{"id":72930,"date":"2016-04-03T18:33:47","date_gmt":"2016-04-03T21:33:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=72930"},"modified":"2016-04-03T18:33:47","modified_gmt":"2016-04-03T21:33:47","slug":"panama-papers-revelam-107-novas-offshores-ligadas-a-citados-na-lava-jato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/04\/03\/panama-papers-revelam-107-novas-offshores-ligadas-a-citados-na-lava-jato\/","title":{"rendered":"Panama Papers revelam 107 novas offshores ligadas a citados na Lava Jato"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>57 pessoas relacionadas \u00e0 opera\u00e7\u00e3o s\u00e3o mencionadas<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Acervo in\u00e9dito acrescenta detalhes ao esc\u00e2ndalo da Petrobras<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Mossack Fonseca, do Panam\u00e1, ajudava parte do esquema<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>UOL publica maior investiga\u00e7\u00e3o jamais feita sobre offshores<\/em><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_19919\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 653px;\"><a href=\"http:\/\/imguol.com\/blogs\/52\/files\/2016\/04\/renata-pereira-mossfon.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19919 \" src=\"http:\/\/imguol.com\/blogs\/52\/files\/2016\/04\/renata-pereira-mossfon.png\" alt=\"renata-pereira-mossfon\" width=\"643\" height=\"482\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Renata Pereira, ent\u00e3o funcion\u00e1ria da Mossack, \u00e9 conduzida por agentes da PF na Triplo X<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No fim de janeiro de 2016, a Pol\u00edcia Federal deflagrou a 22\u00aa fase da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, cujo alvo foi o escrit\u00f3rio de advocacia e consultoria panamenho <strong>Mossack Fonseca<\/strong>. Os investigadores suspeitavam que a empresa teria ajudado a esconder a identidade dos verdadeiros donos de um apartamento tr\u00edplex no balne\u00e1rio do Guaruj\u00e1 (SP).<\/p>\n<p>Agora, a investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica internacional <strong><a href=\"http:\/\/panamapapers.icij.org\/\" target=\"_blank\">Panama Papers<\/a>\u00a0<\/strong>revela que a rela\u00e7\u00e3o da Mossack Fonseca com a Lava Jato transcende, e muito, o apartamento no litoral paulista.<\/p>\n<p>A mais ampla reportagem global sobre empresas em para\u00edsos fiscais, conduzida por 376 jornalistas de 109 ve\u00edculos jornal\u00edsticos em 76\u00a0pa\u00edses, indica que a Mossack Fonseca criou offshores para pelo menos 57 indiv\u00edduos j\u00e1 publicamente relacionados ao esquema de corrup\u00e7\u00e3o originado na Petrobras.<\/p>\n<p>Os nomes dessas pessoas s\u00e3o citados em uma fra\u00e7\u00e3o do acervo de mais de 11,5 milh\u00f5es de documentos relacionados \u00e0 Mossack. A for\u00e7a-tarefa da Lava Jato s\u00f3 teve acesso, at\u00e9 agora, aos papeis do escrit\u00f3rio brasileiro da firma panamenha. Esta reportagem do <strong>UOL<\/strong> fez a an\u00e1lise do material global, em dezenas de pa\u00edses.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie <strong><a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/02\/leia-tudo-sobre-os-panama-papers-no-brasil\/\" target=\"_blank\">Panama Papers<\/a><\/strong>, que come\u00e7a a ser publicada neste domingo (3.abr.2016) \u00e9 uma iniciativa do ICIJ (<a href=\"http:\/\/www.icij.org\/\" target=\"_blank\">Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalismo Investigativo<\/a>), organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos e com sede em Washington, nos EUA. O material est\u00e1 sendo investigado h\u00e1 cerca de 1 ano. Participam desse trabalho com exclusividade no Brasil o <strong>UOL<\/strong>, o jornal \u201cO Estado de S.Paulo\u201d e a RedeTV!.