{"id":70749,"date":"2015-12-27T09:26:20","date_gmt":"2015-12-27T12:26:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=70749"},"modified":"2015-12-27T09:26:20","modified_gmt":"2015-12-27T12:26:20","slug":"energia-eolica-no-alto-sertao-qual-e-o-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2015\/12\/27\/energia-eolica-no-alto-sertao-qual-e-o-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Energia e\u00f3lica no Alto Sert\u00e3o: qual \u00e9 o desenvolvimento?"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Jos\u00e9 Beniezio Eduardo Silva<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O avan\u00e7o do capital internacional sobre a Am\u00e9rica Latina, e neste caso tamb\u00e9m no Brasil, recoloca o Nordeste brasileiro dentro de uma nova configura\u00e7\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o do capital, como parte de uma etapa s\u00f3cio-hist\u00f3rica, caracterizada por um processo que decorre da realidade em vigor redesenhada no interior do pr\u00f3prio Estado-Na\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 definia Ianni (1996).<\/p>\n<p>Neste caso, se na organiza\u00e7\u00e3o internacional do trabalho, os pa\u00edses do Sul tem que cumprir o papel de fornecedores de mat\u00e9ria-prima para os pa\u00edses centrais do Norte, no redesenhamento no interior do pr\u00f3prio Estado Na\u00e7\u00e3o, o nordeste passa a ocupar o espa\u00e7o de fornecedor, especialmente de energia, para os polos mais desenvolvidos do capital no pa\u00eds, em especial o Sul e Sudeste do Brasil.<\/p>\n<p>E nesta perspectiva que se situa o Alto Sert\u00e3o da Bahia, recebendo investidas de mega projetos do interesse do capital para a produ\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica e recentemente, energia solar.<\/p>\n<p>As empresas e\u00f3licas avan\u00e7am a passos largos sobre o Alto Sert\u00e3o da Bahia, trazendo com elas uma forte propaganda articulada em um trip\u00e9: desenvolvimento sustent\u00e1vel, emprego e energia limpa.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o conhece a realidade obscura camuflada por esse marketing, \u00e9 o projeto dos sonhos para o desenvolvimento social.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, de novo esses projetos possuem unicamente o avan\u00e7o das for\u00e7as produtivas atrav\u00e9s de uma nova forma de se apropriar dos bens da natureza, de domina\u00e7\u00e3o sobre os territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es, com o objetivo primordial da produ\u00e7\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o de capital para o interesse de uma minoria.<\/p>\n<p>Nessa l\u00f3gica, \u00e9 inconsensual e antag\u00f4nico qualquer tipo de real desenvolvimento sustent\u00e1vel (n\u00e3o enquanto termo desconfigurado, esvaziado e apropriado pelo mercado, mas na perspectiva de bem estar social e preserva\u00e7\u00e3o dos bens da natureza), gera\u00e7\u00e3o de empregos e energia limpa.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa configura\u00e7\u00e3o que se torna a cada dia mais explicita a rela\u00e7\u00e3o entre as empresas e\u00f3licas de capital internacional e o Alto Sert\u00e3o da Bahia, impulsionando o conflito de classes.<span id=\"more-251\"><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-244\" src=\"http:\/\/suicabaiana.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/100113MB53-333x500.jpg\" alt=\"CAETIT\u00c9, BA, BRASIL, 10-01-2013, 16h: Ve\u00edculo transita pr\u00f3ximo a um dos parques e\u00f3licos, em Caetit\u00e9, na Bahia. Prontas desde julho do ano passado, as turbinas aguardam a conclus\u00e3o das linhas de transmiss\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o da sub-esta\u00e7\u00e3o para entrar em opera\u00e7\u00e3o. (M\u00e1rio Bittencourt\/Folhapress)\" width=\"333\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p><strong>Trabalho<\/strong><\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de emprego t\u00e3o propagandeada pelas empresas n\u00e3o se materializa na realidade. Dentre os empregos gerados, grande parte s\u00e3o precarizados e tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, s\u00e3o articulados como mais uma forma de express\u00e3o do coronelismo, em que as empresas constituem um pacto com o poder p\u00fablico dos munic\u00edpios, para em seguida, por exemplo, os prefeitos ou outros legisladores indicarem nomes de seus interesses para os empregos e assim canalizar for\u00e7a para as elei\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s dos conhecidos \u201cvotos de cabrestos\u201d.