{"id":72928,"date":"2016-04-03T18:30:07","date_gmt":"2016-04-03T21:30:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=72928"},"modified":"2016-04-03T18:30:07","modified_gmt":"2016-04-03T21:30:07","slug":"como-fui-traficada-e-virei-escrava-sexual-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/04\/03\/como-fui-traficada-e-virei-escrava-sexual-nos-eua\/","title":{"rendered":"&#8216;Como fui traficada e virei escrava sexual nos EUA&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Da BBC\/G1<\/em><\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Shandra Woworuntu conta como foi for\u00e7ada a se prostituir ap\u00f3s ter aceitado falsa proposta de trabalho (Foto: BBC\/Lynn Savarese)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/KX-tRjyO8MFsg0Ze5pNzKlLyI3s=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/04\/03\/shandra_2.jpg\" alt=\"Shandra Woworuntu conta como foi for\u00e7ada a se prostituir ap\u00f3s ter aceitado falsa proposta de trabalho (Foto: BBC\/Lynn Savarese)\" width=\"620\" height=\"372\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><strong>Shandra Woworuntu conta como foi for\u00e7ada a se prostituir ap\u00f3s ter aceitado falsa proposta de trabalho (Foto: BBC\/Lynn Savarese)<\/strong><\/div>\n<p>Ap\u00f3s perder o emprego, a indon\u00e9sia Shandra Woworuntu decidiu emigrar aos Estados Unidos para recome\u00e7ar a vida trabalhando na ind\u00fastria hoteleira.<\/p>\n<p>No entanto, ao chegar ao pa\u00eds, descobriu que havia sido v\u00edtima de tr\u00e1fico humano. Shandra mergulhou em um mundo de prostitui\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o sexual, foi obrigada a consumir drogas e foi v\u00edtima de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A seguir, ela conta ainda como s\u00f3 conseguiu se livrar dos sequestradores meses depois, em uma reviravolta impressionante.<\/p>\n<p>&#8220;Cheguei aos Estados Unidos na primeira semana de junho de 2001. Para mim, era um pa\u00eds de promessas e oportunidades. Assim que passei pela imigra\u00e7\u00e3o, fiquei animada de estar em um novo pa\u00eds, que me lembrava os filmes e s\u00e9ries de TV a que assistia.<\/p>\n<p>No port\u00e3o de desembarque, ouvi meu nome. Quando me virei, vi um homem segurando uma placa com minha foto. A imagem havia sido tirada pela ag\u00eancia de recrutamento na Indon\u00e9sia e, nela, eu estava vestida com uma camiseta reveladora.<\/p>\n<p>N\u00e3o me preocupei. O homem que estava segurando a placa sorriu para mim calorosamente. Seu nome era Johnny, e ele me conduziria ao hotel onde eu trabalharia.<\/p>\n<p>O fato de o suposto hotel ser em Chicago e eu ter chegado em Nova York, a quase 1,3 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, mostra o qu\u00e3o ing\u00eanua fui. Aos 24 anos, n\u00e3o tinha ideia do que estava para acontecer.<!--more--><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Shandra trabalhava em um banco internacional, mas foi demitida ap\u00f3s a crise asi\u00e1tica (Foto: Shandra Woworuntu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/f724n_CWvfoXzvTLH3qtc0NTdbY=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/04\/03\/shandra_3.jpg\" alt=\"Shandra trabalhava em um banco internacional, mas foi demitida ap\u00f3s a crise asi\u00e1tica (Foto: Shandra Woworuntu)\" width=\"620\" height=\"347\" \/><strong>Shandra trabalhava em um banco internacional, mas foi demitida ap\u00f3s a crise asi\u00e1tica (Foto: Shandra Woworuntu)<\/strong><\/div>\n<p>Depois de concluir um curso de gradua\u00e7\u00e3o em finan\u00e7as, trabalhei em um banco internacional na Indon\u00e9sia como analista. Mas, em 1998, a Indon\u00e9sia foi atingida pela crise financeira asi\u00e1tica, e, no ano seguinte, uma turbul\u00eancia pol\u00edtica tomou conta do pa\u00eds. Acabei perdendo meu emprego.