{"id":7357,"date":"2010-04-23T10:52:01","date_gmt":"2010-04-23T13:52:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=7357"},"modified":"2010-04-23T10:52:01","modified_gmt":"2010-04-23T13:52:01","slug":"nossa-amazonia-castanhal-e-derrubado-para-dar-lugar-a-condominio-no-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/23\/nossa-amazonia-castanhal-e-derrubado-para-dar-lugar-a-condominio-no-amazonas\/","title":{"rendered":"Nossa Amaz\u00f4nia: Castanhal \u00e9 derrubado para dar lugar a condom\u00ednio no Amazonas"},"content":{"rendered":"<p>Um castanhal no munic\u00edpio de Parintins (AM) est\u00e1 sendo derrubado para dar lugar a um conjunto residencial, apesar de a castanha-do-Brasil (<em>Bertholletia excelsa<\/em>) constar da lista oficial de esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<br \/>\nSegundo moradores da regi\u00e3o, pelo menos 40 \u00e1rvores j\u00e1 foram derrubadas &#8211;\u00a0e o n\u00famero pode chegar a 144, j\u00e1 que a empresa respons\u00e1vel pelo empreendimento, NV Construtora,\u00a0conseguiu licen\u00e7a ambiental junto ao Instituto de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.globoamazonia.com\/Amazonia\/foto\/0,,40215052-FMM,00.jpg\" alt=\"Foto: Dennis Barbosa\/Globo Amaz\u00f4nia\" width=\"595\" height=\"298\" \/><\/p>\n<div>\n<h4>Castanheira ca\u00edda com novas constru\u00e7\u00f5es ao fundo. O terreno fica a poucos quil\u00f4metros da cidade de\u00a0Parintins e consta em alguns documentos do munic\u00edpio que estaria em uma \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental. A cria\u00e7\u00e3o desta reserva, no entanto, n\u00e3o foi formalizada de forma clara, o que gera outro fator de pol\u00eamica em rela\u00e7\u00e3o ao condom\u00ednio. (Foto: Dennis Barbosa\/Globo Amaz\u00f4nia)<\/h4>\n<\/div>\n<p>\u00a0Jo\u00e3o Nedel, diretor de Biodiversidade e Florestas do Ibama , diz que um decreto de 2006 veta a explora\u00e7\u00e3o para fins madeireiros da esp\u00e9cie. Uma constru\u00e7\u00e3o, em princ\u00edpio, n\u00e3o caracteriza &#8220;fim madeireiro&#8221;.<!--more--><\/p>\n<p>Ainda assim, em sua opini\u00e3o, por se tratar de um castanhal, a vegeta\u00e7\u00e3o \u201cteria todo respaldo para n\u00e3o ser cortada\u201d. Nedel ressalva, no entanto, que o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo licenciamento \u00e9 mesmo o Ipaam. \u201cA provid\u00eancia que n\u00f3s tomamos foi informar o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual\u201d, diz.<\/p>\n<p>Em troca da derrubada das \u00e1rvores amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, o empreendedor se compromete junto ao \u00f3rg\u00e3o estadual de meio ambiente a replantar 144 \u00e1rvores e a plantar mais 1.440 mudas da mesma esp\u00e9cie \u2013 que ningu\u00e9m garante que chegar\u00e3o \u00e0 idade adulta\u00a0\u2013 em torno do terreno.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.globoamazonia.com\/Amazonia\/foto\/0,,40215056-FMMP,00.jpg\" alt=\"Foto: Dennis Barbosa \/ Globo Amaz\u00f4nia\" width=\"270\" height=\"169\" \/> Foto: Dennis Barbosa \/ Globo Amaz\u00f4nia<\/div>\n<h4>Segundo o l\u00edder comunit\u00e1rio Douglas Pinto, as castanhas garantiam a compra de material escolar \u00e0s fam\u00edlias do Macurany. (Foto: Dennis Barbosa \/ Globo Amaz\u00f4nia)<\/h4>\n<\/div>\n<p>O corte das castanheiras prejudica moradores da regi\u00e3o que t\u00eam na coleta das castanhas uma fonte de renda. \u201cA gente comprava o material escolar da crian\u00e7ada com isso a\u00ed. Tir\u00e1vamos at\u00e9 80 mil latas de castanha por ano\u201d, exemplifica Douglas Pinto, presidente da Comunidade do Macurany, situada pr\u00f3xima ao local.