<\/p>\n<p>Em contra partida, as prefeituras e grande parte dos vereadores se tornam os porta-vozes das empresas e se omitem das responsabilidades junto ao povo, especialmente no que tange a fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda assim, visando reduzir os custos com treinamentos profissionalizantes, as empresas trazem m\u00e3o de obra j\u00e1 qualificada de outras cidades, o que impede a incorpora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra local.<\/p>\n<p><strong>Terra e Territ\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p>As empresas chegam \u00e0s comunidades desconsiderando os modos de vida e a hist\u00f3ria das comunidades locais, sejam suas tradi\u00e7\u00f5es ou a rela\u00e7\u00e3o com a terra, e passam a controlar os territ\u00f3rios, assim como construir contratos fraudulentos e injustos para a garantia dessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que as obras atinjam diretamente comunidades inteiras, as negocia\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas de formas individuais, enquanto os impactos s\u00e3o socializados irrestritamente.<!--more--><\/p>\n<p>Temos associado a esse aspecto a intensifica\u00e7\u00e3o dos conflitos agr\u00e1rios, pois a chegada das empresas estimula a grilagem de terra, como no caso das \u00e1reas de gerais de Caetit\u00e9, em que historicamente as comunidades fizeram uso coletivo para a solta de gado, colheita de pequi, lenha, ervas medicinais e outros; sendo que atualmente o controle e uso dos territ\u00f3rios passaram para as empresas e\u00f3licas na regi\u00e3o: Renova Energia e Iberdrola.<\/p>\n<p><strong>Danos Sociais<\/strong><\/p>\n<p>Com a movimenta\u00e7\u00e3o intensa de m\u00e1quinas e equipamentos, as empresas produzem uma quantidade imensa de poeira, que assenta sobre as casas e os m\u00f3veis dos moradores, dificultando imensamente as condi\u00e7\u00f5es de higiene e limpeza das casas; provocam doen\u00e7as al\u00e9rgicas, especialmente nas crian\u00e7as e nos idosos, em decorr\u00eancia dessa exposi\u00e7\u00e3o ao excesso de poeira.<\/p>\n<p>A intensifica\u00e7\u00e3o da movimenta\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas e cargas trazem s\u00e9rios impactos nas estradas de vias p\u00fablicas, pois aceleram e intensificam a sua deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A chegada dos empreendimentos trazem um contingente de trabalhadores de outras regi\u00f5es, ocorrendo muitas vezes casos de ass\u00e9dio sexual, intensifica\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o e muitos casos de viol\u00eancia contra mulheres, inclusive chegando a estupro, como evidenciadas em den\u00fancias feitas pelas comunidades do munic\u00edpio de Igapor\u00e3.<\/p>\n<p>Outro fator \u00e9 que a movimenta\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e o aumento do contingente populacional das cidades, sem outros recursos sociais pensados em conjunto, acabam contribuindo para o surgimento e crescimento da viol\u00eancia (tr\u00e1fico de drogas, assaltos e outros).<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o desses empreendimentos provoca ainda a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos, bens de consumo, alugu\u00e9is e concomitante a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que tem como caracter\u00edstica a eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o sobre as posses e resid\u00eancias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-239 size-full\" src=\"http:\/\/suicabaiana.