<\/p>\n<p>Para sustentar minha filha de tr\u00eas anos de idade, comecei a procurar trabalho no exterior. Foi quando vi um an\u00fancio em um jornal para trabalhar em grandes hot\u00e9is nos Estados Unidos, Jap\u00e3o, Hong Kong e Singapura. Decidi me candidatar a uma vaga nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A exig\u00eancia era de que falasse um pouco de ingl\u00eas e pagasse uma taxa de 30 milh\u00f5es de r\u00fapias indon\u00e9sias (em 2001, US$ 2,7 mil). O processo seletivo foi demorado, com v\u00e1rias entrevistas. Entre outras coisas, eles me pediram para andar para cima e para baixo e sorrir, porque &#8216;o atendimento ao cliente era a chave para esse emprego&#8217;.<\/p>\n<p>Passei por todas as etapas e consegui o trabalho. O plano era que minha m\u00e3e e minha irm\u00e3 cuidassem da minha filha enquanto eu trabalhasse nos Estados Unidos, por seis meses, ganhando em torno de US$ 5 mil por m\u00eas. Ent\u00e3o, voltaria para casa para cuidar da minha filha.<\/p>\n<p>Cheguei ao aeroporto internacional de Nova York com quatro outras mulheres e um homem. Fomos divididos em dois grupos. Johnny pegou todos os meus documentos, incluindo meu passaporte, e me levou para seu carro com duas outras mulheres.<\/p>\n<p><strong>Sequestro<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ela foi levada a um bordel no Brooklyn no primeiro dia que chegou aos EUA (Foto: Shandra Woworuntu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/TDJfKY21Ig_d3Ynp3KEXeRPEWoY=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/04\/03\/shandra_4.jpg\" alt=\"Ela foi levada a um bordel no Brooklyn no primeiro dia que chegou aos EUA (Foto: Shandra Woworuntu)\" width=\"620\" height=\"407\" \/><strong>Ela foi levada a um bordel no Brooklyn no primeiro dia que chegou aos EUA (Foto: Shandra Woworuntu)<\/strong><\/div>\n<p>Foi ent\u00e3o que tudo come\u00e7ou a ficar estranho. Um motorista nos levou para o bairro do Queens e parou em um estacionamento. Johnny disse para n\u00f3s tr\u00eas sairmos do carro e entrarmos em outro, com um motorista diferente.<\/p>\n<p>Fizemos exatamente o que ele mandou, e vi pela janela o novo motorista dando dinheiro a Johnny. Pensei: &#8216;Alguma coisa n\u00e3o est\u00e1 cheirando bem&#8217;. Mas n\u00e3o me preocupei, pois achei que talvez fosse algum tipo de burocracia do hotel.<\/p>\n<p>O novo motorista n\u00e3o nos levou muito longe. Estacionou do lado de fora de um caf\u00e9 e, de novo, nos mandou sair do carro e entrar em outro. Novamente, houve uma troca de dinheiro. Ent\u00e3o, o terceiro motorista nos levou para uma casa, e voltamos a trocar de carro.<\/p>\n<p>O quarto motorista tinha uma arma e nos obrigou a entrar em seu carro. Fomos para uma casa no Brooklyn. Ele fechou a porta e gritou: &#8216;Mama-san! Menina nova!&#8217;.<\/p>\n<p>Naquele momento, eu estava muito assustada, porque sabia que &#8216;mama-san&#8217; significava cafetina. Mas, por causa da arma, n\u00e3o havia como fugir.