{"id":72139,"date":"2016-02-29T07:45:07","date_gmt":"2016-02-29T10:45:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=72139"},"modified":"2016-02-29T07:45:07","modified_gmt":"2016-02-29T10:45:07","slug":"lava-jato-odebrecht-avisou-dilma-de-pagamentos-a-marqueteiro-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/02\/29\/lava-jato-odebrecht-avisou-dilma-de-pagamentos-a-marqueteiro-no-exterior\/","title":{"rendered":"Lava Jato: Odebrecht avisou Dilma de pagamentos a marqueteiro no exterior"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Financiamento: Dilma pediu explica\u00e7\u00f5es aos assessores e ouviu que tudo foi feito \u201cdentro da lei\u201d\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2016\/02\/26\/2037\/pe6Cx\/dilma-rousseff-2016-4063-original.jpeg?1456529841\" alt=\"Financiamento: Dilma pediu explica\u00e7\u00f5es aos assessores e ouviu que tudo foi feito \u201cdentro da lei\u201d\" width=\"376\" height=\"282\" \/><figcaption>Financiamento: Dilma pediu explica\u00e7\u00f5es aos assessores e ouviu que tudo foi feito \u201cdentro da lei\u201d<span class=\"credito\">(Dida Sampaio\/Estad\u00e3o Conte\u00fado)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>No come\u00e7o de 2015, Dilma Rousseff recebeu, no Pal\u00e1cio do Planalto, o petista Fernando Pimentel. Ela acabara de conquistar a reelei\u00e7\u00e3o. Ele, o governo de Minas Gerais. Amigos e confidentes h\u00e1 mais de quarenta anos, os dois tinham motivos para comemorar, mas trataram de um assunto espinhoso, capaz de tisnar os resultados obtidos por ambos nas urnas. Pimentel trazia um recado de Em\u00edlio Odebrecht, dono da maior empreiteira do pa\u00eds, para a presidente da Rep\u00fablica. O empres\u00e1rio a advertia do risco de que os pagamentos feitos pela Odebrecht ao marqueteiro Jo\u00e3o Santana, no exterior, fossem descobertos caso a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato atingisse a construtora. Em\u00edlio exigia blindagem, principalmente para evitar a pris\u00e3o do filho Marcelo Odebrecht, sob pena de revelar \u00e0s autoridades detalhes do esquema ilegal de financiamento da campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. Diante da amea\u00e7a de retalia\u00e7\u00e3o, Dilma cobrou explica\u00e7\u00f5es de seus assessores. Deu-se, ent\u00e3o, o ritual de nega\u00e7\u00e3o encenado com frequ\u00eancia em seu governo. Como no caso da economia, cujo desmantelo foi recha\u00e7ado durante meses a fio, os auxiliares disseram que a petista havia conquistado o segundo mandato com dinheiro limpo e declarado. Tudo dentro da lei. A &#8220;faxineira \u00e9tica&#8221;, portanto, n\u00e3o teria com o que se preocupar.<\/p>\n<p>Esse discurso se manteve de p\u00e9 at\u00e9 a semana passada, quando o juiz Sergio Moro, respons\u00e1vel pela Lava-Jato na primeira inst\u00e2ncia, determinou a pris\u00e3o de Jo\u00e3o Santana, o criador dos figurinos de exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 honestidade da presidente, e da esposa dele, Monica Moura. O casal recebeu numa conta na Su\u00ed\u00e7a, n\u00e3o declarada \u00e0 Receita brasileira, 3 milh\u00f5es de d\u00f3lares da Odebrecht, acusada formalmente de participar do cartel que assaltou os cofres da Petrobras, e 4,5 milh\u00f5es de d\u00f3lares de Zwi Skornicki, um dos operadores do petrol\u00e3o, o maior esquema de corrup\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Os detalhes da investiga\u00e7\u00e3o sobre o marqueteiro foram revelados por VEJA em janeiro passado. A decis\u00e3o de Moro confirmou as tenebrosas transa\u00e7\u00f5es descritas por Pimentel a mando de Em\u00edlio Odebrecht e fez recrudescer a discuss\u00e3o pol\u00edtica e jur\u00eddica sobre a cassa\u00e7\u00e3o da presidente. Pela letra fria da lei, utilizar-se de dinheiro sujo em campanha eleitoral \u00e9 fator determinante para a perda do mandato. A Pol\u00edcia Federal e o Minist\u00e9rio P\u00fablico suspeitam que isso tenha ocorrido na \u00faltima sucess\u00e3o presidencial. Delegados e procuradores dizem ter encontrado fortes ind\u00edcios de que os recursos depositados para Santana na Su\u00ed\u00e7a t\u00eam origem nas propinas desviadas da Petrobras. Afirmam tamb\u00e9m que o marqueteiro embolsou a dinheirama como pagamento por servi\u00e7os prestados a candidatos do PT.<!