{"id":71063,"date":"2016-01-10T18:36:33","date_gmt":"2016-01-10T21:36:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=71063"},"modified":"2016-01-10T18:36:33","modified_gmt":"2016-01-10T21:36:33","slug":"dependencia-de-familias-do-programa-bolsa-familia-cresce-na-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2016\/01\/10\/dependencia-de-familias-do-programa-bolsa-familia-cresce-na-crise\/","title":{"rendered":"Depend\u00eancia de fam\u00edlias do programa Bolsa Fam\u00edlia cresce na crise"},"content":{"rendered":"<div class=\"box-title\">\n<p><strong><em>por Fernando Scheller | Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"box-body\">\n<div class=\"text-center\">\n<div class=\"box-img\"><img decoding=\"async\" class=\"img-center img-responsive\" src=\"http:\/\/imagem.bahianoticias.com.br\/fotos\/estadao_noticias\/112502\/IMAGEM_NOTICIA_5.jpg?checksum=1452434064\" alt=\"Depend\u00eancia de fam\u00edlias do programa Bolsa Fam\u00edlia cresce na crise\" \/><\/p>\n<div class=\"img-legenda\">Foto: Jefferson Rudy \/ Ag\u00eancia Senado<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"text-descricao\">A previs\u00e3o de um reajuste abaixo da infla\u00e7\u00e3o de 2015 para o programa Bolsa Fam\u00edlia neste ano dever\u00e1 ter um impacto direto na renda das resid\u00eancias mais pobres do Brasil. Considerado o gasto efetivo do ano passado, de R$ 27,7 bilh\u00f5es, e o or\u00e7amento para o programa deste ano, de R$ 28,1 bilh\u00f5es, o m\u00e1ximo reajuste poss\u00edvel para o benef\u00edcio ser\u00e1 de 1,4%. Sem especificar n\u00fameros, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social (MDS) divulgou na semana passada que haver\u00e1 R$ 1 bilh\u00e3o a mais para o programa em 2016, o que permitiria uma corre\u00e7\u00e3o maior, de at\u00e9 3,7%. Ainda assim, o porcentual ficar\u00e1 bem abaixo do IPCA, \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o oficial do Pa\u00eds, que ficou em 10,67% no ano passado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).\u00a0Durante uma d\u00e9cada, o or\u00e7amento do Bolsa Fam\u00edlia cresceu consistentemente acima da infla\u00e7\u00e3o (ver quadro acima), mas a situa\u00e7\u00e3o se inverteu desde o ano passado, quando o total liberado para o programa subiu s\u00f3 1,8% em rela\u00e7\u00e3o a 2014. &#8220;O Bolsa Fam\u00edlia impacta bastante o consumo e a vida de seus benefici\u00e1rios, que possuem renda extremamente baixa. Entretanto, o valor desembolsado tem baixa representatividade. Corresponde a aproximadamente 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro&#8221;, afirma Renato Meirelles, diretor do Data Popular. Segundo o instituto, 50% dos pagamentos s\u00e3o feitos na regi\u00e3o Nordeste do Pa\u00eds, que concentra 6,9 milh\u00f5es do total de 13,9 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios.\u00a0Diante do perfil dos benefici\u00e1rios, a perda do poder de compra do Bolsa Fam\u00edlia dever\u00e1 impactar justamente a camada mais carente da popula\u00e7\u00e3o. Em 2014, a consultoria Plano CDE, especializada na base da pir\u00e2mide, realizou um estudo que subdividiu benefici\u00e1rios do programa em quatro categorias sociais distintas. Segundo o s\u00f3cio-diretor da Plano CDE, Maur\u00edcio de Almeida Prado, o Bolsa Fam\u00edlia representava 23% do rendimento dom\u00e9stico total do mais pobre dos quatro grupos. &#8220;O Bolsa Fam\u00edlia garante a recorr\u00eancia de renda para as fam\u00edlias mais pobres. Nos meses em que o trabalho \u00e9 escasso, pois a informalidade \u00e9 alta entre essa popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 o benef\u00edcio que coloca a comida na mesa&#8221;, diz o especialista.