{"id":74811,"date":"2016-06-20T15:33:08","date_gmt":"2016-06-20T18:33:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=74811"},"modified":"2016-06-20T15:33:08","modified_gmt":"2016-06-20T18:33:08","slug":"odebrecht-adquiriu-banco-para-propina-diz-delator","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/06\/20\/odebrecht-adquiriu-banco-para-propina-diz-delator\/","title":{"rendered":"Odebrecht adquiriu banco para propina, diz delator"},"content":{"rendered":"<div class=\"box-title\">\n<p><em>por Mateus Coutinho e Julia Affonso | Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"box-body\">\n<div class=\"text-center\">\n<div class=\"box-img\"><img decoding=\"async\" class=\"img-center img-responsive\" src=\"http:\/\/imagem.bahianoticias.com.br\/fotos\/estadao_noticias\/134883\/IMAGEM_NOTICIA_5.jpg?checksum=1466424092\" alt=\"Odebrecht adquiriu banco para propina, diz delator\" \/><\/p>\n<div class=\"img-legenda\">Foto: Germano L\u00fcders \/ EXAME.com<\/div>\n<div class=\"img-legenda\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"text-descricao\">Um dos executivos apontados como operadores de offshores do chamado &#8220;departamento de propina&#8221; da Odebrecht disse em depoimento \u00e0 for\u00e7a-tarefa da Lava Jato que a empreiteira controlou 42 contas offshores no exterior, sendo que a maior parte delas foi criada ap\u00f3s aquisi\u00e7\u00e3o da filial de um banco, o Meinl Bank Antigua, no fim de 2010.\u00a0Vin\u00edcius Veiga Borin citou em dela\u00e7\u00e3o premiada transfer\u00eancias &#8220;suspeitas&#8221; das contas associadas \u00e0 Odebrecht que somam ao menos US$ 132 milh\u00f5es. O delator \u00e9 o primeiro a falar em detalhes sobre as transa\u00e7\u00f5es internacionais do grupo por meio de offshores.\u00a0Borin trabalhou em S\u00e3o Paulo na \u00e1rea comercial do Antigua Overseas Bank (AOB), entre 2006 e 2010. Ele e outros ex-executivos do AOB se associaram a Fernando Migliaccio e Luiz Eduardo Soares, ent\u00e3o executivos do Departamento de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas &#8211; nome oficial da central de propinas da empreiteira, segundo a Lava Jato &#8211; da Odebrecht para adquirir a filial desativada do Meinl Bank, de Viena, em Ant\u00edgua, um para\u00edso fiscal no Caribe.\u00a0A aquisi\u00e7\u00e3o envolveu ainda Ol\u00edvio Rodrigues J\u00fanior, respons\u00e1vel por intermediar a abertura das contas para a empreiteira no AOB. A participa\u00e7\u00e3o de 51% da filial da institui\u00e7\u00e3o financeira em Ant\u00edgua foi adquirida, segundo o relato, por US$ 3 milh\u00f5es mais quatro parcelas anuais de US$ 246 mil. Ao final da negocia\u00e7\u00e3o, o grupo passou a ter 67% do Meinl Bank Ant\u00edgua.\u00a0A Procuradoria da Rep\u00fablica no Paran\u00e1 pediu na sexta-feira ao juiz federal S\u00e9rgio Moro que homologue a dela\u00e7\u00e3o premiada de Borin e de outros dois executivos do AOB: Luiz Augusto Fran\u00e7a e Marcos Pereira de Sousa Bilinski. Somente Borin prestou depoimento.\u00a0O Departamento de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas da Odebrecht foi alvo da 23.\u00aa etapa da Lava Jato, que levou \u00e0 pris\u00e3o do marqueteiro Jo\u00e3o Santana, sua mulher e s\u00f3cia, M\u00f4nica Moura, al\u00e9m do pr\u00f3prio Borin. Foi a partir da Opera\u00e7\u00e3o Acaraj\u00e9 &#8211; assim batizada em refer\u00eancia a um dos nomes usados nas planilhas da contabilidade paralela da Odebrecht para propinas &#8211; que a for\u00e7a-tarefa da Lava Jato chegou ao n\u00facleo dos pagamentos il\u00edcitos da empreiteira.\u00a0As revela\u00e7\u00f5es foram feitas principalmente pela funcion\u00e1ria Maria L\u00facia Guimar\u00e3es Tavares, a primeira do grupo empresarial a colaborar com as investiga\u00e7\u00f5es. Atualmente, executivos da Odebrecht e o empreiteiro Marcelo Odebrecht negociam uma dela\u00e7\u00e3o premiada com a Lava Jato.\u00a0Entre as contas offshores citadas por Borin est\u00e3o a Klienfeld, a Innovation e a Magna, que fizeram dep\u00f3sitos na conta offshore Shellbill Finance, apontada como de propriedade de Santana, na Su\u00ed\u00e7a, no valor de US$ 16,6 milh\u00f5es, segundo o delator. \u00a0Borin afirmou que o banco AOB come\u00e7ou a operar contas para a Odebrecht a partir de um pedido de Ol\u00edvio Rodrigues, que se disse representante da empreiteira e interessado em abrir contas no banco para movimentar recursos referentes a obras no exterior.\u00a0Ele afirmou ainda que acredita que os recursos movimentados em grande parte pelas contras associadas \u00e0 Odebrecht &#8220;eram il\u00edcitos&#8221; ou n\u00e3o se referiam a pagamentos de fornecedores ou &#8220;relativos a obras da companhia&#8221;.\u00a0A aquisi\u00e7\u00e3o, segundo Borin, inicialmente envolveu tamb\u00e9m Vanu\u00ea Faria, sobrinho do controlador do Grupo Petr\u00f3polis Valter Faria, que, de acordo com o delator, teve cerca de US$ 50 milh\u00f5es nas contas que mantinha no AOB bloqueados com a liquida\u00e7\u00e3o do banco. Entre o fim de 2011 e 2012, Vanu\u00ea vendeu sua participa\u00e7\u00e3o.Procurada pela reportagem, a Odebrecht informou, por meio de sua assessoria, que n\u00e3o iria se pronunciar sobre o depoimento. O advogado Fabio Tofic, que defende Santana, informou que s\u00f3 vai se manifestar sobre o caso perante a Justi\u00e7a. As defesas de Ol\u00edvio Rodrigues, de Valter Faria e Vanu\u00ea Faria n\u00e3o foram localizadas. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <b>O Estado de S. Paulo.<\/b><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Mateus Coutinho e Julia Affonso | Estad\u00e3o Conte\u00fado Foto: Germano L\u00fcders \/ EXAME.com Um dos executivos apontados como operadores de offshores do chamado &#8220;departamento de propina&#8221; da Odebrecht disse em depoimento \u00e0 for\u00e7a-tarefa da Lava Jato que a empreiteira controlou 42 contas offshores no exterior, sendo que a maior parte delas foi criada ap\u00f3s aquisi\u00e7\u00e3o da filial de um banco, o Meinl Bank Antigua, no fim de 2010.\u00a0Vin\u00edcius Veiga Borin citou em dela\u00e7\u00e3o premiada transfer\u00eancias &#8220;suspeitas&#8221; das contas associadas \u00e0 Odebrecht que somam ao menos US$ 132 milh\u00f5es. 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