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o originais, da base de dados da Mossack Fonseca. Os dados foram obtidos pelo jornal alem\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.sueddeutsche.de\/\" target=\"_blank\">S\u00fcddeutsche Zeitung<\/a> e compartilhados com o <a href=\"https:\/\/www.icij.org\/\" target=\"_blank\">ICIJ<\/a>. Saiba <a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/02\/saiba-como-foi-feita-a-serie-panama-papers\/\" target=\"_blank\">como foi feita<\/a> a s\u00e9rie <strong>Panama Papers<\/strong>.<\/p>\n<p>Os documentos mostram a exist\u00eancia de, pelo menos, 107 empresas <em>offshore<\/em>ligadas a personagens da Lava Jato \u2013firmas at\u00e9 agora n\u00e3o mencionadas pelos investigadores brasileiros que cuidam da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>A Mossack operou para pelo menos 6 grandes empresas e fam\u00edlias citadas na Lava Jato, abrindo 16 empresas offshores. Nove delas s\u00e3o novas para a for\u00e7a-tarefa das autoridades brasileiras. As offshores s\u00e3o ligadas \u00e0 empreiteira Odebrecht e \u00e0s fam\u00edlias Mendes J\u00fanior, Schahin, Queiroz Galv\u00e3o, Feffer (controladora do grupo Suzano) e a Walter Faria, do Grupo Petr\u00f3polis.<\/p>\n<p>Entre os pol\u00edticos brasileiros citados direta ou indiretamente est\u00e3o o presidente da C\u00e2mara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o usineiro e ex-deputado federal Jo\u00e3o Lyra (PTB-AL). Todos ter\u00e3o suas hist\u00f3rias detalhadas ao longo dos pr\u00f3ximos dias nas reportagens da s\u00e9rie Panama Papers.<\/p>\n<p>O <strong>Blog <\/strong>procurou todos os mencionados na reportagem. Parte preferiu n\u00e3o se manifestar. Outros negaram irregularidades. Leia <a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/01\/empresas-e-empresarios-citados-negam-irregularidades-ou-nao-comentam\" target=\"_blank\">aqui<\/a> as respostas de cada um deles.<\/p>\n<p>Ter uma empresa offshore n\u00e3o \u00e9 ilegal, desde que a empresa seja devidamente declarada no Imposto de Renda. <a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/03\/o-que-e-e-quando-e-legal-possuir-uma-empresa-offshore\/\" target=\"_blank\">Leia aqui<\/a> sobre as condi\u00e7\u00f5es para um brasileiro abrir uma empresa num para\u00edso fiscal.<\/p>\n<p>A seguir, algumas das revela\u00e7\u00f5es dos Panama Papers a respeito de personagens da Lava Jato:<!--more--><\/p>\n<p><strong>NESTOR CERVER\u00d3 E EDISON LOB\u00c3O<br \/>\n<\/strong>Alguns papeis da Mossack Fonseca corroboram informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 dadas por delatores da Lava Jato, com desdobramentos sobre o mundo pol\u00edtico. Ajudam a compreender de maneira mais ampla os tent\u00e1culos da rede de propina e dinheiro ilegal que circulou por empresas em para\u00edsos fiscais e contas secretas no exterior.<\/p>\n<p>Em dela\u00e7\u00e3o premiada, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerver\u00f3 disse ter recebido ordens do senador Edison Lob\u00e3o (PMDB-MA) para n\u00e3o \u201catrapalhar\u201d um investimento do Petros, fundo de pens\u00e3o da estatal petroleira, no banco BVA.<\/p>\n<p>O BVA pertence a Jos\u00e9 Augusto Ferreira dos Santos, um \u201camigo\u201d de Lob\u00e3o, segundo Cerver\u00f3. Agora, os <strong>Panama Papers<\/strong> mostram que Ferreira \u00e9 <a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/01\/operador-do-pmdb-teve-offshore-com-amigo-de-edison-lobao\/\" target=\"_blank\">s\u00f3cio de Jo\u00e3o Henriques<\/a>, uma pessoa tida como operador do PMDB, em uma offshore e em uma conta na Su\u00ed\u00e7a. Essa \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o era de conhecimento da for\u00e7a-tarefa que atua a partir de Curitiba (PR).