--more--><\/p>\n<p>Dois dados em especial chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos investigadores. Em 2014, quando Dilma disputava a reelei\u00e7\u00e3o sob a batuta de Jo\u00e3o Santana, Skornicki fez dep\u00f3sitos na conta do marqueteiro na Su\u00ed\u00e7a. Em outubro e novembro de 2014, entre o primeiro turno e a comemora\u00e7\u00e3o do novo mandato de Dilma, a Odebrecht tamb\u00e9m teria repassado outros 4 milh\u00f5es de reais para Santana &#8211; dessa vez no Brasil, segundo indica\u00e7\u00f5es de uma planilha da empreiteira apreendida pela pol\u00edcia. Todos esses valores, insistem as autoridades, t\u00eam origem no petrol\u00e3o e podem ter bancado a reelei\u00e7\u00e3o da presidente. Os funcion\u00e1rios da Odebrecht chamavam propina de &#8220;acaraj\u00e9&#8221;. Em depoimentos na semana passada, Santana e Monica livraram Dilma de envolvimento em qualquer irregularidade. Eles alegaram que receberam os &#8220;acaraj\u00e9s&#8221; na Su\u00ed\u00e7a como pagamento por servi\u00e7os prestados em campanhas eleitorais, mas campanhas em outros pa\u00edses. Tudo n\u00e3o passaria de um caso internacional de caixa dois, considerado um crime menor. No Brasil, o trabalho de marketing teria sido realizado como manda a legisla\u00e7\u00e3o. A reelei\u00e7\u00e3o de Dilma, portanto, n\u00e3o carregaria a m\u00e1cula do esquema de corrup\u00e7\u00e3o. A pol\u00edcia n\u00e3o acreditou. Na sexta-feira, o juiz Sergio Moro prorrogou a pris\u00e3o do casal.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Primeira a depor, Monica declarou que parte dos pagamentos se referia a servi\u00e7os prestados na campanha eleitoral em Angola, governada por aliados do PT. Aliados antigos e generosos, como ressaltou o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerver\u00f3. Em seu acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada, Cerver\u00f3 contou que a Petrobras fechou um contrato milion\u00e1rio com a estatal angolana de petr\u00f3leo e que, em retribui\u00e7\u00e3o, voltaram ao Brasil de 40 milh\u00f5es a 50 milh\u00f5es de reais para financiar ilegalmente a campanha de Lula em 2006. Depois da pris\u00e3o de seu marqueteiro, Dilma convocou os auxiliares de sempre para uma reuni\u00e3o no Planalto e cobrou esclarecimentos do ministro Edinho Silva (Comunica\u00e7\u00e3o Social), tesoureiro de sua \u00faltima campanha presidencial. Ele garantiu a lisura das contas eleitorais da presidente e disse que os pagamentos a Jo\u00e3o Santana no exterior diziam respeito a d\u00edvidas antigas do PT com o marqueteiro, relativas a campanhas de outros candidatos e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da propaganda partid\u00e1ria. Ou seja: eram esqueletos do ex-tesoureiro do PT Jo\u00e3o Vaccari, que nada tinham a ver com a reelei\u00e7\u00e3o da chefe.<\/p>\n<p>Apesar do tradicional ritual de nega\u00e7\u00e3o, sobram ind\u00edcios e depoimentos que d\u00e3o conta de que Dilma se beneficiou, no terreno eleitoral, do dinheiro sujo do petrol\u00e3o. As primeiras evid\u00eancias foram encontradas em anota\u00e7\u00f5es no telefone do pr\u00f3prio Marcelo Odebrecht, confirmando o que o pai relatara antes a Fernando Pimentel: &#8220;Liberar para o Feira (&#8230;). Dizer do risco cta su\u00ed\u00e7a chegar na campanha dela&#8221;. O v\u00ednculo da conta na Su\u00ed\u00e7a com o marqueteiro j\u00e1 foi descoberto. &#8220;Feira&#8221;, de acordo com os agentes, era o codinome de Monica Moura. Em outra anota\u00e7\u00e3o, Marcelo ressaltou a necessidade de articular com o governo uma estrat\u00e9gia conjunta de defesa. &#8220;Ter contato \u00e1gil\/permanente entre o grupo de crise do governo e n\u00f3s para que informa\u00e7\u00f5es sejam passadas e a\u00e7\u00f5es coordenadas. Quem?&#8221; A estrat\u00e9gia tamb\u00e9m se confirmou. O ex-presidente Lula defendeu a necessidade de combinar com as empreiteiras um discurso de defesa. Coube ao ent\u00e3o l\u00edder do governo no Senado, Delc\u00eddio do Amaral (PT-MS), externar essa proposta a Dilma. &#8220;Presidente, a pris\u00e3o (de Marcelo Odebrecht) tamb\u00e9m \u00e9 um problema seu, porque a Odebrecht pagou no exterior pelos servi\u00e7os prestados por Jo\u00e3o Santana \u00e0 campanha&#8221;, disse o senador. N\u00e3o deu em nada. Convencida por Edinho e pelo ent\u00e3o chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante, ela manteve a f\u00e9 cega na legalidade de sua campanha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Financiamento: Dilma pediu explica\u00e7\u00f5es aos assessores e ouviu que tudo foi feito \u201cdentro da lei\u201d(Dida Sampaio\/Estad\u00e3o Conte\u00fado) No come\u00e7o de 2015, Dilma Rousseff recebeu, no Pal\u00e1cio do Planalto, o petista Fernando Pimentel. Ela acabara de conquistar a reelei\u00e7\u00e3o. Ele, o governo de Minas Gerais. Amigos e confidentes h\u00e1 mais de quarenta anos, os dois tinham motivos para comemorar, mas trataram de um assunto espinhoso, capaz de tisnar os resultados obtidos por ambos nas urnas. Pimentel trazia um recado de Em\u00edlio Odebrecht, dono da maior empreiteira do pa\u00eds, para a presidente da Rep\u00fablica. 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