{"id":75880,"date":"2016-08-07T15:29:18","date_gmt":"2016-08-07T18:29:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=75880"},"modified":"2016-08-07T15:29:18","modified_gmt":"2016-08-07T18:29:18","slug":"ex-moradora-de-rua-faz-historia-e-recebe-diploma-em-cerimonia-na-ufba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/08\/07\/ex-moradora-de-rua-faz-historia-e-recebe-diploma-em-cerimonia-na-ufba\/","title":{"rendered":"Ex-moradora de rua faz hist\u00f3ria e recebe diploma em cerim\u00f4nia na Ufba"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-91497 colorbox-91496\" src=\"http:\/\/www.blogdorodrigoferraz.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/RTEmagicC_historiadiplo.jpg.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" srcset=\"http:\/\/www.blogdorodrigoferraz.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/RTEmagicC_historiadiplo.jpg.jpg 500w, http:\/\/www.blogdorodrigoferraz.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/RTEmagicC_historiadiplo.jpg-300x180.jpg 300w\" alt=\"RTEmagicC_historiadiplo.jpg\" width=\"500\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma trajet\u00f3ria e tanto. A menina que um dia foi moradora de rua vestiu ontem a beca e entrou no sal\u00e3o nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) para receber o diploma de Licenciatura em Hist\u00f3ria. Mona Liza Nunes de Souza, 28 anos, foi abandonada pela m\u00e3e quando nasceu e criada por uma av\u00f3 que n\u00e3o a amava e a maltratou at\u00e9 os 9 anos. Em fevereiro de 2011, quando ela foi aprovada no vestibular, o CORREIO contou a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<div>\n<p class=\"bodytext\">Quando a m\u00e3e reapareceu trazendo com ela outras duas crian\u00e7as, Mona achou que ficaria segura. Mas o segundo cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria n\u00e3o seria menos doloroso. Ontem, ela foi a \u00fanica formanda aplaudida de p\u00e9 pelos colegas e por um audit\u00f3rio lotado. Nos \u00faltimos anos, as despesas de Mona foram com livros e xerox. \u00a0Acordava \u00e0s 5h para ir \u00e0s aulas. \u00c0 tarde, ia para o est\u00e1gio no Arquivo P\u00fablico do Estado e depois voltava \u00e0 faculdade.<\/p>\n<div>\n<p class=\"bodytext\">H\u00e1 tr\u00eas anos, deu \u00e0 luz \u00a0pequeno Lucas e precisou administrar os estudos com a maternidade. Ela conta que sofreu preconceito por ser negra e pobre, mas nada a fez desistir do sonho do curso superior. \u201cChegava em casa por volta das 23h, cansada. Fazia a comida do meu filho e me preparava para o dia seguinte. Foi dif\u00edcil, mas est\u00e1 provado que n\u00e3o era imposs\u00edvel\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"bodytext\">Quando chegou em Salvador, ainda crian\u00e7a, ela sobreviveu nas ruas, atrav\u00e9s de esmolas. Dormia no papel\u00e3o e esperava o \u201ccarro da sopa\u201d para ter o que comer. Viu a m\u00e3e e as irm\u00e3s se renderem ao crack. A vida lhe negou casa, comida e, o que mais lhe fez falta, amor.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"bodytext\">\u201cForam desafios dos mais simples aos mais complexos, como a fome e a falta de amor. O mais essencial na vida de um ser humano me faltou. Vencer foi muito dif\u00edcil\u201d, contou.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"bodytext\">Por duas vezes a fam\u00edlia teve a oportunidade de deixar as ruas, mas a m\u00e3e vendeu as casas que recebeu em programas sociais para permanecer no mundo das drogas. Inconformada com a realidade que vivia, Mona matriculava-se em escolas p\u00fablicas, escondido da m\u00e3e, que considerava o estudo desnecess\u00e1rio. Aos 15 anos, conseguiu um emprego como ajudante de cozinha de um restaurante. Ganhava R$ 15 por dia.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"bodytext\">Mona teve outros dois empregos antes de entrar na faculdade. Trabalhava das 6h \u00e0s 19h e corria para escola, no Santo Ant\u00f4nio Al\u00e9m do Carmo. Foi l\u00e1, no Col\u00e9gio Estadual Marques de Abrantes, que conheceu o esposo, Welson Pereira, 32. Ele largou os estudos para ser sorveteiro. O casal juntou o dinheiro que tinha, comprou um freezer e uma m\u00e1quina de fazer sorvete. \u201cEla \u00e9 uma guerreira, passou por muita coisa para chegar at\u00e9 aqui. Tudo o que eu posso sentir nesse momento \u00e9 orgulho\u201d, disse o marido.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"bodytext\">Ela cursou o 2\u00ba grau nos col\u00e9gios Central e no Iceia. Depois, fez cursinho e entrou na Ufba. Mona tentou dar outra oportunidade \u00e0 m\u00e3e e \u00e0s irm\u00e3s. Convidou para morar com ela, mas acabou sendo roubada pela pr\u00f3pria fam\u00edlia. A m\u00e3e morreu h\u00e1 tr\u00eas anos, em uma cl\u00ednica para soropositivos. Uma das irm\u00e3s continua entregue ao crack, enquanto a outra n\u00e3o d\u00e1 not\u00edcias h\u00e1 anos.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"bodytext\">A hist\u00f3ria que Mona reescreveu ter\u00e1 \u00a0um novo cap\u00edtulo. Ela foi aprovada para o Bacharelado em Hist\u00f3ria. \u201cA maior arma do opressor \u00e9 a mente do oprimido. Eles falam tanto que a gente n\u00e3o pode, que n\u00e3o somos capazes, que a gente acredita. Isso precisa mudar\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma trajet\u00f3ria e tanto. A menina que um dia foi moradora de rua vestiu ontem a beca e entrou no sal\u00e3o nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) para receber o diploma de Licenciatura em Hist\u00f3ria. Mona Liza Nunes de Souza, 28 anos, foi abandonada pela m\u00e3e quando nasceu e criada por uma av\u00f3 que n\u00e3o a amava e a maltratou at\u00e9 os 9 anos. Em fevereiro de 2011, quando ela foi aprovada no vestibular, o CORREIO contou a sua hist\u00f3ria. Quando a m\u00e3e reapareceu trazendo com ela outras duas crian\u00e7as, Mona achou que ficaria segura. 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