, n\u00e3o no lar ocidental das ag\u00eancias mission\u00e1rias.<\/p>\n<p>Hanciles destaca esse ponto: \u201ch\u00e1 pouca d\u00favida de que o futuro do cristianismo global est\u00e1 agora inseparavelmente ligado a iniciativas e desenvolvimentos n\u00e3o ocidentais. Isso \u00e9 aplic\u00e1vel supremamente ao empreendimento mission\u00e1rio\u201d.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn53\" name=\"_ednref53\">[53]<\/a><\/p>\n<p>\u00c0 luz disso, Hanciles entende que h\u00e1 uma necessidade de tratar de algumas quest\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>A preponder\u00e2ncia de conceitos americanos \/ ocidentais que dominam as abordagens mission\u00e1rias. Entre elas est\u00e3o as miss\u00f5es de curto prazo (\u201cmuitas das quais mal passam de turismo crist\u00e3o com um toque de humanitarismo programado\u201d) e express\u00f5es como \u201cpovos inalcan\u00e7ados\u201d e \u201ca janela 10\/40\u201d (\u201cque refletem o mapeamento ocidental do mundo e ignoram o testemunho vivo de crist\u00e3os que residem em contextos n\u00e3o ocidentais\u201d).<\/li>\n<li>A a\u00e7\u00e3o e o pensamento mission\u00e1rio ocidental refletem superdepend\u00eancia de recursos materiais e confundem medidas quantific\u00e1veis de crescimento ou desenvolvimento humano com sucesso mission\u00e1rio.<\/li>\n<li>H\u00e1 uma necessidade de repensar nosso entendimento da miss\u00e3o crist\u00e3, mas as estruturas atuais podem estar cristalizadas demais para permitirem que se fa\u00e7a essa reflex\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Hanciles conclui seu argumento:<\/p>\n<p>O principal problema \u00e9 que os missi\u00f3logos ocidentais est\u00e3o presos a defini\u00e7\u00f5es, modelos e instrumentos de medi\u00e7\u00e3o associados a opera\u00e7\u00f5es ocidentais que n\u00e3o se adaptam \u00e0s novas iniciativas n\u00e3o ocidentais. Para os iniciantes, o termo \u201cmission\u00e1rio\u201d \u00e9 em geral associado a \u201cestruturas de comando e ida sendo comumente aplicado a pessoas \u201cenviadas\u201d por uma organiza\u00e7\u00e3o para um pa\u00eds estrangeiro (em geral fora do Ocidente). As iniciativas, movimentos e n\u00fameros envolvidos no movimento mission\u00e1rio n\u00e3o ocidental s\u00e3o de uma escala e magnitude que desafiam a an\u00e1lise estat\u00edstica; e tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o dirigidas por c\u00e1lculos orientados por resultados pelos quais o movimento mission\u00e1rio americano \u00e9 notoriamente obcecado. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar as raz\u00f5es: as iniciativas n\u00e3o ocidentais est\u00e3o desconectadas de estruturas de domina\u00e7\u00e3o e controle, s\u00e3o livres da desgra\u00e7a do triunfalismo (e da agress\u00e3o militante associada a ele), dependem menos de recursos e s\u00e3o menos orientadas por eles, bem como s\u00e3o desprovidas do entendimento territorial de miss\u00f5es. Mas esses desenvolvimentos indicam algo muito mais significativo. O novo \u201ccentro\u201d \u00e9 radicalmente diferente e o fato de n\u00e3o se avaliar esse fato empobrece nosso entendimento das suas profundas implica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn54\" name=\"_ednref54\">[54]<\/a><\/p>\n<p>O que Hanciles quer ressaltar \u00e9 que a mudan\u00e7a no centro de gravidade da igreja n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o num\u00e9rica, \u00e9 tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a conceitual e teol\u00f3gica e as ag\u00eancias mission\u00e1rias precisam levar isso em conta.<\/p>\n<h2>4. CONCLUS\u00c3O<\/h2>\n<p>As ag\u00eancias mission\u00e1rias brit\u00e2nicas enfrentam um problema duplo: o decl\u00ednio da igreja no Reino Unido est\u00e1 minando a base de apoio delas (numa \u00e9poca em que o n\u00famero de ag\u00eancias ainda est\u00e1 crescendo) e a raz\u00e3o de ser delas \u00e9 contestada pelo crescimento da igreja em todo o mundo.