{"id":8147,"date":"2010-04-30T10:57:17","date_gmt":"2010-04-30T13:57:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=8147"},"modified":"2010-04-30T10:57:17","modified_gmt":"2010-04-30T13:57:17","slug":"artigo-para-ler-e-pensar-no-dia-do-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/30\/artigo-para-ler-e-pensar-no-dia-do-trabalhador\/","title":{"rendered":"Artigo: Para ler e pensar no Dia do Trabalhador"},"content":{"rendered":"<div style=\"width: 110px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"marcia\" src=\"http:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/upload\/congresso\/Marcia_Denser_nova.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"122\" \/><p class=\"wp-caption-text\">M\u00e1rcia Denser<\/p><\/div>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras deste 1\u00ba de maio \u2013 que mui filhadaputamente este ano cai num s\u00e1bado \u2013\u00a0 para atender nosso bicho pregui\u00e7a que bem se amolda a esta cultura de mosaico, eis algumas reflex\u00f5es pol\u00edtico-culturais, minhas e dos outros, entretecidas ao longo de muitas colunas:<\/p>\n<p><em>&#8220;Considerado pela Time (al\u00e9m de El Pa\u00eds, Espanha, e Le Monde Diplomatic, Fran\u00e7a, e n\u00e3o vou nem considerar a News Week, The Economist, The New York, onde o Brasil decolava, de dar crise de urtic\u00e1ria na &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221; para o resto da vida) como o pol\u00edtico mais influente do mundo e precisamente por seus programas sociais (contra a fome, educa\u00e7\u00e3o), presidente Lula se confirma como autor da nova narrativa a que me referi coluna passada e deu tanto pano para mangas. Para quem duvidava, o castigo veio a jato. Lula realmente botou o Brasil no mapa. Quem \u00e9 artista, escritor, etc. no Brasil &#8211; padecendo eternamente de baixa auto-estima -, \u00e9 minimamente inteligente e enxerga um palmo diante do nariz, <strong>tem que estar adorando<\/strong>. Porque o Brasil, suas artes, sua cultura, sua gente, come\u00e7ar\u00e1 a ser visto de outra forma pelo olhar estrangeiro. Imaginem, minha agente liter\u00e1ria &#8211; que eu n\u00e3o via h\u00e1 meses &#8211; acaba de ligar de Frankfurt!&#8221;<\/em> (by myself)<!--more--><br \/>\n<em><br \/>\nSe o voto mudasse as coisas, ele seria ilegal.<\/em> (de um filme esquecido)<\/p>\n<p><em>Os Estados Unidos vivem uma ditadura dirigida por um idiota total que s\u00f3 se ocupa em arranjar dinheiro para sua patota. O demente de Washington lembra Cal\u00edgula, com a diferen\u00e7a que o imperador romano era mais civilizado.<\/em> (Gore Vidal about Bush)<\/p>\n<p><em>A bolsa de valores intelectuais \u00e9 emotiva e calculista como todas as bolsas. Hoje temos talento, amanh\u00e3 n\u00e3o. \u00c9ramos bons poetas na circunst\u00e2ncia tal, mas j\u00e1 agora estamos com o papo cheio de vento; somos demasiado herm\u00e9ticos, demasiado vulgares, nosso individualismo nos perde; ou nosso socialismo; chegamos a dois passos da Igreja, o que nos falta \u00e9 o sentimento de Deus; nossa prosa \u00e9 l\u00edrica, nossos versos s\u00e3o prosaicos<\/em> (Carlos Drummond de Andrade, CDA, poeta e terrorista, precursor de todos os outros vindouros e passadouros, uma vez que, desde <em>Elegia 1938<\/em>, j\u00e1 propunha detonar a ilha de Manhattan)<\/p>\n<p><em>Um escritor desprovido duma interpreta\u00e7\u00e3o pessoal e original do Brasil nunca chegou (nunca chegar\u00e1) a produzir uma grande obra liter\u00e1ria.