{"id":84139,"date":"2017-10-31T07:14:52","date_gmt":"2017-10-31T10:14:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=84139"},"modified":"2017-10-31T07:14:52","modified_gmt":"2017-10-31T10:14:52","slug":"investimento-ineficaz-em-seguranca-contribui-para-numero-de-mortes-na-ba-diz-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2017\/10\/31\/investimento-ineficaz-em-seguranca-contribui-para-numero-de-mortes-na-ba-diz-professor\/","title":{"rendered":"Investimento &#8216;ineficaz&#8217; em seguran\u00e7a contribui para n\u00famero de mortes na BA, diz professor"},"content":{"rendered":"<div class=\"box-title\">\n<p>por Bruno Luiz<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"box-body\">\n<div class=\"text-center\">\n<div class=\"box-img\"><img decoding=\"async\" class=\"img-center img-responsive\" src=\"http:\/\/imagem.bahianoticias.com.br\/fotos\/principal_noticias\/214163\/IMAGEM_NOTICIA_5.jpg?checksum=1509410253\" alt=\"Investimento 'ineficaz' em seguran\u00e7a contribui para n\u00famero de mortes na BA, diz professor\" \/><\/p>\n<div class=\"img-legenda\">Foto: Arquivo\/ Ag\u00eancia Brasi<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"text-descricao\">\n<p><strong>A ingrata posi\u00e7\u00e3o de primeiro lugar no ranking dos estados com maior n\u00famero absoluto de crimes intencionais em 2016, de acordo com o Anu\u00e1rio Brasileiro da Seguran\u00e7a P\u00fablica divulgado nesta segunda-feira (30) (<a href=\"http:\/\/www.bahianoticias.com.br\/noticia\/214142-numero-de-mortes-violentas-intencionais-no-brasil-bate-recorde-media-e-171-por-dia.html\" target=\"_blank\">veja aqui<\/a>), revela que os investimentos na \u00e1rea na Bahia s\u00e3o aplicados de forma ineficaz. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor Jo\u00e3o Apolin\u00e1rio da Silva, coordenador do Observat\u00f3rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia, que acompanha as a\u00e7\u00f5es realizadas no setor no estado. S\u00f3 em 2016, a Bahia registrou 7.110 mortes, um aumento de 12,8% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, quando 6.273 pessoas morreram em diversas circunst\u00e2ncias, como homic\u00eddios dolosos, latroc\u00ednio (roubo seguido de morte) ou pelas m\u00e3os da pol\u00edcia, por exemplo. Segundo Silva, a trajet\u00f3ria de aumento da viol\u00eancia \u00e9 constante e um dos principais fatores para essa escalada est\u00e1 na inje\u00e7\u00e3o \u201cincorreta\u201d dos recursos destinados \u00e0 seguran\u00e7a. \u201cO governo tem aplicado os recursos na constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios. Constr\u00f3i um edif\u00edcio para a pol\u00edcia, outro para abrigar um sistema de c\u00e2meras, um sistema de r\u00e1dio, compra viaturas, mas isso n\u00e3o tem impacto na redu\u00e7\u00e3o da criminalidade. Um exemplo est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o do Centro de Opera\u00e7\u00e3o da SSP. Nesse mesmo per\u00edodo, aumentou substancialmente a quantidade de homic\u00eddios na Bahia\u201d, criticou, em entrevista ao Bahia Not\u00edcias. Segundo dados do anu\u00e1rio, o governo estadual incrementou os repasses para a \u00e1rea de informa\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia. Em 2016, as subfun\u00e7\u00f5es receberam R$ 20,2 milh\u00f5es, um reajuste de 24,49% na compara\u00e7\u00e3o com 2015, quando os investimentos foram de R$ 16,2 milh\u00f5es. No entanto, mais dinheiro para as \u00e1reas, que, na pr\u00e1tica, monitoram e podem evitar a\u00e7\u00f5es de criminosos, por exemplo, n\u00e3o significa mais efetividade. De acordo com o especialista, a informa\u00e7\u00e3o deveria chegar para quem atua\u00a0nas ruas, o que n\u00e3o ocorre. \u201cA informa\u00e7\u00e3o produzida pela intelig\u00eancia \u00e9 de consumo interno.