{"id":71955,"date":"2016-02-22T07:33:38","date_gmt":"2016-02-22T10:33:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=71955"},"modified":"2016-02-22T07:33:38","modified_gmt":"2016-02-22T10:33:38","slug":"economistas-divergem-sobre-trajetoria-da-divida-publica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/02\/22\/economistas-divergem-sobre-trajetoria-da-divida-publica-brasileira\/","title":{"rendered":"Economistas divergem sobre trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica brasileira"},"content":{"rendered":"<p><em><strong> da Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os desempenhos fiscais ruins dos \u00faltimos anos e os sucessivos rebaixamentos pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco retomaram as aten\u00e7\u00f5es para uma vari\u00e1vel que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o preocupava a economia brasileira: a d\u00edvida p\u00fablica. Depois de passar muitos anos estabilizado, o indicador voltou a subir fortemente nos \u00faltimos tempos, fazendo economistas divergirem sobre a trajet\u00f3ria do endividamento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com o d\u00e9ficit prim\u00e1rio recorde \u2013 resultado negativo antes do pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica \u2013 no ano passado, a D\u00edvida Bruta do Governo Geral saltou de R$ 3,252 trilh\u00f5es no fim de 2014 para R$ 3,927 trilh\u00f5es no fim do ano passado. Em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds), o endividamento passou de 57,2% em 2014 para 66,2% no fim de 2015.<\/p>\n<p>Indicador mais usado para compara\u00e7\u00f5es internacionais, a D\u00edvida Bruta do Governo Geral considera o endividamento da Uni\u00e3o, dos estados e dos munic\u00edpios, excluindo o Banco Central e as empresas estatais. Diferentemente da d\u00edvida l\u00edquida, os cr\u00e9ditos \u2013 o que o governo tem direito a receber \u2013 n\u00e3o \u00e9 descontado do estoque.<!--more--><\/p>\n<p>Para conter a explos\u00e3o do endividamento no m\u00e9dio e no longo prazo, o governo costumava economizar parte dos recursos para pagar os juros da d\u00edvida p\u00fablica: o super\u00e1vit prim\u00e1rio. No entanto, o Brasil fechou 2014 com d\u00e9ficit prim\u00e1rio de R$ 32,5 bilh\u00f5es em 2014 e de R$ 111,2 bilh\u00f5es em 2015. Na \u00faltima sexta-feira (19), a equipe econ\u00f4mica anunciou que pedir\u00e1 autoriza\u00e7\u00e3o para que as contas p\u00fablicas fechem 2016 com novo d\u00e9ficit, de at\u00e9 R$ 60,2 bilh\u00f5es, o que far\u00e1 o endividamento aumentar novamente este ano.<\/p>\n<p>As perspectivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica t\u00eam provocado rea\u00e7\u00e3o no mercado. O rebaixamento do pa\u00eds pela ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Standard &amp; Poor&#8217;s, na semana passada, foi o \u00faltimo de uma sequ\u00eancia de redu\u00e7\u00f5es de notas que retiraram o Brasil do grau de investimento \u2013 garantia de que o pa\u00eds n\u00e3o dar\u00e1 calote. A possibilidade de que o pa\u00eds algum dia deixe de pagar o que deve, como fez no fim dos anos 80 com a d\u00edvida externa, divide economistas ouvidos pela <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"know_more\">\n<h3>Saiba Mais<\/h3>\n<ul class=\"field-items\">\n<li class=\"field-item first\"><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2016-02\/deficit-primario-em-2016-podera-chegar-r-602-bilhoes\">D\u00e9ficit prim\u00e1rio em 2016 poder\u00e1 chegar a R$ 60,2 bilh\u00f5es<\/a><\/li>\n<li class=\"field-item last\"><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2016-02\/agencia-standard-poors-volta-reduzir-nota-do-brasil\">Ag\u00eancia Standard &amp; Poor&#8217;s volta a reduzir nota do Brasil<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p><strong>Perspectivas divididas<\/strong><\/p>\n<p>Especialista em pol\u00edtica fiscal, o professor Francisco Lopreato, da Universidade de Campinas (Unicamp), considera improv\u00e1vel um calote do governo na d\u00edvida p\u00fablica. \u201cClaro que a d\u00edvida p\u00fablica sofreu uma deteriora\u00e7\u00e3o grande em 2014 e 2015, mas acho exagerado falar em calote. Na pior das hip\u00f3teses, a composi\u00e7\u00e3o da d\u00edvida continuar\u00e1 a piorar at\u00e9 o prazo m\u00e9dio cair e os juros aumentarem\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para Lopreato, um grande diferencial de hoje em rela\u00e7\u00e3o aos anos 80 \u00e9 a d\u00edvida externa, que hoje representa cerca de 1% do endividamento p\u00fablico total. \u201cO que poderia realmente complicar era a d\u00edvida externa, mas isso n\u00e3o \u00e9 um problema porque o Brasil tem amplas reservas internacionais\u201d, explica. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida interna (o que o governo deve no mercado dom\u00e9stico), ele lembra que no auge da crise dos anos 80 o Tesouro Nacional renovava a d\u00edvida diariamente, no chamado <em>overnight<\/em>, sem precisar dar calote.<\/p>\n<p>O presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), J\u00falio Miragaya, tamb\u00e9m rejeita a possibilidade de calote. Segundo ele, a economia brasileira vai se recuperar nos pr\u00f3ximos dois anos, abrindo caminho para a melhoria da situa\u00e7\u00e3o fiscal. Ele, no entanto, diz que o problema da d\u00edvida p\u00fablica seria resolvido mais rapidamente se o Banco Central reduzisse os juros b\u00e1sicos da economia.<\/p>\n<p>\u201cO grande problema da d\u00edvida p\u00fablica brasileira, a meu ver, n\u00e3o \u00e9 o tamanho, mas os juros que incidem sobre ela. Como a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo pressionada por fatores externos, como o tarifa\u00e7o do ano passado, e n\u00e3o pela demanda dos consumidores, que est\u00e1 fraca, h\u00e1 sim espa\u00e7o para o Banco Central dar uma guinada na pol\u00edtica monet\u00e1ria\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Necessidade de reformas<\/strong><\/p>\n<p>P\u00f3s-doutorando em macroeconomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e tamb\u00e9m membro do Cofecon, Luciano D&#8217;Agostini diverge dos colegas e considera prov\u00e1vel a possibilidade de um calote nos pr\u00f3ximos anos. \u201cSe tudo continuar como est\u00e1, meus modelos preveem que, entre 2018 e 2022, o pa\u00eds n\u00e3o conseguir\u00e1 mais pagar a d\u00edvida p\u00fablica. Nesse caso, ou o governo ter\u00e1 de dar calote ou o Banco Central ter\u00e1 de imprimir moeda, levando \u00e0 volta da infla\u00e7\u00e3o dos anos 80\u201d, adverte o professor, autor de um artigo sobre o tema.<\/p>\n<p>D&#8217;Agostini, no entanto, diz ser poss\u00edvel evitar o calote, caso o governo promova reformas estruturais que reduzam os gastos com a Previd\u00eancia Social, diminuam os subs\u00eddios e endure\u00e7am o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Do lado monet\u00e1rio, ele defende que o Banco Central eleve o centro da meta de infla\u00e7\u00e3o para 7,5% ao ano para que os juros b\u00e1sicos possam cair.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>da Ag\u00eancia Brasil Os desempenhos fiscais ruins dos \u00faltimos anos e os sucessivos rebaixamentos pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco retomaram as aten\u00e7\u00f5es para uma vari\u00e1vel que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o preocupava a economia brasileira: a d\u00edvida p\u00fablica. Depois de passar muitos anos estabilizado, o indicador voltou a subir fortemente nos \u00faltimos tempos, fazendo economistas divergirem sobre a trajet\u00f3ria do endividamento do pa\u00eds. Com o d\u00e9ficit prim\u00e1rio recorde \u2013 resultado negativo antes do pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica \u2013 no ano passado, a D\u00edvida Bruta do Governo Geral saltou de R$ 3,252 trilh\u00f5es no fim de 2014 para R$&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-71955","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":547,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71955"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71955\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71956,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71955\/revisions\/71956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}