<\/p>\n<p>A porta estava aberta, e vi uma menina, talvez com 12 ou 13 anos, deitada no ch\u00e3o gritando enquanto um grupo de homens se revezava para chut\u00e1-la. O nariz dela estava sangrando enquanto ela gritava de dor. Um dos homens sorriu ironicamente e come\u00e7ou a brincar com um taco de beisebol na minha frente, como se quisesse me amea\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>Prostitui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Shandra conheceu mais mulheres traficadas; elas foram for\u00e7adas a posar para esta foto (Foto: Shandra Woworuntu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/LRYq35_1ZEjSo_LvljAlscUuyw4=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/04\/03\/shandra_5.jpg\" alt=\"Shandra conheceu mais mulheres traficadas; elas foram for\u00e7adas a posar para esta foto (Foto: Shandra Woworuntu)\" width=\"620\" height=\"390\" \/><strong>Shandra conheceu mais mulheres traficadas; elas foram for\u00e7adas a posar para esta foto (Foto: Shandra Woworuntu)<\/strong><\/div>\n<p>Horas depois de chegar aos EUA, fui for\u00e7ada a fazer sexo. Fiquei aterrorizada. No dia seguinte, Johnny apareceu e se desculpou por tudo o que tinha acontecido conosco. Disse que tudo n\u00e3o passou de um erro terr\u00edvel.<\/p>\n<p>Naquele dia, tiramos fotos para nossas c\u00e9dulas de identidade. Tamb\u00e9m ser\u00edamos levadas para comprar uniformes. Em seguida, partir\u00edamos rumo ao hotel em Chicago onde come\u00e7ar\u00edamos a trabalhar.<\/p>\n<p>&#8216;Todo mundo vai ficar bem&#8217;, disse ele. &#8216;N\u00e3o vai acontecer de novo&#8217;. Acreditei. Depois de tudo o que tinha me acontecido, ele me pareceu um anjo. Pensei: &#8216;O pesadelo acabou. Agora vou a Chicago come\u00e7ar meu trabalho&#8217;.<\/p>\n<p>Um homem veio e nos levou para tirar as fotos. Dali, fomos comprar uniformes. Mas era uma loja de lingerie, cheia de calcinhas min\u00fasculas. Nunca tinha visto algo parecido. N\u00e3o havia nenhum uniforme.<\/p>\n<p>\u00c9 engra\u00e7ado lembrar-me desse epis\u00f3dio. Sabia que mentiam para mim e que a minha situa\u00e7\u00e3o era periclitante. Lembro-me de que dei uma volta pela loja, tentando ver se poderia escapar, desaparecer. Mas eu estava com medo e n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m nos EUA, ent\u00e3o, permaneci relutante em abandonar as outras duas indon\u00e9sias que estavam comigo.<\/p>\n<p>Me virei e vi que elas estavam gostando do passeio. Ent\u00e3o olhei para o meu cafet\u00e3o e vi que ele estava armado, me observando. Ele fez um gesto para que eu n\u00e3o tentasse nada. Mais tarde, nosso grupo foi dividido. Fui levada embora por um carro, n\u00e3o para Chicago, mas para um lugar onde traficantes me obrigaram a fazer sexo.<\/p>\n<p>Os traficantes eram indon\u00e9sios, taiwaneses, chineses malaios e americanos. S\u00f3 dois deles falavam ingl\u00eas \u2013 na maior parte do tempo, usavam linguagem corporal, empurr\u00f5es e palavras cru\u00e9is. Uma coisa que me deixou aterrorizada naquela noite e n\u00e3o saiu da minha cabe\u00e7a por semanas a fio: um dos homens tinha um distintivo policial. At\u00e9 hoje, n\u00e3o sei se ele era realmente da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Os traficantes me disseram que eu devia a eles US$ 30 mil e que pagaria US$ 100 toda vez que fizesse um programa. Nas semanas e meses seguintes, fui levada a diferentes bord\u00e9is, pr\u00e9dios, hot\u00e9is e cassinos na costa leste dos EUA. Raramente ficava dois dias no mesmo lugar e nunca sabia onde estava ou aonde \u00eda.<\/p>\n<p>Esses bordeis aparentavam ser casas normais do lado de fora e discotecas do lado de dentro, com luzes piscantes e m\u00fasica alta. Coca\u00edna, metanfetamina e maconha ficavam espalhadas pelas mesas. Os traficantes me faziam usar drogas sob a mira de armas, e talvez isso tenha me permitido suportar tudo o que me aconteceu. Dia e noite, bebia cerveja e u\u00edsque, porque era tudo o que tinha. N\u00e3o tinha ideia que voc\u00ea podia beber \u00e1gua da torneira nos EUA.