{"id":7102,"date":"2010-04-21T16:53:16","date_gmt":"2010-04-21T19:53:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=7102"},"modified":"2010-04-21T16:53:19","modified_gmt":"2010-04-21T19:53:19","slug":"nossa-amazonia-as-diferentes-etnias-do-rio-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/21\/nossa-amazonia-as-diferentes-etnias-do-rio-negro\/","title":{"rendered":"Nossa Amaz\u00f4nia: As diferentes etnias do Rio Negro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"00216\" src=\"http:\/\/colunas.globoamazonia.com\/files\/2026\/2010\/04\/00216.jpg\" alt=\"Transporte da cestaria Baniwa, Comunidade Santa Rosa, I\u00e7ana, (AM). Foto: Beto Ricardo, 1999\" width=\"420\" height=\"264\" \/><\/p>\n<p>A regi\u00e3o do Noroeste Amaz\u00f4nico, que abrange a bacia do Alto Rio Negro, onde a linha fronteiri\u00e7a entre o Brasil e a Col\u00f4mbia faz um desenho que lembra uma cabe\u00e7a de cachorro, \u00e9 habitada tradicionalmente h\u00e1 pelo menos dois mil anos por etnias que falam idiomas pertencentes a tr\u00eas fam\u00edlias ling\u00fc\u00edsticas: Aruak, Maku e Tukano.<\/p>\n<p>A despeito do multiling\u00fcismo e de diferen\u00e7as culturais, as 27 etnias que habitam a regi\u00e3o \u2013 22 presentes no Brasil \u2013 comp\u00f5em uma mesma \u00e1rea cultural, estando em grande medida articuladas numa rede de trocas e identificadas no que diz respeito \u00e0 cultura material, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o social e \u00e0 vis\u00e3o de mundo. Esta \u00e1rea cultural \u00e9, ainda, subdividida em Etnias do Rio I\u00e7ana, Etnias Maku, Etnias do Rio Uaup\u00e9s e Etnias do Rio Xi\u00e9 e Alto Rio Negro.<\/p>\n<p>A maior parte da regi\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda por terras da Uni\u00e3o (Terras Ind\u00edgenas e um Parque Nacional). A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena atual constitui pelo menos 90% do total, embora os mais de dois s\u00e9culos de contato e com\u00e9rcio entre os povos nativos e os \u201cbrancos\u201d tenha for\u00e7ado a ida de muitos \u00edndios para o Baixo Rio Negro ou para as cidades de Manaus e Bel\u00e9m, bem como levado pessoas de outras origens a se estabelecerem ali. A presen\u00e7a de nordestinos, paraenses e pessoas de outras partes do Brasil, e do Amazonas, se concentra nos poucos centros urbanos regionais. \u00c9 poss\u00edvel dizer que no Alto e M\u00e9dio Rio Negro existem atualmente 732 povoa\u00e7\u00f5es, desde pequenos s\u00edtios habitados por apenas um casal at\u00e9 grandes povoados e s\u00edtios espalhados pelos rios da regi\u00e3o. O censo da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da regi\u00e3o conta aproximadamente 31 mil \u00edndios, n\u00famero que inclui aqueles que vivem na cidade de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel.<!--more--><\/p>\n<p>Nesse contexto de diversidade cultural existem muitas caracter\u00edsticas comuns entre as etnias, principalmente no que diz respeito aos mitos, atividades de subsist\u00eancia, arquitetura tradicional e cultura material. Tais caracter\u00edsticas comuns s\u00e3o mais evidentes entre os Tukano, Baniwa, Tariana e Bar\u00e9, por um lado, e os Maku, por outro. Por essa raz\u00e3o, os primeiros s\u00e3o por vezes identificados como \u201c\u00edndios do rio\u201d. Em contraste, os \u00edndios da fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica Maku, que possuem uma s\u00e9rie de peculiaridades s\u00f3cio-culturais, podem ser chamados \u201c\u00edndios da floresta\u201d. Vivendo longe das margens dos rios naveg\u00e1veis, os Maku se articulam com os \u00edndios do rio, mas n\u00e3o do mesmo modo que estes se relacionam entre si. Os Maku, ex\u00edmios ca\u00e7adores, em geral fornecem carne aos \u00edndios do rio e tamb\u00e9m lhes prestam servi\u00e7os em troca de outros alimentos, como mandioca e peixe.