{"id":81149,"date":"2017-04-23T11:35:03","date_gmt":"2017-04-23T14:35:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=81149"},"modified":"2017-04-23T11:35:03","modified_gmt":"2017-04-23T14:35:03","slug":"campanhas-presidenciais-de-2014-receberam-r-37-mi-em-caixa-2-dizem-delatores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2017\/04\/23\/campanhas-presidenciais-de-2014-receberam-r-37-mi-em-caixa-2-dizem-delatores\/","title":{"rendered":"Campanhas presidenciais de 2014 receberam R$ 37 mi em caixa 2, dizem delatores"},"content":{"rendered":"<p>Os executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht afirmaram, em depoimentos de dela\u00e7\u00e3o premiada \u00e0 for\u00e7a-tarefa da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que a empresa repassou R$ 37 milh\u00f5es em doa\u00e7\u00f5es irregulares, o chamado caixa 2, para a campanha presidencial de 2014.<\/p>\n<p>De acordo com levantamento feito pela <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0a partir dos depoimentos de cinco delatores, as campanhas eleitorais presidenciais do PT, do PSDB e do PSC, em 2014, tiveram R$ 24 milh\u00f5es, R$ 7 milh\u00f5es e R$ 6 milh\u00f5es, respectivamente, em repasses il\u00edcitos. Parte das doa\u00e7\u00f5es irregulares era feita em esp\u00e9cie e repassada em mochilas durante encontros entre mediadores da empresa e dos partidos.<\/p>\n<p>Os valores foram detalhados pelos ex-executivos da companhia, que tiveram os depoimentos homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no in\u00edcio deste ano. Na semana passada, com base nas dela\u00e7\u00f5es premiadas, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, determinou a abertura de inqu\u00e9ritos para investigar os pol\u00edticos com foro privilegiado na Corte citados nos depoimentos.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pelas maiores negocia\u00e7\u00f5es, o ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, conta que, ap\u00f3s acertar os valores com partidos e candidatos que receberiam apoio, as doa\u00e7\u00f5es eram operacionalizadas entre seus subordinados e representantes dos candidatos. De acordo com ele, como havia um limite para doa\u00e7\u00e3o oficial, a Odebrecht sempre recorria ao caixa 2 para concretizar os repasses acertados previamente.<\/p>\n<p>O ex-diretor de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da empreiteira, Alexandrino Alencar, descreveu como foi feito o acerto para a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff (PT). Ele disse que combinou com o ent\u00e3o coordenador financeiro da campanha, Edinho Silva, o repasse de R$ 35 milh\u00f5es a serem distribu\u00eddos igualmente a cinco partidos para que apoiassem o PT. O objetivo era o \u201caumento do tempo de hor\u00e1rio eleitoral na televis\u00e3o\u201d que, conforme Alexandrino, teve incremento de um ter\u00e7o ap\u00f3s os pagamentos feitos ao PROS, PRB, PCdoB, PDT e PP.<!--more--><\/p>\n<p>Do valor acertado, os delatores indicam que R$ 24 milh\u00f5es foram de fato repassados. O ex-diretor da Odebrecht em Salvador, Hilberto Mascarenhas Silva, conta ter recebido, em julho de 2014, um <em>e-mail<\/em> de Marcelo Odebrecht autorizando o pagamento, a ser \u201cdebitado na conta p\u00f3s-It\u00e1lia\u201d, que era uma esp\u00e9cie de cr\u00e9dito que o governo federal e o PT tinham com a construtora, e que ia sendo abatido conforme os pedidos. Documentos fornecidos pelos delatores ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) indicam que R$ 5 milh\u00f5es foram repassados ao PROS, R$ 2 milh\u00f5es ao PDT, R$ 5 milh\u00f5es ao PRB e R$ 7 milh\u00f5es ao PCdoB, al\u00e9m de R$ 5 milh\u00f5es ao marqueteiro da campanha do PT, Jo\u00e3o Santana, que est\u00e1 preso.