<\/p>\n<p><strong>Drogas e viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Shandra pensava que o \u00faltimo homem que a traficou a ajudaria a escapar (Foto: Shandra Woworuntu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/9gmMTzMUq41ozTnVhR5kyufyQpk=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/04\/03\/shandra_6.jpg\" alt=\"Shandra pensava que o \u00faltimo homem que a traficou a ajudaria a escapar (Foto: Shandra Woworuntu)\" width=\"620\" height=\"373\" \/><strong>Shandra pensava que o \u00faltimo homem que a traficou a ajudaria a escapar (Foto: Shandra Woworuntu)<\/strong><\/div>\n<p>Vinte e quatro horas por dia, n\u00f3s fic\u00e1vamos sentadas, completamente nuas, \u00e0 espera de clientes. Se ningu\u00e9m chegasse, dorm\u00edamos um pouco, mas nunca numa cama. Era nesses momentos que os traficantes aproveitavam para nos estuprar. Ent\u00e3o, t\u00ednhamos de ficar alertas. Nada era previs\u00edvel.<\/p>\n<p>Apesar da vigil\u00e2ncia, parecia que eu estava em um estado de constante dorm\u00eancia. Era incapaz de chorar. Sobrecarregada pela tristeza, raiva e desapontamento, obedecia \u00e0s ordens e tentava sobreviver. Lembro-me daquela cena da menina sendo agredida, e vi os traficantes batendo em outras mulheres tamb\u00e9m quando elas causavam &#8216;problemas&#8217; ou se recusavam a fazer sexo.<\/p>\n<p>Os traficantes me apelidaram de &#8216;Candy&#8217;. Todas as mulheres traficadas eram asi\u00e1ticas \u2013 al\u00e9m de n\u00f3s, indon\u00e9sias, havia meninas da Tail\u00e2ndia, China e Mal\u00e1sia. Havia ainda mulheres que n\u00e3o eram escravas sexuais. Eram prostitutas que recebiam dinheiro e ficavam livres para circular.<\/p>\n<p>Na maioria das noites, um dos traficantes me levava a um cassino. Ele me vestia como se fosse uma princesa. Aquele respons\u00e1vel por mim usava um terno preto e sapatos brilhantes e andava comigo como se fosse meu guarda-costas, segurando uma arma nas minhas costas. N\u00e3o entr\u00e1vamos pelo lobby, mas pela porta para dos funcion\u00e1rios, e depois peg\u00e1vamos o elevador de servi\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Vigil\u00e2ncia<\/strong><br \/>\nLembro-me da primeira vez que eu entrei um quarto de um hotel-cassino. Pensei que talvez poderia escapar. Mas meu traficante me esperava no corredor e me conduzia ao quarto seguinte. E ao seguinte. Quarenta e cinco minutos em cada quarto, noite ap\u00f3s noite.<\/p>\n<p>Como eu era complacente, n\u00e3o era agredida pelos traficantes, mas os clientes eram muito violentos \u00e0s vezes. Alguns pareciam ser membros da m\u00e1fia asi\u00e1tica, mas havia tamb\u00e9m homens brancos, negros e hisp\u00e2nicos. De todas as idades, de idosos a jovens universit\u00e1rios. Era a propriedade deles por 45 minutos e tinha de fazer o que queriam. Caso contr\u00e1rio, era agredida.<\/p>\n<p>Era uma rotina dif\u00edcil e dolorosa. Fisicamente, estava fraca. Os traficantes s\u00f3 me alimentavam com sopa de arroz com uns poucos pepinos, e eu estava drogada normalmente. A amea\u00e7a constante de viol\u00eancia e a necessidade de estar sempre em alerta tamb\u00e9m eram muito exaustivas.<\/p>\n<p>Meu \u00fanico pertence \u2013 al\u00e9m do meu &#8216;uniforme&#8217; \u2013 era uma pequena bolsa com algumas coisas dentro: um dicion\u00e1rio, uma pequena B\u00edblia, algumas canetas e caixas de f\u00f3sforo que pegava dos quartos de hot\u00e9is, com os nomes dos cassinos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m mantinha um di\u00e1rio, algo que fazia desde pequena. Escrevendo em uma mistura de indon\u00e9sio, ingl\u00eas, japon\u00eas e s\u00edmbolos, tentava registrar o que fazia, aonde \u00eda e quantas pessoas estavam comigo. Tamb\u00e9m mantinha o controle das datas. Era dif\u00edcil, porque eu estava dentro de bord\u00e9is e n\u00e3o sabia se era dia ou noite. Minha mente s\u00f3 pensava em escapar, mas as oportunidades eram muito raras.