{"id":74774,"date":"2016-06-18T14:36:12","date_gmt":"2016-06-18T17:36:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=74774"},"modified":"2016-06-18T14:36:12","modified_gmt":"2016-06-18T17:36:12","slug":"revista-veja-a-crise-volta-ao-planalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/06\/18\/revista-veja-a-crise-volta-ao-planalto\/","title":{"rendered":"Revista Veja: A crise volta ao Planalto"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><em>Revista Veja<\/em><\/figure>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2016\/06\/17\/2036\/pe6Cx\/michel-temer-17-original.jpeg?1466206568\" alt=\"Michel Temer, presidente interino da Rep\u00fablica, foi acusado pelo delator S\u00e9rgio Machado de ter pedido 1,5 milh\u00e3o de reais para um candidato de seu partido, ciente da origem il\u00edcita do dinheiro\" width=\"472\" height=\"354\" \/><\/figure>\n<figure><figcaption>Michel Temer, presidente interino da Rep\u00fablica, foi acusado pelo delator S\u00e9rgio Machado de ter pedido 1,5 milh\u00e3o de reais para um candidato de seu partido, ciente da origem il\u00edcita do dinheiro<span class=\"credito\">(Cristiano Mariz\/VEJA)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O pa\u00eds come\u00e7ou a conviver com dois Michel Temer desde a semana passada. O primeiro est\u00e1 promovendo uma agenda positiva na economia, formou uma equipe de excel\u00eancia comprovada e acaba de apresentar uma proposta de emenda cons\u00adtitucional para definir um teto para o crescimento do gasto p\u00fablico. O segundo est\u00e1 agora \u00e0s voltas com uma acusa\u00e7\u00e3o dura.<\/p>\n<p>O delator S\u00e9rgio Machado, em depoimento aos investigadores da Lava-Jato, disse que o presidente interino lhe pediu 1,5 milh\u00e3o de reais durante um encontro na Base A\u00e9rea de Bras\u00edlia, em setembro de 2012, para a campanha de Gabriel Chalita, ent\u00e3o no PMDB, \u00e0 prefeitura de S\u00e3o Paulo. O dinheiro foi repassado pela Queiroz Galv\u00e3o na forma de doa\u00e7\u00e3o eleitoral, numa tentativa de dar \u00e0 transa\u00e7\u00e3o ares de legalidade. \u00c0s autoridades, Machado confessou que a verba n\u00e3o tinha origem l\u00edcita. Era propina. E Temer, que encomendara a mercadoria, tinha plena consci\u00eancia disso. A acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 forte, mas, do ponto de vista jur\u00eddico, tende a morrer na praia, j\u00e1 que Temer n\u00e3o pode ser investigado por atos estranhos ao mandato.<\/p>\n<p>O presidente interino estava certo de que teria uma semana positiva. Com pompa e circunst\u00e2ncia, apresentaria aos parlamentares, como de fato fez, a proposta do teto. Embalado pela repercuss\u00e3o da iniciativa, faria um pronunciamento em rede de r\u00e1dio e televis\u00e3o para exaltar seu governo, sua capacidade de dialogar com o Congresso e sua inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo nos agentes econ\u00f4micos. Um otimismo compartilhado por muitos. Sentindo-se fortalecido, o presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou que analisaria um pedido de impeachment contra o procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, que defendera as pris\u00f5es preventivas dele, do ex-presidente Jos\u00e9 Sarney e do senador Romero Juc\u00e1, recha\u00e7adas pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. O c\u00e9u parecia clarear para o bom e velho PMDB, finalmente no exerc\u00edcio pleno do poder. Implac\u00e1vel, a Opera\u00e7\u00e3o Lava-\u00adJato devolveu os peemedebistas \u00e0 realidade dos desvios da Petrobras, a estatal que, na defini\u00e7\u00e3o j\u00e1 nascida imortal de S\u00e9rgio Machado, \u00e9 a &#8220;madame mais honesta dos cabar\u00e9s do Brasil&#8221;.<!--more--><\/p>\n<p>Ex-tucano convertido em peemedebista, S\u00e9rgio Machado comandou a Transpetro, subsidi\u00e1ria da Petrobras, entre 2003 e 2014. Em sua dela\u00e7\u00e3o, fez acusa\u00e7\u00f5es a Temer, Renan, que o indicou ao cargo, e mais oito expoentes do partido de se beneficiarem do dinheiro desviado dos cofres da Petrobras.