<\/p>\n<p>O principal rio que corta essa regi\u00e3o \u00e9 o Negro, afluente do Amazonas que, antes de entrar no Brasil, tem o nome de Guain\u00eda e separa a Col\u00f4mbia da Venezuela. No seu alto curso, ele recebe, pela margem direita, o I\u00e7ana e o Uaup\u00e9s (chamado de Vaup\u00e9s na Col\u00f4mbia). Abrange tamb\u00e9m o Rio Apap\u00f3ris e seus afluentes, tribut\u00e1rio quase inteiramente colombiano do Caquet\u00e1, uma vez que desemboca neste \u00faltimo ap\u00f3s marcar um pequeno trecho da fronteira com o Brasil. Da\u00ed para baixo, o Caquet\u00e1 passa a denominar-se Japur\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Manejo do Mundo: comunidades do Rio Negro se encontram<\/strong><\/p>\n<p>Com o tema <em>Manejo do Mundo: conhecimentos e pr\u00e1ticas dos povos ind\u00edgenas do Rio Negro<\/em>, o semin\u00e1rio que <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outbound\/article\/http:\/\/www.socioambiental.org\/nsa\/detalhe?id=3063');\" href=\"http:\/\/www.socioambiental.org\/nsa\/detalhe?id=3063\" target=\"_blank\">aconteceu entre 9 e 13 de abril<\/a>, teve como objetivo propiciar <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outbound\/article\/http:\/\/www.socioambiental.org\/nsa\/detalhe?id=3059');\" href=\"http:\/\/www.socioambiental.org\/nsa\/detalhe?id=3059\" target=\"_blank\">o di\u00e1logo entre v\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas<\/a> sobre manejo de recursos naturais, pr\u00e1ticas de observa\u00e7\u00e3o da natureza na constitui\u00e7\u00e3o de calend\u00e1rios ecol\u00f3gicos, ciclo de vida dos animais e das pessoas, al\u00e9m de pr\u00e1ticas de manejo ambiental desenvolvidas pelas associa\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas locais, <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outbound\/article\/http:\/\/www.socioambiental.org\/nsa\/detalhe?id=3060');\" href=\"http:\/\/www.socioambiental.org\/nsa\/detalhe?id=3060\" target=\"_blank\">educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena<\/a> e articula\u00e7\u00f5es com diversos atores sejam cientistas, pol\u00edticos, sociedade civil em torno da problem\u00e1tica das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo semin\u00e1rio. que vai dar continuidade \u00e0 discuss\u00e3o sobre o ensino superior ind\u00edgena do Rio Negro, est\u00e1 previsto para acontecer na segunda quinzena de novembro. A iniciativa \u00e9 da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro e Instituto Socioambiental (ISA), com apoio do Instituto Arapya\u00fa.<\/p>\n<p>Quer conhecer mais os grupos que habitam esta regi\u00e3o? No site Povos Ind\u00edgenas no Brasil est\u00e1 <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outbound\/article\/http:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/povo\/etnias-do-rio-negro');\" href=\"http:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/povo\/etnias-do-rio-negro\" target=\"_blank\">o verbete completo<\/a> sobre estas etnias.<\/p>\n<p>Globo Amaz\u00f4nia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regi\u00e3o do Noroeste Amaz\u00f4nico, que abrange a bacia do Alto Rio Negro, onde a linha fronteiri\u00e7a entre o Brasil e a Col\u00f4mbia faz um desenho que lembra uma cabe\u00e7a de cachorro, \u00e9 habitada tradicionalmente h\u00e1 pelo menos dois mil anos por etnias que falam idiomas pertencentes a tr\u00eas fam\u00edlias ling\u00fc\u00edsticas: Aruak, Maku e Tukano. 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