\u00a0A intelig\u00eancia n\u00e3o produz informa\u00e7\u00f5es para o policiamento de rua, mas sim para o gestor tomar a\u00e7\u00e3o. Essas pessoas n\u00e3o t\u00eam conectividade nenhuma com o servi\u00e7o aplicado no cotidiano\u201d, afirmou. Enquanto os aportes nesses setores cresceu de um ano para outro, na \u00e1rea de policiamento a queda foi vertiginosa. Em 2015, o governo estadual destinou R$ 3,6 bilh\u00f5es para esta subfun\u00e7\u00e3o. No ano seguinte, foram R$ 471,5\u00a0milh\u00f5es. Uma queda de 87%. Para Silva, o fato n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o direta com o aumento dos assassinatos no estado. &#8220;V\u00e1rios estudos mostram que aumento no policiamento n\u00e3o quer dizer redu\u00e7\u00e3o na viol\u00eancia. Neste caso, n\u00e3o\u00a0necessariamente o governo deixou de investir em policiamento. Os policiais est\u00e3o sem receber aumento h\u00e1 quase tr\u00eas anos. Por isso, fica parecendo que n\u00e3o houve investimento&#8221;, ponderou.\u00a0Ao trazer explica\u00e7\u00f5es para o aumento do n\u00famero de mortes violentas na Bahia, o coordenador do Observat\u00f3rio resumiu a\u00a0quest\u00e3o em dois eixos centrais. Um \u00e9 a \u201cgest\u00e3o continuada de insucessos\u201d na pol\u00edtica de seguran\u00e7a implementada h\u00e1 10 anos. O outro \u00e9 o que classificou como crise do sistema prisional baiano. O professor relembrou que, nos \u00faltimos 16 anos, mais de 60 mil pessoas foram assassinadas no estado e, mesmo assim, h\u00e1 uma \u201comiss\u00e3o\u201d na procura das melhores pr\u00e1ticas na \u00e1rea de seguran\u00e7a. \u201cA Bahia, no ramo da seguran\u00e7a p\u00fablica, funciona como uma capitania heredit\u00e1ria. O estado \u00e9 sempre pioneira no n\u00famero de homic\u00eddios. A gente tem omiss\u00e3o em procurar as melhores pr\u00e1ticas de seguran\u00e7a p\u00fablica no estado. Estamos com inconsist\u00eancia perdurando anos a fio\u201d, atacou. Ele tamb\u00e9m culpou a prolifera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas criminosas pelos vultosos \u00edndices de viol\u00eancia. O professor explicou que, ao contr\u00e1rio de estados como S\u00e3o Paulo e Rio, que possuem fac\u00e7\u00f5es criminosas \u00fanicas, com ramifica\u00e7\u00f5es pelo pa\u00eds, a din\u00e2mica na Bahia \u00e9 diferente. Ap\u00f3s brigas entre traficantes nos pres\u00eddios, as organiza\u00e7\u00f5es\u00a0acabam se esfacelando e o que\u00a0sobra delas se espalha pelo estado, como c\u00e9lulas criminosas, disputando o controle das regi\u00f5es. S\u00e3o confrontos,\u00a0aponta Silva,\u00a0que fazem emergir um grande n\u00famero de crimes. E \u00e9 esta batalha, na avalia\u00e7\u00e3o dele, que o Estado tem perdido. No caso do sistema prisional, o especialista critica a falta de \u201cconex\u00e3o\u201d entre o setor e o sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica. \u201cS\u00e3o duas coisas apartadas. O estado se eximiu do controle da pris\u00e3o, os presos s\u00e3o controlados pelos pr\u00f3prios presos\u201d, acusou. Ele tamb\u00e9m contestou as constata\u00e7\u00f5es feitas por especialistas de que h\u00e1 superpopula\u00e7\u00e3o prisional no estado. \u201cNestes 16 anos, foram mais de 60 mil assassinados. Nesse mesmo per\u00edodo, foram contabilizados 2.700 presos por homic\u00eddio. O que temos \u00e9 uma grande impunidade, um conjunto de medidas insuficientes que n\u00e3o consegue investigar e prender criminosos e leis que possibilitam que a Justi\u00e7a n\u00e3o retenha esses criminosos para pr\u00e1tica de novos crimes\u201d, criticou.<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.bahianoticias.com.br\/fotos\/principal_noticias\/214163\/mg\/foto-1---carol-garcia-govba.