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, as ag\u00eancias t\u00eam reagido \u00e0s suas circunst\u00e2ncias drasticamente alteradas realizando mudan\u00e7as limitadas ou suplementares que n\u00e3o refletem a natureza copernicana da transforma\u00e7\u00e3o da igreja mundial.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn55\" name=\"_ednref55\">[55]<\/a><\/p>\n<p>Se \u00e9 fun\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias apoiar igrejas em sua miss\u00e3o, e elas n\u00e3o est\u00e3o servindo \u00e0s igrejas, ent\u00e3o as ag\u00eancias j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam fun\u00e7\u00e3o. Se as ag\u00eancias n\u00e3o conseguem se adaptar adequadamente a uma situa\u00e7\u00e3o mutante, ent\u00e3o deveriam ser fechadas.<\/p>\n<p>Os planos futuros para as ag\u00eancias, quaisquer que sejam, devem ser direcionados para ajud\u00e1-las a apoiarem as igrejas em todo o mundo, n\u00e3o para a sobreviv\u00eancia delas mesmas. Muito provavelmente, o n\u00famero de ag\u00eancias mission\u00e1rias no Reino Unido come\u00e7ar\u00e1 a declinar em poucos anos. Idealmente, isso deve ser feito de maneira inteligente, com o cuidado de preservar aquelas fun\u00e7\u00f5es que apoiam a igreja. O temor \u00e9 de que press\u00f5es financeiras ou de outra natureza fa\u00e7am com que as ag\u00eancias fechem sem que tenham oportunidade de cuidarem da continua\u00e7\u00e3o do que fazem bem.<\/p>\n<p>Para encontrar sua fun\u00e7\u00e3o no futuro, as ag\u00eancias precisam estar em di\u00e1logo com igrejas nos seus pa\u00edses que enviam e tamb\u00e9m com igrejas nos pa\u00edses em que trabalham. \u00c9 prov\u00e1vel, por\u00e9m, que igrejas em diferentes contextos tenham diferentes prioridades. Um exemplo simples disso diz respeito \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o dos mission\u00e1rios. O Pacto de Lausanne indica que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que mission\u00e1rios expatriados s\u00e3o mais um obst\u00e1culo que um aux\u00edlio para a miss\u00e3o local:<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de mission\u00e1rios estrangeiros e de dinheiro num pa\u00eds evangelizado algumas vezes talvez seja necess\u00e1ria para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para \u00e1reas ainda n\u00e3o evangelizadas.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn56\" name=\"_ednref56\">[56]<\/a><\/p>\n<p>A presen\u00e7a de mission\u00e1rios estrangeiros (e financiamento estrangeiro) pode sufocar o crescimento da igreja. Mesmo assim, uma \u201cigreja que envia\u201d pode ainda desejar enviar um mission\u00e1rio para essa situa\u00e7\u00e3o. Pode ser que \u201csintam um chamado\u201d para trabalhar num pa\u00eds espec\u00edfico, ou pode ser que sintam que, enviando mission\u00e1rios, isso ajude sua congrega\u00e7\u00e3o a compreender as necessidades do mundo. Quaisquer que sejam as raz\u00f5es, h\u00e1 um conflito em potencial entre os interesses das igrejas que enviam e os das igrejas que recebem.<\/p>\n<p>Equilibrar essas prioridades e concep\u00e7\u00f5es que competem entre si ser\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o importante para as ag\u00eancias mission\u00e1rias no futuro. Isso n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Na sua maioria, as ag\u00eancias dependem das igrejas no Ocidente quanto a pessoal e finan\u00e7as, mas como observou Hanciles, a maneira de as igrejas novas e crescentes do Sul entender miss\u00f5es pode ser bem diferente da das suas contrapartes ocidentais. \u00c9 prov\u00e1vel que seja extremamente dif\u00edcil encontrar um meio de servir \u00e0 igreja do hemisf\u00e9rio Sul, sem alienar as do Ocidente que fornecem os recursos. Ainda assim, as ag\u00eancias devem evitar, a todo custo, impor um programa ocidental a outras igrejas simplesmente porque o Ocidente disp\u00f5e de mais recursos financeiros.