<\/p>\n<p>De modo mais gen\u00e9rico, os delatores indicam que outros pagamentos foram feitos a Jo\u00e3o Santana no exterior, mas n\u00e3o s\u00e3o detalhados os valores nem os per\u00edodos. Em um dos depoimentos, Marcelo Odebrecht detalha tamb\u00e9m os repasses feitos de forma oficial. \u201cPara a campanha de 2014, teve a doa\u00e7\u00e3o oficial, se n\u00e3o me engano de R$ 5 milh\u00f5es no primeiro turno e de R$ 2 milh\u00f5es no segundo turno, que saiu dessa conta. Teve uma doa\u00e7\u00e3o que a gente fez de R$ 5 milh\u00f5es para o Comit\u00ea do PT, que depois foi para a campanha dela, j\u00e1 combinado com o Edinho. Houve tamb\u00e9m doa\u00e7\u00f5es para Jo\u00e3o Santana, os pagamentos por fora\u201d, disse o ex-presidente da companhia.<\/p>\n<p>Os repasses para campanha de A\u00e9cio Neves \u00e0 Presid\u00eancia tamb\u00e9m envolveram valores direcionados a outros partidos, al\u00e9m do PSDB. Os delatores afirmaram que Marcelo Odebrecht havia combinado com o tucano uma doa\u00e7\u00e3o de R$ 15 milh\u00f5es, que acabou n\u00e3o ocorrendo porque, de acordo com ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto J\u00fanior, \u201celes n\u00e3o queriam receber o pagamento l\u00e1 fora\u201d. O ex-executivo da empresa descreve que R$ 3 milh\u00f5es foram pagos em v\u00e1rias parcelas de R$ 250 mil, entre maio e setembro de 2014; e que outros R$ 3 milh\u00f5es, em tr\u00eas parcelas de R$ 1 milh\u00e3o, tamb\u00e9m no m\u00eas de setembro.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o vice-presidente de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Odebrecht, Cl\u00e1udio Melo Filho, disse que outro R$ 1 milh\u00e3o foi repassado ao DEM, partido que apoiou o PSDB nas elei\u00e7\u00f5es de 2014. De acordo com Marcelo Odebrecht, outros valores chegaram a ser repassados ainda na \u00e9poca da pr\u00e9-campanha.<\/p>\n<p>\u201cA partir da\u00ed, dentro da nossa l\u00f3gica empresarial, de que campanha presidencial era comigo, eu comecei a definir os valores de pagamento. Eram R$ 500 mil por m\u00eas por dez meses pr\u00e9-campanha e que foram operacionalizados antes da abertura do comit\u00ea dele. Esse foi o valor que eu acertei com o A\u00e9cio. Depois fizemos uma doa\u00e7\u00e3o oficial, de R$ 5 milh\u00f5es, mais ou menos o mesmo valor que a gente deu para a Dilma&#8221;, disse Marcelo Odebrecht aos investigadores.<\/p>\n<p>J\u00e1 a campanha de Pastor Everaldo (PSC) teve R$ 6 milh\u00f5es em caixa 2, conforme os delatores. Nesse caso, o valor combinado era menor, de R$ 1 milh\u00e3o, mas o ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, conta que mais repasses foram solicitados pelo candidato.<\/p>\n<p>Segundo o delator, o acerto envolvia tamb\u00e9m um pedido para que o candidato do PSC escolhesse A\u00e9cio Neves para fazer perguntas durante os debates presidenciais veiculados pela TV. \u201cO procedimento insistente ocorreu v\u00e1rias vezes e terminamos pagando em torno de R$ 6 milh\u00f5es em entregas no per\u00edodo eleitoral de 2014, tendo como prop\u00f3sito levar para os debates presidenciais a discuss\u00e3o da privatiza\u00e7\u00e3o. De fato, pude notar que o Pastor defendeu com veem\u00eancia o discurso pr\u00f3-privado, chegando a dizer que iria privatizar tudo o que fosse poss\u00edvel\u201d, disse Reis em um de seus depoimentos.