{"id":83508,"date":"2017-09-12T07:16:32","date_gmt":"2017-09-12T10:16:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=83508"},"modified":"2017-09-12T07:16:32","modified_gmt":"2017-09-12T10:16:32","slug":"crescimento-de-ataques-virtuais-acende-alerta-sobre-suicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2017\/09\/12\/crescimento-de-ataques-virtuais-acende-alerta-sobre-suicidio\/","title":{"rendered":"Crescimento de ataques virtuais acende alerta sobre suic\u00eddio"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de ser um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, com tend\u00eancia de crescimento nos pr\u00f3ximos anos, pois acompanha a expans\u00e3o de doen\u00e7as como a depress\u00e3o, o suic\u00eddio ainda \u00e9 um tabu no Brasil. Dificuldade de obter dados, preconceito e medo de estimular a pr\u00e1tica ao falar sobre ela s\u00e3o fatores que dificultam a discuss\u00e3o e o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas, segundo estudos e especialistas consultados pela<strong>\u00a0Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>Neste ano, o sil\u00eancio que ronda o tema foi quebrado com a divulga\u00e7\u00e3o do Baleia Azul, o jogo virtual que envolveria o est\u00edmulo \u00e0s mutila\u00e7\u00f5es corporais de jovens e at\u00e9 ao suic\u00eddio. O game virou tema de novela e mesmo de opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, que\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2017-07\/policia-prende-homem-acusado-de-aliciar-jovens-para-jogar-baleia-azul\" target=\"_blank\">prendeu acusados de aliciar crian\u00e7as e adolescentes por meio do Baleia Azul<\/a>. O fato trouxe \u00e0 tona uma realidade comum: a ocorr\u00eancia do ass\u00e9dio virtual, tamb\u00e9m chamado de cyberbullying.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do jogo, casos como o do jovem americano Tyler Clementi, de 18 anos, que se suicidou ap\u00f3s ter fotos \u00edntimas divulgadas pelo colega de dormit\u00f3rio, e da brit\u00e2nica Hannah Smith, de 14 anos, que se matou ap\u00f3s receber ofensas na rede, t\u00eam chamado a aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Segundo o integrante do Grupo de Estudo e Pesquisa em Suic\u00eddio e Preven\u00e7\u00e3o (GEPeSP), Pablo Nunes, n\u00e3o h\u00e1 estudos confi\u00e1veis que comprovem a liga\u00e7\u00e3o direta entre crescimento do n\u00famero de suic\u00eddios e ataques nas redes sociais. No entanto, ind\u00edcios dessa rela\u00e7\u00e3o pedem aten\u00e7\u00e3o ao ambiente online.<\/p>\n<p>\u201cO fato \u00e9 que a populariza\u00e7\u00e3o da internet tem propiciado a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre m\u00e9todos de se suicidar e a prolifera\u00e7\u00e3o de grupos de pessoas em sofrimento. Nesses grupos, os participantes discutem meios, lugares e &#8216;encorajam&#8217; uns aos outros. No caso da automutila\u00e7\u00e3o, s\u00e3o centenas as p\u00e1ginas e grupos dedicados. Em muitas escolas o fen\u00f4meno j\u00e1 virou problema s\u00e9rio\u201d, explica Pablo Nunes.<!--more--><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o pesquisador destaca que o anonimato\u00a0 faz das m\u00eddias sociais um ambiente favor\u00e1vel para ataques.<\/p>\n<p>Segundo o Safernet, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) que recebe den\u00fancias sobre crimes que ocorrem na internet, em 2016,\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2017-02\/em-um-ano-39-mil-paginas-na-web-sao-denunciadas-por-violar-os-direitos-humanos\" target=\"_blank\">39,4 mil p\u00e1ginas da internet foram denunciadas por viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos<\/a>, que incluem conte\u00fados racistas, de incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, que cont\u00e9m pornografia infantil, etc.<\/p>\n<p>A ONG, que tamb\u00e9m oferece apoio \u00e0s v\u00edtimas de crimes que ocorrem na internet, registrou no ano passado 312 pedidos de orienta\u00e7\u00e3o e aux\u00edlio relacionados \u00e0 intimida\u00e7\u00e3o ou discrimina\u00e7\u00e3o na rede. A mesma quantidade de solicita\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0s v\u00edtimas do vazamento de fotos e v\u00eddeos \u00edntimos, pr\u00e1tica conhecida como\u00a0<em>sexting<\/em>, foi registrada. Foi a primeira vez que o cyberbullying ocupou o primeiro lugar no ranking dos motivos que levaram a pedidos de ajuda. J\u00e1 128 casos relataram sofrimento devido a conte\u00fados de \u00f3dio e viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Ataques virtuais<\/strong><\/p>\n<div class=\"know_more\">\n<h3>Saiba Mais<\/h3>\n<ul class=\"field-items\">\n<li class=\"field-item first\"><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2017-09\/crise-economica-desemprego-e-preconceito-aumentam-o-risco-de-suicidio-diz-ipea\">Crise econ\u00f4mica, desemprego e preconceito aumentam o risco de suic\u00eddio, diz Ipea<\/a><\/li>\n<li class=\"field-item last\"><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2017-09\/setembro-amarelo-alerta-para-prevencao-ao-suicidio\">Setembro Amarelo alerta para a preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>A consultora em pol\u00edticas LGBT (l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) e Direitos Humanos Evelyn Silva, de 43 anos, foi diagnosticada com depress\u00e3o severa h\u00e1 mais de dez anos. Desde julho, a situa\u00e7\u00e3o piorou depois que sofreu uma s\u00e9rie de ataques na rede. Colunista de um site feminista, ela escreveu um texto sobre problemas recorrentes em rela\u00e7\u00f5es entre l\u00e9sbicas e bissexuais. A repercuss\u00e3o do texto veio junto a diversas mensagens violentas.