<\/p>\n<p>Entretanto, embora represente um desafio significativo, isso tamb\u00e9m oferece a possibilidade de uma importante nova fun\u00e7\u00e3o para as ag\u00eancias mission\u00e1rias: estimular o di\u00e1logo entre as igrejas do Ocidente e do restante do mundo.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio Mundial de Igrejas surgiu da Confer\u00eancia Mission\u00e1ria de Edimburgo de 1910 e embora os evang\u00e9licos possam argumentar que o CMI perdeu o rumo teol\u00f3gico, \u00e9 evidente que miss\u00f5es \u00e9 um tema que pode servir para juntar crist\u00e3os e igrejas. Denomina\u00e7\u00f5es internacionais como a Comunidade Anglicana, est\u00e3o aptas a criar liga\u00e7\u00f5es entre igrejas e dioceses em todo o mundo. No entanto, as ag\u00eancias mission\u00e1rias, com sua amplitude de afilia\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, est\u00e3o em boa posi\u00e7\u00e3o para facilitar um di\u00e1logo muito mais amplo do que o que pode ser alcan\u00e7ado dentro de uma estrutura denominacional. Isso n\u00e3o \u00e9 uma sugest\u00e3o de que se recrie um grande conselho ou organiza\u00e7\u00e3o nos moldes do CMI ou do Movimento de Lausanne, cujas estruturas j\u00e1 existem, ainda que se possa afirmar que t\u00eam pouco efeito no n\u00edvel local.<a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_edn57\" name=\"_ednref57\">[57]<\/a>Contudo, as ag\u00eancias, com seus contatos locais, ter\u00e3o uma fun\u00e7\u00e3o-chave no futuro, encontrando maneiras de realizar trocas, comunica\u00e7\u00e3o e miss\u00f5es compartilhadas entre igrejas em partes muito diferentes do mundo.\u00a0<strong>MRT<\/strong><\/p>\n<p><em>Eddie Arthur trabalhou com a Associa\u00e7\u00e3o Wycliffe de Tradutores da B\u00edblia por mais de trinta anos. Ele e sua esposa, Sue, fizeram parte da equipe de tradu\u00e7\u00e3o na Costa do Marfim e Eddie esteve envolvido em v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a e treinamento na \u00c1frica e no Reino Unido. Ele tamb\u00e9m apoiou a Global Connections, rede de igrejas e ag\u00eancias mission\u00e1rias do Reino Unido. Eddie \u00e9 consultor em tempo parcial e est\u00e1 estudando para obter PhD em Teologia e Estudos Religiosos na Leeds Trinity University. Tem um blog onde escreve regularmente sobre missiologia e tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia em www.kouya.net.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Ralph D. Winter. \u201cThe Two Structures of God\u2019s Redemptive Mission\u201d,\u00a0<em>Missiology: An International Review 2<\/em>, no. 1 (1974): 121-139.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>\u00a0William Carey.\u00a0<em>An Enquiry Into the Obligations of Christians, to Use Means for the Conversion of the Heathens<\/em>\u00a0(Londres: Carey Kingsgate Press, 1961); http:\/\/www.wmcarey.edu\/carey\/enquiry\/ anenquiry.pdf (acessado em 19\/ jan\/2017). Havia diversas estruturas mission\u00e1rias protestantes anteriores a Carey, incluindo a Sociedade para Promo\u00e7\u00e3o do Conhecimento Crist\u00e3o (SPCK, 1698) e a Sociedade Unida para Promo\u00e7\u00e3o do Evangelho (1701). Em 1649, o parlamento de Cromwell debateu sobre o estabelecimento de uma sociedade para apoiar a miss\u00e3o na Am\u00e9rica do Norte (J. Cox..\u00a0<em>The British Missionary Enterprise since 1700<\/em>\u00a0(Londres: Routledge, 2009), 8, 13). Havia tamb\u00e9m v\u00e1rias estruturas mission\u00e1rias continentais, como Carey reconhece no seu\u00a0<em>Enquiry.<\/em>\u00a0Contudo, Carey forneceu tanto uma base teol\u00f3gica quanto uma estrutura pragm\u00e1tica que permitiu o florescimento do movimento mission\u00e1rio protestante.