<\/em> (Silviano Santiago n\u00e3o-sei-onde)<\/p>\n<p><em>Resta a escrita, paix\u00e3o perversa do eu (pois \u00e9 na compuls\u00e3o pela escrita que o mais baixo, o blogueiro, e o mais alto, Proust, coincidem). \u00c9 por a\u00ed que se pode entender tamb\u00e9m por que o registro da viv\u00eancia imediata tornou-se um clich\u00ea (mais um) na literatura contempor\u00e2nea, a come\u00e7ar pela prolifera\u00e7\u00e3o dos blogs, de S\u00e3o Paulo a Bagd\u00e1.<\/em> (\u00cdtalo Moriconi n\u00e3o-sei-onde)<\/p>\n<p><em>Estamos sendo a lata do lixo da cultura alheia, recebendo e reciclando dejetos culturais gerados na usina do \u00f3cio e do lucro capitalista, que concentra a riqueza e globaliza a pobreza. (&#8230;) Enquanto a modernidade operava com o conceito de projeto (o lan\u00e7ar-se \u00e0 frente), a p\u00f3s-modernidade se compraz com eventos, instant\u00e2neos como fogos de artif\u00edcio. Produz obras fugazes, confundidas com os detritos do tempo. O brilho \u00e9 r\u00e1pido, nascido da improvisa\u00e7\u00e3o. Ocorre o culto da apar\u00eancia revisitada de revistas tipo Caras, e a figura\u00e7\u00e3o de uma Quem, que n\u00e3o \u00e9 sujeito, sen\u00e3o um objeto que pode ser metonimicamente trocado por qualquer outro no palco do instante. (&#8230;) Os artistas substitu\u00edram o pacto com o p\u00fablico por um pacto exclusivo, feito apenas entre seus pares. N\u00e3o apenas exclu\u00edram o p\u00fablico, mas at\u00e9 o hostilizaram.<\/em> (Affonso Romano de Sant\u2019Anna tb-n\u00e3o-sei-onde)<\/p>\n<p><em>A diferen\u00e7a entre as duas sociedades (1960 e 2000) \u00e9 que a de 1960 se conhecia pela \u201cFalsa Consci\u00eancia\u201d &#8211; a consci\u00eancia envergonhada de suas injusti\u00e7as e contradi\u00e7\u00f5es, enquanto a de 2000 se conhece pela \u201cConsci\u00eancia Perversa\u201d &#8211; que n\u00e3o s\u00f3 ignora a desigualdade social, como quer mais \u00e9 que o Outro se foda ou pior: tem plena consci\u00eancia das injusti\u00e7as, contradi\u00e7\u00f5es e do ponto sem retorno em que se encontra, mas n\u00e3o se importa.<\/em> (by myself)<\/p>\n<p><em>Entre 1960 e 1970, a esquerda e o nacionalismo representavam a cultura de massa dominante na Am\u00e9rica Latina \u2013 era a poesia de Pablo Neruda, a m\u00fasica de Mercedes Sosa, o teatro emancipador de Augusto Boal, a pedagogia de Paulo Freire, o cinema novo de Glauber Rocha, o jornalismo revolucion\u00e1rio de Eduardo Galeano. Eram os lend\u00e1rios her\u00f3is e m\u00e1rtires do passado e da hist\u00f3ria recente, de Sim\u00f3n Bol\u00edvar a Che Guevara. Quando as juntas militares (Chile, Argentina, Brasil, Uruguai) sa\u00edram a campo para arrancar o desenvolvimentismo pelas ra\u00edzes, fizeram uma declara\u00e7\u00e3o de guerra contra toda a cultura.<\/em> (Naomi Klein, <em>A doutrina do choque<\/em>)<\/p>\n<p><em>Na exacerba\u00e7\u00e3o deste confronto, em que o progresso \u00e9 uma desgra\u00e7a e o atraso \u00e9 uma vergonha, h\u00e1 em Machado de Assis um veio semelhante a Dostoievski, Tchecov, etc.<\/em> (Roberto Schwarz, <em>As id\u00e9ias fora do lugar<\/em>)<\/p>\n<p><em>FHC concluiu com chave de ouro o que os militares come\u00e7aram: em cinco ou seis anos, clones malditos dos intelectuais de ontem destru\u00edram o que fora constru\u00eddo ao longo de d\u00e9cadas, transformaram o saldo positivo da balan\u00e7a comercial num \u201crombo\u201d permanente, estimularam o envio de d\u00f3lares para o Exterior, elevaram os juros para cobrir os \u201crombos\u201d criados, privatizaram a troco de banana e com dinheiro p\u00fablico as telecomunica\u00e7\u00f5es, os bancos estatais, as hidroel\u00e9tricas. Com \u201cchoques de gest\u00e3o\u201d quebraram a Uni\u00e3o, os Estados, os munic\u00edpios. Destru\u00edram a ind\u00fastria, a agricultura, o sistema educacional, institu\u00edram o desemprego estrutural. Destru\u00edram mais. Destru\u00edram o sonho, o passado e o futuro: mataram a Alma Nacional.