{"id":7746,"date":"2010-04-27T14:25:46","date_gmt":"2010-04-27T17:25:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=7746"},"modified":"2010-04-27T14:25:46","modified_gmt":"2010-04-27T17:25:46","slug":"80-do-que-e-aprovado-no-congresso-vem-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/27\/80-do-que-e-aprovado-no-congresso-vem-do-governo\/","title":{"rendered":"80% do que \u00e9 aprovado no Congresso vem do governo"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Eduardo Milit\u00e3o<\/em><br \/>\n<\/strong><br \/>\nQuem legisla mesmo no Brasil hoje em dia \u00e9 o Poder Executivo. O governo federal foi autor de 80% das mat\u00e9rias aprovadas no Congresso entre janeiro de 1995 e dezembro de 2009. Em contrapartida, das propostas atualmente \u00e0 espera de vota\u00e7\u00e3o, s\u00f3 3% s\u00e3o do Executivo. Com os parlamentares, acontece o inverso: a minoria dos projetos \u00e9 aprovada e a maior parte da fila de espera \u00e9 formada por propostas feitas por senadores e deputados.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o de levantamento do <strong>Congresso em Foco<\/strong> combinado com pesquisa da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e balan\u00e7os do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).<\/p>\n<p>Um estudo prestes a ser conclu\u00eddo pela USP mostra que 85,5% das 2.701 leis aprovadas na C\u00e2mara entre 1995 e 2006 eram de iniciativa do governo federal. S\u00f3 14,5% tinham deputados e senadores como autores. Somados a levantamentos mais recentes do Diap, o \u00edndice de projetos aprovados do Executivo fica em 80%. E o dos parlamentares, em 19%.<!--more--><\/p>\n<p>Por outro lado, levantamento do <strong>Congresso em Foco<\/strong> realizado em 29 de mar\u00e7o deste ano mostra que apenas 81 dos 2.472 projetos de lei (3,3%) \u00e0 espera de vota\u00e7\u00e3o nos plen\u00e1rios era de iniciativa do Executivo. Apenas 14 proposi\u00e7\u00f5es formavam o grupo das de autoria dos tribunais e do Minist\u00e9rio Publico. O restante das mat\u00e9rias congeladas nas gavetas \u2013 2.377 ou 96,2% \u2013 era de iniciativa de deputados e senadores.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a face da mesma moeda. Se o Executivo tem tanto protagonismo na produ\u00e7\u00e3o de leis, projetos do Legislativo ficam todos na fila\u201d, observa o coordenador do estudo da USP, o diretor do N\u00facleo de Pesquisas em Pol\u00edticas P\u00fablicas, Jos\u00e9 \u00c1lvaro Mois\u00e9s, que \u00e9 doutor em ci\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Parlamentares e especialistas entendem que o governo federal conta com prerrogativas dadas pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 que reduzem o poder do Legislativo a atravancam a pauta de vota\u00e7\u00f5es, como as Medidas Provis\u00f3rias e os regimes de urg\u00eancia nos projetos.<\/p>\n<p>O professor Mois\u00e9s se preocupa com a redu\u00e7\u00e3o de poder do Congresso porque isso significa retirar poder da sociedade que ele representa, especialmente as minorias. \u201cO grande legislador no Brasil \u00e9 o Executivo. A fun\u00e7\u00e3o do Congresso que \u00e9 apresentar leis n\u00e3o \u00e9 exercida\u201d, diz ele, ao citar as outras fun\u00e7\u00f5es do Legislativo.<\/p>\n<p><strong>Projetos aprovados do Executivo somam 90%. Na fila, 3%<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"295\">\n<colgroup span=\"1\">\n<col span=\"1\" width=\"122\"><\/col>\n<col span=\"1\" width=\"109\"><\/col>\n<col span=\"1\" width=\"64\"><\/col>\n<\/colgroup>\n<tbody>\n<tr height=\"48\">\n<td width=\"122\" height=\"48\"><strong>\u00a0Autor da proposta<\/strong><\/td>\n<td width=\"109\"><strong>Aprovadas entre 1995 e 2009<\/strong><\/td>\n<td width=\"64\"><strong>Na fila em 2010<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr height=\"21\">\n<td height=\"21\">Legislativo<\/td>\n<td>646<\/td>\n<td>2.377<\/td>\n<\/tr>\n<tr height=\"21\">\n<td height=\"21\">Executivo<\/td>\n<td>2.682<\/td>\n<td>81<\/td>\n<\/tr>\n<tr height=\"22\">\n<td height=\"22\">Outros<\/td>\n<td>39<\/td>\n<td>14<\/td>\n<\/tr>\n<tr height=\"22\">\n<td height=\"22\"><strong>Total<\/strong><\/td>\n<td><strong>3.367<\/strong><\/td>\n<td><strong>2.472<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>Observa\u00e7\u00f5es: Entre de 1995 a 2006, foram consideradas apenas aprova\u00e7\u00f5es na C\u00e2mara. Mat\u00e9rias na fila do plen\u00e1rio se referem \u00e0 data de 29 de mar\u00e7o de 2010. Fonte: <strong>Congresso em Foco<\/strong>, com base em dados do Diap e de pesquisa do N\u00facleo de Pesquisa em Pol\u00edticas P\u00fablicas da USP<\/em><\/p>\n<p>Apesar da preponder\u00e2ncia do Executivo na aprova\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias, essa for\u00e7a vem caindo, segundo dados do Diap. Em 2006, 69,7% das leis aprovadas no Congresso eram de autoria do governo. O \u00edndice subiu para 76,5% no ano seguinte, baixou para 59,3% em 2008 e caiu para 38,8% no ano passado.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as mat\u00e9rias aprovadas de iniciativas de parlamentares t\u00eam subido. Eram 22,4% em 2007, 34,9% em 2008 e 52,2% em 2009, de acordo com dados do Diap.