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a>\u00a0Global Connections. \u201cList of Members\u201d, Global Connections, http:\/\/www.globalconnections. org.uk\/list-of-members\/all (acessado em 25\/jan\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a>\u00a0Klaus Fiedler.\u00a0<em>The Story of Faith Missions<\/em>\u00a0(Oxford: Regnum, 1994), 11.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a>\u00a0D. W. Smith.\u00a0<em>Mission After Christendom<\/em>\u00a0(Londres: Darton, Longman and Todd, 2003), 25.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a>\u00a0D. J. Bosch.\u00a0<em>Transforming Mission: Paradigm Shifts in Theology of Mission<\/em>\u00a0(Maryknoll, NY: Orbis, 1991), 330.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a>\u00a0Veja, por exemplo, P. G. Hiebert. \u201cThe Flaw of the Excluded Middle\u201d, Missiology 10, no. 1 (1982): 35-47.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a>\u00a0Andrew F. Walls.\u00a0<em>The Cross-Cultural Process in Christian History: Studies in the Transmission and Appropriation of Faith<\/em>\u00a0(Maryknoll, NY: Orbis, 2002), 31.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a>\u00a0Peter Jenkins.\u00a0<em>The Next Christendom: The Coming of Global Christianity<\/em>\u00a0(Oxford: Oxford University Press, 2002), 2.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a>\u00a0Jenkins.\u00a0<em>The Next Christendom<\/em>, 91.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a>\u00a0Matt Barnwell e Amy Iggulden.. \u201cReligious belief \u2018falling faster than church attendance\u2019\u201d,\u00a0<em>Daily Telegraph<\/em>, 17 de agosto de 2005, http:\/\/www. telegraph.co.uk\/news\/uknews\/1496384\/ Religious-belief-falling-faster-than-churchattendance.html (acessado em 25\/ jan\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a>\u00a0Jonathan Petre. \u201cChurches \u2018on road to doom if trends continue\u2019\u201d,\u00a0<em>Daily Telegraph<\/em>, 3 de setembro de 2005, http:\/\/www.telegraph.co.uk\/news\/ uknews\/1497493\/Churches-on-road-to-doom-iftrends-continue.html (acessado em 25\/jan\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a>\u00a0Lamin O. Sanneh.\u00a0<em>Whose Religion Is Christianity? The Gospel Beyond the West<\/em>\u00a0(Grand Rapids: Eerdmans, 2003), 15.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a>\u00a0Walls.\u00a0<em>The Cross-Cultural Process<\/em>, 31.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a>\u00a0D. W. Smith.\u00a0<em>Against the Stream: Christianity and Mission in an Age of Globalization<\/em>\u00a0(Downers Grove: IVP, 2003), 19.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a>\u00a0Smith.\u00a0<em>Against the Stream<\/em>, 23. Veja tamb\u00e9m, Jenkins.\u00a0<em>The Next Christendom<\/em>, 107-108.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a>\u00a0Kirsteen Kim.\u00a0<em>Joining in with the Spirit: Connecting World Church and Local Mission<\/em>\u00a0(Londres: Epworth, 2009), 11.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref18\" name=\"_edn18\">[18]<\/a>\u00a0Smith.\u00a0<em>Mission after Christendom<\/em>, 10.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a>\u00a0Steve Holmes. \u201c\u2018A Love I seem to Lose with my Lost Saints\u2019: Mission and Evangelical Identity\u201d,http:\/\/steverholmes.org.uk\/ blog\/?p=7261 (acessado em 11\/abr\/2016).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref20\" name=\"_edn20\">[20]<\/a>\u00a0Paul Hildreth. \u201cUK to Global Mission: What Is Really Going on? A Strategic Review for Global Connections\u201d, Global Connections, http:\/\/www. globalconnections.org.uk\/sites\/newgc.localhost\/ files\/papers\/GCSR2011%20Summary.pdf (acessado em 25\/ jan\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref21\" name=\"_edn21\">[21]<\/a>\u00a0Norman Lewis.