<\/p>\n<p><strong>Respostas<\/strong><\/p>\n<p>A assessoria de Dilma Rousseff disse que a ent\u00e3o candidata \u201cnunca autorizou\u201d arrecada\u00e7\u00e3o de recursos por meio de caixa 2 para suas campanhas presidenciais. Em nota \u00e0 imprensa no qual comenta supostos recebimentos de recursos por Jo\u00e3o Santana, Dilma afirma que as \u201c\u00fanicas pessoas\u201d aptas a captar dinheiro foram os tesoureiros das campanhas de 2010 e 2014, \u201cem conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNas duas elei\u00e7\u00f5es, a orienta\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff sempre foi clara e direta para que fosse respeitada a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral em todos os atos de campanha. Ela nunca teve conhecimento de que suas ordens tenham sido desrespeitadas. Todos que participaram nas inst\u00e2ncias de coordena\u00e7\u00e3o das duas campanhas sempre tiveram total ci\u00eancia dessa determina\u00e7\u00e3o\u201d, informou. Ainda segundo a assessoria, Dilma \u201cnunca manteve rela\u00e7\u00e3o de amizade ou de proximidade\u201d com Marcelo Odebrecht.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o coordenador financeiro da campanha de Dilma, Edinho Silva voltou a afirmar que a arrecada\u00e7\u00e3o foi feita de maneira legal e que todas as doa\u00e7\u00f5es foram declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral. \u201c\u00c9 bom lembrar que a grande maioria dos partidos que apoiaram a campanha de Dilma em 2014 j\u00e1 participavam do governo (2010\/2014), governavam minist\u00e9rios, portanto, era natural que apoiassem a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma\/Temer\u201d, afirmou o atual prefeito de Araraquara, tamb\u00e9m por meio de nota.<\/p>\n<p>De acordo com a assessoria do senador A\u00e9cio Neves (PSDB-MG), o ent\u00e3o candidato pediu apoio para as campanhas de \u201cdiversos candidatos\u201d, na condi\u00e7\u00e3o de dirigente partid\u00e1rio, \u201csempre na forma da lei\u201d. Segundo o tucano, o pr\u00f3prio Marcelo Odebrecht afirmou na dela\u00e7\u00e3o que as doa\u00e7\u00f5es direcionadas a A\u00e9cio \u201cnunca envolveram nenhum tipo de contrapartida\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO senador A\u00e9cio Neves foi um dos principais defensores do fim do sigilo sobre as dela\u00e7\u00f5es e do aprofundamento das investiga\u00e7\u00f5es, que considera fundamentais para comprova\u00e7\u00e3o das falsas acusa\u00e7\u00f5es feitas a ele e para demonstra\u00e7\u00e3o cabal da corre\u00e7\u00e3o dos seus atos\u201d, informou a assessoria.<\/p>\n<p>J\u00e1 Pastor Everaldo declarou que n\u00e3o recebeu recursos il\u00edcitos e n\u00e3o autorizou que ningu\u00e9m falasse em seu nome. Em mensagens na rede social Twitter, o ent\u00e3o candidato disse que as afirma\u00e7\u00f5es de que ele teria sido pautado no debate presidencial s\u00e3o \u201csem p\u00e9 nem cabe\u00e7a\u201d. \u201cA campanha de 2014 custou menos de R$ 2 milh\u00f5es. \u00c9 um absurdo algu\u00e9m dizer que recebi R$ 6 milh\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Everaldo, em v\u00eddeo postado na internet, quem o acusou de receber a quantia \u201cvai ter que apresentar alguma prova\u201d. \u201cO PSC faz campanhas modestas, com recursos legais. Essa \u00e9 uma tentativa de calar a voz dos evang\u00e9licos na