{"id":72926,"date":"2016-04-03T18:26:27","date_gmt":"2016-04-03T21:26:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=72926"},"modified":"2016-04-03T18:26:27","modified_gmt":"2016-04-03T21:26:27","slug":"mais-pobre-pessimista-e-vulneravel-este-e-o-brasileiro-da-atualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/04\/03\/mais-pobre-pessimista-e-vulneravel-este-e-o-brasileiro-da-atualidade\/","title":{"rendered":"Mais pobre, pessimista e vulner\u00e1vel: este \u00e9 o brasileiro da atualidade"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/07\/31\/1702\/pe6Cx\/alx_economia-carteira-de-trabalho-20150731-01_original.jpeg?1438372951\" alt=\"Carteira de trabalho\" width=\"464\" height=\"348\" \/><\/figure>\n<figure><figcaption>Carteira de trabalho<span class=\"credito\">(Camila Domingues\/Pal\u00e1cio Piratini\/Fotos P\u00fablicas)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>As incertezas com o cen\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico do pa\u00eds t\u00eam minado as esperan\u00e7as dos brasileiros tanto em rela\u00e7\u00e3o ao presente quanto ao futuro. Essa \u00e9 uma das principais conclus\u00f5es que saltam de uma pesquisa realizada em todo o pa\u00eds pela consultoria A Ponte Estrat\u00e9gia, \u00e0 qual o site de VEJA teve acesso. O levantamento, realizado com 915 pessoas de todas as classes sociais, mostra que 82% dos entrevistados s\u00e3o pessimistas com a situa\u00e7\u00e3o atual e que 68% n\u00e3o acreditam que haver\u00e1 melhora nos pr\u00f3ximos dois anos.<\/p>\n<p>Com menos renda e medo de perder o emprego, mais da metade dos consultados admitem, por exemplo, ter barateado o plano de celular e cortado gastos com alimenta\u00e7\u00e3o fora de casa. Al\u00e9m disso, 88% dos entrevistados declaram se sentir vulner\u00e1veis. &#8220;Os brasileiros reclamam que sentem na pele os efeitos da deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, com mais desemprego e menor poder de compra&#8221;, diz Andr\u00e9 Torretta, coordenador da pesquisa. O levantamento foi feito entre os dias 10 e 15 de fevereiro com moradores de 250 cidades, distribu\u00eddas nas cinco regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A deteriora\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho \u00e9 uma das preocupa\u00e7\u00f5es apontadas no levantamento, com 68% dos entrevistados admitindo ter receio de perder o emprego. &#8220;Eu me sinto vulner\u00e1vel porque n\u00e3o sei se continuo a trabalhar. Eu sei que a demiss\u00e3o vem, estou s\u00f3 esperando ela aparecer&#8221;, disse ao site de VEJA Carlos Taveiros, de 56 anos, que trabalha em um banco de investimentos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da estudante de direito Giuliana Rodrigues, de 20 anos, \u00e9 mais cr\u00edtica. Ela est\u00e1 sem emprego h\u00e1 um m\u00eas, quando foi demitida do escrit\u00f3rio em que trabalhava como estagi\u00e1ria. &#8220;Fui mandada embora porque a empresa estava cortando custos, ent\u00e3o come\u00e7aram da base&#8221;, conta a futura advogada.<!--more--><\/p>\n<p>Para os pr\u00f3ximos dois anos, 73% dos entrevistados esperam um aumento do desemprego. O \u00edndice m\u00e9dio de desocupa\u00e7\u00e3o ficou em <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/economia\/desemprego-ja-atinge-9-milhoes-de-trabalhadores-diz-ibge\" rel=\"\"><strong>8,5% no ano passado<\/strong><\/a>, segundo dados da Pnad Cont\u00ednua, do Insituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A percep\u00e7\u00e3o de piora declarada pelos entrevistados \u00e9 ancaroda nas estimativas de analistas. Jos\u00e9 Pastore, professor da Faculdade de Economia da USP (FEA\/USP), um dos maiores especialistas da \u00e1rea no pa\u00eds, prev\u00ea um aumento da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o para at\u00e9 11% este ano e 13% no que vem, puxado pela queda do investimento.<\/p>\n<p><strong>Menos TV e jantar fora<\/strong> &#8211; Para tentar proteger o poder de compra, os entrevistados afirmaram que t\u00eam reduzido suas despesas com servi\u00e7os. Das pessoas que participaram da pesquisa. 