{"id":74152,"date":"2016-05-26T14:28:46","date_gmt":"2016-05-26T17:28:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=74152"},"modified":"2016-05-26T14:28:46","modified_gmt":"2016-05-26T17:28:46","slug":"temer-e-os-audios-por-que-a-lava-jato-preocupa-tambem-o-governo-interino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/05\/26\/temer-e-os-audios-por-que-a-lava-jato-preocupa-tambem-o-governo-interino\/","title":{"rendered":"Temer e os \u00e1udios: por que a Lava Jato preocupa tamb\u00e9m o governo interino"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2016\/05\/24\/1730\/pe6Cx\/alx_brasil-politica-temer-posse-ministro-da-cultura-20160524-03_original.jpeg?1464121836\" alt=\"O presidente da Rep\u00fablica em exerc\u00edcio, Michel Temer, d\u00e1 posse ao novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, em cerim\u00f4nia realizada no Pal\u00e1cio do Planalto,em Bras\u00edlia (DF) - 24\/05\/2016\" width=\"440\" height=\"330\" \/><\/figure>\n<figure><figcaption>O presidente da Rep\u00fablica em exerc\u00edcio, Michel Temer, d\u00e1 posse ao novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, em cerim\u00f4nia realizada no Pal\u00e1cio do Planalto,em Bras\u00edlia (DF) &#8211; 24\/05\/2016<span class=\"credito\">(Evaristo S\u00e1\/AFP)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Quarenta e um dias separaram as fases 28 e 29 da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, deflagradas respectivamente nos dias 12 de abril e 23 de maio. Foi tempo suficiente para que a C\u00e2mara dos Deputados aprovasse o prosseguimento do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e o Senado afastasse a petista do cargo. E para que a milit\u00e2ncia de esquerda se apressasse a espalhar pelas redes sociais a teoria de que a Lava Jato havia arrefecido porque o PT estava fora do poder. Nada mais falso. N\u00e3o apenas a opera\u00e7\u00e3o segue irrefre\u00e1vel como seus desdobramentos seguem a preocupar o governo &#8211; agora, o do presidente interino Michel Temer. Desde segunda-feira Temer j\u00e1 perdeu um ministro gravado enquanto sugeria um &#8216;pacto&#8217; para frear a Lava Jato e tem agora diante de si outras duas importantes figuras do PMDB pilhadas em di\u00e1logos constrangedores com um investigado pela opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ligado \u00e0 alta c\u00fapula do partido do presidente interino, o ex-presidente da Transpetro S\u00e9rgio Machado, alvo da Lava Jato, gravou conversas com tr\u00eas caciques do PMDB: o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o senador Romero Juc\u00e1 (RR) e o ex-presidente Jos\u00e9 Sarney (AP). Indicado por Renan ao cargo na subsidi\u00e1ria da Petrobras, Machado foi o dirigente que mais tempo se manteve no posto &#8211; de 2003 a 2014. Ele acaba de ter seu acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal. O \u00e1udio dos di\u00e1logos travados com Juc\u00e1, divulgado pelo jornal <em>Folha de S. Paulo<\/em> na segunda-feira, derrubou o peemedebista do minist\u00e9rio do Planejamento ap\u00f3s apenas doze dias no cargo. Mas mais do que o conte\u00fado j\u00e1 divulgado dos grampos, preocupa a legenda o que ainda est\u00e1 por vir &#8211; nos bastidores, avalia-se que novos di\u00e1logos devem complicar ainda mais a vida de Renan e at\u00e9 de peemedebistas que se livraram de integrar a primeira &#8216;lista de Janot&#8217;.<\/p>\n<p>De volta com carga total \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, o Partido dos Trabalhadores celebra o vazamento dos \u00e1udios &#8211; ainda que s\u00f3 reconhe\u00e7a potencial destruidor nas grava\u00e7\u00f5es de Juc\u00e1. A legenda pretende utilizar o conte\u00fado dos grampos para refor\u00e7ar o discurso de vitimiza\u00e7\u00e3o de Dilma. Diante de um minist\u00e9rio cuidadosamente montado de modo a garantir apoio no Congresso, at\u00e9 os oposicionistas reconhecem nos bastidores que os \u00e1udios devem provocar efeito apenas na opini\u00e3o p\u00fablica. Oficialmente, contudo, o discurso \u00e9 outro: &#8220;Esse \u00e9 mais um fato com que trabalhamos na perspectiva de reverter o afastamento na vota\u00e7\u00e3o final no Senado. Obviamente, tudo que esse governo interino tem feito at\u00e9 agora tem nos ajudado&#8221;, afirma o senador Humberto Costa (PT-PE). Nada indica por ora que Dilma tenha de fato chances de safar-se na vota\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito.<!--more--><\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o vejo o impeachment como resultado de uma conspira\u00e7\u00e3o externa feita por Juc\u00e1 e companhia. Esse processo \u00e9 resultado das pedaladas, que levantaram a d\u00favida sobre o crime de responsabilidade, dos equ\u00edvocos da Dilma na condu\u00e7\u00e3o da economia, do excesso de marketing inver\u00eddico durante a campanha e a Lava Jato, que mesmo que n\u00e3o tenha nada diretamente, \u00e9 sempre em torno dela&#8221;, diz o senador Cristovam Buarque (PPS-DF). &#8220;Agora, PT e PMDB ficam mais iguais, ou menos diferentes. Assim como Jos\u00e9 Dirceu, Del\u00fabio, Vaccari e todo esse pessoal do PT terminou preso por causa da Lava Jato, o Temer tamb\u00e9m come\u00e7a a ter gente com grava\u00e7\u00f5es que s\u00e3o destruidoras para a reputa\u00e7\u00e3o do seu governo&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos desafios econ\u00f4micos, Temer tem agora diante de si uma dif\u00edcil miss\u00e3o: manter-se perto o suficiente dessas figuras para garantir tranquilidade no Congresso, mas longe o bastante para n\u00e3o prejudicar a pr\u00f3pria imagem &#8211; desgastada pelos trope\u00e7os iniciais de seu governo. Foi assim com Juc\u00e1. O agora ex-ministro, um dos maiores articuladores do impeachment, se licenciou do Planejamento afirmando que o fazia por vontade pr\u00f3pria, embora no partido a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ele n\u00e3o volte. E j\u00e1 \u00e9 ventilado como prov\u00e1vel novo l\u00edder do governo no Senado. Na vota\u00e7\u00e3o que garantiu ao governo a mudan\u00e7a na meta fiscal, considerada a primeira vit\u00f3ria de Temer no Congresso, Juc\u00e1 n\u00e3o apenas votou como subiu \u00e0 tribuna para defender o Planalto e atacar o PT.<\/p>\n<p>Os discursos acalorados contra a atua\u00e7\u00e3o de Juc\u00e1 ajudaram o PT a empurrar por mais de 16 horas a sess\u00e3o que analisou a nova meta fiscal. Ainda que n\u00e3o tenha comprometido o resultado, a a\u00e7\u00e3o mostra que o partido tem potencial para causar dor de cabe\u00e7a. E deixou evidente a import\u00e2ncia, para Temer, de Renan na condu\u00e7\u00e3o das sess\u00f5es. Como um &#8216;trator&#8217;, o presidente do Senado encurtou debates e garantiu que a nova meta fosse votada. Na C\u00e2mara, Temer escolheu para l\u00edder do governo o enrolado Andr\u00e9 Moura (PSC-SE), importante aliado do not\u00f3rio Eduardo Cunha. Em discurso na segunda-feira, o presidente interino bateu na mesa e afirmou que sabe o que fazer no governo. Lembrou que nos seus tempos de secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica em S\u00e3o Paulo &#8220;j\u00e1 lidou com bandidos&#8221;. \u00c9 a articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em tempos de Lava Jato. <em>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o da Veja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente da Rep\u00fablica em exerc\u00edcio, Michel Temer, d\u00e1 posse ao novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, em cerim\u00f4nia realizada no Pal\u00e1cio do Planalto,em Bras\u00edlia (DF) &#8211; 24\/05\/2016(Evaristo S\u00e1\/AFP) Quarenta e um dias separaram as fases 28 e 29 da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, deflagradas respectivamente nos dias 12 de abril e 23 de maio. Foi tempo suficiente para que a C\u00e2mara dos Deputados aprovasse o prosseguimento do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e o Senado afastasse a petista do cargo. 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