{"id":7429,"date":"2010-04-25T08:46:27","date_gmt":"2010-04-25T11:46:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=7429"},"modified":"2010-04-25T08:46:27","modified_gmt":"2010-04-25T11:46:27","slug":"sem-controle-vereadores-contratam-empresas-que-so-existem-no-papel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/25\/sem-controle-vereadores-contratam-empresas-que-so-existem-no-papel\/","title":{"rendered":"Sem controle, vereadores contratam empresas que s\u00f3 existem no papel"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Os 55 vereadores paulistanos gastaram R$ 7,5 milh\u00f5es com despesas de gabinete em 2009 &#8211; de R$ 8,9 milh\u00f5es dispon\u00edveis. Por se tratar de dinheiro p\u00fablico, os pagamentos t\u00eam de ser comprovados por nota fiscal. Mas a lei n\u00e3o estabelece crit\u00e9rios claros de contrata\u00e7\u00e3o e a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 ineficiente. Resultado: a verba tem sido usada em alguns casos para pagar empresas que at\u00e9 existem no papel, mas n\u00e3o t\u00eam sede, telefone, site ou registro de trabalhos fora da C\u00e2mara.<\/p>\n<p>A lei que garante R$ 14.800 mensais para cada parlamentar custear despesas de gabinete como correio e material de escrit\u00f3rio foi aprovada h\u00e1 3 anos. Mas, s\u00f3 em abril de 2009, o detalhamento dos gastos efetuados come\u00e7ou a ser divulgado no site da C\u00e2mara. Para tra\u00e7ar uma radiografia das despesas reembolsadas nos \u00faltimos dez meses, o Estado tabulou mais de 5 mil registros de pagamentos e visitou, aleatoriamente, mais de uma dezena de endere\u00e7os.<\/p>\n<p><!--more-->Um deles foi o da Mineral Comunica\u00e7\u00e3o, Imagem e Produ\u00e7\u00e3o. Contratada pelo vereador Netinho de Paula (PCdoB), a empresa est\u00e1 registrada na Receita Federal em um endere\u00e7o fict\u00edcio &#8211; o n\u00famero 78 da Rua Guaxum\u00e3, na zona leste. Somados sete repasses mensais, a Mineral recebeu R$ 12.500. O mesmo endere\u00e7o consta da nota fiscal exibida pela assessoria de Netinho. N\u00e3o h\u00e1 no documento telefone, site ou e-mail. Em nota, o vereador afirmou que a empresa foi contratada para prestar servi\u00e7o de assessoria de imprensa. &#8220;Desconhe\u00e7o qualquer irregularidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 empresa.&#8221;<\/p>\n<p>Consultoria. Mesmo contando com R$ 84,4 mil por m\u00eas para empregar at\u00e9 18 assessores diretos, os vereadores consumiram, entre abril de 2009 e fevereiro deste ano, R$ 488,6 mil com consultorias (t\u00e9cnicas ou jur\u00eddicas). O Instituto Rana Cuoree faz parte dessa lista. Recebeu da lideran\u00e7a do PSDB R$ 33.375 por consultoria prestada ao relator da CPI da Pedofilia, o l\u00edder tucano Carlos Alberto Bezerra J\u00fanior.<\/p>\n<p>Durante quatro dias, a reportagem tentou localizar o instituto e atividades desenvolvidas por ele. Na internet, n\u00e3o obteve refer\u00eancia, exceto na p\u00e1gina de presta\u00e7\u00e3o de contas da C\u00e2mara. A lista telef\u00f4nica tamb\u00e9m n\u00e3o traz n\u00famero fixo em seu nome e, no endere\u00e7o registrado no Fisco, funciona uma prestadora de servi\u00e7os de limpeza.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca ouvi falar em Instituto Rana Cuoree&#8221;, afirmou o dono da Guima Conseco, Carlos Alberto Guimar\u00e3es. &#8220;Aqui era a casa da minha m\u00e3e e h\u00e1 mais de 20 anos funciona minha empresa. Vou acionar meus advogados para descobrir quem usou o meu endere\u00e7o sem autoriza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Questionada, a presidente do instituto, Elizete Rossoni Miranda, asseverou que uma sala do im\u00f3vel j\u00e1 serviu como escrit\u00f3rio da entidade, mas se recusou a descrever o local ou a ir com a reportagem ao endere\u00e7o. Segundo ela, desde janeiro de 2009 o escrit\u00f3rio da entidade funciona em uma sala de 12 m\u00b2 alugada de uma entidade esp\u00edrita por R$ 50 mensais. Elizete apresentou c\u00f3pia do cadastro na Prefeitura no qual consta o novo endere\u00e7o.