{"id":69358,"date":"2015-10-01T09:07:15","date_gmt":"2015-10-01T12:07:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=69358"},"modified":"2015-10-01T09:07:15","modified_gmt":"2015-10-01T12:07:15","slug":"jovens-negros-e-pobres-sao-maioria-entre-vitimas-de-chacinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2015\/10\/01\/jovens-negros-e-pobres-sao-maioria-entre-vitimas-de-chacinas\/","title":{"rendered":"Jovens negros e pobres s\u00e3o maioria entre v\u00edtimas de chacinas"},"content":{"rendered":"<p>Por volta das 23h do dia 18 de abril deste ano, tr\u00eas pessoas armadas entraram na sede da torcida organizada do Corinthians (Pavilh\u00e3o 9), na zona oeste da capital, logo ap\u00f3s um churrasco. Doze torcedores ainda estavam no local. Quatro deles conseguiram fugir, mas os demais foram obrigados a se ajoelhar e a deitar no ch\u00e3o. Todos foram executados. Sete morreram no local. A oitava v\u00edtima chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital.<\/p>\n<p>Todas as v\u00edtimas dessa chacina tinham entre 19 e 38 anos. Em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o parente de um dos torcedores assassinados, que pediu para n\u00e3o ser identificado por medo de retalia\u00e7\u00e3o, disse que o jovem era estudante e trabalhador.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tinha nenhum tipo de v\u00edcio. A \u00fanica coisa que ele gostava de fazer era torcer para um time de futebol\u201d, disse. O jovem assassinado tamb\u00e9m n\u00e3o tinha passagem pela pol\u00edcia. \u201cE mesmo que eles [as v\u00edtimas] n\u00e3o estivessem trabalhando ou que estivessem fazendo bico. A coisa \u00e9 o seguinte: por que est\u00e1 desempregado tem que morrer? Por que j\u00e1 passou pela pol\u00edcia tem que morrer? E esses 19 que foram mortos l\u00e1 em Osasco e que nem passagem tinham?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>A maioria das v\u00edtimas das chacinas ocorridas em S\u00e3o Paulo \u00e9 jovem e mora na periferia, segundo representantes do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e da Defensoria P\u00fablica de S\u00e3o Paulo ouvidos pela <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. Na chacina de Carapicu\u00edba, por exemplo, ocorrida no dia 19 de setembro, tr\u00eas dos quatro mortos tinham menos de 18 anos: dois deles tinham 16 e um, 17 anos. J\u00e1 nas chacinas de Osasco e de Barueri, do dia 13 de agosto, as v\u00edtimas tinham entre 15 e 41 anos.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cExiste um estere\u00f3tipo. Geralmente [as v\u00edtimas] s\u00e3o pobres, de cor negra e jovens. E tem tamb\u00e9m estere\u00f3tipo de linguagem e de comportamento coletivo. Isso tem chamado muito a aten\u00e7\u00e3o: a padroniza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima\u201d, disse Rildo Marques, presidente do Condepe.<\/p>\n<div class=\"know_more\">\n<h3>Saiba Mais<\/h3>\n<ul class=\"field-items\">\n<li class=\"field-item first\"><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2015-09\/investigacao-e-punicao-sao-armas-para-combate-chacinas\">Investiga\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o s\u00e3o armas para combate a chacinas, dizem especialistas<\/a><\/li>\n<li class=\"field-item last\"><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2015-09\/sao-paulo-registra-15-chacinas-este-ano-numero-ja-e-igual-ao-de\">S\u00e3o Paulo registra 15 chacinas este ano; n\u00famero j\u00e1 \u00e9 igual ao de 2014<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Segundo a defensora p\u00fablica Daniela Skromov de Albuquerque, as v\u00edtimas ou os parentes das v\u00edtimas s\u00e3o pessoas \u201ctraumatizadas com as a\u00e7\u00f5es do Estado\u201d.\u201cS\u00e3o pessoas j\u00e1 massacradas pela vida perif\u00e9rica que levam. E mais massacradas ainda pelo poder letal. \u00c9 completamente enlouquecedor voc\u00ea passar uma vida ouvindo que a pol\u00edcia serve para proteger, brinca de pol\u00edcia e bandido, paga os impostos e, de repente, o imposto que voc\u00ea paga financiou a bala que matou o seu filho. Ou as balas, porque s\u00e3o v\u00e1rias\u201d, disse Daniela.