{"id":84598,"date":"2017-12-06T07:05:33","date_gmt":"2017-12-06T10:05:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=84598"},"modified":"2017-12-06T07:05:33","modified_gmt":"2017-12-06T10:05:33","slug":"a-ideia-de-criancas-criadas-sem-genero-e-exaltada-pela-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2017\/12\/06\/a-ideia-de-criancas-criadas-sem-genero-e-exaltada-pela-midia\/","title":{"rendered":"A ideia de crian\u00e7as criadas \u201csem g\u00eanero\u201d \u00e9 exaltada pela m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<figure class=\"pull-left thumb-sm\"><img decoding=\"async\" class=\"img-rounded img-responsive\" src=\"https:\/\/images.gospelprime.com.br\/UgUF0cI3fAzCJruM0a6SaQcV6vs=\/370x0\/smart\/filters:strip_icc()\/noticias.gospelprime.com.br\/files\/2017\/11\/ideologia-de-genero.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p>O assunto j\u00e1 \u00e9 debatido h\u00e1 anos em pa\u00edses do hemisf\u00e9rio Norte, em especial da Europa. A defesa de uma linguagem neutra e inclusiva para se referir a todos na sociedade \u00e9 quase epid\u00eamica. Conforme\u00a0<a class=\"external\" href=\"http:\/\/edition.cnn.com\/2017\/09\/28\/health\/sweden-gender-neutral-preschool\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">reportou recentemente a rede CNN<\/a>, h\u00e1 um forte movimento na Su\u00e9cia para se usar nas escolas o pronome neutro \u201chen\u201d para todos os alunos, independentemente do seu sexo.<\/p>\n<p>Trata-se de um novo pronome, que seria um meio-termo entre \u201chan\u201d (ele) e \u201chon\u201d (ela). Ele \u00e9 utilizado para fazer refer\u00eancia a uma pessoa sem revelar seu g\u00eanero, seja porque \u00e9 desconhecido, porque a pessoa \u00e9 transg\u00eanero ou porque quem fala ou escreve considera sup\u00e9rfluo referir-se ao g\u00eanero.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\"><\/div>\n<p>M\u00eas passado, a Alemanha come\u00e7ou a trabalhar com a op\u00e7\u00e3o de que seja\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.gospelprime.com.br\/tendencia-mundial-alemanha-oferecera-registro-de-terceiro-genero\/\">reconhecida na certid\u00e3o de nascimento um \u201cterceiro sexo\u201d<\/a>. Isso permitiria que os pais possam registrar que seu filho n\u00e3o \u00e9 nem homem nem mulher. A prov\u00e1vel nomenclatura ser\u00e1 \u201cintersexual\u201d, em lugar do termo mais conhecido \u201cn\u00e3o bin\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>No Canad\u00e1, um casal\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.gospelprime.com.br\/canada-registra-primeira-crianca-com-sexo-indefinido\/\">conseguiu que seu beb\u00ea Searyl Atli, de 8 meses, n\u00e3o seja identificado por g\u00eanero<\/a>. Ap\u00f3s seu pedido junto ao governo, a carteirinha de sa\u00fade da crian\u00e7a traz um \u201cU\u201d no item \u201csexo\u201d. Essa seria a abrevia\u00e7\u00e3o para \u201cindeterminado\u201d [undetermined, em ingl\u00eas].<\/p>\n<p>Agora, essa \u201ctend\u00eancia\u201d parece que se estabelece tamb\u00e9m no Brasil.<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios Roberto, 38, e Lu\u00edsa Martini, 35, s\u00f3cios de um grupo de ag\u00eancias de publicidade registraram seu filho como \u201cB\u201d. S\u00f3 isso, a segunda letra do alfabeto \u00e9 o nome do menino de 1 ano. A escolha, segundo eles, foi para que a crian\u00e7a \u201ctenha o m\u00ednimo de influ\u00eancia e carga social poss\u00edvel\u201d. O mesmo vale para o sexo, pois os pais se esfor\u00e7am para n\u00e3o dar roupas ou brinquedos que possam influenci\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A\u00a0<a class=\"external\" href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2017\/12\/1940663-casal-de-empresarios-batiza-filho-com-nome-de-uma-letra-so-ele-se-chama-b.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Folha de S\u00e3o Paulo deu novamente destaque<\/a>\u00a0a esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, exaltando as escolhas parentais, de modo semelhante ao que ocorreu com Ariel Carneiro dos Santos,\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.gospelprime.com.br\/pais-querem-filho-sem-genero-bebe-decidira\/\">que seus pais decidiram que ser\u00e1 criada como \u201cag\u00eanera\u201d<\/a>, isso \u00e9, caber\u00e1 a ela decidir se ser\u00e1 menino ou menina.<\/p>\n<p>Roberto, o pai de B, conta sua perspectiva de vida quando o menino nasceu \u201cEst\u00e1vamos numa tentativa de amenizar a carga do que a sociedade acabou imprimindo na gente. N\u00e3o s\u00f3 preconceitos, mas todas as predefini\u00e7\u00f5es do que \u00e9 certo e do que \u00e9 errado, do que \u00e9 branco, do que \u00e9 preto. Primeiro questionar e depois entender que nenhuma verdade resiste ao tempo. N\u00e3o houve discuss\u00e3o sobre como \u00edamos cri\u00e1-lo. Foi tudo muito natural\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>Para ele, o nome da crian\u00e7a serve para marcar uma posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. \u201cN\u00e3o sabemos se esse nome vai ser complementado quando B for adulto. A gente n\u00e3o pensa isso. \u00c9 um nome que ele pode seguir o caminho que quiser seguir, pode mudar, pode complementar. A mesma coisa com g\u00eanero. Nossa concep\u00e7\u00e3o de g\u00eanero vai se modificar\u2026 N\u00e3o quer\u00edamos limitar.