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/100113MB130-e1451216370352.jpg\" alt=\"CAETIT\u00c9, BA, BRASIL, 10-01-2013, 16h: Turbinas e\u00f3licas pr\u00f3ximas a resid\u00eancias em Caetit\u00e9, na Bahia. Prontas desde julho do ano passado, elas est\u00e3o sem funcionar por falta das linhas de transmiss\u00e3o e de uma sub-esta\u00e7\u00e3o. (M\u00e1rio Bittencourt\/Folhapress)\" width=\"728\" height=\"485\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Impactos ambientais<\/strong><\/p>\n<p>Outro impacto expl\u00edcito s\u00e3o os danos ambientais. Os empreendimentos colidem com muitas \u00e1reas de nascentes de \u00e1gua doce e \u00e1reas de recarga, que s\u00e3o destru\u00eddas para implanta\u00e7\u00e3o dos parques.<\/p>\n<p>Se tratando de uma regi\u00e3o semi\u00e1rida, temos um agravante ainda maior, pois grande parte das fam\u00edlias passam a depender de carros pipa, e dessa forma, da \u201cboa vontade\u201d e disponibilidade do poder p\u00fablico para serem atendidas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, grande parte do Cerrado que ainda est\u00e1 preservado (respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o do que ainda resta das principais bacias h\u00eddricas do Brasil), passa a ser destru\u00eddo para implanta\u00e7\u00e3o dos parques e\u00f3licos.<\/p>\n<p>O Estado \u00e9 o grande suporte para a implanta\u00e7\u00e3o dos parques e\u00f3licos. Ancorado pelo discurso da necessidade de gera\u00e7\u00e3o de energia e a constru\u00e7\u00e3o de alternativas renov\u00e1veis, estimula o novo modelo de coloniza\u00e7\u00e3o moderna, entregando para o controle do capital estrangeiro os bens da natureza.<\/p>\n<p>Para isto, flexibiliza as leis com o objetivo de facilitar a implanta\u00e7\u00e3o dos parques, acelera os processos de leil\u00f5es para evitar condi\u00e7\u00f5es estruturais e t\u00e9cnica de monitoramento e fiscaliza\u00e7\u00e3o, realiza isen\u00e7\u00e3o fiscal e como se n\u00e3o bastasse, financiam com dinheiro publico atrav\u00e9s do BNDES a constru\u00e7\u00e3o de todo o projeto.<\/p>\n<p>E para evitar resist\u00eancias das comunidades busca mediar os conflitos participando diretamente das negocia\u00e7\u00f5es e impondo o poder do Estado sobre os direitos das popula\u00e7\u00f5es, cooptam as lideran\u00e7as, burocratizam e provocam morosidade nos processos de solicita\u00e7\u00e3o dos direitos, em especial, territoriais reivindicados pelas comunidades.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia popular<\/strong><\/p>\n<p>Frente a este contexto adverso, mas com a explicita\u00e7\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o dos conflitos entre capital e trabalho, as popula\u00e7\u00f5es e comunidades passam a construir formas de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>As comunidades quilombolas de Caetit\u00e9 passaram a organizar e lutar pela garantia dos seus territ\u00f3rios e contra a implanta\u00e7\u00e3o dos parques e\u00f3licos.<\/p>\n<p>As comunidades de Santa Luzia, do mesmo munic\u00edpio, v\u00eam se organizando para denunciar os impactos provocados pelas empresas nas nascentes e rios das comunidades, assim como exigir pol\u00edticas p\u00fablicas e bem estar social \u00e0s comunidades (emprego, energia, sinal de celular e etc.).<\/p>\n<p>Em Guanambi e munic\u00edpios circunvizinhos (Pindai, Palmas de Monte Alto, Sebasti\u00e3o Laranjeiras e Urandi) que fazem parte do Parque da Serra dos Montes Altos surge o Movimento pela Defesa da Serra dos Montes Altos protagonizado pela juventude, profissionais da educa\u00e7\u00e3o, ativistas sociais e ambientais que conhecem a riqueza hist\u00f3rica, ecol\u00f3gica e arqueol\u00f3gica do Parque e se colocam pela defesa preserva\u00e7\u00e3o deste patrim\u00f4nio p\u00fablico.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-252\" src=\"http:\/\/suicabaiana.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/280px-Bahia_Municip_Igapora.svg_.png\" alt=\"Localiza\u00e7\u00e3o de Igapor\u00e3. (Reprodu\u00e7\u00e3o\/Wikipedia)\" width=\"280\" height=\"290\" \/><\/p>\n<p>E neste momento, o conflito mais acirrado envolve o munic\u00edpio de Igapor\u00e3.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o urbana, em especial, vem questionando os empregos prometidos pela empresa, mas que n\u00e3o se concretizaram, assim como in\u00fameras demiss\u00f5es que atingiram diretamente a m\u00e3o de obra local.