<\/p>\n<p><strong>Fuga frustrada<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Shandra guardou todos os cart\u00f5es de visita de pessoas que ajudaram (Foto: Shandra Woworuntu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/or0Zx1hWiBU1yofXCndkVSDaW3w=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/04\/03\/shandra_1.jpg\" alt=\"Shandra guardou todos os cart\u00f5es de visita de pessoas que ajudaram (Foto: Shandra Woworuntu)\" width=\"620\" height=\"444\" \/><strong>Shandra guardou todos os cart\u00f5es de visita de pessoas que ajudaram (Foto: Shandra Woworuntu)<\/strong><\/div>\n<p>Uma noite, estava trancada no s\u00f3t\u00e3o em um bordel em Connecticut. O quarto tinha uma janela que descobri estar aberta, ent\u00e3o, fiz uma corda com os len\u00e7\u00f3is e minhas roupas e comecei a descer. Mas quando quando cheguei ao final da corda improvisada, vi que ainda estava a uma grande dist\u00e2ncia do ch\u00e3o. Tive de voltar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, um dia, fui levada a um bordel no Brooklyn. Estava com uma menina indon\u00e9sia de 15 anos, chamada Nina, que acabou se tornando minha amiga. Ela era um doce e linda. Tinha um alto astral \u2013 em uma ocasi\u00e3o, ela se recusou a cumprir uma ordem. Um dos traficantes torceu sua m\u00e3o, e ela gritou muito.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos conversando com outra mulher no bordel, a respons\u00e1vel pela gente. Ela era gentil e dizia que, se um dia consegu\u00edssemos escapar, dever\u00edamos ligar para um homem que nos daria um emprego. Assim, poder\u00edamos voltar para casa com algum dinheiro. Anotei o telefone dele em um peda\u00e7o de papel e o guardei.<\/p>\n<p>Essa conversa aconteceu enquanto ela nos falava da nossa d\u00edvida. Comecei a entrar em p\u00e2nico. Estava certa de que morreria antes de fazer sexo com os 300 homens necess\u00e1rios para quit\u00e1-la. Fechei meus olhos e rezei por ajuda.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, fui para o banheiro e vi uma pequena janela. Estava fechada com parafusos, mas eu e Nina abrimos as torneiras e, com as m\u00e3os ainda tremendo, usei uma colher para desaparafus\u00e1-la o mais r\u00e1pido que pude. Conseguimos escapar.<\/p>\n<p>Ligamos para o n\u00famero, e um homem indon\u00e9sio atendeu. Assim como a mulher nos havia dito, ele prometeu nos ajudar. Ficamos muito felizes. Ele nos encontrou e nos colocou em um hotel. Falou tamb\u00e9m que dever\u00edamos esperar at\u00e9 que eles achar um emprego para a gente.<\/p>\n<p>Ele cuidou de n\u00f3s duas, nos trouxe comida e roupas. Mas depois de algumas semanas, tentou nos for\u00e7ar a nos prostituir. Quando recusamos, ele ligou para Johnny para vir nos buscar. No fim das contas, tamb\u00e9m era traficante. Ele e a mulher que nos deu seu telefone trabalhavam juntos. Foi quanto finalmente tive um golpe de sorte.<\/p>\n<p><strong>Resgate<\/strong><br \/>\nPerto do hotel, antes de Johnny chegar, consegui me desvencilhar do meu novo traficante e corri, descendo a rua, usando apenas chinelos e carregando minha bolsa. Virei e gritei para Nina me acompanhar, mas o traficante a segurou.<\/p>\n<p>Descobri uma delegacia e contei a um policial a minha hist\u00f3ria. Ele n\u00e3o acreditou em mim e me deu as costas. Disse que era perfeitamente seguro para mim voltar \u00e0s ruas sem dinheiro ou documentos.