\u201d<\/p>\n<p>O discurso de Lu\u00edsa refor\u00e7a o do esposo: \u201cEu acredito que o nome carrega uma carga energ\u00e9tica. A gente queria um nome que fosse um espa\u00e7o em branco, para nosso filho poder explorar sua personalidade\u201d.<\/p>\n<p>A m\u00e3e acredita que \u201cEsses padr\u00f5es culturais de comportamento foram determinados muito tempo atr\u00e1s. A sociedade carrega sem questionamento. O questionamento come\u00e7ou uns anos atr\u00e1s, o que eu acho muito bom. A humanidade sofre muito por causa desses padr\u00f5es. Nossa inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 criar um filho sem g\u00eanero, \u00e9 criar um filho sem estere\u00f3tipo de g\u00eanero\u2026 Ele usa uma roupa que tanto uma menina quanto um menino poderiam usar\u201d.<\/p>\n<p>Roberto insiste que j\u00e1 est\u00e1 tudo planejado: \u201cA gente tenta n\u00e3o pensar que roupa vai comprar, se \u00e9 de menino ou de menina. Compra o que faz sentido, seja um vestido ou uma cal\u00e7a mais larga, uma camiseta maior\u2026 Quando a gente foi decorar o quarto dele, chamei um artista que \u00e9 superlegal. Ele desenhou v\u00e1rias coisas, dentre elas um skatinho e um capacetinho. Por um segundo achei estranho, mas depois me dei conta de que skate n\u00e3o \u00e9 coisa de menino, isso era um condicionamento antigo. Mudou\u201d.<\/p>\n<p>O pai ressalta que n\u00e3o teve dificuldades de registrar o filho com esse nome no cart\u00f3rio, onde foi lavrada a certid\u00e3o, mas precisava de um sobrenome. \u201cA gente tamb\u00e9m criou um sobrenome novo, mas ele carrega um dos nossos sobrenomes porque foi uma coisa que eles insistiram. Se fosse um nome totalmente novo seria mais interessante\u201d, relata.<\/p>\n<p>No entendimento da m\u00e3e, \u201cNosso trabalho \u00e9 tentar minimizar uma carga que \u00e9 simb\u00f3lica, e que vem pesada. A gente sabe que n\u00e3o tem como anular a sociedade. Mas nomear \u00e9 um pouco colocar uma inten\u00e7\u00e3o. Quer\u00edamos que ele n\u00e3o carregasse um caminho pr\u00e9-determinado\u201d.<\/p>\n<p>E as cr\u00edticas? \u201cN\u00e3o tenho medo de cr\u00edtica. Meu \u00fanico receio \u00e9 preparar ele para o mundo\u201d, assegura Roberto.<\/p>\n<p>Pensando no futuro, Lu\u00edsa j\u00e1 pensa na educa\u00e7\u00e3o formal de B, desde que isso acompanhe a ideologia dos pais. \u201cEstou procurando escolas em que eu possa conversar sobre isso, e que tenham educadores que j\u00e1 tenham isso na sua pauta. J\u00e1 estive em alguns lugares que \u00e9 super \u201cmenino aqui\u201d\u2018, \u201cmenina ali\u201d. J\u00e1 estive em alguns lugares que est\u00e3o querendo mudar, fazer um evento em que meninas possam se fantasiar de pirata e meninos possam se fantasiar de bruxa\u201d, explica. \u201cEssa gera\u00e7\u00e3o Z, que nasceu depois de 1995, lida muito melhor com a mudan\u00e7a, com a aus\u00eancia de defini\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma sabedoria absurda, uma conex\u00e3o com natureza e com energia. Meu olho brilha, eu quase choro quando vejo essas coisas acontecendo\u201d, comemora.\u00a0<em>Com informa\u00e7\u00f5es\u00a0<a class=\"external\" href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2017\/12\/1940663-casal-de-empresarios-batiza-filho-com-nome-de-uma-letra-so-ele-se-chama-b.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Folha de SP<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O assunto j\u00e1 \u00e9 debatido h\u00e1 anos em pa\u00edses do hemisf\u00e9rio Norte, em especial da Europa. A defesa de uma linguagem neutra e inclusiva para se referir a todos na sociedade \u00e9 quase epid\u00eamica. Conforme\u00a0reportou recentemente a rede CNN, h\u00e1 um forte movimento na Su\u00e9cia para se usar nas escolas o pronome neutro \u201chen\u201d para todos os alunos, independentemente do seu sexo. Trata-se de um novo pronome, que seria um meio-termo entre \u201chan\u201d (ele) e \u201chon\u201d (ela). Ele \u00e9 utilizado para fazer refer\u00eancia a uma pessoa sem revelar seu g\u00eanero, seja porque \u00e9 desconhecido, porque a pessoa \u00e9 transg\u00eanero ou&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-84598","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":497,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84598"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84598\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84599,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84598\/revisions\/84599"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}