{"id":72756,"date":"2016-03-26T10:39:47","date_gmt":"2016-03-26T13:39:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=72756"},"modified":"2016-03-26T10:39:47","modified_gmt":"2016-03-26T13:39:47","slug":"brasil-ja-teve-1-500-linguas-indigenas-hoje-tem-apenas-181-vivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/03\/26\/brasil-ja-teve-1-500-linguas-indigenas-hoje-tem-apenas-181-vivas\/","title":{"rendered":"Brasil j\u00e1 teve 1.500 l\u00ednguas ind\u00edgenas; hoje tem apenas 181 vivas"},"content":{"rendered":"<div class=\"imagem-representativa imagem-615x300\">\n<ul>\n<li><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"imagem pinit-img\" title=\"iStock\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/b8\/2016\/03\/24\/indigena-indio-tribo-indigena-criancas-1458868803973_615x300.jpg\" alt=\"\" width=\"459\" height=\"224\" \/><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>O Brasil de 500 anos atr\u00e1s tinha mais de 1.500 l\u00ednguas faladas no territ\u00f3rio. Ap\u00f3s a chegada dos europeus, elas acabaram sendo extintas gradativamente. Hoje o pa\u00eds conta com\u00a0apenas 181 l\u00ednguas ind\u00edgenas. Pesquisas universit\u00e1rias tentam preservar esse patrim\u00f4nio lingu\u00edstico e cultural.<\/p>\n<p>Mutua Mehinaku, mestre em antropologia social no Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e estudante do pluralismo lingu\u00edstico no Alto Xingu, \u00e9 descendente dos\u00a0Kuikuro, um dos povos cuja l\u00edngua materna corre o risco de desaparecer.\u00a0De acordo com ele, 700 \u00edndios falam kuikuro, sendo que os crit\u00e9rios internacionais determinam que uma l\u00edngua corre risco de extin\u00e7\u00e3o se falada por menos de mil pessoas.<\/p>\n<p>&#8220;Se comparada a outras l\u00ednguas ind\u00edgenas, faladas por algumas dezenas de pessoas e com poucos estudos a respeito, a nossa est\u00e1 relativamente segura. Mas, quando se trata de um patrim\u00f4nio t\u00e3o importante e sens\u00edvel quanto a sua cultura, \u00e9 preciso se cercar de cuidados para que ele n\u00e3o siga amea\u00e7ado. Por isso as pesquisas na \u00e1rea s\u00e3o t\u00e3o importantes&#8221;, disse.<\/p>\n<p>De acordo com Angel Humberto Corbera Mori, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a cada duas semanas pelo menos uma l\u00edngua desaparece no mundo. No Brasil, recentemente, morreu a \u00faltima falante da l\u00edngua ind\u00edgena xipaia, em Altamira, no Par\u00e1, e apenas dois anci\u00f5es falam guat\u00f3, vivendo em lugares diferentes e que n\u00e3o se comunicam entre si devido a dist\u00e2ncia. Para o pesquisador, a extin\u00e7\u00e3o dessas l\u00ednguas representa tamb\u00e9m o desaparecimento de diversos conhecimentos acumulados ao longo de s\u00e9culos.<!--more--><\/p>\n<h3>Neologismos contra a extin\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Segundo Mori, se no per\u00edodo a coloniza\u00e7\u00e3o as l\u00ednguas ind\u00edgenas desapareciam junto com seus povos, dizimados por doen\u00e7as trazidas pelos colonizadores e pelo exterm\u00ednio direto, hoje o maior risco que enfrentam \u00e9 o contato direto com o idioma portugu\u00eas.<\/p>\n<p><cite>Passei a me aprofundar na l\u00edngua que falamos para entender como o surgimento dessas palavras estrangeiras poderia compromet\u00ea-la. \u00c9 diferente um idioma amplamente falado sofrer influ\u00eancia de outro. Quando somente algumas centenas falam essa l\u00edngua, o risco de essa influ\u00eancia contribuir para sua extin\u00e7\u00e3o \u00e9 grande<\/cite><\/p>\n<p><strong>Mutua Mehinaku<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador se dedicou, ent\u00e3o, a o que seu povo chama de tetsual\u00fc \u2013 em kuikuro, qualquer mistura.\u00a0Segundo ele, o princ\u00edpio do tetsual\u00fc ganhou novo sentido e outra complexidade com a entrada do portugu\u00eas nas l\u00ednguas e na vida das aldeias do Alto Xingu, levando ao surgimento de neologismos em kuikuro, como o uso da palavra pagaka para se referir a &#8220;barraca&#8221;, pasia para &#8220;bacia&#8221; e pisa para &#8220;pin\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esses neologismos sofreram influ\u00eancia do portugu\u00eas, mas s\u00e3o kuikuro. \u00c9 a l\u00edngua se reinventando e permanecendo viva&#8221;, destacou.<\/p>\n<h3>Pesquisas<\/h3>\n<p>Em outra frente de pesquisa, cientistas trabalham no desvendamento do passado das l\u00ednguas ind\u00edgenas para entender como elas se formaram e, como consequ\u00eancia, ajudar no desenvolvimento de estrat\u00e9gias para sua preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Giuseppe Longobardi, do Departamento de Lingu\u00edstica da Universidade de York, na Inglaterra, desenvolveu um m\u00e9todo para comparar, com a ajuda de softwares, sistemas sint\u00e1ticos de l\u00ednguas diferentes, estabelecendo eventuais parentescos entre elas: o PCM (Parametric Comparison Method).<\/p>\n<p>O m\u00e9todo foi experimentado com uma l\u00edngua guaikuru e outra karib, ambas de tradi\u00e7\u00e3o oral, comprovando-se eficiente mesmo na aus\u00eancia de registros escritos. Para compensar essa falta, os pesquisadores desenvolveram um question\u00e1rio de gram\u00e1tica que auxilia na coleta dos dados gramaticais diretamente com os \u00edndios, muitos deles professores das l\u00ednguas em suas tribos.<\/p>\n<p>(Com Ag\u00eancia Fapesp) UOL Noticias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil de 500 anos atr\u00e1s tinha mais de 1.500 l\u00ednguas faladas no territ\u00f3rio. Ap\u00f3s a chegada dos europeus, elas acabaram sendo extintas gradativamente. Hoje o pa\u00eds conta com\u00a0apenas 181 l\u00ednguas ind\u00edgenas. Pesquisas universit\u00e1rias tentam preservar esse patrim\u00f4nio lingu\u00edstico e cultural. Mutua Mehinaku, mestre em antropologia social no Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e estudante do pluralismo lingu\u00edstico no Alto Xingu, \u00e9 descendente dos\u00a0Kuikuro, um dos povos cuja l\u00edngua materna corre o risco de desaparecer.\u00a0De acordo com ele, 700 \u00edndios falam kuikuro, sendo que os crit\u00e9rios internacionais determinam que uma l\u00edngua corre risco de extin\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-72756","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":658,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72756"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72756\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72757,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72756\/revisions\/72757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}