{"id":8120,"date":"2010-04-30T08:18:53","date_gmt":"2010-04-30T11:18:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=8120"},"modified":"2010-04-30T08:18:53","modified_gmt":"2010-04-30T11:18:53","slug":"a-copa-do-mundo-e-nossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/30\/a-copa-do-mundo-e-nossa\/","title":{"rendered":"A Copa do Mundo \u00e9 nossa?"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>M\u00e1rio Coelho<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" title=\"logo copa\" src=\"http:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/upload\/congresso\/copa2014.jpg\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"162\" \/>Nos \u00faltimos sete dias, o ministro do Esporte, Orlando Silva, passou a mandar recados diretos para os estados e munic\u00edpios que receber\u00e3o os jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Cobrou agilidade na execu\u00e7\u00e3o das obras e chegou a sugerir a diminui\u00e7\u00e3o das cidades sedes de 12 para oito. Depois, por meio de nota oficial, afirmou que n\u00e3o existe plano B para a realiza\u00e7\u00e3o do evento. O ministro faz o que lhe cabe: pressiona. Apesar desse novo \u00edmpeto, por\u00e9m, parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o querem saber do comandante da pasta os motivos para o atraso na realiza\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura e de constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios e que riscos eles trazem para a raliza\u00e7\u00e3o da Copa de 2014.<\/p>\n<p>A oportunidade para Orlando Silva responder era a audi\u00eancia p\u00fablica marcada para a manh\u00e3 de ontem (29) na C\u00e2mara. Realizada pela Subcomiss\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o da Copa de 2014, tinha a presen\u00e7a dele e do titular da pasta das Cidades, M\u00e1rcio Fortes, confirmadas. Por\u00e9m, Silva n\u00e3o apareceu. Aos parlamentares, disse que ocorreu um imprevisto na sua agenda. No mesmo hor\u00e1rio previsto para iniciar a audi\u00eancia, o ministro do Esporte firmou um acordo de coopera\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente para elaborar e implantar uma agenda sustent\u00e1vel para a Copa do Mundo e os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016, no Rio de Janeiro.<!--more--><\/p>\n<p>Entre parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o, a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que o sinal amarelo j\u00e1 est\u00e1 aceso. Ou seja, cada vez mais o pa\u00eds chega no limite dos prazos estabelecidos pela Fifa, entidade que rege o esporte mundialmente. Alguns, at\u00e9 j\u00e1 passaram. As licita\u00e7\u00f5es dos est\u00e1dios eram para estar na pra\u00e7a at\u00e9 31 de mar\u00e7o. At\u00e9 o momento, das nove arenas p\u00fablicas previstas para constru\u00e7\u00e3o, somente tr\u00eas est\u00e3o com os tr\u00e2mites dentro do prazo: Salvador, Manaus e Cuiab\u00e1. Nos bastidores, corre cada vez mais forte a informa\u00e7\u00e3o de que cidades ser\u00e3o cortadas da Copa. Uma delas seria Natal.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o acho que, nesse momento, seria poss\u00edvel tirar qualquer cidade da Copa\u201d, afirmou a deputada Manuela D&#8217;\u00c1vila (PCdoB-RS). A parlamentar ga\u00facha esteve na ter\u00e7a-feira (27) na sede da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF). Junto com o prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PT), foi entregar o caderno de encargos sobre a cidade para a dire\u00e7\u00e3o da entidade. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que o munic\u00edpio seja subsede de Porto Alegre e receba sele\u00e7\u00f5es durante o per\u00edodo de treinamento.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Apesar da aposta feita pela deputada, membros da oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o entendem dessa maneira. Acreditam que a frase de Silva, tamb\u00e9m membro do PCdoB, sobre a possibilidade se diminuir o n\u00famero de sedes, deve ser explicada na C\u00e2mara. Por que a frase e que riscos est\u00e3o embutidos nela. &#8220;Era a pergunta que a gente queria fazer ao ministro\u201d, afirmou o deputado S\u00edlvio Torres (PSDB-SP), presidente da subcomiss\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o da Copa, ao ser questionado sobre a possibilidade de diminui\u00e7\u00e3o das cidades sedes.<\/p>\n<p>Mesmo com o titular do Esporte negando a redu\u00e7\u00e3o, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse na segunda-feira (26) que a ideia de diminuir o n\u00famero de sedes \u00e9 \u201csensata\u201d.\u00a0 \u201cSe tiver um lugar que n\u00e3o tenha estrutura, n\u00e3o tenha condi\u00e7\u00e3o de fazer, n\u00f3s vamos diminuir. Por que fazer de qualquer jeito? N\u00e3o tem como. Parece bem sensata a possibilidade de reduzir o n\u00famero de cidades&#8221;, disse, de acordo com o site do jornal <em>Folha de S. Paulo<\/em>.