{"id":69400,"date":"2015-10-04T15:13:33","date_gmt":"2015-10-04T18:13:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=69400"},"modified":"2015-10-04T15:13:33","modified_gmt":"2015-10-04T18:13:33","slug":"fmi-lagarde-nao-ha-duvida-de-que-o-pais-atravessa-tempos-dificeis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2015\/10\/04\/fmi-lagarde-nao-ha-duvida-de-que-o-pais-atravessa-tempos-dificeis\/","title":{"rendered":"FMI, Lagarde: \u2018N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o pa\u00eds atravessa tempos dif\u00edceis\u2019"},"content":{"rendered":"<p>RIO &#8211; Quase meio s\u00e9culo depois de sua realiza\u00e7\u00e3o no Brasil, as reuni\u00f5es anuais do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e do Banco Mundial voltam a ter sede em um pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina, desta vez no Peru. Antes de sua chegada a Lima, em entrevista exclusiva por e-mail a editores do Grupo de Di\u00e1rios Am\u00e9rica (GDA), a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, falou sobre as \u201cs\u00e9rias dificuldades econ\u00f4micas\u201d do Brasil e sobre as \u201cincertezas\u201d geradas na esteira da crise pol\u00edtica, que tem como centro a investiga\u00e7\u00e3o na Petrobras. E destacou que a restaura\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit fiscal em 2016 \u00e9 \u201cum passo na dire\u00e7\u00e3o certa\u201d, a fim de manter o pa\u00eds como \u201cmotor de crescimento da regi\u00e3o\u201d. Al\u00e9m disso, a chefe da entidade avalia que a queda no pre\u00e7o das commodities afetou n\u00e3o s\u00f3 o n\u00edvel de renda dos pa\u00edses da regi\u00e3o como os investimentos. O resultado \u00e9 uma queda no potencial produtivo. Neste cen\u00e1rio, recomenda reformas em infraestrutura e capital humano.<\/p>\n<p>\u201cEl Comercio&#8221; (Peru): Se a hist\u00f3ria nos ensina algo, \u00e9 que as crises financeiras mundiais se repetem. Na vis\u00e3o do FMI, quais s\u00e3o as novas fontes de risco?<\/p>\n<p>Estamos em melhores condi\u00e7\u00f5es hoje do que h\u00e1 cinco anos, por exemplo, para tornar os sistemas financeiros globais mais resilientes. As autoridades de todo o mundo fizeram progressos significativos na defini\u00e7\u00e3o de requisitos de capital e liquidez mais rigorosos e na aplica\u00e7\u00e3o de sobretaxas de capital aos megabancos internacionais, al\u00e9m de regras claras em mat\u00e9ria de supervis\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o. Dito isso, \u00e9 \u00f3bvio que para nos anteciparmos \u00e0 pr\u00f3xima crise, precisamos avan\u00e7ar mais em outras \u00e1reas importantes. Por exemplo, o modelo de \u201cbancos gigantes\u201d, que s\u00e3o grandes demais para quebrar, ainda \u00e9 problem\u00e1tico. A opacidade dos balan\u00e7os tamb\u00e9m preocupa; a atividade banc\u00e1ria paralela ainda \u00e9 uma \u00e1rea que parece concentrar riscos. Tamb\u00e9m precisamos de mais consist\u00eancia nos regulamentos mundiais e na sua aplica\u00e7\u00e3o, sobretudo em \u00e1reas como a resolu\u00e7\u00e3o de bancos. Por isso, apesar dos progressos, concluir a reforma do setor financeiro ainda \u00e9 um objetivo fundamental para garantir que tenhamos um sistema financeiro global que apoie a estabilidade e o crescimento.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cEl Comercio&#8221;: As taxas de juros dos EUA continuam em 0% desde 2008, e na Europa e no Jap\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que as taxas permane\u00e7am negativas por v\u00e1rios anos. Isso for\u00e7a os investidores a ir em busca de riscos para obter um retorno. O que o FMI est\u00e1 monitorando nesse aspecto?<\/p>\n<p>Como assinalei, para estar \u00e0 frente da evolu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos, precisamos continuar a fazer progressos na transpar\u00eancia do setor financeiro, aperfei\u00e7oando a regulamenta\u00e7\u00e3o nos planos nacional, regional e internacional e \u2014 acima de tudo \u2014 continuando a colaborar para atingirmos a meta de um setor de servi\u00e7os financeiros s\u00f3lido e resiliente que apoie a economia real de forma eficaz.<\/p>\n<p>O GLOBO: Recentemente, a S&amp;P baixou a nota de cr\u00e9dito do Brasil e, al\u00e9m disso, o governo enfrenta enormes dificuldades pol\u00edticas no Congresso para aprovar um ajuste fiscal para 2016. O Brasil \u00e9 uma decep\u00e7\u00e3o? Qual a gravidade da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 \u00f3bvio que o Brasil enfrenta s\u00e9rias dificuldades econ\u00f4micas. A previs\u00e3o \u00e9 que a economia sofra forte contra\u00e7\u00e3o este ano devido \u00e0 queda do investimento e do consumo, sendo prov\u00e1vel que permane\u00e7a em territ\u00f3rio negativo em 2016 (nossas previs\u00f5es revistas ser\u00e3o publicadas nesta ter\u00e7a-feira). Al\u00e9m disso, a crise pol\u00edtica provocada pela investiga\u00e7\u00e3o em curso na Petrobras criou incertezas que, por sua vez, afetaram a confian\u00e7a de consumidores e empresas. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o pa\u00eds atravessa tempos dif\u00edceis e que isso j\u00e1 est\u00e1 se traduzindo em um aumento das taxas de desemprego e na deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es credit\u00edcias.<\/p>\n<p>O GLOBO: Que progresso espera em termos de pol\u00edtica fiscal?