\u00a0<em>The Missionaries: God against the Indians<\/em>\u00a0(Londres: Secker and Warburg e Nova York: McGraw-Hill, 1988). Veja tamb\u00e9m as rea\u00e7\u00f5es ao meu artigo no The Guardian: http:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/ belief\/2011\/dec\/20\/bible-translation-ivorianvillage?commentpage=9#start-of-comments (acessado em 25\/jan\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref22\" name=\"_edn22\">[22]<\/a>\u00a0\u201c21st Century Evangelicals: A Snapshot\u201d, Evangelical Alliance, http:\/\/www.eauk.org\/ church\/resources\/snapshot\/21st-centuryevangelicals.cfm (acessado em 25\/jan\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref23\" name=\"_edn23\">[23]<\/a>\u00a0Michael W. Goheen.\u00a0<em>Introducing Christian Mission Today: Scripture, History and Issues<\/em>(Downers Grove: IVP Academic, 2014): 21.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref24\" name=\"_edn24\">[24]<\/a>\u00a0Timothy C. Tennent.\u00a0<em>Invitation to World Missions: A Trinitarian Missiology for the Twenty-First Century<\/em>\u00a0(Grand Rapids: Kregel, 2010), 42.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref25\" name=\"_edn25\">[25]<\/a>\u00a0Tennent.\u00a0<em>Invitation to World Missions<\/em>, 42.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref26\" name=\"_edn26\">[26]<\/a>\u00a0Kirk J. Franklin. \u201cA Paradigm for Global Mission Leadership: The Journey of the Wycliffe Global Alliance\u201d (tese de PhD, University of Pretoria, 2016), 17-19; http:\/\/ repository.up.ac.za\/dspace\/bitstream\/ handle\/2263\/53075\/Franklin_Paradigm_2016. pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y (acessado em 19\/jan\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref27\" name=\"_edn27\">[27]<\/a>\u00a0\u201cGlobal Christianity: A Report on the Size and Distribution of the World\u2019s Christian Population\u201d, Pew Research Center, 19 de dezembro de 2011, http:\/\/www.pewforum.org\/2011\/12\/19\/globalchristianity-exec\/ (acessado em 25\/jan\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref28\" name=\"_edn28\">[28]<\/a>\u00a0John Stott.\u00a0<em>Pacto de Lausanne Comentado por John Stott.\u00a0<\/em>2\u00aa. ed. (S\u00e3o Paulo: ABU; Belo Horizonte: Vis\u00e3o Mundial, 2003).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref29\" name=\"_edn29\">[29]<\/a>\u00a0Hildreth. \u201cUK to Global Mission\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref30\" name=\"_edn30\">[30]<\/a>\u00a0Martin Lee. \u201cIntegral Mission: an Analysis\u201d, ensaio apresentado no Conselho da Global Connections, Londres, 2015.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref31\" name=\"_edn31\">[31]<\/a>\u00a0Ted Ward. \u201cRepositioning Mission Agencies for the Twenty-First Century\u201d,\u00a0<em>International Bulletin<\/em>\u00a0<em>of Missionary Research 23<\/em>, no. 4 (out\/1999): 146-153.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref32\" name=\"_edn32\">[32]<\/a>\u00a0David Devenish.\u00a0<em>What on Earth Is the Church for: A Blueprint for the Future of Church Based Mission and Social Action\u00a0<\/em>(Milton Keynes: Authentic Media, 2005).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref33\" name=\"_edn33\">[33]<\/a>\u00a0No entanto, enquanto houver alguns mission\u00e1rios ocidentais, ainda haver\u00e1 lugar para alguns tipos de ag\u00eancias administrativas. Por exemplo, uma contribui\u00e7\u00e3o significativa das ag\u00eancias \u00e9 em termos de \u201cescala econ\u00f4mica\u201d. Ao enviar sustento financeiro para grande n\u00famero de mission\u00e1rios, elas s\u00e3o tamb\u00e9m capazes de se beneficiarem com taxas de c\u00e2mbio e tarifas de transfer\u00eancias banc\u00e1rias vantajosas. N\u00e3o apenas isso, mas \u00e0 medida que aumenta o controle governamental sobre transfer\u00eancias internacionais de fundos, as ag\u00eancias mission\u00e1rias s\u00e3o capazes de lidar com a complexidade envolvida numa grande escala. As despesas gerais implicadas para uma igreja sustentar um mission\u00e1rio no estrangeiro s\u00e3o significativas e tendem a aumentar. Isso parece indicar que pode continuar a haver uma fun\u00e7\u00e3o para as ag\u00eancias no futuro, mesmo que o n\u00famero delas fique reduzido.