{"id":74398,"date":"2016-06-04T10:43:58","date_gmt":"2016-06-04T13:43:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=74398"},"modified":"2016-06-04T10:43:58","modified_gmt":"2016-06-04T13:43:58","slug":"marcelo-odebrecht-propina-financiou-reeleicao-de-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/06\/04\/marcelo-odebrecht-propina-financiou-reeleicao-de-dilma\/","title":{"rendered":"Marcelo Odebrecht: propina financiou reelei\u00e7\u00e3o de Dilma"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Veja on line<\/em><\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Marcelo Odebrecht: o homem que desprezava dedo-duro entregou-se \u00e0 dela\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2016\/06\/03\/2106\/pe6Cx\/marcelo-odebrecht-abre-original.jpeg?1464998803\" alt=\"Marcelo Odebrecht: o homem que desprezava dedo-duro entregou-se \u00e0 dela\u00e7\u00e3o\" width=\"512\" height=\"384\" \/><figcaption>Marcelo Odebrecht: o homem que desprezava dedo-duro entregou-se \u00e0 dela\u00e7\u00e3o<span class=\"credito\">(VEJA.com\/VEJA)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O ex-presidente Jos\u00e9 Sarney sabe das coisas. Com a autoridade de seus 60 anos de vida p\u00fablica e um talento nato para resistir a tormentas, Sarney disse numa conversa gravada que a dela\u00e7\u00e3o premiada de executivos da Odebrecht provocaria um estrago digno de &#8220;uma metralhadora de ponto 100&#8221;. A velha raposa externava o temor reinante na classe pol\u00edtica com a possibilidade da revela\u00e7\u00e3o dos detalhes da contabilidade clandestina da maior empreiteira do pa\u00eds. Fazia coro com as autoridades empenhadas em melar a investiga\u00e7\u00e3o do petrol\u00e3o. A opera\u00e7\u00e3o abafa, como se sabe, fracassou. A dela\u00e7\u00e3o de diretores e funcion\u00e1rios da Odebrecht j\u00e1 est\u00e1 sendo feita. N\u00e3o s\u00f3 ela como a colabora\u00e7\u00e3o do ex-\u00adchefe da OAS, que fez a reforma do s\u00edtio que servia de ref\u00fagio para o ex-presidente Lula. Em vez de uma, s\u00e3o duas as metralhadoras engatilhadas, ambas com muni\u00e7\u00e3o de sobra para permitir que a Lava-\u00adJato feche a lista de pol\u00edticos beneficiados com propina e identifique a cadeia de comando do maior esquema de corrup\u00e7\u00e3o j\u00e1 investigado no pa\u00eds. O poder de fogo \u00e9 ainda mais devastador, letal e definitivo do que imaginava o experiente Sarney.<\/p>\n<p>A dela\u00e7\u00e3o mais aguardada \u00e9 a de Marcelo Odebrecht, o pr\u00edncipe das empreiteiras, provedor-mor das campanhas eleitorais, doador universal do sistema pol\u00edtico brasileiro. Preso em junho do ano passado, Marcelo, de in\u00edcio, declarou-se inocente e recha\u00e7ou a possibilidade de ajudar as autoridades a esquadrinhar as entranhas do petrol\u00e3o. &#8220;Primeiro, para algu\u00e9m dedurar, precisa ter o que dedurar. Isso eu acho que n\u00e3o ocorre aqui&#8221;, disse o empres\u00e1rio, j\u00e1 sob a cust\u00f3dia da Pol\u00edcia Federal, numa audi\u00eancia da CPI da Petrobras. Os parlamentares presentes, sabedores de onde o calo aperta, quase pediam desculpas ao fazer perguntas a ele. &#8220;Eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquele que fez o fato&#8221;, acrescentou Marcelo, criticando os delatores. Uma sucess\u00e3o de fatos mudou suas convic\u00e7\u00f5es. Fracassaram todos os recursos jur\u00eddicos e as arma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de bastidores para livr\u00e1-lo da pris\u00e3o. A for\u00e7a-tarefa da Lava-Jato descobriu que a Odebrecht tinha um setor espec\u00edfico para pagamento de propina que abastecia os partidos governistas e de oposi\u00e7\u00e3o. Em mar\u00e7o, o juiz Sergio Moro, respons\u00e1vel pela Lava-Jato, condenou Marcelo a dezenove anos e quatro meses de pris\u00e3o por corrup\u00e7\u00e3o, lavagem de dinheiro e associa\u00e7\u00e3o criminosa. Para se livrar da cadeia, o condenado finalmente aceitou exercer o papel de delator que tanto desqualificara.<!--more--><\/p>\n<p>O alvo principal de suas revela\u00e7\u00f5es ser\u00e1 a presidente afastada Dilma Rousseff. Segundo o empres\u00e1rio, a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma foi financiada com propina depositada em contas no exterior. A Lava-Jato j\u00e1 rastreou o repasse de 3 milh\u00f5es de d\u00f3lares da empreiteira para uma conta na Su\u00ed\u00e7a do marqueteiro Jo\u00e3o Santana, mago das \u00faltimas tr\u00eas campanhas presidenciais do PT. Al\u00e9m disso, mapeou o pagamento de 22,5 milh\u00f5es de reais ao marqueteiro, em dinheiro vivo, entre outubro de 2014, quando Dilma conquistou o segundo mandato, e maio de 2015. Marcelo confirmar\u00e1 aos investigadores que, ao remunerar Santana, bancou despesas n\u00e3o declaradas da campanha da petista.<\/p>\n<p><em>Com reportagem de Hugo Marques e Ullisses Campbell<\/em><\/p>\n<p><strong>Compre a edi\u00e7\u00e3o desta semana no <a href=\"https:\/\/itunes.apple.com\/br\/app\/revista-veja\/id385529352?mt=8\" target=\"_blank\" rel=\"\">iOS<\/a>, <a href=\"https:\/\/play.google.com\/store\/apps\/details?id=br.com.abril.revvejanoandroid3&amp;hl=pt_BR\" target=\"_blank\" rel=\"\">Android<\/a> ou nas bancas. 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