<\/p>\n<p>Concomitante as comunidades organizadas nos grupos e articula\u00e7\u00f5es da igreja v\u00eam manifestando contra os impactos ambientais (destrui\u00e7\u00e3o de nascentes, desmatamento e etc.) e danos sociais (poeira, barulho, assedio sexual e outros.) provocados pelas empresas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo com a intensifica\u00e7\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es sociais, a empresa Renova Energia, respons\u00e1vel pelos parques e\u00f3licos na regi\u00e3o, at\u00e9 o momento se negou a ouvir as comunidades e a popula\u00e7\u00e3o, demonstrando arrog\u00e2ncia e autoritarismo frente \u00e0s comunidades.<\/p>\n<p>Por consequ\u00eancia, a popula\u00e7\u00e3o segue mobilizada durante toda esta semana, somando somente neste per\u00edodo quatro atos no munic\u00edpio, envolvendo desde a paralisa\u00e7\u00e3o dos canteiros de obra a manifesta\u00e7\u00e3o pelas ruas.<\/p>\n<p>As denuncias tamb\u00e9m envolvem a empresa Abengoa, respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o da linha de transmiss\u00e3o que ser\u00e1 utilizada em parte pela Renova Energia.<\/p>\n<p>Contra essa empresa o primeiro conflito expl\u00edcito envolveu a comunidade de Brejo do Tanque, em decorr\u00eancia da tentativa por parte da empresa em destruir a \u00fanica nascente de \u00e1gua que abastece a comunidade.<\/p>\n<p>Impacto que somente foi impedido, por consequ\u00eancia da mobiliza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as atuais manifesta\u00e7\u00f5es denunciam a morte de um funcion\u00e1rio que foi encontrado misturado junto ao concreto processado pelas m\u00e1quinas da empresa, apontam que a fam\u00edlia at\u00e9 o momento n\u00e3o foi indenizada e n\u00e3o existe investiga\u00e7\u00f5es sobre o caso.<\/p>\n<p>A empresa recentemente saiu do pa\u00eds, abandonando os projetos em curso, assim como as suas responsabilidades sociais e ambientais ap\u00f3s a fal\u00eancia do Novo Banco, BPI e Caixa Geral de Dep\u00f3sitos que integram a lista de credores da empresa espanhola de engenharia e energia renov\u00e1vel Abengoa.<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento desigual e contradit\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p>Este conjunto de quest\u00f5es nos faz refletir sobre a falsidade do que \u00e9 propagandeado pelas empresas, quanto ao desenvolvimento sustent\u00e1vel, gera\u00e7\u00e3o de empregos e energia limpa. Contudo, torna-se claro que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel qualquer rela\u00e7\u00e3o com esta caracter\u00edstica no interior da din\u00e2mica capitalista que tem como objetivo primeiro e central o lucro, n\u00e3o importando com os meios nem as consequ\u00eancias geradas.<\/p>\n<p>As den\u00fancias e levantes das popula\u00e7\u00f5es, ainda que fragmentadas e localizadas, passam a ser a express\u00e3o pura e verdadeira de busca por um real desenvolvimento sustent\u00e1vel, baseada na autonomia das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Trata-se de resistir como forma de reivindicar a pr\u00f3pria exist\u00eancia, com a perspectiva concreta de constru\u00e7\u00e3o de um projeto popular em que a vida e o bem estar social estejam em primeiro lugar.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em><strong>Jos\u00e9 Beniezio Eduardo Silva <\/strong>\u00e9 agente da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra na Bahia.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Sui\u00e7a Baiana<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Beniezio Eduardo Silva O avan\u00e7o do capital internacional sobre a Am\u00e9rica Latina, e neste caso tamb\u00e9m no Brasil, recoloca o Nordeste brasileiro dentro de uma nova configura\u00e7\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o do capital, como parte de uma etapa s\u00f3cio-hist\u00f3rica, caracterizada por um processo que decorre da realidade em vigor redesenhada no interior do pr\u00f3prio Estado-Na\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 definia Ianni (1996). 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