<\/p>\n<p><strong>Tramita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os dados apurados pela equipe de Mois\u00e9s mostram que o Executivo consegue fazer suas ideias andarem mais r\u00e1pido pelos corredores do Congresso do que os parlamentares. Em m\u00e9dia, o governo v\u00ea seus projetos gastarem 271,4 dias para serem aprovados na C\u00e2mara. Os senadores e deputados precisam de 964,8 dias, ou mais de dois anos e meio, para obter o mesmo \u00eaxito.<\/p>\n<p>\u201cQuem decide o que entra e o que n\u00e3o entra em vota\u00e7\u00e3o \u00e9 o Col\u00e9gio de L\u00edderes, a partir de iniciativa do l\u00edder do governo\u201d, afirma Mois\u00e9s. \u201cProposi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas pelo pr\u00f3prio Congresso entram nessa fila que n\u00e3o termina nunca\u201d, conta Mois\u00e9s, em entrevista ao <strong>Congresso em Foco<\/strong>.<\/p>\n<p>Na segunda-feira (26), o site j\u00e1 havia mostrado que, dentre as 2.135 mat\u00e9rias no plen\u00e1rio da C\u00e2mara, a m\u00e9dia de idade das propostas era de nove anos.<\/p>\n<p>O coordenador do N\u00facleo de Estudos sobre o Congresso (Necon) do Instituto Universit\u00e1rio de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) entende que, se o Executivo tivesse a maior parte na lista de mat\u00e9rias na fila, haveria um problema para o Pal\u00e1cio do Planalto. \u201cSignificaria que a base do governo n\u00e3o vota os projetos do governo\u201d, diz o doutor em ci\u00eancia pol\u00edtica Fabiano Guilherme Santos.<\/p>\n<p>Como o que acontece \u00e9 o inverso, o pesquisador mostra os limites da atua\u00e7\u00e3o de deputados e senadores. \u201cOs parlamentares costumam iniciar v\u00e1rios projetos, mas eles sabem que s\u00f3 alguns deles v\u00e3o poder realmente tramitar\u201d, afirma Santos.<\/p>\n<p><strong>Desequil\u00edbrio <\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 governistas, como o ex-l\u00edder do PT na C\u00e2mara Maur\u00edcio Rands (PE), concordam com o poder exagerado do Executivo. \u201cO Legislativo precisa se impor sendo eficiente. Para poder se impor, tem que melhorar seu processo decis\u00f3rio\u201d, diz ele, criticando o regimento interno que, em sua opini\u00e3o, facilita demais o poder das oposi\u00e7\u00f5es obstru\u00edrem vota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Rands entende que o Congresso poderia fazer mais. \u201cH\u00e1 um desequil\u00edbrio. \u00c9 muita for\u00e7a do Executivo. O Congresso precisa ter mais poder, mas ele tamb\u00e9m diminui seu poder porque o processo decis\u00f3rio \u00e9 ineficiente.\u201d<\/p>\n<p>O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) concorda que a articula\u00e7\u00e3o das maiorias e as iniciativas do Executivo se confundem. \u201cAs aprova\u00e7\u00f5es sempre decorrem da articula\u00e7\u00e3o de maiorias ou de iniciativas governamentais\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>O senador Casagrande (PSB-ES) lembra que, embora importantes, diversas iniciativas do Poder Executivo engessam o andamento de outras propostas relevantes feitas pelos congressistas.<\/p>\n<p>\u201cAgora mesmo vamos ficar com a pauta trancada dois ou tr\u00eas meses por projetos do Executivo\u201d, afirmou o senador, em refer\u00eancia \u00e0s propostas para a regular a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na camada do pr\u00e9-sal. Assim como Maur\u00edcio Rands, Casagrande acredita que a edi\u00e7\u00e3o de medidas provis\u00f3rias ficou limitada nos \u00faltimos tempos, mas pode ficar um pouco mais restrita.<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 \u00c1lvaro Mois\u00e9s, a pesquisa &#8220;O desempenho do Congresso Nacional no contexto do presidencialismo de coaliz\u00e3o&#8221; ter\u00e1 os textos conclu\u00eddos em maio deste ano. Depois, ser\u00e3o feitos semin\u00e1rios para debater os resultados. A publica\u00e7\u00e3o do trabalho, j\u00e1\u00a0revisado, acontecer\u00e1 posteriormente.<\/p>\n<p>Congresso em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo Milit\u00e3o Quem legisla mesmo no Brasil hoje em dia \u00e9 o Poder Executivo. O governo federal foi autor de 80% das mat\u00e9rias aprovadas no Congresso entre janeiro de 1995 e dezembro de 2009. Em contrapartida, das propostas atualmente \u00e0 espera de vota\u00e7\u00e3o, s\u00f3 3% s\u00e3o do Executivo. Com os parlamentares, acontece o inverso: a minoria dos projetos \u00e9 aprovada e a maior parte da fila de espera \u00e9 formada por propostas feitas por senadores e deputados. Os dados s\u00e3o de levantamento do Congresso em Foco combinado com pesquisa da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e balan\u00e7os do Departamento Intersindical&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[33,1002],"class_list":["post-7746","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-governo","tag-projetos"],"acf":[],"views":628,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7746"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7747,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7746\/revisions\/7747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}