<\/p>\n<p>\u201cO tema \u00e9 pol\u00eamico, mas foi muito mais do que isso. Eu recebi mensagens de viol\u00eancia muito complicadas, de pessoas que eu n\u00e3o conhe\u00e7o, a maior parte da mensagem tinha cunho lesbof\u00f3bico. Chegaram a amea\u00e7ar a revista porque ela estaria dando guarida para uma &#8216;bif\u00f3bica&#8217;\u201d, relata a militante de direitos LGBT, que j\u00e1 havia sofrido amea\u00e7as de morte e \u201cestupro corretivo\u201d nas redes vindas dos chamados\u00a0<em>haters<\/em>, pessoas que postam coment\u00e1rios de \u00f3dio na internet.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 \u00f3dio puro. As pessoas n\u00e3o t\u00eam a menor ideia de quem voc\u00ea \u00e9, mas elas est\u00e3o ali colocando para fora uma opini\u00e3o que elas nunca expressariam pessoalmente\u201d.<\/p>\n<p>Muitas mensagens evidenciavam que as pessoas n\u00e3o haviam lido o texto, pois faziam refer\u00eancia a temas n\u00e3o abordados nele. Evelyn tamb\u00e9m foi alvo de uma s\u00e9rie de pedidos de bloqueio no Facebook, que acabou suspendendo sua conta por 24 horas e, depois, por 72 horas. Apesar de ter buscado explicar a situa\u00e7\u00e3o \u00e0 empresa, n\u00e3o obteve nenhuma resposta.<\/p>\n<p>Depois dos ataques, Evelyn decidiu se afastar das redes sociais, o que n\u00e3o impediu, entretanto, que ela enfrentasse crises de transtorno de ansiedade e p\u00e2nico, o que dificultaram atividades b\u00e1sicas como trabalhar e sair de casa. \u201cBati no fundo do po\u00e7o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Evelyn revela que outros problemas ajudaram a refor\u00e7ar o quadro de doen\u00e7as e que ela chegou a pensar em cometer suic\u00eddio. Para evit\u00e1-lo, ela passa por um tratamento com monitoramento, uma t\u00e9cnica que envolve a presen\u00e7a constante e acolhedora de uma rede de amigos e familiares.<\/p>\n<p>A consultora acredita que falar e expor a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para quebrar o tabu sobre o tema. A opini\u00e3o \u00e9 compartilhada por Pablo Nunes. \u201cPreferir manter o suic\u00eddio no desconhecimento auxilia na manuten\u00e7\u00e3o do tabu, sendo mais dif\u00edcil tra\u00e7ar a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O pesquisador explica que uma cobertura respons\u00e1vel da m\u00eddia, em vez de produzir o temido efeito de cont\u00e1gio, \u00e9 considerada importante pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), que oferece manuais e treinamento para jornalistas sobre como reportar casos.<\/p>\n<p>Ao falar sobre suic\u00eddio, \u00e9 preciso que tamb\u00e9m sejam\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2017-09\/setembro-amarelo-alerta-para-prevencao-ao-suicidio\" target=\"_blank\">apontados mecanismos de preven\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>No ambiente da rede, isso come\u00e7a com a ado\u00e7\u00e3o de mecanismos de prote\u00e7\u00e3o, como uso de aplicativos seguros para compartilhamento de fotos \u00edntimas para pessoas conhecidas; cuidados com senhas; den\u00fancias de agressores; busca de delegacias especializadas, quando necess\u00e1rio, e, principalmente, informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUm adolescente que sabe como funciona determinado aplicativo, que entende as quest\u00f5es relacionadas ao anonimato e enxergue os potenciais preju\u00edzos de um vazamento de informa\u00e7\u00f5es pessoais possa ter, ser\u00e1 um indiv\u00edduo que certamente prevenir\u00e1 que situa\u00e7\u00f5es como essas aconte\u00e7am\u201d, defende o pesquisador. Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ser um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, com tend\u00eancia de crescimento nos pr\u00f3ximos anos, pois acompanha a expans\u00e3o de doen\u00e7as como a depress\u00e3o, o suic\u00eddio ainda \u00e9 um tabu no Brasil. Dificuldade de obter dados, preconceito e medo de estimular a pr\u00e1tica ao falar sobre ela s\u00e3o fatores que dificultam a discuss\u00e3o e o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas, segundo estudos e especialistas consultados pela\u00a0Ag\u00eancia Brasil. Neste ano, o sil\u00eancio que ronda o tema foi quebrado com a divulga\u00e7\u00e3o do Baleia Azul, o jogo virtual que envolveria o est\u00edmulo \u00e0s mutila\u00e7\u00f5es corporais de jovens e at\u00e9 ao suic\u00eddio. O&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-83508","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":615,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83508"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83508\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83509,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83508\/revisions\/83509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}