{"id":79981,"date":"2017-02-13T07:07:30","date_gmt":"2017-02-13T10:07:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=79981"},"modified":"2017-02-13T07:07:30","modified_gmt":"2017-02-13T10:07:30","slug":"a-ordem-no-governo-era-espalhar-o-temor-do-fim-da-bolsa-familia-escreve-ex-assessor-de-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2017\/02\/13\/a-ordem-no-governo-era-espalhar-o-temor-do-fim-da-bolsa-familia-escreve-ex-assessor-de-dilma\/","title":{"rendered":"&#8216;A ordem no governo era espalhar o temor&#8217; do fim da Bolsa Fam\u00edlia , escreve ex-assessor de Dilma"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/XrYHlYbBLETB-InUPtrlErjXfWA=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2017\/02\/10\/g1_poder_capa.jpg\" alt=\"Livro '\u00c0 sombra do poder' foi escrito pelo jornalista e cientista pol\u00edtico Rodrigo de Almeida, que foi assessor de imprensa do Minist\u00e9rio da Fazenda e secret\u00e1rio de imprensa da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica\" width=\"288\" height=\"420\" \/><\/p>\n<p>Entre abril de 2015 e maio de 2016, o jornalista e cientista pol\u00edtico Rodrigo de Almeida foi assessor de imprensa do Minist\u00e9rio da Fazenda e secret\u00e1rio de imprensa da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Acompanhou de dentro, portanto, o decl\u00ednio e a queda de Dilma Rousseff. No livro \u201c\u00c0 sombra do poder\u201d (Leya, 224 p\u00e1ginas. R$ 39,90), ele faz um relato linear e relativamente objetivo da sucess\u00e3o de acontecimentos funestos que marcaram o governo Dilma, da reelei\u00e7\u00e3o em 2014 at\u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o definitiva de seu curto segundo mandato. Escrevi \u201crelativamente\u201d porque o esfor\u00e7o do autor para deixar clara sua lealdade pessoal \u00e0 ex-presidente \u00e9 evidente, o que compromete bastante a pretensa imparcialidade da narrativa.<\/p>\n<p>Ainda assim, se comparado a outros livros sobre o <i><em style=\"font-weight: inherit;\">impeachment<\/em><\/i> escritos por intelectuais, jornalistas e historiadores ligados ao campo lulopetista, \u201c\u00c0 sombra do poder\u201d pode ser considerado bem escrito e bastante interessante. A come\u00e7ar pelo subt\u00edtulo: \u201cBastidores da crise que derrubou Dilma Rousseff\u201d; ou seja, admite-se que Dilma foi derrubada por uma crise grav\u00edssima, pol\u00edtica e econ\u00f4mica, provocada em parte por ela pr\u00f3pria, e n\u00e3o por um golpe. A palavra \u201cgolpe\u201d, ali\u00e1s, aparece algumas vezes ao longo do texto, mas com modera\u00e7\u00e3o. Talvez porque, finalmente, o discurso do golpe esteja perdendo for\u00e7a, mesmo entre aqueles que defendem a ex-presidente. J\u00e1 \u00e9 um come\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 sombra do poder\u201d \u00e9 interessante, inclusive, pelo que Rodrigo de Almeida deixa escapar, aparentemente sem querer. O exemplo mais not\u00e1vel disso \u00e9 quando o autor relata o epis\u00f3dio do vazamento do \u00e1udio do vice-presidente Michel Temer, no dia 11 de abril de 2016, data em que o <i><em style=\"font-weight: inherit;\">impeachment<\/em><\/i> avan\u00e7ou na comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara dos Deputados, por 38 votos a 27, faltando ainda a aprova\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio para seguir para o Senado. No \u00e1udio, com o se sabe, Temer antecipava como seria um eventual governo seu.<!