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref34\" name=\"_edn34\">[34]<\/a>\u00a0Smith.\u00a0<em>Mission After Christendom<\/em>, 116.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref35\" name=\"_edn35\">[35]<\/a>\u00a0Kim.\u00a0<em>Joining in with the Spirit<\/em>, 13.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref36\" name=\"_edn36\">[36]<\/a>\u00a0Hildreth. \u201cUK to Global Mission\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref37\" name=\"_edn37\">[37]<\/a>\u00a0Aspectos alternativos do minist\u00e9rio em di\u00e1spora podem ser vistos no trabalho da Associa\u00e7\u00e3o Wycliffe de Tradutores da B\u00edblia no Reino Unido. A Wycliffe da Coreia enviou um casal \u00e0 Inglaterra para recrutar coreanos como tradutores. Eles trabalham em meio \u00e0s igrejas coreanas no Reino Unido com o objetivo de mobilizar pessoas para que se juntem \u00e0 Wycliffe em alguma inst\u00e2ncia. A ideia \u00e9 que os crist\u00e3os que viveram num ambiente transcultural estariam mais dispostos e preparados para trabalhar como mission\u00e1rios do que os que nunca deixaram sua cultura natal. Outra iniciativa envolve equipes brit\u00e2nicas de tradutores trabalhando com crist\u00e3os em di\u00e1spora para traduzir as Escrituras para comunidades lingu\u00edsticas em regi\u00f5es em que seria muito dif\u00edcil fazer trabalhos de tradu\u00e7\u00e3o e alfabetiza\u00e7\u00e3o. Entretanto, enquanto essas abordagens possam parecer radicais \u00e0 primeira vista, na realidade est\u00e3o simplesmente levando adiante o minist\u00e9rio tradicional da Wycliffe num ambiente levemente diferente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref38\" name=\"_edn38\">[38]<\/a>\u00a0Harvey C. Kwiyani.\u00a0<em>Sent Forth\u00a0<\/em>(Maryknoll, NY: Orbis, 2014).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref39\" name=\"_edn39\">[39]<\/a>\u00a0Bryan Knell.\u00a0<em>The Heart of Church and Mission\u00a0<\/em>(N\u00fcrnberg: VTR, 2015).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref40\" name=\"_edn40\">[40]<\/a>\u00a0Hildreth. \u201cUK to Global Mission.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref41\" name=\"_edn41\">[41]<\/a>\u00a0Movimento de Lausanne,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/pacto-de-lausanne-pt-br\/pacto-de-lausanne\">https:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/pacto-de-lausanne-pt-br\/pacto-de-lausanne<\/a>\u00a0(acessado em 19\/ set\/2017).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref42\" name=\"_edn42\">[42]<\/a>\u00a0Winter. \u201cThe Two Structures\u201d, 121-139.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref43\" name=\"_edn43\">[43]<\/a>\u00a0Eckhard J. Schnable.\u00a0<em>Early Christian Mission, Vol. 2, Paul and the Early Church\u00a0<\/em>(Downers Grove: IVP<\/p>\n<p>e Leicester: Apollos, 2004), 1578-9.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref44\" name=\"_edn44\">[44]<\/a>\u00a0Stephen Neill.\u00a0<em>Creative Tension\u00a0<\/em>(Londres: Edinburgh House, 1959), 82.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref45\" name=\"_edn45\">[45]<\/a>\u00a0J. Andrew Kirk.\u00a0<em>What Is Mission: Theological Explorations\u00a0<\/em>(Londres: Darton, Longman e<\/p>\n<p>Todd, 1999), 199.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref46\" name=\"_edn46\">[46]<\/a>\u00a0Scott W. Sunquist.\u00a0<em>Understanding Christian Mission: Participation in Suffering and Glory<\/em>(Grand<\/p>\n<p>Rapids: Baker Academic, 2013), 81.