{"id":70040,"date":"2015-11-21T18:05:48","date_gmt":"2015-11-21T21:05:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=70040"},"modified":"2015-11-21T18:05:48","modified_gmt":"2015-11-21T21:05:48","slug":"entrevista-impeachment-e-cadaver-insepulto-no-meio-da-sala-diz-senador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2015\/11\/21\/entrevista-impeachment-e-cadaver-insepulto-no-meio-da-sala-diz-senador\/","title":{"rendered":"Entrevista: Impeachment \u00e9 cad\u00e1ver insepulto no meio da sala, diz senador"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"O l\u00edder do PR no Senado, Blairo Maggi\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2014\/08\/09\/0324\/pe6Cx\/blairo-maggi-senador-pr-20120315-original.jpeg?1402459864\" alt=\"O l\u00edder do PR no Senado, Blairo Maggi\" width=\"388\" height=\"218\" \/><figcaption>O l\u00edder do PR no Senado, Blairo Maggi<span class=\"credito\">(Lia de Paula\/Ag\u00eancia Senado\/VEJA)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, o senador Blairo Maggi (MT) figurou pela primeira vez na lista dos bilion\u00e1rios da revista americana Forbes. Empres\u00e1rio conhecido mundialmente como o &#8216;rei da soja&#8217;, apoiou a reelei\u00e7\u00e3o da presidente Dilma Rousseff e acreditou na promessa de uma economia capaz de alavancar ainda mais o imp\u00e9rio da fam\u00edlia, avaliado em impressionantes 5,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Um ano depois, o senador deixou o Partido da Rep\u00fablica em busca de protagonismo em Bras\u00edlia e de proje\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio nacional. Rec\u00e9m-filiado ao PMDB, ele se diz &#8220;enganado&#8221; pelo governo, afirma que a falta de credibilidade do Executivo coloca em xeque as chances de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e diz que uma eventual candidatura de Lula em 2018 seria uma &#8220;roubada&#8221;. No dia a dia do Congresso, acompanha as negocia\u00e7\u00f5es sobre a abertura de um poss\u00edvel processo de afastamento da presidente Dilma e avalia: &#8220;O impeachment \u00e9 um cad\u00e1ver insepulto no meio da sala&#8221;. A seguir os principais trechos da entrevista concedida ao site de VEJA.<\/p>\n<p><strong>O senhor apoiou a reelei\u00e7\u00e3o da presidente Dilma. Como v\u00ea o cen\u00e1rio econ\u00f4mico no primeiro ano do novo mandato?<\/strong> A economia est\u00e1 afundando igual Tele Sena, de hora em hora. Como a maioria dos brasileiros, estou frustrado com o que est\u00e1 acontecendo. Me sinto de certa forma ludibriado e enganado por terem escondido os n\u00fameros da economia. Venderam uma coisa que n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos. Tanto \u00e9 que na elei\u00e7\u00e3o est\u00e1vamos no c\u00e9u e hoje estamos no inferno. Esses n\u00fameros, quando vieram a p\u00fablico, trouxeram uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia na economia. O empresariado se ressente muito disso porque muitos fizeram investimentos. O cr\u00e9dito acabou. Com a diminui\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito pelos bancos, exigem mais garantias e juros mais caros. Banco \u00e9 igual cardume de peixe: quando vem um, v\u00eam todos. Quando um vai embora, vai todo mundo. Com isso, a economia entrou em uma decad\u00eancia muito acelerada. Muitas empresas come\u00e7am a ir para o caminho da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<!--more--><\/p>\n<p><strong>A rejei\u00e7\u00e3o do governo e da presidente Dilma \u00e9 causada essencialmente pela economia?<\/strong> S\u00e3o as duas coisas juntas, pol\u00edtica e economia, mas o peso da economia \u00e9 maior. A crise come\u00e7ou como uma crise pol\u00edtica, mas enquanto n\u00e3o tivermos uma recupera\u00e7\u00e3o na economia n\u00e3o vamos ter nenhum n\u00famero de melhora de conceito da presidente ou de qualquer outra coisa. E a tend\u00eancia \u00e9 a economia piorar. S\u00f3 tem um jeito de estancar isso e eu j\u00e1 disse para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy: h\u00e1 uma desconfian\u00e7a do mercado e uma desconfian\u00e7a na pol\u00edtica sobre qual o tamanho real do rombo do governo. Toda hora vem um n\u00famero. Enquanto o governo n\u00e3o colocar tudo na mesa &#8211; restos a pagar, dinheiro empenhado, estatais, pedaladas &#8211; n\u00e3o teremos uma retomada de crescimento. Tem desgaste, mas mais do que temos at\u00e9 aqui \u00e9 imposs\u00edvel. Ser\u00e1 que nesse d\u00e9ficit de 119,9 bilh\u00f5es de reais [previstos na revis\u00e3o da meta fiscal de 2015] est\u00e1 tudo? Tem que aproveitar o clima de terra arrasada e abrir o jogo.