{"id":7588,"date":"2010-04-26T15:53:25","date_gmt":"2010-04-26T18:53:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=7588"},"modified":"2010-04-26T15:53:25","modified_gmt":"2010-04-26T18:53:25","slug":"brasil-paga-dez-vezes-mais-por-banda-larga-do-que-paises-desenvolvidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/26\/brasil-paga-dez-vezes-mais-por-banda-larga-do-que-paises-desenvolvidos\/","title":{"rendered":"Brasil paga dez vezes mais por banda larga do que pa\u00edses desenvolvidos"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil paga dez vezes mais por acesso \u00e0 conex\u00e3o banda larga do que pa\u00edses desenvolvidos, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada), em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Enquanto na renda mensal dos brasileiros o gasto m\u00e9dio com banda larga no Brasil custava, proporcionalmente, 4,58% da renda mensal per capita de 2009, nos pa\u00edses desenvolvidos a mesma rela\u00e7\u00e3o gravitava em torno de 0,5% &#8211;quase dez vezes menor, segundo os dados apresentados. Na R\u00fassia, o \u00edndice ca\u00eda para menos da metade no per\u00edodo, ou 1,68%.<\/p>\n<p>O estudo vem em meio \u00e0s intensas discuss\u00f5es sobre a ado\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Banda Larga, cujo objetivo \u00e9 massificar o acesso \u00e0 internet no pa\u00eds a pre\u00e7os menores que os praticados atualmente pelo mercado. A proposta do governo \u00e9 oferecer a banda larga a pre\u00e7o em torno de R$ 30.<!--more--><\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o do Ipea indica ainda que redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquota do imposto da banda larga para operadoras n\u00e3o vai resolver os problemas de pre\u00e7o e de abrang\u00eancia a rinc\u00f5es brasileiros nos quais a conex\u00e3o banda larga n\u00e3o chega.<\/p>\n<p>O Ipea evitou, contudo, defender diretamente a ado\u00e7\u00e3o de um mecanismo estatal para amplia\u00e7\u00e3o do acesso &#8211;embora o estudo aponte que haver\u00e1 investimento estatal em pa\u00edses desenvolvidos para amplia\u00e7\u00e3o do acesso residencial.<\/p>\n<p>&#8220;A diferen\u00e7a do Brasil entre outros pa\u00edses est\u00e1 aumentando&#8221;, disse o t\u00e9cnico Jo\u00e3o Maria de Oliveira, coautor do trabalho. &#8220;Independentemente do mecanismo [estatal ou n\u00e3o], o que deve acontecer \u00e9 a livre participa\u00e7\u00e3o. Em pa\u00edses como Austr\u00e1lia e Alemanha, existe a interven\u00e7\u00e3o estatal para amplia\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Falha na cobertura<\/strong><\/p>\n<p>Ao final de 2008, dos 58 milh\u00f5es de domic\u00edlios brasileiros, 79% (46 milh\u00f5es) n\u00e3o tinham acesso \u00e0 internet, enquanto apenas 21% (12 milh\u00f5es) desfrutavam desse servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Segundo os dados projetados pelo instituto, a conex\u00e3o banda larga chega a apenas 3,1% dos domic\u00edlios rurais brasileiros, percentual que totaliza 266 mil resid\u00eancias de um total de 8,6 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Estados isolados como Roraima e Amap\u00e1 t\u00eam acessos residenciais praticamente inexistentes. No Nordeste, a banda larga chega a menos de 15% dos domic\u00edlios.<\/p>\n<p>A disparidade entre o porcentual de acessos de banda larga em domic\u00edlios nas regi\u00f5es rurais e urbanas \u00e9 grande. No Centro-Oeste, regi\u00f5es urbana e rural det\u00e9m, respectivamente, 28,1% e 5,2%. J\u00e1 no Nordeste a regi\u00e3o urbana tem 14,3%, enquanto a regi\u00e3o rural tem 1,1%. A regi\u00e3o Norte tem 10,9% dos acessos na regi\u00e3o urbana, e a regi\u00e3o rural possui 1,9%.<\/p>\n<p>No Sudeste, a regi\u00e3o urbana tem 27,8% de domic\u00edlios com acesso \u00e0 banda larga, enquanto o meio rural det\u00e9m 5,5%.<\/p>\n<p>O Sul vem com 29,6% dos acessos em \u00e1reas urbanas &#8211;na regi\u00e3o rural, o n\u00famero cai para 5,2%.<\/p>\n<p>&#8220;A penetra\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 bastante cr\u00edtica&#8221;, disse Luis Kubota, um dos t\u00e9cnicos respons\u00e1veis pelo estudo. Ele afirma ainda que, embora o pre\u00e7o tenha ca\u00eddo, a densidade de acesso ainda est\u00e1 abaixo dos padr\u00f5es internacionais &#8211;mesmo em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses com n\u00edvel de desenvolvimento econ\u00f4mico semelhante, como M\u00e9xico e Turquia.<\/p>\n<p>Segundo os dados, o Brasil tem uma m\u00e9dia de conex\u00e3o de 1 Mbps (megabit por segundo), enquanto pa\u00edses como Jap\u00e3o e Coreia t\u00eam conex\u00f5es de 100 Mbps. &#8220;Isso acontece por causa do uso de fibra \u00f3ptica, que propicia velocidades mais altas&#8221;, afirmou Kubota.<\/p>\n<p>O Ipea defendeu abertamente o investimento de acesso mais veloz a longo prazo &#8211;a maioria dos pa\u00edses est\u00e1 pensando na 2\u00aa gera\u00e7\u00e3o de banda larga, enquanto o Brasil &#8220;nem resolveu a primeira&#8221;, nas palavras do t\u00e9cnico Rodrigo Abdalla.<\/p>\n<p>&#8220;O investimento na infraestrutura de banda larga n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo. Ele traz desenvolvimento em educa\u00e7\u00e3o, transporte, sa\u00fade e energia el\u00e9trica&#8221;, declarou Kubota, apontando que o aumento de 1% da conex\u00e3o \u00e9 diretamente proporcional ao aumento de 1,2% do PIB.<\/p>\n<p>Com detalhes da abrang\u00eancia nacional e internacional, o estudo \u00e9 um dos maiores j\u00e1 feitos no pa\u00eds e compila dados do ICT Development Index e de institui\u00e7\u00f5es como a Anatel (Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es), do IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estat\u00edstica), al\u00e9m da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domic\u00edlios), extra\u00eddos entre os anos 2008 e 2009.<\/p>\n<p>Folha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil paga dez vezes mais por acesso \u00e0 conex\u00e3o banda larga do que pa\u00edses desenvolvidos, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada), em Bras\u00edlia. 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