--more--><\/p>\n<p>Depois de registrar a indigna\u00e7\u00e3o de Dilma e alguns di\u00e1logos de bastidores com auxiliares pr\u00f3ximos \u2013 como os ministros Ricardo Berzoini e Jaques Wagner e o assessor especial Gilles de Azevedo, que a ajudaram a tra\u00e7ar a estrat\u00e9gia da rea\u00e7\u00e3o \u2013 Rodrigo de Almeida escreve o seguinte:<\/p>\n<p>\u201cA mensagem de Michel Temer foi interpretada como um \u2018discurso da vit\u00f3ria\u2019, no qual o vice-presidente esbo\u00e7a o que seria um governo sob sua tutela. (&#8230;) Era tamb\u00e9m uma clara defesa do que N\u00c3O faria; <i><em style=\"font-weight: inherit;\">nos \u00faltimos dias, a ordem no governo era espalhar o temor de que, em caso de impeachment, o novo governo acabaria com os programas sociais\u201d <\/em><\/i>[p\u00e1gina 207; grifo meu].<\/p>\n<p>Ou seja, um assessor direto de Dilma Rousseff afirma com todas as letras que havia uma ordem no governo para espalhar mentiras contra Michel Temer. Pois, como o tempo demonstrou, Temer n\u00e3o acabou com o Bolsa Fam\u00edlia (ao contr\u00e1rio, aumentou o seu valor) e outros programas sociais, alguns deles aprimorados). Parece grave.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios momentos dos governos petistas houve acusa\u00e7\u00f5es relativas a esse jogo rasteiro partindo de dentro do Pal\u00e1cio do Planalto \u2013 da deturpa\u00e7\u00e3o de perfis de jornalistas cr\u00edticos ao PT na Wikip\u00e9dia a telefonemas a benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia alertando para o fim do programa, caso o PT perdesse a elei\u00e7\u00e3o. Mas tudo isso sempre foi negado. Agora a confirma\u00e7\u00e3o vem de um assessor de confian\u00e7a da ex-presidente, que tamb\u00e9m registra a dura rea\u00e7\u00e3o de Temer no \u00e1udio vazado: \u201cSei que dizem (&#8230;) que n\u00f3s vamos acabar com o Bolsa Fam\u00edlia, com o Pronatec&#8230; Isso \u00e9 falso, \u00e9 mentiroso e \u00e9 fruto dessa pol\u00edtica mais rasteira que tomou conta do pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>Outro aspecto curioso do livro \u00e9 que, apesar dos elogios recorrentes \u00e0s caracter\u00edsticas de temperamento (?) e \u00e0 integridade pessoal de Dilma, o autor reconhece em diversos momentos a incapacidade da ex-presidente de governar o pa\u00eds que descia a ladeira e de administrar uma economia em colapso. Ou seja, sucessivos erros de avalia\u00e7\u00e3o, inapet\u00eancia para o di\u00e1logo e para o jogo pol\u00edtico, fracassos horr\u00edveis na pol\u00edtica econ\u00f4mica foram tra\u00e7os marcantes dos anos Dilma mesmo para quem jogava do seu lado. \u00c9 bem verdade que, como demonstra o autor, n\u00e3o foram poucas as ocasi\u00f5es que as trapalhadas de Dilma se deveram a ideias desastrosas de auxiliares como o ministro Alo\u00edsio Mercadante.<\/p>\n<p>Por fim, deliberadamente ou n\u00e3o, a narrativa de \u201c\u00c0 sombra do poder\u201d ignora que Dilma Rousseff n\u00e3o sofreu <i><em style=\"font-weight: inherit;\">impeachment<\/em><\/i> por ser ladra, ou por ter dinheiro no exterior, ou por colocar dinheiro no bolso, nem muito menos por ser destemperada, dada a ataques de f\u00faria e antip\u00e1tica \u2013 mas por ter cometido crimes de responsabilidade previstos na Constitui\u00e7\u00e3o, crimes que foram julgados e condenados pelos poderes Legislativo e Judici\u00e1rio \u2013 sem falar no julgamento das ruas. \u00c9 assim que acontece numa democracia. Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre abril de 2015 e maio de 2016, o jornalista e cientista pol\u00edtico Rodrigo de Almeida foi assessor de imprensa do Minist\u00e9rio da Fazenda e secret\u00e1rio de imprensa da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Acompanhou de dentro, portanto, o decl\u00ednio e a queda de Dilma Rousseff. No livro \u201c\u00c0 sombra do poder\u201d (Leya, 224 p\u00e1ginas. R$ 39,90), ele faz um relato linear e relativamente objetivo da sucess\u00e3o de acontecimentos funestos que marcaram o governo Dilma, da reelei\u00e7\u00e3o em 2014 at\u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o definitiva de seu curto segundo mandato. 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