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o do depoimento pegou Temer de surpresa. Primeiro, o presidente interino soltou uma nota para dizer que sempre respeitou os limites legais ao buscar recursos para campanhas eleitorais. Soou protocolar. Como n\u00e3o conseguiu se afastar das cordas, fez uma declara\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa, em que tachou de &#8220;levianas&#8221;, &#8220;mentirosas&#8221; e &#8220;criminosas&#8221; as afirma\u00e7\u00f5es do colega de partido. N\u00e3o disse que vai process\u00e1-lo. &#8220;Algu\u00e9m que teria cometido aquele delito irrespons\u00e1vel que o cidad\u00e3o Machado apontou n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de presidir o pa\u00eds&#8221;, afirmou, acrescentando que contestar\u00e1 cada men\u00e7\u00e3o a seu nome em defesa de sua honra e &#8220;da harmonia do pa\u00eds&#8221;. Machado n\u00e3o se intimidou. Em tr\u00e9plica, reafirmou tudo o que declarara \u00e0s autoridades. Diante da agenda negativa, Temer cancelou o pronunciamento em r\u00e1dio e TV que faria na sexta-feira com receio de um panela\u00e7o.<\/p>\n<p>A dela\u00e7\u00e3o de Machado chama aten\u00e7\u00e3o pela riqueza de detalhes, como o uso de senhas para impedir que a empreiteira, no papel de corruptor, soubesse a identidade do destinat\u00e1rio final da propina, o corrompido. Ele contou que repassou pelo menos 115 milh\u00f5es de reais a<\/p>\n<p>23 pol\u00edticos de oito partidos. O PMDB ficou com 100 milh\u00f5es de reais, sendo as maiores partes destinadas a Renan (32 milh\u00f5es), Edison Lob\u00e3o (24 milh\u00f5es), Romero Juc\u00e1 (21 milh\u00f5es) e Jos\u00e9 Sarney (18,5 milh\u00f5es). A maioria dos valores era paga em dinheiro vivo. Na dela\u00e7\u00e3o, Machado diz que teve atritos com Renan, que chegou a receber mesada de 300?000 reais, porque n\u00e3o conseguia saciar o apetite do padrinho pol\u00edtico, que pedia mais do que o afilhado podia entregar. Afirma ainda que Lob\u00e3o, ent\u00e3o ministro de Minas e Energia, exigia uma bolada maior do que a de seus colegas de bancada. A disputa pelo dinheiro sujo era renhida. Foi ela, segundo o delator, que levou Temer a reassumir a presid\u00eancia do PMDB em 2014, para arbitrar o rateio de 40 milh\u00f5es de reais repassados ao partido, a pedido do PT, pela JBS. Temer e os deputados estariam se sentindo ludibriados pelos senadores, que na \u00e9poca comandavam a presid\u00eancia e a tesouraria da legenda. Por muito pouco, a arenga n\u00e3o ultrapassou as fronteiras partid\u00e1rias.<\/p>\n<p>Criminosos ou n\u00e3o, os depoimentos de Machado provocaram uma nova baixa no governo. Apontado como benefici\u00e1rio de 1,5 milh\u00e3o de reais em propina levantada na Transpetro, Henrique Eduardo Alves pediu demiss\u00e3o do Minist\u00e9rio do Turismo. Com a decis\u00e3o, disse que fazia um gesto de grandeza, para n\u00e3o constranger a Presid\u00eancia interina de seu amigo. Balela. Henrique Alves j\u00e1 era investigado pela Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica sob a suspeita de embolsar propina paga pela OAS. Tamb\u00e9m foi citado na dela\u00e7\u00e3o premiada de F\u00e1bio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa Econ\u00f4mica Federal, que coletava propinas para o PMDB da C\u00e2mara, do qual Henrique Alves era expoente. Para completar, tramita na Justi\u00e7a um processo de improbidade administrativa contra o ex-ministro no qual s\u00e3o citadas suas contas na Su\u00ed\u00e7a. Os extratos foram entregues por sua ex-mulher. Temer cobrou explica\u00e7\u00f5es sobre essas contas no exterior supostamente abastecidas por meio de transa\u00e7\u00f5es nebulosas. Recebeu, no dia seguinte, um pedido de demiss\u00e3o de Alves, que admitiu estar \u00e0 espera de chumbo grosso.