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Exemplo do Pan<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o admitindo publicamente, os recados de Silva demonstram, segundo parlamentares ouvidos pelo site, que o governo est\u00e1 preocupado com o andamento das obras. Os recados do ministro do Esporte desde a semana passada s\u00e3o o primeiro indicativo. Al\u00e9m disso, M\u00e1rcio Fortes afirmou ontem, durante a audi\u00eancia p\u00fablica que Orlando Silva n\u00e3o foi, que \u201ca gente n\u00e3o pode errar\u201d. \u201cN\u00f3s temos o exemplo de 2007. N\u00f3s colocamos os recursos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, mas na ponta \u00e9 a prefeitura, \u00e9 o governo do Estado e as empresas particulares contratadas\u201d, afirmou, referindo-se aos Jogos Pan-Americanos de 2007, que acabaram custando muito que o or\u00e7amento inicial.<\/p>\n<p>Com or\u00e7amento inicial de aproximadamente R$ 400 milh\u00f5es, os jogos custaram aos cofres p\u00fablicos aproximadamente R$ 3,5 bilh\u00f5es. Quase tr\u00eas anos ap\u00f3s o encerramento do Pan-Americano, o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) ainda n\u00e3o terminou de fiscalizar o uso de dinheiro p\u00fablico para o evento. Segundo reportagem publicada pelo jornal <em>Correio Braziliense<\/em> em outubro do ano passado, as suspeitas de irregularidades levantadas pelo tribunal resultaram na abertura de 35 processos.<\/p>\n<p><strong>Aeroportos<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos est\u00e1dios, outra \u00e1rea com vis\u00edvel atraso \u00e9 da mobilidade urbana e transportes. Em especial, a estrutura aeroportu\u00e1ria. Boa parte dos aeroportos brasileiros est\u00e1 com a capacidade saturada. Alguns operam acima do limite. Para piorar, a Infraero, estatal que controla as unidades, admitiu, em reportagem do jornal <em>Folha de S. Paulo<\/em>, que as obras s\u00f3 devem come\u00e7ar daqui a dois anos. Os projetos executivos para a amplia\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o dos terminais e pistas ficar\u00e3o prontos no final de 2011, transferindo para o ano seguinte a abertura dos processos licitat\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cContinuo bastante preocupado. Todos os prazos que o Brasil tem que cumprir j\u00e1 est\u00e3o furados\u201d, disse Silvio Torres. Ele acrescenta que, durante o per\u00edodo eleitoral, boa parte das obras devem ser congeladas. Aquelas cujas licita\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o est\u00e3o na pra\u00e7a. \u201cA\u00ed, caso entre um novo governo, de oposi\u00e7\u00e3o ao anterior, vai querer fazer auditoria, examinar os contratos e a necessidade das obras\u201d, afirmou o parlamentar tucano.<\/p>\n<p>Por esse atraso, a oposi\u00e7\u00e3o acredita que o presidente Lula deve tomar as r\u00e9deas do processo neste momento. Com a baixa capacidade de endividamento dos estados, em alguns casos at\u00e9 nula, restaria ao governo federal assumir o restante das obras, e n\u00e3o apenas o financiamento de parte dos projetos. \u201cOu o presidente da Rep\u00fablica adota, assume a Copa, ou chegaremos a um ponto em que a Fifa pode passar o evento para outro pa\u00eds\u201d, alerta o senador \u00c1lvaro Dias (PSDB-PR).<\/p>\n<p><strong>Impacto financeiro<\/strong><\/p>\n<p>Na semana passada, o ministro do Esporte divulgou um estudo sobre os impactos econ\u00f4micos da realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo 2014 no Brasil. Segundo ele, entre 2010 e 2019, o Mundial vai agregar R$ 183,2 bilh\u00f5es \u00e0 economia brasileira. Ser\u00e3o investidos diretamente R$ 47,5 bilh\u00f5es em infraestrutura, turismo e consumo. Os investimentos indiretos ser\u00e3o de R$ 135,7 bilh\u00f5es, provenientes da recircula\u00e7\u00e3o de dinheiro com a realiza\u00e7\u00e3o do evento.<\/p>\n<p>Em infraestrutura, o impacto ser\u00e1 de R$ 33 bilh\u00f5es, sendo que 78% dos investimentos vir\u00e3o do setor p\u00fablico. Desse total, R$ 5,7 bilh\u00f5es ser\u00e3o destinados aos est\u00e1dios, R$ 11,6 bilh\u00f5es \u00e0 mobilidade urbana e R$ 5,5 bilh\u00f5es ser\u00e3o aplicados em portos e aeroportos. Outras \u00e1reas que receber\u00e3o recursos s\u00e3o: telecomunica\u00e7\u00f5es, energia, seguran\u00e7a, sa\u00fade e hotelaria.<\/p>\n<p>S\u00f3 com o turismo, o governo tem a expectativa de que o evento gere R$ 9,4 bilh\u00f5es. Durante o Mundial, nos meses de junho e julho, o governo espera 600 mil turistas estrangeiros, al\u00e9m dos 3,1 milh\u00f5es de brasileiros que v\u00e3o viajar pelo Brasil. Esse n\u00famero equivale a 2\/3 da popula\u00e7\u00e3o da cidade do Rio de Janeiro. Al\u00e9m disso, ser\u00e3o gerados, de acordo com o estudo, 710 mil empregos. Desse total, 330 ser\u00e3o permanentes e 380 tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Congresso em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Coelho Nos \u00faltimos sete dias, o ministro do Esporte, Orlando Silva, passou a mandar recados diretos para os estados e munic\u00edpios que receber\u00e3o os jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Cobrou agilidade na execu\u00e7\u00e3o das obras e chegou a sugerir a diminui\u00e7\u00e3o das cidades sedes de 12 para oito. Depois, por meio de nota oficial, afirmou que n\u00e3o existe plano B para a realiza\u00e7\u00e3o do evento. O ministro faz o que lhe cabe: pressiona. 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