<\/p>\n<p>Desesperada por ajuda, abordei dois policiais na rua e ouvi a mesma resposta. Ent\u00e3o, fui ao consulado indon\u00e9sio para buscar ajuda e emitir novos documentos. Eu sabia que tinham um quarto onde as pessoas podiam dormir em caso de emerg\u00eancia. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o me ajudaram.<\/p>\n<p>Fiquei irritada e triste. N\u00e3o sabia o que fazer. Tinha chegado aos Estados Unidos no ver\u00e3o, mas o inverno se aproximava e estava com frio. Dormi dentro de uma balsa, no metr\u00f4 e na Times Square. Implorei por comida a estranhos, e, toda vez que conseguia faz\u00ea-los prestar aten\u00e7\u00e3o em mim, contava minha hist\u00f3ria.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ela j\u00e1 foi convidada a falar sobre tr\u00e1fico humano na Assembleia de Nova York (Foto: Shandra Woworuntu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/hS7PB9seXY0gmm8sZX4cYPCQl_I=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/04\/03\/shandra_7.jpg\" alt=\"Ela j\u00e1 foi convidada a falar sobre tr\u00e1fico humano na Assembleia de Nova York (Foto: Shandra Woworuntu)\" width=\"620\" height=\"349\" \/><strong>Ela j\u00e1 foi convidada a falar sobre tr\u00e1fico humano na Assembleia de Nova York (Foto: Shandra Woworuntu)<\/strong><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Na Casa Branca, junto ao Conselho Consultivo sobre Tr\u00e1fico Humano, e o secret\u00e1rio John Kerry (Foto: Shandra Woworuntu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/hyVpJYmn7xKurARR5mgU1F7JyKY=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/04\/03\/shandra_8.jpg\" alt=\"Na Casa Branca, junto ao Conselho Consultivo sobre Tr\u00e1fico Humano, e o secret\u00e1rio John Kerry (Foto: Shandra Woworuntu)\" width=\"620\" height=\"411\" \/><strong>Na Casa Branca, junto ao Conselho Consultivo sobre Tr\u00e1fico Humano, e o secret\u00e1rio John Kerry (Foto: Shandra Woworuntu)<\/strong><\/div>\n<p><strong>Reviravolta<\/strong><br \/>\nUm dia, em um parque do bairro de Williamsburg, um homem chamado Eddy comprou comida para mim. Ele era de Ohio, trabalhava como marinheiro e estava de f\u00e9rias. &#8216;Volte amanh\u00e3 por volta do meio-dia&#8217;, disse ele, depois que eu lhe contei a minha hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>No dia seguinte, ele disse que havia feito alguns telefonemas em meu nome. Contou que havia falado com o FBI (a pol\u00edcia federal americana) e eles haviam telefonado para o distrito policial local. E que n\u00f3s dever\u00edamos sair naquele minuto rumo \u00e0 delegacia onde os policiais tentariam me ajudar.<\/p>\n<p>Dois detetives me sabatinaram. Mostrei a eles meu di\u00e1rio com os detalhes da localiza\u00e7\u00e3o dos bord\u00e9is e as caixas de f\u00f3sforo dos cassinos onde era obrigada a me prostituir. Eles telefonaram, ent\u00e3o, para a companhia a\u00e9rea e a imigra\u00e7\u00e3o, e descobriram que a minha hist\u00f3ria batia.<\/p>\n<p>&#8216;OK&#8217;, disseram eles no final. &#8216;Voc\u00ea est\u00e1 pronta para ir?&#8217;<\/p>\n<p>&#8216;Ir aonde?&#8217;, perguntei.<\/p>\n<p>&#8216;Pegar seus amigos&#8217;, responderam.<\/p>\n<p>Entrei no carro de pol\u00edcia, e eles dirigiram at\u00e9 o hotel no Brooklyn. Para meu al\u00edvio, pude ach\u00e1-lo novamente. Dali em diante, tudo se desenrolou como um filme de Hollywood. Mas, em vez de assist\u00ed-lo da TV, pude ver tudo da janela do carro.<\/p>\n<p>Do lado de fora do bordel, havia policiais \u00e0 paisana fingindo ser mendigos \u2013 lembro que um deles estava empurrando um carrinho de compras. Algumas perguntas me passaram pela cabe\u00e7a: &#8216;Ser\u00e1 que eles poderiam pensar que eu estava mentindo? Ser\u00e1 que eu poderia ser presa, em vez dos meus sequestradores?