<\/p>\n<div id=\"attachment_20086\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/imguol.com\/blogs\/52\/files\/2016\/04\/stingdale-bsi-edit1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20086 size-full\" title=\"Documento do acervo da Mossack Fonseca, obtido pelo jornal S\u00fcddeutsche Zeitung\" src=\"http:\/\/imguol.com\/blogs\/52\/files\/2016\/04\/stingdale-bsi-edit1.png\" alt=\"stingdale-bsi-edit\" width=\"632\" height=\"483\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Documento de abertura de conta da Stingdale, de Jo\u00e3o Henriques<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>EDUARDO CUNHA<br \/>\n<\/strong>Os documentos <a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/03\/mesmo-banqueiro-operava-a-offshore-atribuida-a-cunha-e-a-de-lobista-do-pmdb\/\">revelam personagens<\/a> como o banqueiro su\u00ed\u00e7o David Muino, gestor de contas que pertenceriam ao presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Eduardo Cunha, e a Jo\u00e3o Henriques. Cunha nega ter contas no exterior.<\/p>\n<p>Uma das contas atribu\u00eddas a Cunha foi aberta por meio da offshore <em>Penbur Holdings<\/em>, que era administrada pela Mossack Fonseca. Os registros da empresa correspondem exatamente \u00e0 descri\u00e7\u00e3o feita na dela\u00e7\u00e3o premiada do empres\u00e1rio Ricardo Pernambuco. Segundo ele, Cunha teria usado a conta em nome da <em>Penbur<\/em>para receber propina no exterior.<\/p>\n<p><strong>IDAL\u00c9CIO DE OLIVEIRA<br \/>\n<\/strong>Al\u00e9m de Cunha e Henriques, a empresa panamenha era respons\u00e1vel pelas<a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/02\/idalecio-de-oliveira-controlava-pelo-menos-14-empresas-offshores\" target=\"_blank\">empresas offshores de Idal\u00e9cio de Oliveira<\/a>, o empres\u00e1rio portugu\u00eas que em 2011 vendeu \u00e1reas no Benin que resultaram em preju\u00edzo para a Petrobras. As offshores de Idal\u00e9cio foram abertas meses antes de ele fechar o acordo com a estatal.<\/p>\n<p><strong>QUEIROZ GALV\u00c3O<br \/>\n<\/strong>Os <strong>Panama Papers<\/strong> mostram que pessoas mencionadas na Lava Jato agiram com grande ousadia at\u00e9 recentemente. Pelo menos um dos clientes da Mossack Fonseca ligado \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o sobre propinas na Petrobras continuou recorrendo \u00e0 empresa panamenha mesmo depois de a opera\u00e7\u00e3o ter sido deflagrada no Brasil.<\/p>\n<p>Carlos de Queiroz Galv\u00e3o <a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/02\/dono-da-queiroz-galvao-abriu-novas-offshores-apos-deflagracao-da-lava-jato\" target=\"_blank\">usou uma offshore<\/a> da Mossack com o objetivo de abrir uma conta no exterior em junho de 2014, meses ap\u00f3s a pris\u00e3o do doleiro Alberto Yousseff, que foi o marco zero da Lava Jato. Na \u00e9poca, j\u00e1 haviam men\u00e7\u00f5es \u00e0 empreiteira da fam\u00edlia no \u00e2mbito da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_20088\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/imguol.com\/blogs\/52\/files\/2016\/04\/carlos-de-queirz-edit.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20088 size-full\" title=\"Documento do acervo da Mossack Fonseca, obtido pelo jornal S\u00fcddeutsche Zeitung\" src=\"http:\/\/imguol.com\/blogs\/52\/files\/2016\/04\/carlos-de-queirz-edit.png\" alt=\"carlos-de-queirz-edit\" width=\"632\" height=\"376\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Assinatura de Carlos de Queiroz Galv\u00e3o na abertura de uma offshore<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>OPERADOR DE BRAS\u00cdLIA<br \/>\n<\/strong>Os documentos da s\u00e9rie <strong>Panama Papers <\/strong><a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/01\/lobista-investigado-na-lava-jato-teve-offshore-nao-declarada\" target=\"_blank\">mostram o empres\u00e1rio<\/a> Milton de Oliveira Lyra Filho como benefici\u00e1rio da offshore Venilson Corp, aberta em 2013 no Panam\u00e1.