70% dizem ter atualmente um plano de celular mais barato que o anterior e 72% assumem ter reduzido gastos com comidas fora de casa. Carlos Taveiros, por exemplo, conta que se sa\u00eda para comer duas vezes por semana. &#8220;Agora, s\u00f3 a cada 15 dias&#8221;, disse. Outra medida: economizar 200 reais por m\u00eas com a mudan\u00e7a no pacote de televis\u00e3o. &#8220;Eu tinha mais de 200 canais, mas cortei. Hoje tenho TV aberta e gasto s\u00f3 80 reais com internet&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Ainda segundo dados da Pnad, a renda m\u00e9dia do brasileiro foi de 1.913 reais no \u00faltimo trimestre de 2015, queda de 2% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. Enquanto isso, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua: alcan\u00e7ou 10,67% em 2015 e j\u00e1 acumula alta de 10,36% em 12 meses at\u00e9 fevereiro. Diante de um cen\u00e1rio com menos dinheiro e mais infla\u00e7\u00e3o, 76% dos pesquisados tamb\u00e9m declararam que piorou a capacidade de fazer uma compra maior, como a de um carro ou uma casa.<\/p>\n<p>&#8220;No atual cen\u00e1rio, a cautela \u00e9 predominante: a pessoa f\u00edsica n\u00e3o consome e o empres\u00e1rio n\u00e3o investe. Temos uma quest\u00e3o hist\u00f3rica de grandes empres\u00e1rios associados \u00e0 demanda do setor p\u00fablico, que j\u00e1 n\u00e3o pode gastar&#8221;, diz Ricardo Macedo, coordenador adjunto da gradua\u00e7\u00e3o em Economia do Ibmec\/RJ.<\/p>\n<p>Para minimizar o impacto da crise no bolso, o manobrista C\u00e9sar Augusto, de 26 anos, trocou os supermercados mais conhecidos pelos atacados, passando a fazer compras mensais e de produtos em quantidades maiores. Al\u00e9m disso, deixou de comer o que queria. &#8220;S\u00f3 temos comido frango e carne de porco. Carne bovina aparece s\u00f3 de vez em quando&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Outro dado que chama a aten\u00e7\u00e3o na pesquisa \u00e9 o que refor\u00e7a a fragilidade dos brasileiros diante do atual cen\u00e1rio politico e econ\u00f4mico. Dos entrevistados, 88% dizem se sentir vulner\u00e1veis com a situa\u00e7\u00e3o atual. &#8220;O brasileiro viveu 15 anos de bonan\u00e7as, aumentou seu poder de compra, mas as conquistas estagnaram-se ou foram subtra\u00eddas com a deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8221;, diz Torretta, organizador da pesquisa. &#8220;Hoje, a vida dele n\u00e3o est\u00e1 totalmente ruim. Est\u00e1 melhor que a de seus pais. Mas ele j\u00e1 come\u00e7a a sentir, de forma pr\u00e1tica, os efeitos dessa piora de cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>O tal sentimento de vulnerabilidade tamb\u00e9m pode ser explicado pelo maior medo das pessoas de que que a deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica alimente a criminalidade. &#8220;Em uma ambiente de crise econ\u00f4mica, sem perspectiva de revers\u00e3o, a tend\u00eancia \u00e9 que as pessoas fiquem mais receosas de que haja um aumento da viol\u00eancia, com roubos ou assaltos, por exemplo&#8221;, diz Macedo, do Ibmec. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o da Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carteira de trabalho(Camila Domingues\/Pal\u00e1cio Piratini\/Fotos P\u00fablicas) As incertezas com o cen\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico do pa\u00eds t\u00eam minado as esperan\u00e7as dos brasileiros tanto em rela\u00e7\u00e3o ao presente quanto ao futuro. Essa \u00e9 uma das principais conclus\u00f5es que saltam de uma pesquisa realizada em todo o pa\u00eds pela consultoria A Ponte Estrat\u00e9gia, \u00e0 qual o site de VEJA teve acesso. O levantamento, realizado com 915 pessoas de todas as classes sociais, mostra que 82% dos entrevistados s\u00e3o pessimistas com a situa\u00e7\u00e3o atual e que 68% n\u00e3o acreditam que haver\u00e1 melhora nos pr\u00f3ximos dois anos. 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