{"id":7673,"date":"2010-04-27T08:25:19","date_gmt":"2010-04-27T11:25:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=7673"},"modified":"2010-04-27T08:25:19","modified_gmt":"2010-04-27T11:25:19","slug":"diarista-ganha-ate-613-mais-que-mensalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/27\/diarista-ganha-ate-613-mais-que-mensalista\/","title":{"rendered":"Diarista ganha at\u00e9 61,3% mais que mensalista"},"content":{"rendered":"<div><em><strong>Marcel Gugoni e Raphael Hakime, do R7<\/strong><\/em><\/div>\n<p>Os empregados dom\u00e9sticos que trabalham sob o regime de di\u00e1ria, conhecidos popularmente como \u2018diaristas\u2019, recebem at\u00e9 61,3% a mais, por hora, se comparado com o valor pago aos colegas mensalistas que n\u00e3o t\u00eam carteira assinada, segundo a pesquisa mais recente do Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos), referente ao m\u00eas de mar\u00e7o de 2010 .<br \/>\nO Instituto Dom\u00e9stica Legal estima que h\u00e1 2,5 milh\u00f5es de diaristas no pa\u00eds, com base nos dados do IPEA [Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada] de 2009. Para o presidente da entidade, Mario Avelino, o trabalho da diarista, ainda que ela ganhe mais em valores absolutos que as mensalistas, pode ser considerado uma forma de explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<!--more--><br \/>\n&#8211; Houve um aumento muito grande nesse segmento [entre as diaristas] porque n\u00e3o tem v\u00ednculo empregat\u00edcio. \u00c9 a explora\u00e7\u00e3o do trabalho humano. \u00c9 trabalho escravo ganhar meio sal\u00e1rio e morar na casa do patr\u00e3o. \u00c9 trabalho escravo quem n\u00e3o tem nenhum direito trabalhista ou previdenci\u00e1rio.<\/p>\n<p>O maior abismo entre o diarista e o mensalista est\u00e1 na capital do Cear\u00e1. Uma empregada dom\u00e9stica que trabalha por m\u00eas em Fortaleza ganha, em m\u00e9dia, R$ 1,64 por hora trabalhada. Com carteira assinada, o valor sobe para R$ 2,25. Sem carteira, o rendimento despenca para R$ 1,50, ou seja, 61,3% menos do que as diaristas, que em m\u00e9dia recebem R$ 2,42 por hora.<\/p>\n<p>Outro bom exemplo de disparidade \u00e9 S\u00e3o Paulo, onde as diaristas ganham, em m\u00e9dia, R$ 4,47 por hora. As mensalistas, por outro lado, ganham R$ 3,34, ou seja, 33,8% a menos. Se a empregada tiver carteira assinada, o valor da hora sobe para R$ 3,68. Por outro lado, sem carteira assinada, o valor da hora despenca para R$ 2,89, o que amplia a diferen\u00e7a para 54,6%.<\/p>\n<p>De olho na diferen\u00e7a que esse quadro acarreta para o bolso, boa parte das empregadas dom\u00e9sticas mensalistas abriram m\u00e3o da carteira assinada &#8211; e de benef\u00edcios como f\u00e9rias e 13\u00ba sal\u00e1rio &#8211; para se arriscar como diaristas e ganharem mais pelos afazeres do lar, segundo Avelino.<\/p>\n<p>&#8211; Mas o melhor sempre \u00e9 cumprir a lei [que estabelece que diaristas que trabalham mais de tr\u00eas vezes por semana em uma resid\u00eancia devem ser contratadas]. Isso evita a inseguran\u00e7a de quem contrata em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es trabalhistas. At\u00e9 porque ainda h\u00e1 empregados dom\u00e9sticos que t\u00eam uma cultura de entrar com a\u00e7\u00e3o para levar vantagem.<\/p>\n<p>Para o gerente da pesquisa de emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), Cimar Azeredo, a compara\u00e7\u00e3o entre o sal\u00e1rio das dom\u00e9sticas \u2013 independentemente se ela for diarista ou mensalista \u2013 e da popula\u00e7\u00e3o ativa apresenta um preconceito cultural hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Fortaleza exemplifica bem a opini\u00e3o de Azeredo. Segundo dados do Dieese, a hora de um empregado dom\u00e9stico negro que atue como mensalista na capital cearense \u00e9 de R$ 1,48. O valor m\u00e9dio pago por hora trabalhada nesta categoria \u00e9 de R$ 1,64.<\/p>\n<div id=\"texto\"><strong>Quadro do Emprego Dom\u00e9stico no Brasil \u2013 PNAD 2008 do IBGE<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"700\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"396\"><strong>Item<\/strong><\/td>\n<td width=\"152\"><strong>Quantidade<\/strong><\/td>\n<td width=\"152\"><strong>Percentual<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">1 \u2013 Trabalhadores dom\u00e9sticos<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">6,626 milh\u00f5es<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">100,00%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2 \u2013 Mulheres<\/td>\n<td>6,313 milh\u00f5es<\/td>\n<td>93,78%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">3 \u2013 Homens<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">418 mil<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">6,22%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>4 \u2013 Carteira de trabalho assinada<\/td>\n<td>1,774 milh\u00e3o<\/td>\n<td>26,77%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">5 \u2013 Sem carteira de trabalho assinada<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">4,852 milh\u00f5es<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">73,22%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>6 \u2013 Trabalho infantil \u2013 menos de 15 anos<\/td>\n<td>107 mil<\/td>\n<td>1,55%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">7 \u2013 Trabalho menores de 15 \u00e0 17 anos<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">278 mil<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">4,13%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>8 \u2013 Trabalho escravo \u2013 sem sal\u00e1rio<\/td>\n<td>39 mil<\/td>\n<td>0,59%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">9 \u2013 Trabalho semi-escravo \u2013 ganham at\u00e9 meio m\u00ednimo por m\u00eas (R$ 255\/m\u00eas)<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">1,798 milh\u00e3o<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9e9e9\">26,63%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>10 \u2013 Ganham entre meio e\u00a0um m\u00ednimo por m\u00eas (entre R$ 255 e R$ 510)<\/td>\n<td>2,870 milh\u00f5es<\/td>\n<td>42,63%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div><strong>Fonte:<\/strong> PNAD 2008\/IBGE<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcel Gugoni e Raphael Hakime, do R7 Os empregados dom\u00e9sticos que trabalham sob o regime de di\u00e1ria, conhecidos popularmente como \u2018diaristas\u2019, recebem at\u00e9 61,3% a mais, por hora, se comparado com o valor pago aos colegas mensalistas que n\u00e3o t\u00eam carteira assinada, segundo a pesquisa mais recente do Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos), referente ao m\u00eas de mar\u00e7o de 2010 . 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