<\/p>\n<p>D\u00e9bora Maria da Silva, que perdeu o filho na onda violenta de maio de 2006 no estado e ajudou a fundar o movimento M\u00e3es de Maio, diz que as v\u00edtimas das chacinas ou da viol\u00eancia policial s\u00e3o pessoas como seu filho: \u201cpobre, preto e perif\u00e9rico\u201d. A quest\u00e3o da pobreza, segundo ela, tem um grande peso na \u201csele\u00e7\u00e3o\u201d feita pelos executores. \u201cH\u00e1 brancos dos olhos azuis assassinados, mas eles n\u00e3o t\u00eam um CPF com conta banc\u00e1ria robusta. Matam aqueles que n\u00e3o tem acesso \u00e0 Justi\u00e7a\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz com base em dados obtidos por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o junto \u00e0 Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica revelou que as v\u00edtimas de chacinas s\u00e3o ainda mais jovens que as de homic\u00eddios praticados no estado de forma geral. \u201cEntre as v\u00edtimas em chacinas temos quase 28% delas na faixa entre 15 e 19 anos e, comparado com homic\u00eddio normal, esse n\u00famero n\u00e3o chega a 8%\u201d, disse Bruno Langeani, coordenador do instituto.<\/p>\n<p>Ainda segundo o levantamento, a maioria das v\u00edtimas \u00e9 do sexo masculino. \u201cOlhando geograficamente, vemos que, infelizmente, grande parte das chacinas acontece nas periferias da capital e tamb\u00e9m h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o na Grande S\u00e3o Paulo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O perfil das v\u00edtimas j\u00e1 havia sido constatado por um levantamento feito pela Defensoria P\u00fablica em 2012, ano em que foram registrados numerosos casos de chacinas devido a retalia\u00e7\u00f5es entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e policiais. Entre maio e dezembro daquele ano, per\u00edodo analisado pela Defensoria com base em mat\u00e9rias publicadas pela imprensa, ocorreram 610 mortes possivelmente relacionadas com o que eles chamaram de \u201conda de viol\u00eancia\u201d. Desse total, 86% das v\u00edtimas eram do sexo masculino e grande parte delas tinha entre 20 e 40 anos de idade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o mesmo perfil das pessoas que s\u00e3o paradas pela pol\u00edcia na rua. \u00c9 um perfil id\u00eantico. \u00c9 jovem, normalmente mulato, da periferia, que tem atitudes que determinados policiais consideram como suspeito. N\u00e3o necessariamente \u00e9\u201d, disse Guaracy Mingardi, ex-subsecret\u00e1rio nacional de seguran\u00e7a p\u00fablica e integrante do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>Para o parente de um dos jovens mortos no Pavilh\u00e3o 9, ainda h\u00e1 muito o que esclarecer sobre a chacina na sede da torcida do Corinthians.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edcia at\u00e9 agora n\u00e3o diz os motivos. O que eu acho? N\u00e3o tenho o que achar. A \u00fanica coisa que eu ouvi, que a pol\u00edcia disse para mim, \u00e9 que meu parente estava no local errado na hora errada. T\u00e1, mas quem fez isso? Por que fizeram isso? N\u00e3o sei por qual motivo eles fizeram isso. Por que eles s\u00e3o torcedores? Por que s\u00e3o pobres, pretos? Tem muita coisa nesse inqu\u00e9rito que n\u00e3o foi dita&#8221;, desabafou.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Basil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por volta das 23h do dia 18 de abril deste ano, tr\u00eas pessoas armadas entraram na sede da torcida organizada do Corinthians (Pavilh\u00e3o 9), na zona oeste da capital, logo ap\u00f3s um churrasco. Doze torcedores ainda estavam no local. Quatro deles conseguiram fugir, mas os demais foram obrigados a se ajoelhar e a deitar no ch\u00e3o. Todos foram executados. Sete morreram no local. A oitava v\u00edtima chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital. Todas as v\u00edtimas dessa chacina tinham entre 19 e 38 anos. 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