<\/p>\n<p>Foi o terceiro ministro de Temer a cair em decorr\u00eancia da Lava-Jato. Romero Juc\u00e1 (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transpar\u00eancia) foram exonerados depois de ser gravados pelo operante S\u00e9rgio Machado maquinando para &#8220;estancar a sangria&#8221; das investiga\u00e7\u00f5es. O horizonte tamb\u00e9m \u00e9 sombrio fora da Esplanada dos Minist\u00e9rios. Hoje, a principal preocupa\u00e7\u00e3o de Temer est\u00e1 na C\u00e2mara dos Deputados. O presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha, pe\u00e7a-chave no afastamento de Dilma Rousseff, sente-se credor do interino e cobra dele ajuda para se safar de um processo por quebra de decoro parlamentar. Na semana passada, o Conselho de \u00c9tica, depois de uma infind\u00e1vel sucess\u00e3o de manobras protelat\u00f3rias, finalmente aprovou parecer favor\u00e1vel \u00e0 cassa\u00e7\u00e3o de Cunha. Isso foi o suficiente para recrudescerem os boatos de que ele, caso perca o mandato, negociar\u00e1 um acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada por meio do qual entregar\u00e1 o mandarinato de Temer de bandeja ao Minist\u00e9rio P\u00fablico. O Planalto sabe que Cunha levantou recursos para financiar a campanha eleitoral de Geddel Vieira Lima, ministro da Secretaria de Governo, em 2014. Sabe tamb\u00e9m que ele intermediou o repasse de dinheiro para outras emin\u00eancias peemedebistas. Numa dela\u00e7\u00e3o, citaria de cabo a rabo sua clientela. Com isso, est\u00e1 posta a amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Os assessores de Temer dizem ter a informa\u00e7\u00e3o de que Cunha ser\u00e1 preso nos pr\u00f3ximos dias, o que, se confirmado, pode acelerar eventual colabora\u00e7\u00e3o com as autoridades. H\u00e1 um pedido de pris\u00e3o preventiva contra ele sobre a mesa do ministro Teori Zavascki. As informa\u00e7\u00f5es prestadas \u00e0s autoridades por F\u00e1bio Cleto, afilhado pol\u00edtico de Cunha na Caixa Econ\u00f4mica, tamb\u00e9m alimentam a expectativa de pris\u00e3o do deputado. A VEJA, Cunha disse que n\u00e3o fechar\u00e1 dela\u00e7\u00e3o premiada porque n\u00e3o tem o que delatar. Marcelo Odebrecht dizia a mesma coisa. Mudou de ideia depois de quase um ano preso. Deflagrada em mar\u00e7o de 2014, a Lava-Jato teve peso decisivo na perda de apoio popular e no afastamento da presidente Dilma. Agora, amea\u00e7a o PMDB e, com a acusa\u00e7\u00e3o a Temer, instala-se novamente no Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>No governo anterior, Lula, Dilma, um senador e dois ministros foram pilhados tentando sabotar as investiga\u00e7\u00f5es da Lava-Jato.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o de Temer ao poder n\u00e3o diminuiu o \u00edmpeto da opera\u00e7\u00e3o. Todas as incurs\u00f5es contra as investiga\u00e7\u00f5es at\u00e9 hoje foram malsucedidas. Diante do fracasso, pol\u00edticos passaram a tentar reduzir o poder dos investigadores e constrang\u00ea-los. Alvo de oito inqu\u00e9ritos no petrol\u00e3o, Renan quer aprovar um projeto para proibir presos de aderir \u00e0 dela\u00e7\u00e3o premiada. Suspeito de receber favores de empreiteiras e assustado com o garrote da pris\u00e3o, Lula entrou com uma representa\u00e7\u00e3o contra o juiz Sergio Moro na Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica. Os criminosos ainda sonham com um golpe de \u00faltima hora no Supremo Tribunal Federal. E olhe que nem vieram a p\u00fablico as dela\u00e7\u00f5es dos empreiteiros Marcelo Odebrecht e L\u00e9o Pinheiro e do ex-tesoureiro petista Jo\u00e3o Vaccari Neto. A faxina ganhou tra\u00e7\u00e3o e, ao que parece, n\u00e3o para mais.<\/p>\n<p><strong>Compre a edi\u00e7\u00e3o desta semana no <a href=\"https:\/\/itunes.apple.com\/br\/app\/revista-veja\/id385529352?mt=8\" target=\"_blank\" rel=\"\">iOS<\/a>, <a href=\"https:\/\/play.google.com\/store\/apps\/details?id=br.com.abril.revvejanoandroid3&amp;hl=pt_BR\" target=\"_blank\" rel=\"\">Android<\/a> ou nas bancas. 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