<\/p>\n<p>A empresa n\u00e3o foi declarada \u00e0 Receita Federal do Brasil. Milton Lyra usou a offshore para abrir uma conta numa ag\u00eancia do UBS da Alemanha. O banco finalizou sua rela\u00e7\u00e3o com o brasileiro alguns meses depois. Por qu\u00ea? A conta de Milton estava para servir de passagem para algumas dezenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares sem explicar adequadamente a origem do dinheiro.<\/p>\n<p>Conhecido por suas boas rela\u00e7\u00f5es com pol\u00edticos de Bras\u00edlia, Milton Lyra confirma n\u00e3o ter declarado a offshore ao Fisco. Mas diz desconhecer a suposta opera\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria que teria provocado o fechamento de sua conta no UBS alem\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>3% NO EXTERIOR<br \/>\n<\/strong>Os pap\u00e9is da Mossack Fonseca ajudam a entender a forma como empresas e agentes brasileiros reproduzem, l\u00e1 fora, o comportamento adotado dentro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um dos documentos obtidos na s\u00e9rie <strong>Panama Papers<\/strong> \u00e9 a minuta de um <a href=\"http:\/\/imguol.com\/blogs\/52\/files\/2016\/03\/minuta_qg-FR-pdf.pdf\" target=\"_blank\">contrato<\/a>entre a Queiroz Galv\u00e3o, uma das empreiteiras investigadas na Lava Jato, e uma empresa offshore de um cidad\u00e3o venezuelano.<\/p>\n<p>Na pe\u00e7a, a Queiroz <a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/01\/minuta-de-contrato-indica-comissao-de-3-da-queiroz-galvao-na-venezuela\" target=\"_blank\">compromete-se a repassar<\/a> ao dono da offshore 3% de tudo que receber do governo daquele pa\u00eds por uma obra de irriga\u00e7\u00e3o a t\u00edtulo de \u201cconsultoria\u201d. N\u00e3o est\u00e1 claro se o contrato acabou mesmo assinado, mas seus termos s\u00e3o did\u00e1ticos a respeito de como se davam as negocia\u00e7\u00f5es. Eis um extrato da minuta (clique na imagem para ampliar):<\/p>\n<div id=\"attachment_20048\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/imguol.com\/blogs\/52\/files\/2016\/04\/Queiroz-Venezuela-3porcento.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20048 size-large\" title=\"Documento do acervo da Mossack Fonseca, obtido pelo jornal S\u00fcddeutsche Zeitung\" src=\"http:\/\/imguol.com\/blogs\/52\/files\/2016\/04\/Queiroz-Venezuela-3porcento-737x1024.jpg\" alt=\"Queiroz-Venezuela-3porcento\" width=\"737\" height=\"1024\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Minuta de contrato da Queiroz Galv\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>ODEBRECHT: NOVAS CONTAS SECRETAS <\/strong><br \/>\nSegundo os investigadores da Lava Jato, o ex-executivo da Odebrecht Luiz Eduardo da Rocha Soares era respons\u00e1vel pelo controle de empresas offshores usadas pela multinacional de origem baiana. Ele teria utilizado os servi\u00e7os da Mossack para abrir as offshores <em>Davos Holdings Group SA<\/em>, que operou de 2006 a 2012, e <em>Crystal Research Services Pesquisa<\/em>.<\/p>\n<p>A mesma negocia\u00e7\u00e3o da Davos tamb\u00e9m resultou na cria\u00e7\u00e3o de outra offshore, a<em>Salmet Trade Corp<\/em>, controlada por Ol\u00edvio Rodrigues J\u00fanior. Ele \u00e9 dono da Graco Assessoria e Consultoria Financeira e tamb\u00e9m foi alvo da fase Acaraj\u00e9 da Lava Jato. As 3 empresas s\u00e3o desconhecidas dos investigadores da for\u00e7a-tarefa brasileira.<\/p>\n<p>Para o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Olivio e Luiz Eduardo atuavam em conjunto na opera\u00e7\u00e3o das contas secretas da Odebrecht. Os documentos da Mossack mostram que as empresas foram usadas para abrir contas na Su\u00ed\u00e7a, no banco PKB. Registros da Lava Jato indicam que Luiz Eduardo foi pelo menos 23 vezes ao Panam\u00e1 e outras 10 vezes ao Uruguai. Ele est\u00e1 foragido da justi\u00e7a brasileira.