<\/p>\n<p>Apontado na ata de cria\u00e7\u00e3o do Rana Cuoree como fundador, Givanildo Manoel da Silva reclama que at\u00e9 agora recebeu R$ 1.250 pelos seis meses de trabalho na CPI. O combinado, diz ele, era que o pre\u00e7o total do servi\u00e7o fosse dividido entre os quatro consultores, sendo 20% a mais para a presidente do instituto, por ter sido a coordenadora. &#8220;Tamb\u00e9m quero saber onde foi parar o dinheiro&#8221;, afirmou. Segundo ele, o \u00fanico servi\u00e7o prestado at\u00e9 hoje pela entidade foi a consultoria para o l\u00edder tucano.<\/p>\n<p>O l\u00edder do PSDB diz desconhecer qualquer irregularidade em rela\u00e7\u00e3o ao Rana Cuoree. &#8220;Os profissionais do instituto foram fundamentais na elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio final da CPI. Sem eles, esse documento n\u00e3o teria se tornado refer\u00eancia sobre o tema.&#8221; Em nota, diz ter pago os R$ 33.375 acertados com a entidade, conforme indica o site da C\u00e2mara. &#8220;Fiz contrato e recebi um \u00f3timo servi\u00e7o. Espero que voc\u00ea n\u00e3o coloque essa situa\u00e7\u00e3o como as outras que voc\u00ea possa ter encontrado.&#8221;<\/p>\n<p>Site. O PT foi o campe\u00e3o de gastos entre as 15 lideran\u00e7as da C\u00e2mara &#8211; requisitou R$ 133,2 mil em reembolsos por servi\u00e7os que variaram de diagrama\u00e7\u00e3o de boletins eletr\u00f4nicos \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de pareceres t\u00e9cnicos no per\u00edodo de recesso. A KDesign, empresa de web contratada pela bancada, recebeu R$ 49 mil entre abril de 2009 e fevereiro de 2010. Durante esse per\u00edodo, segundo vereadores e assessores do partido ouvidos pelo Estado, a empresa deveria ter feito a p\u00e1gina da lideran\u00e7a na internet. Mas o site esteve fora do ar em 2009 e s\u00f3 foi ativado em 9 de abril deste ano, depois que a assessoria da lideran\u00e7a tomou conhecimento desta reportagem.<\/p>\n<p>O l\u00edder do PT em 2009, vereador Jo\u00e3o Antonio, negou que a empresa tivesse sido contratada para fazer o site. &#8220;Quem falou isso falou errado. A empresa foi contratada para fazer a diagrama\u00e7\u00e3o dos boletins di\u00e1rios da lideran\u00e7a que s\u00e3o mandados por e-mail&#8221;, justificou o petista.<br \/>\n<strong>2 RAZ\u00d5ES PARA&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Fiscalizar gastos da C\u00e2mara<br \/>\n1. Vereadores usam dinheiro p\u00fablico e t\u00eam o dever de prestar contas sobre seus gastos aos cidad\u00e3os<\/p>\n<p>2. As informa\u00e7\u00f5es podem ser facilmente encontradas na se\u00e7\u00e3o &#8220;Presta\u00e7\u00e3o de Contas&#8221; do site da C\u00e2mara Municipal: www.camara.sp.gov.br<br \/>\n<strong>PARA LEMBRAR<\/strong><\/p>\n<p>A verba de gabinete foi restabelecida em agosto de 2007, no projeto em que foram resgatadas v\u00e1rias benesses extintas quatro anos antes, no esc\u00e2ndalo de supersal\u00e1rios de comissionados. Apelidada de &#8220;trem da alegria&#8221; e com o nome oficial de &#8220;reforma administrativa&#8221;, a proposta foi encabe\u00e7ada pelo atual presidente da Casa, Antonio Carlos Rodrigues (PR). S\u00f3 Arselino Tatto (PT) e Roberto Tr\u00edpoli (PV) votaram contra.<\/p>\n<p>Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli &#8211; O Estado de S.Paulo<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os 55 vereadores paulistanos gastaram R$ 7,5 milh\u00f5es com despesas de gabinete em 2009 &#8211; de R$ 8,9 milh\u00f5es dispon\u00edveis. Por se tratar de dinheiro p\u00fablico, os pagamentos t\u00eam de ser comprovados por nota fiscal. Mas a lei n\u00e3o estabelece crit\u00e9rios claros de contrata\u00e7\u00e3o e a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 ineficiente. Resultado: a verba tem sido usada em alguns casos para pagar empresas que at\u00e9 existem no papel, mas n\u00e3o t\u00eam sede, telefone, site ou registro de trabalhos fora da C\u00e2mara. 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