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref47\" name=\"_edn47\">[47]<\/a>\u00a0Neill.\u00a0<em>Creative Tension<\/em>, 84.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref48\" name=\"_edn48\">[48]<\/a>\u00a0Kirk.\u00a0<em>What Is Mission<\/em>, 199.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref49\" name=\"_edn49\">[49]<\/a>\u00a0Veja Sunquist.\u00a0<em>Understanding Christian Mission, 7<\/em>. A import\u00e2ncia de um mission\u00e1rio ser enviado por uma igreja local levanta duas quest\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o centrais neste artigo, mas que merecem r\u00e1pida men\u00e7\u00e3o. Primeiro, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias mission\u00e1rias certificarem-se de que seus candidatos e funcion\u00e1rios estejam integrados numa igreja tanto no pa\u00eds de origem como, se as circunst\u00e2ncias o permitirem, no campo. \u00c9 fato, infelizmente, que muitos mission\u00e1rios t\u00eam v\u00e1rias igrejas mantenedoras das quais recebem apoio em dinheiro e em ora\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, as ag\u00eancias n\u00e3o deveriam aceitar candidatos que n\u00e3o s\u00e3o membros de uma igreja espec\u00edfica ou n\u00e3o prestam contas \u00e0 lideran\u00e7a dessa igreja. Em alguns sentidos, a fun\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia mission\u00e1ria \u00e9 uma aglomera\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es dos mission\u00e1rios que pertencem \u00e0quela ag\u00eancia e \u00e9 vitalmente importante que haja linhas claras de comunica\u00e7\u00e3o entre as ag\u00eancias, seus mission\u00e1rios e as igrejas que comissionaram os mission\u00e1rios para o trabalho mission\u00e1rio espec\u00edfico.<\/p>\n<p>A segunda quest\u00e3o \u00e9 a duplica\u00e7\u00e3o. H\u00e1 literalmente centenas de ag\u00eancias crist\u00e3s no Reino Unido, muitas das quais realizam trabalhos muito semelhantes em situa\u00e7\u00f5es id\u00eanticas. Isso torna muito dif\u00edcil para as igrejas saberem como sustentar melhor o trabalho que est\u00e3o realizando ou fazer alguma contribui\u00e7\u00e3o significativa para elas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref50\" name=\"_edn50\">[50]<\/a>\u00a0Num artigo in\u00e9dito de 2010, Peter Broadbent, bispo de Willesden, identificou dentro do evangelicalismo brit\u00e2nico sete \u201ctribos\u201d distintas que ultrapassam fronteiras denominacionais.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref51\" name=\"_edn51\">[51]<\/a>\u00a0Kirk.\u00a0<em>What is Mission<\/em>, 192.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref52\" name=\"_edn52\">[52]<\/a>\u00a0Raymond Porter. \u201cMission Impossible\u201d,\u00a0<em>Commentary\u00a0<\/em>(dez\/2015): 27-28.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref53\" name=\"_edn53\">[53]<\/a>\u00a0Jehu J. Hancile.\u00a0<em>Beyond Christendom\u00a0<\/em>(Maryknoll, NY: Orbis, 2008), 382.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref54\" name=\"_edn54\">[54]<\/a>\u00a0Hanciles.\u00a0<em>Beyond Christendom<\/em>, 384.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref55\" name=\"_edn55\">[55]<\/a>\u00a0Uma ag\u00eancia que sofreu uma mudan\u00e7a importante \u00e9 a Wycliffe Global Alliance (formalmente Wycliffe Bible Translators International). Nos anos 1990, as v\u00e1rias divis\u00f5es internacionais dos Wycliffe Translators, que eram subsidi\u00e1rias da Wycliffe EUA, tornaram-se institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas independentes dos seus pa\u00edses. Essas Organiza\u00e7\u00f5es Wycliffe eram, na maioria, ag\u00eancias ocidentais que proviam finan\u00e7as e pessoal para tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia em todo o mundo. Elas eram espelhadas por