<\/p>\n<p><strong>SCHAHIN, MENDES J\u00daNIOR E SUZANO<br \/>\n<\/strong><strong>Carlos Eduardo Schahin <\/strong>foi diretor do antigo Banco Schahin, vendido em 2011 ao BMG. Ele \u00e9 sobrinho de Milton Schahin, presidente do grupo empresarial que leva o nome da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em 2014, Carlos foi condenado em 1\u00aa inst\u00e2ncia a 4 anos de pris\u00e3o por ter mantido uma offshore n\u00e3o declarada, chamada <em>Hodge Hall Investments<\/em>. Os documentos da Mossack mostram que Cadu, como \u00e9 conhecido, teve ainda outra offshore, a<em>Lardner Investments Ltd<\/em>, adquirida em set.1996.<\/p>\n<p>A compra foi intermediada por um escrit\u00f3rio de advocacia do Uruguai, o CHT Auditores y Consultores. A Lardner tamb\u00e9m tinha como s\u00f3cios outros ex-executivos do Banco Schahin: Eug\u00eanio Bergamo, Robert Van Dijk e Teruo Hyai.<\/p>\n<p>No caso da <strong>Mendes J\u00fanior<\/strong>, a Mossack Fonseca abriu a <em>Lanite Development<\/em> em jan.1997, nas Bahamas. A empresa passou 1 ano nas gavetas da Mossack at\u00e9 ser adquirida por J\u00e9sus Murilo Vale Mendes, \u00c2ngelo Marcus de Lima Cota e Jefferson Eust\u00e1quio. Eles s\u00e3o, respectivamente, diretor-presidente, diretor financeiro e superintendente da empreiteira Mendes J\u00fanior.<\/p>\n<p>A<strong> fam\u00edlia Feffer<\/strong> \u00e9 controladora do grupo Suzano. Manteve pelo menos 4 empresas abertas pela Mossack Fonseca. Duas s\u00e3o citadas em balan\u00e7os do grupo. Outras duas eram desconhecidas do p\u00fablico porque, segundo o grupo Suzano, estavam apenas declaradas ao Brasil. Ambas foram abertas na Bahamas: a <em>Infonet Incorporated<\/em> (jan.2000) e a Calcorp Inc (ago.2000).<\/p>\n<p>A <em>Infonet<\/em> era controlada por Max Feffer, ent\u00e3o presidente do grupo, e seus filhos Daniel, David, Jorge e Ruben. Max era o s\u00f3cio majorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>J\u00e1 a <em>Calcorp Inc <\/em>pertence somente a David Feffer. Em 2009, o capital autorizado da empresa multiplicou-se. Saiu de US$ 50 mil para US$ 11 milh\u00f5es. A companhia segue ativa, segundo registros da Mossack.<\/p>\n<p>Integrantes da fam\u00edlia Feffer n\u00e3o enfrentam acusa\u00e7\u00f5es formais na Lava Jato, mas a for\u00e7a-tarefa investiga a compra da Suzano Petroqu\u00edmica pela Petrobras em 2007. O bra\u00e7o petroqu\u00edmico do grupo foi vendido \u00e0 estatal por um valor 3 vezes maior que o avaliado na Bovespa. A suspeita foi lan\u00e7ada em depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal preso pela Lava Jato. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do portal UOL<\/p>\n<p>Participaram da s\u00e9rie <strong><em><a href=\"http:\/\/fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br\/2016\/04\/02\/leia-tudo-sobre-os-panama-papers-no-brasil\/\" target=\"_blank\">Panama Papers<\/a>\u00a0<\/em><\/strong>os rep\u00f3rteres <strong>Fernando Rodrigues<\/strong>, <strong>Andr\u00e9 Shalders<\/strong>, <strong>Mateus Netzel<\/strong> e <strong>Douglas Pereira<\/strong> (do <strong>UOL<\/strong>), <strong>Diego Vega<\/strong> e <strong>Mauro Tagliaferri<\/strong> (da <strong>RedeTV!<\/strong>) e <strong>Jos\u00e9 Roberto de Toledo<\/strong>, <strong>Daniel Bramatti<\/strong>, <strong>Rodrigo Burgarelli<\/strong>, <strong>Guilherme Jardim Duarte<\/strong> e <strong>Isabela Bonfim<\/strong> (de <strong>O Estado de S. Paulo<\/strong>).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>57 pessoas relacionadas \u00e0 opera\u00e7\u00e3o s\u00e3o mencionadas Acervo in\u00e9dito acrescenta detalhes ao esc\u00e2ndalo da Petrobras Mossack Fonseca, do Panam\u00e1, ajudava parte do esquema\u00a0 UOL publica maior investiga\u00e7\u00e3o jamais feita sobre offshores Renata Pereira, ent\u00e3o funcion\u00e1ria da Mossack, \u00e9 conduzida por agentes da PF na Triplo X &nbsp; No fim de janeiro de 2016, a Pol\u00edcia Federal deflagrou a 22\u00aa fase da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, cujo alvo foi o escrit\u00f3rio de advocacia e consultoria panamenho Mossack Fonseca. 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