<\/p>\n<p>Para melhorar a situa\u00e7\u00e3o e recuperar a confian\u00e7a, o investimento e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o crescimento, \u00e9 essencial restabelecer a sustentabilidade fiscal e fortalecer os quadros de pol\u00edtica macroecon\u00f4mica. Falando mais especificamente de pol\u00edtica fiscal, acreditamos que a situa\u00e7\u00e3o fiscal do Brasil teria muito a ganhar com a ado\u00e7\u00e3o de uma abordagem robusta, estrat\u00e9gica e ambiciosa, focada no al\u00edvio das press\u00f5es cr\u00f4nicas e estruturais da despesa. Isso certamente ajudaria a trazer a tend\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB para n\u00edveis sustent\u00e1veis e a estimular a confian\u00e7a. Nesse sentido, saudamos os esfor\u00e7os envidados pelas autoridades para restaurar o super\u00e1vit fiscal em 2016, que constitui um passo na dire\u00e7\u00e3o certa para assegurar a sustentabilidade fiscal. Tais medidas, em conjunto com um esfor\u00e7o cont\u00ednuo para implementar reformas estruturais destinadas a aumentar a produtividade, a competitividade, s\u00e3o essenciais para garantir um crescimento duradouro e preservar os extraordin\u00e1rios avan\u00e7os alcan\u00e7ados pelo Brasil na luta contra a pobreza e a desigualdade nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>PUBLICIDADE<\/p>\n<p>O GLOBO: Quais as poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es de uma crise no Brasil para o restante da Am\u00e9rica Latina?<\/p>\n<p>O Brasil ainda \u00e9 a maior economia da regi\u00e3o e um importante mercado emergente. Portanto, o que ocorre no Brasil afeta seus vizinhos, a regi\u00e3o e muito mais. Esperamos que as autoridades brasileiras tomem as medidas necess\u00e1rias para garantir que o pa\u00eds continue sendo o motor de crescimento da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEl Mercurio&#8221; (Chile): Quais s\u00e3o suas proje\u00e7\u00f5es para as commodities e o impacto dos baixos pre\u00e7os sobre as economias exportadoras, como os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul?<\/p>\n<p>Segundo nossas proje\u00e7\u00f5es, os pre\u00e7os internacionais das commodities est\u00e3o baixos e, no futuro pr\u00f3ximo, permanecer\u00e3o muito abaixo dos n\u00edveis m\u00e1ximos registrados em 2011. \u00c9 \u00f3bvio isso implica desafios cont\u00ednuos para os exportadores l\u00edquidos de commodities da Am\u00e9rica do Sul \u2014 seja por seus reflexos sobre os menores n\u00edveis de renda nacional, decl\u00ednio do investimento, ou deteriora\u00e7\u00e3o dos saldos fiscais. Ademais, para al\u00e9m da deteriora\u00e7\u00e3o das perspectivas de investimento, o potencial produtivo da regi\u00e3o tamb\u00e9m declinou. Portanto, para restaurar o crescimento e diversificar suas economias, os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul ter\u00e3o de empreender reformas de grande envergadura. Refiro-me, em especial, a duas quest\u00f5es: a lacuna de infraestruturas na regi\u00e3o ainda \u00e9 significativa, e \u00e9 preciso melhorar o capital humano. Isso significa melhores redes de transportes e comunica\u00e7\u00f5es, melhor saneamento e abastecimento de \u00e1gua, sistemas educacionais mais eficientes e competitivos e melhores servi\u00e7os de sa\u00fade. Isso n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel sem elevar os n\u00edveis de investimento em infraestruturas e aumentar a poupan\u00e7a dos pa\u00edses sul-americanos, algo que n\u00e3o se consegue da noite para o dia. Mas uma economia mais resiliente, produtiva e diversificada \u00e9 sem d\u00favida uma meta em que vale a pena investir.<\/p>\n<p>\u201cEl Comercio&#8221;: Por que o Peru foi escolhido para sediar as reuni\u00f5es anuais do FMI e do Banco Mundial e por que \u00e9 importante que as reuni\u00f5es sejam realizadas nesse pa\u00eds?<\/p>\n<p>O Peru \u00e9 um pa\u00eds vibrante, com um rico patrim\u00f4nio cultural. Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, fez progressos impressionantes na eleva\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de vida de sua popula\u00e7\u00e3o e na transforma\u00e7\u00e3o de sua economia em um dos mais din\u00e2micos mercados emergentes do mundo. Esta \u00e9 a primeira vez em quase 50 anos que as reuni\u00f5es est\u00e3o de volta \u00e0 Am\u00e9rica Latina. A regi\u00e3o passou por mudan\u00e7as radicais desde que nos reunimos no Brasil em 1967 e as reuni\u00f5es dar\u00e3o uma \u00f3tima oportunidade para fazer um balan\u00e7o do ponto em que os pa\u00edses se encontram e que caminhos querem seguir.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO &#8211; Quase meio s\u00e9culo depois de sua realiza\u00e7\u00e3o no Brasil, as reuni\u00f5es anuais do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e do Banco Mundial voltam a ter sede em um pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina, desta vez no Peru. Antes de sua chegada a Lima, em entrevista exclusiva por e-mail a editores do Grupo de Di\u00e1rios Am\u00e9rica (GDA), a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, falou sobre as \u201cs\u00e9rias dificuldades econ\u00f4micas\u201d do Brasil e sobre as \u201cincertezas\u201d geradas na esteira da crise pol\u00edtica, que tem como centro a investiga\u00e7\u00e3o na Petrobras. 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