Organiza\u00e7\u00f5es Nacionais de Tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia que recrutavam funcion\u00e1rios locais e recebiam expatriados e fundos das Organiza\u00e7\u00f5es Wycliffe de todo o mundo. Ao longo dos \u00faltimos vinte anos, essa estrutura evoluiu de tal modo que a Wycliffe Global Alliance \u00e9 agora \u201cuma comunidade din\u00e2mica interdependente de organiza\u00e7\u00f5es, redes e movimentos diversos em v\u00e1rios est\u00e1gios de desenvolvimento, reunidas por Deus como participantes do movimento de tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia\u201d.<\/p>\n<p>Kirk Franklin, CEO da Wycliffe Global Alliance, alista algumas das vantagens dessa transforma\u00e7\u00e3o, que incluem: dar mais voz a v\u00e1rios parceiros no Sul Global (equilibrando a voz das organiza\u00e7\u00f5es do Norte, mais maduras e influentes), reflex\u00e3o missiol\u00f3gica intensificada e treinamento de l\u00edderes para a tarefa de tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia. Franklin. \u201cA Paradign for Global Mission Leadership\u201d, 65, http:\/\/www.repository.up.ac.za\/bitstream\/handle\/2263\/53075\/Franklin_Paradigm_2016.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y (acessado em 13\/fev\/2017).<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o que a Wycliffe Global Alliance sofreu \u00e9 valiosa. Mas h\u00e1 pouca evid\u00eancia de que as mudan\u00e7as foram feitas em conjun\u00e7\u00e3o com a igreja ou para atender \u00e0s necessidades dela. Internamente, a Wycliffe Global Alliance est\u00e1 evidentemente muito mais bem estruturada para o trabalho de tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia. Entretanto, n\u00e3o est\u00e1 claro que essa nova forma\u00e7\u00e3o ajudar\u00e1 as organiza\u00e7\u00f5es que a formam a apoiar a igreja em sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref56\" name=\"_edn56\">[56]<\/a>John Stott.\u00a0<em>Pacto de Lausanne Comentado por John Stott.\u00a0<\/em>2\u00aa. ed. (S\u00e3o Paulo: ABU; Belo Horizonte: Vis\u00e3o Mundial, 2003)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/o-futuro-das-agencias-missionarias\/#_ednref57\" name=\"_edn57\">[57]<\/a>\u00a0Daryll Jackson. \u201cLove of God, Love of Neighbour\u201d, em\u00a0<em>The Mission of God: Studies in<\/em><em>Orthodox and Evangelical Mission<\/em>, org. Mark Oxbrow e Tim Grass (Oxford: Regnum, 2015), 31.<\/p>\n<p>Fonte: Martureo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eddie Arthur Apresenta\u00e7\u00e3o: por Silas Tostes As ag\u00eancias mission\u00e1rias surgiram originalmente no contexto do mundo crist\u00e3o para enviar obreiros ao mundo n\u00e3o crist\u00e3o, com o prop\u00f3sito de pregar o evangelho. Neste artigo, com base na situa\u00e7\u00e3o do Reino Unido, Eddie Arthur reflete sobre a relev\u00e2ncia e o papel das ag\u00eancias mission\u00e1rias da atualidade. O mundo em que as ag\u00eancias operavam mudou: \u2022 Hoje, o que antes eram campos mission\u00e1rios, t\u00eam um n\u00famero maior de crist\u00e3os do que os pa\u00edses que antes enviavam mission\u00e1rios. \u2022 Devido \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 pessoas de todas as na\u00e7\u00f5es nas grandes cidades do mundo. \u2022&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":64280,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4,6194,18],"tags":[6217],"class_list":["post-85067","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaques","category-missoes","tag-missoes"],"acf":[],"views":1106,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85067"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85067\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85068,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85067\/revisions\/85068"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}