<\/em> (Alo\u00edsio Biondi, <em>A morte da alma nacional<\/em>)<\/p>\n<p><em>O Brasil s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 rico porque n\u00e3o quer. Temos de vencer uma certa infantilidade que h\u00e1 no nosso temperamento, uma\u00a0 confus\u00e3o entre desejo e realidade. O Brasil tem o dever consigo pr\u00f3prio de eliminar as necessidades b\u00e1sicas do ser humano. Mas o Brasil n\u00e3o cumpre isso, os governos n\u00e3o cumprem isso, a nossa sociedade n\u00e3o cumpre isso. Um deputado do PMDB disse ontem que n\u00e3o se escreve hist\u00f3ria com baioneta ou fuzil. Ao contr\u00e1rio, s\u00f3 se escreve hist\u00f3ria com baioneta, fuzil ou equivalente, de J\u00falio C\u00e9sar a Robespierre, a Hitler e Stalin.<\/em> (Paulo Francis, <em>FSP<\/em>, julho\/1983).<\/p>\n<p><em>*A escritora paulistana M\u00e1rcia Denser publicou, entre outros, <\/em>Tango Fantasma <em>(1977),<\/em> O Animal dos Mot\u00e9is <em>(1981),<\/em> Exerc\u00edcios para o pecado <em>(1984),<\/em> Diana ca\u00e7adora <em>(1986),<\/em> A Ponte das Estrelas <em>(1990),<\/em> Toda Prosa <em>(2002 &#8211; Esgotado),<\/em> Diana Ca\u00e7adora\/Tango Fantasma <em>(2003,Ateli\u00ea Editorial, reedi\u00e7\u00e3o), <\/em>Caim <em>(Record, 2006),<\/em> Toda Prosa II &#8211; Obra Escolhida <em>(Record, 2008). \u00c9 traduzida na Holanda, Bulg\u00e1ria, Hungria, Estados Unidos, Alemanha, Sui\u00e7a, Argentina e Espanha (catal\u00e3o e galaico-portugu\u00eas). Dois de seus contos &#8211;<\/em> O Vampiro da Alameda Casabranca <em>e<\/em> Hell&#8217;s Angel <em>&#8211; foram inclu\u00eddos nos <\/em>100 Melhores Contos Brasileiros do S\u00e9culo<em>, sendo que<\/em> Hell&#8217;s Angel <em>est\u00e1 tamb\u00e9m entre os<\/em> 100 Melhores Contos Er\u00f3ticos Universais. <em>Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica pela PUCSP, \u00e9 pesquisadora de literatura, jornalista e curadora de Literatura da Biblioteca S\u00e9rgio Milliet em S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n<p><em>Congresso em Foco<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras deste 1\u00ba de maio \u2013 que mui filhadaputamente este ano cai num s\u00e1bado \u2013\u00a0 para atender nosso bicho pregui\u00e7a que bem se amolda a esta cultura de mosaico, eis algumas reflex\u00f5es pol\u00edtico-culturais, minhas e dos outros, entretecidas ao longo de muitas colunas: &#8220;Considerado pela Time (al\u00e9m de El Pa\u00eds, Espanha, e Le Monde Diplomatic, Fran\u00e7a, e n\u00e3o vou nem considerar a News Week, The Economist, The New York, onde o Brasil decolava, de dar crise de urtic\u00e1ria na &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221; para o resto da vida) como o pol\u00edtico mais influente do mundo e precisamente por seus programas sociais (contra&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[2831,3620],"class_list":["post-8147","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-artigo","tag-dia-do-trabalhador"],"acf":[],"views":697,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8147"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8147\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8148,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8147\/revisions\/8148"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}