\u00a0Com a crise econ\u00f4mica e o consequente aumento do desemprego, a tend\u00eancia \u00e9 que as fam\u00edlias fiquem mais dependentes do programa. Em Cajamar, uma das cidades paulistas que mais dependem do programa em termos relativos (o munic\u00edpio recebe R$ 156 por habitante, contra a m\u00e9dia estadual de R$ 56, conforme dados oficiais de repasses do benef\u00edcio e popula\u00e7\u00e3o), o Estado encontrou duas fam\u00edlias que hoje sobrevivem gra\u00e7as ao Bolsa Fam\u00edlia.\u00a0Morador da comunidade Km 42, \u00e1rea de invas\u00e3o que fica na beira da estrada que d\u00e1 acesso a Cajamar, o pedreiro Cosme Costa dos Santos, 25 anos, perdeu o emprego com carteira assinada em novembro, que lhe pagava um sal\u00e1rio l\u00edquido de R$ 1,3 mil. &#8220;Foi culpa da crise. A empresa disse que n\u00e3o tem mais obra&#8221;, explica Cosme. Na semana passada, ele deu entrada na papelada do seguro-desemprego, que deve come\u00e7ar a ser pago em fevereiro. Em janeiro, por\u00e9m, a \u00fanica renda constante da fam\u00edlia foi o Bolsa Fam\u00edlia.\u00a0A esposa de Cosme, Tatiana Aparecida Martins, 35 anos, est\u00e1 gr\u00e1vida de sete meses. O pequeno Isaac \u00e9 esperado para o fim de mar\u00e7o. Ser\u00e1 o primeiro filho biol\u00f3gico dele e o quinto dela &#8211; vi\u00fava de um primeiro casamento, Tatiana tem duas filhas adultas (de 20 e 18 anos) e tamb\u00e9m um casal de g\u00eameos de 8 anos. Ela se cadastrou no programa h\u00e1 seis anos e hoje recebe R$ 380 mensais. Como a renda da fam\u00edlia caiu muito desde que o marido perdeu o emprego, Tatiana decretou o fim de todos os sup\u00e9rfluos. &#8220;N\u00e3o estamos fazendo mais d\u00edvidas para comprar eletrodom\u00e9sticos&#8221;, diz a dona de casa. &#8220;Com R$ 400, hoje voc\u00ea vai no mercado e consegue carregar toda a compra para casa. As sacolas nem ficam pesadas.&#8221;\u00a0Em outra regi\u00e3o de Cajamar, no bairro Jordan\u00e9sia, o Bolsa Fam\u00edlia tamb\u00e9m \u00e9 a \u00fanica renda da resid\u00eancia comandada por Dalva Aparecida Ochini. O marido dela, que tamb\u00e9m \u00e9 pedreiro, hoje depende de bicos. Os R$ 300 do Bolsa Fam\u00edlia precisam ser suficientes para o sustento dos tr\u00eas filhos do segundo casamento de Dalva &#8211; DeJuan Carlos, 11 anos, \u00e9 o mais jovem &#8211; e da irm\u00e3 Creusa, que tamb\u00e9m vive na casa herdada pelos pais de ambas.\u00a0Um novo membro da fam\u00edlia &#8211; um neto rec\u00e9m-nascido &#8211; j\u00e1 foi inclu\u00eddo no programa pela av\u00f3. Mas o valor recebido n\u00e3o sofreu reajuste, segundo a dona de casa. &#8220;Continuo recebendo R$ 300, mas a minha filha tira os R$ 35 do beb\u00ea. E eu falo para ela: com esse valor, voc\u00ea pode comprar um pacote de fraldas num m\u00eas e uma lata de noite no outro.&#8221; Sem perspectiva de aumento de renda, Dalva diz que todos os projetos &#8211; incluindo uma pequena reforma na casa, para o conserto de goteiras &#8211; foram abandonados. &#8220;Quando chove, tenho de cobrir meus m\u00f3veis&#8221;, conta.<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Fernando Scheller | Estad\u00e3o Conte\u00fado Foto: Jefferson Rudy \/ Ag\u00eancia Senado A previs\u00e3o de um reajuste abaixo da infla\u00e7\u00e3o de 2015 para o programa Bolsa Fam\u00edlia neste ano dever\u00e1 ter um impacto direto na renda das resid\u00eancias mais pobres do Brasil. Considerado o gasto efetivo do ano passado, de R$ 27,7 bilh\u00f5es, e o or\u00e7amento para o programa deste ano, de R$ 28,1 bilh\u00f5es, o m\u00e1ximo reajuste poss\u00edvel para o benef\u00edcio ser\u00e1 de 1,4%. 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