&#8217;.<\/p>\n<p>Um policial vestido como cliente apertou a campainha do bordel. Vi Johnny aparecer na porta e, depois de um papo r\u00e1pido, abrir a grade de metal. Ele desapareceu na escurid\u00e3o e, segundos depois, os policiais invadiram o pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>Passada uma hora, me disseram que podia sair do carro e me aproximar do pr\u00e9dio. Eles cobriram uma das janelas com papel e cortaram um buraco atrav\u00e9s do qual podia espiar. Dessa forma, identifiquei Johnny e as meninas trabalhando no bordel sem ser vista. Havia tr\u00eas mulheres ali, e Nina estava entre elas.<\/p>\n<p>Quando eu vi aquelas mulheres do pr\u00e9dio, despidas exceto pelas toalhas enroladas em seu corpo, foi o melhor momento da minha vida. Dar \u00e0 luz \u00e9 um milagre, mas em nada se compara \u00e0 emo\u00e7\u00e3o que senti quando vi minhas amigas sendo libertadas. Sob as luzes vermelhas e azuis dos carros de pol\u00edcia, dan\u00e7\u00e1vamos e grit\u00e1vamos de alegria.<\/p>\n<p><strong>Pris\u00e3o<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Em mar\u00e7o, Shandra participou de uma passeata pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher (Foto: Shandra Woworuntu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/uUZzDQAXaV6xnv9pcwSPL622VvU=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/04\/03\/shandra_9.jpg\" alt=\"Em mar\u00e7o, Shandra participou de uma passeata pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher (Foto: Shandra Woworuntu)\" width=\"620\" height=\"411\" \/><strong>Em mar\u00e7o, Shandra participou de uma passeata pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher (Foto: Shandra Woworuntu)<\/strong><\/div>\n<p>Johnny foi acusado e condenado, assim como outros dois homens presos nos dias seguintes. Ainda preciso de apoio e uma oportunidade para me curar.<\/p>\n<p>O FBI intermediou meu contato com a Safe Horizon, uma organiza\u00e7\u00e3o de Nova York que ajuda as v\u00edtimas de crime e abuso, incluindo sobreviventes de tr\u00e1fico humano. Eles me ajudaram a permanecer nos Estados Unidos legalmente, me ofereceram abrigo e me colocaram em contato com pessoas para conseguir um emprego.<\/p>\n<p>Poderia ter voltado \u00e0 Indon\u00e9sia, mas o FBI precisava que eu testemunhasse no julgamento dos traficantes, e realmente queria que eles fossem para a cadeia. O processo levou anos.<\/p>\n<p>Na Indon\u00e9sia, traficantes foram me buscar na cada da minha m\u00e3e, e ela e minha filha tiveram de se esconder. Eles me ca\u00e7aram por anos a fio. O perigo era t\u00e3o grande que o governo americano permitiu \u00e0 minha filha emigrar para os EUA. Finalmente nos reunimos em 2004.<\/p>\n<p>Em contrapartida por ajudar a prender os traficantes, recebi o direito de residir permanentemente no pa\u00eds em 2010. Na ocasi\u00e3o, me disseram que poderia escolher um novo nome, para minha pr\u00f3pria seguran\u00e7a. Mas decidi manter meu nome antigo. No fim das contas, \u00e9 o meu nome. Os traficantes me tiraram tudo \u2013 por que deveria desistir do meu nome?<\/p>\n<p><strong>Trauma<\/strong><br \/>\nDepois de ter escapado, comecei a sofrer de dor nas juntas e a ter enxaquecas terr\u00edveis. Desenvolvi problemas de pele. Depois de muitos exames, os m\u00e9dicos disseram que era resultado de tudo pelo que passei.<\/p>\n<p>Faz 15 anos desde que tudo aconteceu, mas ainda tenho ins\u00f4nia. Meus relacionamentos amorosos est\u00e3o longe de ser normais. Fa\u00e7o terapia uma vez por semana, e, de quinze em quinze dias, me consulto com uma psiquiatra que me receita antidepressivos.