<\/p>\n<p><strong>O ministro Joaquim Levy foi escolhido para colocar a economia nos eixos, mas ele \u00e9 bombardeado pelo pr\u00f3prio governo.<\/strong> Um dos pontos que temos que fazer \u00e9 a retomada do crescimento, mas isso depende de credibilidade e \u00e9 isso que est\u00e1 abalado agora. Participei de algumas reuni\u00f5es com o ministro Levy e ningu\u00e9m tem tido muito polimento com ele, todo mundo tem sido muito duro nas coloca\u00e7\u00f5es. O que me parece \u00e9 que o ministro Levy em determinados momentos v\u00ea o problema da crise, mas parece que n\u00e3o incorpora o processo, como se fosse um agente externo. Talvez ele tenha que puxar isso, personalizar, falar &#8216;\u00e9 comigo&#8217;. E o Pal\u00e1cio tem que dar autonomia para ele fazer. O servi\u00e7o que tem que ser feito \u00e9 o que ele est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p><strong>Quer dizer que ningu\u00e9m quer assumir responsabilidade pela crise?<\/strong> O governo, na minha avalia\u00e7\u00e3o, olha para o Executivo, o Legislativo e o Judici\u00e1rio e os \u00f3rg\u00e3os auxiliares, e ningu\u00e9m dos tr\u00eas acham que \u00e9 culpado pela crise. Ningu\u00e9m dos tr\u00eas quer dar o primeiro passo para resolver o problema. N\u00e3o d\u00e1 para resolver se mantivermos as coisas como est\u00e3o. O governo vem e diz que precisa da CPMF? E o que eles est\u00e3o fazendo em troca? A gente v\u00ea todo dia pedido de aumento salarial, pedido de benef\u00edcio. N\u00e3o d\u00e1. Antes de decidirem sobre o fora Levy, tem que insistir nas coisas internas do governo, mudar o posicionamento, dar ao ministro carta branca para fazer o que tem que ser feito.<\/p>\n<p><strong>Diante do cen\u00e1rio econ\u00f4mico e da crise pol\u00edtica, como o senhor v\u00ea os movimentos pr\u00f3-impeachment?<\/strong> A troca de presidente poderia neste momento ser um alento para mudar o problema da economia e dar uma esperan\u00e7a pol\u00edtica. Faz parte do processo. Em times de futebol \u00e0s vezes se troca o t\u00e9cnico e ele passa a ganhar e at\u00e9 vira campe\u00e3o. O impeachment \u00e9 uma alternativa, mas neste momento n\u00e3o h\u00e1 elementos para fazer isso. E ningu\u00e9m quer ser patrocinador ou fomentador de um golpe, de uma ruptura institucional. Esse caminho do impeachment \u00e9 dif\u00edcil. Por outro lado, esse cad\u00e1ver insepulto do impeachment est\u00e1 na sala e enquanto n\u00e3o resolver isso, n\u00e3o se ganha nem credibilidade e nem acha massa pol\u00edtica cr\u00edtica para evoluir em outra situa\u00e7\u00e3o. Uma das solu\u00e7\u00f5es \u00e9 o governo fazer o enfrentamento, como o Fernando Henrique Cardoso fez, de deixar votar o impeachment. Abre, tira o cad\u00e1ver da sala. Votou o impeachment e n\u00e3o aprovou, tudo bem. E se aprovar o impeachment, \u00e9 o pre\u00e7o da democracia. Ningu\u00e9m quer patrocinar um neg\u00f3cio irregular, mas tamb\u00e9m se olha que o impeachment poderia ser uma solu\u00e7\u00e3o. A conclus\u00e3o que os senadores chegam \u00e9 que precisa de uma defini\u00e7\u00e3o. Viver mais tr\u00eas anos desse jeito \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do deputado Eduardo Cunha \u00e9 um fator complicador para o seguimento do impeachment?<\/strong> Esse \u00e9 outro problema. Talvez tenha que resolver o problema da C\u00e2mara, que me parece mais f\u00e1cil e com mais evid\u00eancias de irregularidades. Se resolver o problema da C\u00e2mara agiliza o processo. Mas s\u00e3o dois mancos se apoiando, um encostado no outro. \u00c9 evidente que ele n\u00e3o quer tomar provid\u00eancia contra a presidente para n\u00e3o perder o apoio do PT. O PT n\u00e3o quer tomar provid\u00eancia com ele para n\u00e3o agu\u00e7ar e ele tomar uma atitude contra a presidente. O jogo est\u00e1 colocado.