<br \/>\nO l\u00edder comunit\u00e1rio\u00a0aceitou um emprego como vigia na pr\u00f3pria obra, j\u00e1 que\u00a0n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de recusar trabalho, mas diz ter deixado claro\u00a0que\u00a0isso n\u00e3o faria com que deixasse de questionar a derrubada das \u00e1rvores. \u201cN\u00e3o posso aceitar uma coisa que a comunidade n\u00e3o quer\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os comunit\u00e1rios do\u00a0Macurany\u00a0contam que as castanheiras foram derrubadas em um espa\u00e7o de cerca de uma semana, no final do ano passado. Os moradores dizem que n\u00e3o foram avisados e que subitamente se viram sem essa fonte de renda.<\/p>\n<p><strong>Deixe seu coment\u00e1rio ao final do texto<\/strong><\/p>\n<p>O terreno em que est\u00e3o as castanheiras foi comprado pela construtora junto com a licen\u00e7a para limpar a \u00e1rea,\u00a0solicitada por uma outra empresa. \u201cA gente n\u00e3o \u00e9 contra a obra. A gente \u00e9 contra a derrubada das castanheiras\u201d, explica Odirley Silva, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Sustentabilidade Ambiental Social e Econ\u00f4mica, grupo que une moradores de tr\u00eas comunidades de Parintins, inclusive a do Macurany. \u201cA gente teme que\u00a0seja liberada a derrubada de uma certa quantidade e depois todo mundo v\u00e1 querer. Que moral o Ipaam vai ter?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Em sua defesa, o Ipaam afirma, em nota, que imp\u00f4s \u00e0 obra \u201c22 restri\u00e7\u00f5es e condicionantes para serem rigorosamente observadas\u201d.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.globoamazonia.com\/Amazonia\/foto\/0,,40215054-FMM,00.jpg\" alt=\"Foto: Dennis Barbosa \/ Globo Amaz\u00f4nia\" width=\"595\" height=\"298\" \/><\/div>\n<h4>As casas do condom\u00ednio t\u00eam 2 ou 3 quartos, e custam entre R$ 52,5 mil e R$ 74 mil.\u00a0(Foto: Dennis Barbosa \/ Globo Amaz\u00f4nia)<\/h4>\n<\/div>\n<p>\u201cA licen\u00e7a tamb\u00e9m deixa expl\u00edcita a proibi\u00e7\u00e3o de comercializar e transportar o material\u201d, prossegue o Ipaam. Segundo a nota,\u00a0\u201cos t\u00e9cnicos constataram que a empresa negociou a madeira resultante da supress\u00e3o vegetal com propriet\u00e1rios de panificadoras e outros setores produtivos que se utilizam de lenha para suas atividades, descumprindo a condicionante da licen\u00e7a\u201d. Por isso, a empresa deve ser multada, segundo\u00a0o Ipaam.<\/p>\n<p>O gerente de vendas do empreendimento, Ernany Sales, afirma que n\u00e3o houve venda do material. Uma parte, segundo ele, teria sido usada na pr\u00f3pria obra, e o restante est\u00e1 \u00e0 espera de que o Ipaam determine um receptor para doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As primeiras informa\u00e7\u00f5es sobre a derrubada das castanheiras foram enviadas ao <strong>Globo Amaz\u00f4nia<\/strong> pelo leitor Ed\u00edlson Albarado, estudante de pedagogia da Universidade Federal do Amazonas. Junto com colegas que participaram de um curso de educa\u00e7\u00e3o ambiental e mant\u00eam um grupo de discuss\u00e3o sobre o tema,\u00a0ele levou o problema \u00e0 Justi\u00e7a, que tamb\u00e9m est\u00e1 analisando o caso.<\/p>\n<p><strong>Tem informa\u00e7\u00f5es sobre crimes ambientais ou irregularidades cometidas na Amaz\u00f4nia? Mande den\u00fancia para <\/strong><a href=\"mailto:globoamazonia@globo.com \"><strong>globoamazonia@globo.com<\/strong> <\/a><\/p>\n<p>Globo Amaz\u00f4nia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um castanhal no munic\u00edpio de Parintins (AM) est\u00e1 sendo derrubado para dar lugar a um conjunto residencial, apesar de a castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa) constar da lista oficial de esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. 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