<\/p>\n<p>Ainda tenho flashbacks, o tempo todo. O odor do u\u00edsque me faz vomitar e, se eu ou\u00e7o alguns toques de celular \u2013 os mesmos que os traficantes usavam \u2013 meu corpo se enrijece de medo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, fico nervosa. A todo instante estou mexendo no meu anel para me acalmar. Tamb\u00e9m costumava usar um el\u00e1stico no meu bra\u00e7o que estalava continuamente e um cachecol que ficava torcendo.<\/p>\n<p><strong>Felicidade<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sou uma mulher feliz \u2013 e talvez nunca serei. Mas agora consigo lidar melhor com minhas mem\u00f3rias. Adoro cantar no coral, e cuidar dos meus filhos foi como um processo terap\u00eautico. Minha menina agora \u00e9 uma mulher \u2013 uma adolescente! \u2013 e tenho um menino de nove anos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Decidi dedicar minha vida a outras v\u00edtimas de tr\u00e1fico humano. Montei uma organiza\u00e7\u00e3o, a Mentari, que ajuda sobreviventes a se reintegrarem ao mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, tentamos alertar sobre os riscos de emigrar para os Estados Unidos. Especialmente entre pessoas que ainda veem o pa\u00eds como uma esp\u00e9cie de &#8220;terra dos sonhos&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 falei sobre a minha experi\u00eancia em igrejas, escolas, universidades e institui\u00e7\u00f5es do governo. Tamb\u00e9m consegui mudar a lei que regula a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores no exterior. Agora, as ag\u00eancias de recrutamento t\u00eam de se registrar no Minist\u00e9rio do Trabalho antes de poderem operar. Al\u00e9m disso, precisamos educar as pessoas sobre tr\u00e1fico humano. Muitas delas veem mulheres traficadas como prostitutas. E s\u00e3o v\u00edtimas, n\u00e3o criminosas.<\/p>\n<p>Ainda sou amiga de Nina, que hoje tem 30 anos. E guardei o n\u00famero de telefone de Eddy, o homem que contou minha hist\u00f3ria ao FBI quando estava desesperada. Em 2014, no Natal, liguei para ele. Queria contar-lhe tudo o que havia acontecido comigo, mas ele me cortou e disse: &#8216;Sei de tudo. Acompanho o notici\u00e1rio. Estou muito feliz, voc\u00ea conseguiu reconstruir sua vida. &#8216;Nem pense em me agradecer \u2013 voc\u00ea fez tudo sozinha&#8217;.<\/p>\n<p>Mas eu queria agradecer a ele, por ouvir a minha hist\u00f3ria naquele dia no parque e por me ajudar a recome\u00e7ar minha vida.&#8217;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da BBC\/G1 Shandra Woworuntu conta como foi for\u00e7ada a se prostituir ap\u00f3s ter aceitado falsa proposta de trabalho (Foto: BBC\/Lynn Savarese) Ap\u00f3s perder o emprego, a indon\u00e9sia Shandra Woworuntu decidiu emigrar aos Estados Unidos para recome\u00e7ar a vida trabalhando na ind\u00fastria hoteleira. No entanto, ao chegar ao pa\u00eds, descobriu que havia sido v\u00edtima de tr\u00e1fico humano. Shandra mergulhou em um mundo de prostitui\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o sexual, foi obrigada a consumir drogas e foi v\u00edtima de viol\u00eancia. A seguir, ela conta ainda como s\u00f3 conseguiu se livrar dos sequestradores meses depois, em uma reviravolta impressionante. &#8220;Cheguei aos Estados Unidos na primeira&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-72928","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":666,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72928"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72928\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72929,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72928\/revisions\/72929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}