<\/p>\n<p><strong>A ren\u00fancia de Dilma tamb\u00e9m cumpriria esse papel?<\/strong> Sem d\u00favida, mas isso \u00e9 uma coisa pessoal e zero fact\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>O senhor concorda com a tese de que o vice Michel Temer poderia n\u00e3o ser cassado caso o TSE condene a presidente por abuso de poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico?<\/strong> Tecnicamente n\u00e3o sei se \u00e9 poss\u00edvel. Politicamente acho que Temer poderia ser poupado. Quando prestamos contas das elei\u00e7\u00f5es, suplentes e candidatos a vice t\u00eam contas e tesoureiros separados. A princ\u00edpio me parece que a tese poderia prosperar.<\/p>\n<p><strong>O PMDB tem que ser mais expl\u00edcito se fica no governo ou se abandona Dilma?<\/strong> O PMDB n\u00e3o tem dono, mas tem obriga\u00e7\u00e3o de levantar a voz. O maior partido do Brasil tem a obriga\u00e7\u00e3o de se posicionar, de reclamar. O partido n\u00e3o pode ser submisso. O PMDB \u00e9 dividido. Temos que unificar o discurso para as elei\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea disputou dentro de uma chapa e, logo, tem responsabilidades. Acho muito ruim e dif\u00edcil simplesmente abandonar [o governo] porque nada deu certo. A responsabilidade \u00e9 formalizada na elei\u00e7\u00e3o. O PMDB foi l\u00e1, pediu voto, estava junto e tem obriga\u00e7\u00e3o m\u00ednima de ajudar a conduzir o processo at\u00e9 o fim do mandato. Mas isso pode ser feito de maior ou de menor intensidade. Foi errado nesta reforma que teve o PMDB ampliar seus espa\u00e7os no governo. Ele n\u00e3o precisaria ter feito isso. Deveria ter dado mais sinais de que est\u00e1 se afastando e dito &#8216;sou respons\u00e1vel junto, mas da forma que est\u00e1 n\u00e3o d\u00e1&#8217;. O que n\u00e3o pode \u00e9 falar &#8216;da forma que est\u00e1 n\u00e3o d\u00e1&#8217; e depois pegar mais um peda\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>O PMDB defende a candidatura pr\u00f3pria \u00e0 Presid\u00eancia em 2018. Acha que o ex-presidente Lula deve tamb\u00e9m ser candidato?<\/strong> Lula gosta do enfrentamento e n\u00e3o tem medo do debate. Mas o que ele ter\u00e1 de pensar muito em um terceiro mandato \u00e9 que ele teria de concorrer com ele mesmo, com os dois mandatos que teve. Isso traz uma dificuldade enorme para quem quer voltar. A compara\u00e7\u00e3o vai ser feita com o governo dele. E o mundo de 2015, de 2018 \u00e9 diferente do que era em 2003. Pode ser uma roubada. N\u00e3o sei se voc\u00eas j\u00e1 o ouviram falar isso &#8216;mito tem que morrer novo, no auge&#8217;. O presidente foi ao auge e depois vai l\u00e1 embaixo brigar com ele mesmo em uma elei\u00e7\u00e3o? Eu n\u00e3o recomendo se candidatar. Voc\u00ea vai ficando na mesmice administrativa, os problemas pol\u00edticos continuam os mesmos. A pr\u00f3pria estrutura do governo precisa ser quebrada. A altern\u00e2ncia de poder \u00e9 muito interessante. O terceiro e quarto escal\u00f5es est\u00e3o escondidos nesses minist\u00e9rios h\u00e1 12 anos. Se voltar o PT no governo, v\u00e3o ficar 20 anos. Tem que quebrar isso. O lulopetismo deu. Esse ciclo acabou e \u00e9 isso que a popula\u00e7\u00e3o brasileira olha hoje. Vamos alternar um pouco.<\/p>\n<p>Fonte: Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O l\u00edder do PR no Senado, Blairo Maggi(Lia de Paula\/Ag\u00eancia Senado\/VEJA) Em mar\u00e7o deste ano, o senador Blairo Maggi (MT) figurou pela primeira vez na lista dos bilion\u00e1rios da revista americana Forbes. Empres\u00e1rio conhecido mundialmente como o &#8216;rei da soja&#8217;, apoiou a reelei\u00e7\u00e3o da presidente Dilma Rousseff e acreditou na promessa de uma economia capaz de alavancar ainda mais o imp\u00e9rio da fam\u00edlia, avaliado em impressionantes 5,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Um ano depois, o senador deixou o Partido da Rep\u00fablica em busca de protagonismo em Bras\u00edlia e de proje\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio nacional. 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