{"id":83465,"date":"2017-09-09T14:07:27","date_gmt":"2017-09-09T17:07:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=83465"},"modified":"2017-09-09T14:07:27","modified_gmt":"2017-09-09T17:07:27","slug":"desigualdade-de-renda-no-brasil-nao-caiu-entre-2001-e-2015-revela-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2017\/09\/09\/desigualdade-de-renda-no-brasil-nao-caiu-entre-2001-e-2015-revela-estudo\/","title":{"rendered":"Desigualdade de renda no Brasil n\u00e3o caiu entre 2001 e 2015, revela estudo"},"content":{"rendered":"<p>O crescimento da renda da popula\u00e7\u00e3o mais pobre no Brasil nos \u00faltimos 15 anos foi insuficiente para reduzir a desigualdade. Segundo estudo divulgado nesta semana pela equipe do economista Thomas Piketty, famoso por propor a taxa\u00e7\u00e3o dos mais ricos para reduzir as disparidades na distribui\u00e7\u00e3o de renda, a maior parte do crescimento econ\u00f4mico neste s\u00e9culo foi apropriada pelos 10% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, conduzido pelo World Wealth and Income Database, instituto codirigido por Piketty, a fatia da renda nacional dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o passou de 54,3% para 55,3% de 2001 a 2015. No mesmo per\u00edodo, a participa\u00e7\u00e3o da renda dos 50% mais pobres tamb\u00e9m subiu 1 ponto percentual, passando de 11,3% para 12,3%. A renda nacional total cresceu 18,3% no per\u00edodo analisado, mas 60,7% desses ganhos foram apropriados pelos 10% mais ricos, contra 17,6% das camadas menos favorecidas.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o foi feita \u00e0 custa da faixa intermedi\u00e1ria de 40% da popula\u00e7\u00e3o, cuja participa\u00e7\u00e3o na renda nacional caiu de 34,4% para 32,4% de 2001 a 2015. De acordo com o estudo, a queda se deve ao fato de que essa camada da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se beneficiou diretamente das pol\u00edticas sociais e trabalhistas dos \u00faltimos anos nem p\u00f4de tirar proveito dos ganhos de capital (como lucros, dividendos, renda de im\u00f3veis e aplica\u00e7\u00f5es financeiras), restritos aos mais ricos.<\/p>\n<p>\u201cAo capturar pouco ou nenhuma parte da distribui\u00e7\u00e3o da renda de capital e ao n\u00e3o capturar muitos dos frutos da pol\u00edtica social diretamente, a faixa intermedi\u00e1ria \u2018espremida\u2019 poderia ser um produto das elites que a quer botar em competi\u00e7\u00e3o com a faixa inferior [de renda]\u201d, destacou o estudo, assinado pelo economista Marc Morgan.<\/p>\n<p>O estudo classificou a manuten\u00e7\u00e3o da desigualdade no Brasil como \u201cchocante\u201d, principalmente se comparada com outros pa\u00edses desenvolvidos. \u201c\u00c9 digno de nota que a renda m\u00e9dia dos 90% mais pobres no Brasil \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 dos 20% mais pobres na Fran\u00e7a, o que apenas expressa a extens\u00e3o da distor\u00e7\u00e3o na renda no Brasil e a falta de uma vasta classe m\u00e9dia\u201d, ressalta o levantamento. Em contrapartida, o 1% mais rico no Brasil ganha mais que o 1% mais rico no pa\u00eds europeu: US$ 541 mil aqui, contra US$ 450 mil a US$ 500 mil na Fran\u00e7a.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento exclui transfer\u00eancias de renda. Considerando o Bolsa Fam\u00edlia e o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada, a participa\u00e7\u00e3o dos mais pobres teria encerrado 2015 em 14%, mas a evolu\u00e7\u00e3o da renda dos 10% mais ricos permaneceria inalterada. No entanto, o sal\u00e1rio m\u00ednimo, as aposentadorias e pens\u00f5es e o seguro-desemprego est\u00e3o inclu\u00eddos no c\u00e1lculo.<\/p>\n<p>Segundo o World Wealth and Income Database, as transfer\u00eancias sociais foram retiradas do levantamento para facilitar a an\u00e1lise da estrutura da economia. Essa medida, conforme a equipe respons\u00e1vel pelo estudo, permite estimar quanto da renda nacional vem do capital e quanto vem do trabalho.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da renda nacional, os autores usaram dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domic\u00edlios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) que analisa o padr\u00e3o de vida e a renda das fam\u00edlias mais pobres. Os dados sobre a parcela mais rica da popula\u00e7\u00e3o vieram de informa\u00e7\u00f5es sobre a Declara\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda Pessoa F\u00edsica, enviados pela Receita Federal com a preserva\u00e7\u00e3o do sigilo fiscal dos contribuintes.<\/p>\n<p>Para acrescentar a participa\u00e7\u00e3o do capital e as rendas n\u00e3o tribut\u00e1veis, o estudo usou as Contas Econ\u00f4micas Integradas, de 2000 a 2014, e as Contas Nacionais Trimestrais do IBGE de 2015. Juntando as tr\u00eas bases de dados, os economistas elaboraram a s\u00e9rie hist\u00f3rica dos \u00faltimos 15 anos da renda nacional com a participa\u00e7\u00e3o de cada faixa de renda da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Dividendos<\/strong><\/p>\n<p>A inclus\u00e3o das contas do IBGE permitiu aos pesquisadores estimar os impactos sobre a economia da isen\u00e7\u00e3o de Imposto de Renda sobre lucros e dividendos, em vigor desde 1995. De acordo com o estudo, a desigualdade na renda do trabalho (de quem ganha sal\u00e1rios) diminuiu de 2001 a 2015, mas esse efeito pode ser mascarado por profissionais aut\u00f4nomos que recorrem a instrumentos como participa\u00e7\u00e3o nos lucros e distribui\u00e7\u00e3o de dividendos para pagarem menos impostos.<\/p>\n<p>\u201cNum contexto em que lucros distribu\u00eddos s\u00e3o isentos de Imposto de Renda, enquanto as rendas mais altas do trabalho s\u00e3o taxadas com a al\u00edquota m\u00e1xima de 27,5%, esse tipo de comportamento n\u00e3o pode ser descartado, especialmente como parece ser comum entre os brasileiros envolvidos em atividades aut\u00f4nomas\u201d, destacou o estudo. Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O crescimento da renda da popula\u00e7\u00e3o mais pobre no Brasil nos \u00faltimos 15 anos foi insuficiente para reduzir a desigualdade. 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