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Foto: Carol Garcia\/ GOVBA<\/em><\/p>\n<p><strong>Os dados desfavor\u00e1veis apresentados pelo anu\u00e1rio foram contestados em nota pela Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP) (veja\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bahianoticias.com.br\/noticia\/214162-ssp-diz-que-nao-participou-de-anuario-apos-forum-admitir-dados-duvidosos.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>). Segundo a pasta, as informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis. Em entrevista ao Bahia Not\u00edcias, Samira Bueno, diretora-executiva do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, rebateu a secretaria. \u201cProvavelmente, esse of\u00edcio foi uma provoca\u00e7\u00e3o do governo da Bahia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o nacional dos homic\u00eddios. De fato, n\u00e3o existe padroniza\u00e7\u00e3o por parte do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Por isso, o F\u00f3rum n\u00e3o usa dados do Minist\u00e9rio. Temos confian\u00e7a absoluta nos indicadores que produzimos. Temos clareza de que nossos dados s\u00e3o reais\u201d, afirmou Samira, ao destacar que a entidade busca padronizar os dados. Ela explicou que, apesar de os estados apresentarem as informa\u00e7\u00f5es de maneiras diversas, o F\u00f3rum busca compilar tudo de forma homog\u00eanea, para evitar distor\u00e7\u00f5es. Samira tamb\u00e9m contou que a equipe respons\u00e1el pelo anu\u00e1rio\u00a0precisou abrir uma categoria inexistente no estudo, apenas para colocar a Bahia. O estado foi o \u00fanico a aparecer no grupo 4\u00a0de qualidade classificado\u00a0pelo anu\u00e1rio. Os grupos de qualidade\u00a0atestam a confiabilidade dos dados sobre homic\u00eddios fornecidos pelas unidades da federa\u00e7\u00e3o. A Bahia foi a \u00fanica a n\u00e3o responder o question\u00e1rio entregue pelo F\u00f3rum. \u201cEsse question\u00e1rio nos faz entender como esses dados s\u00e3o produzidos, a forma como eles s\u00e3o quantificados. A gente n\u00e3o pode atestar a confiabilidade dos dados da Bahia porque o estado se negou a responder\u201d, afirmou. Ainda segundo Samira, a atitude acaba comprometendo a transpar\u00eancia na divulga\u00e7\u00e3o dos dados sobre viol\u00eancia no estado. \u201c\u00c9 lament\u00e1vel que o governo tenha se negado a participar desse processo de checagem de informa\u00e7\u00f5es. Vivemos em uma democracia. Qualquer ente federativo precisa prestar contas para a sociedade. Espera-se que as pastas tenham um m\u00ednimo de transpar\u00eancia para que a popula\u00e7\u00e3o possa referendar, ou n\u00e3o, as pol\u00edticas aplicadas\u201d, lamentou. A diretora-executiva da entidade ainda atribuiu o alto n\u00famero de assassinatos no pa\u00eds no ano passado, 61.619, o maior da hist\u00f3ria, \u00e0\u00a0falta de investimentos em seguran\u00e7a p\u00fablica, causada\u00a0pela crise econ\u00f4mica. \u201cA crise tira a seguran\u00e7a p\u00fablica da prioridade na agenda nacional\u201d, concluiu, de forma preocupante.\u00a0 Fonte; Bahia Noticias<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Bruno Luiz Foto: Arquivo\/ Ag\u00eancia Brasi A ingrata posi\u00e7\u00e3o de primeiro lugar no ranking dos estados com maior n\u00famero absoluto de crimes intencionais em 2016, de acordo com o Anu\u00e1rio Brasileiro da Seguran\u00e7a P\u00fablica divulgado nesta segunda-feira (30) (veja aqui), revela que os investimentos na \u00e1rea na Bahia s\u00e3o aplicados de forma ineficaz. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor Jo\u00e3o Apolin\u00e1rio da Silva, coordenador do Observat\u00f3rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia, que acompanha as a\u00e7\u00f5es realizadas no setor no estado. 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