pol\u00edtica. N\u00e3o conseguir\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em comunicado \u00e0 imprensa, o PCdoB disse reafirmar sua \u201ctotal confian\u00e7a nos quadros\u201d do partido, citados pelos delatores da Odebrecht. \u201cConfiamos, ainda, em uma condu\u00e7\u00e3o do processo que preserve as garantias individuais e o Estado de Direito, de modo que temos a mais completa convic\u00e7\u00e3o de que os processos ser\u00e3o arquivados\u201d, afirmam na nota a presidenta nacional do partido, deputada Luciana Santos, e a l\u00edder do PCdoB na C\u00e2mara, Alice Portugal.<\/p>\n<p>O presidente do PDT, Carlos Lupi, negou que a inclus\u00e3o do partido na chapa Dilma-Temer tenha envolvido repasse de recursos. De acordo com ele, a garantia da alian\u00e7a se deu meses antes do per\u00edodo em que, segundo o delator, os pagamentos teriam sido feitos. &#8220;O PDT foi o primeiro partido pol\u00edtico que declarou oficialmente apoio \u00e0 chapa de Dilma Rousseff. Foi no dia 10 de junho de 2014, quando a ent\u00e3o candidata Dilma Rousseff foi ao partido em ato p\u00fablico amplamente divulgado pela imprensa. Isso j\u00e1 comprova, diante das datas apresentadas pelo delator, que o an\u00fancio aconteceu meses antes do suposto pagamento&#8221;, informou Lupi, acrescentando que iria tomar as medidas judiciais cab\u00edveis para que o delator &#8220;comprove o que afirmou&#8221;.<\/p>\n<p>O PRB, cujo presidente nacional, Marcos Pereira, \u00e9 atualmente ministro da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os, tamb\u00e9m se manifestou sobre o conte\u00fado das dela\u00e7\u00f5es. O partido afirma que n\u00e3o recebeu dinheiro proveniente de caixa 2 e que os pedidos de doa\u00e7\u00f5es \u00e0 Odebrecht foram feitos de acordo com as regras eleitorais, quando ainda era permitido arrecada\u00e7\u00e3o de recursos empresariais.<\/p>\n<p>&#8220;No entanto, nenhum valor foi destinado ao partido. Vale lembrar que, \u00e0 \u00e9poca, o PRB tinha apenas 8 deputados federais e o menor tempo de televis\u00e3o entre os partidos que apoiaram a candidata do PT. A conven\u00e7\u00e3o que definiu o apoio ao PT aconteceu nas \u00faltimas horas do \u00faltimo dia poss\u00edvel, porque Marcos Pereira tentou at\u00e9 o fim levar o PRB para outro projeto, o que acabou n\u00e3o acontecendo por quest\u00f5es conjunturais&#8221;, informou a legenda.<\/p>\n<p>De acordo com o PROS, todas as doa\u00e7\u00f5es recebidas pela legenda foram &#8220;devidamente declaradas&#8221; \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral. &#8220;A dire\u00e7\u00e3o nacional do partido desconhece as afirma\u00e7\u00f5es citadas e ratifica que suas movimenta\u00e7\u00f5es financeiras est\u00e3o dentro dos par\u00e2metros estabelecidos pela justi\u00e7a eleitoral&#8221;, informou a legenda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht afirmaram, em depoimentos de dela\u00e7\u00e3o premiada \u00e0 for\u00e7a-tarefa da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que a empresa repassou R$ 37 milh\u00f5es em doa\u00e7\u00f5es irregulares, o chamado caixa 2, para a campanha presidencial de 2014. De acordo com levantamento feito pela Ag\u00eancia Brasil\u00a0a partir dos depoimentos de cinco delatores, as campanhas eleitorais presidenciais do PT, do PSDB e do PSC, em 2014, tiveram R$ 24 milh\u00f5es, R$ 7 milh\u00f5es e R$ 6 milh\u00f5es, respectivamente, em repasses il\u00edcitos. 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