{"id":68987,"date":"2015-09-09T20:15:37","date_gmt":"2015-09-09T23:15:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=68987"},"modified":"2015-09-09T20:16:30","modified_gmt":"2015-09-09T23:16:30","slug":"realidade-de-times-femininos-vai-de-atletas-sem-chuteiras-a-clubes-bem-equipados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2015\/09\/09\/realidade-de-times-femininos-vai-de-atletas-sem-chuteiras-a-clubes-bem-equipados\/","title":{"rendered":"Realidade de times femininos vai de atletas sem chuteiras a clubes bem equipados"},"content":{"rendered":"<figure class=\"teaser\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"media-image attr__typeof__foaf:Image img__fid__38382 img__view_mode__teaser attr__format__teaser\" title=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_grande\/public\/brasil_x_mexico_-_pan_2015_-_rafael_ribeiro_cbf_01.jpeg?itok=QXqdXfGK\" alt=\"futebol feminino\" width=\"390\" height=\"261\" \/><figcaption>Durante dois meses, vinte times de futebol feminino, de 14 estados, v\u00e3o participar do campeonato brasileiro<span class=\"author\">Rafael Ribeiro\/Divulga\u00e7\u00e3o CBF<\/span><\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Vinte times de futebol feminino, de 14 estados, iniciaram a disputa pelo t\u00edtulo de campe\u00e3o brasileiro no dia 7 de setembro. Durante dois meses, as equipes v\u00e3o participar do campeonato que ocorre anualmente desde 2013 e \u00e9 organizado pela Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF). Pela primeira vez, os jogos poder\u00e3o ser assistidos em TV aberta. A transmiss\u00e3o pela <strong>TV Brasil<\/strong> come\u00e7a hoje (9) com a partida entre Santos e Pinheirense, \u00e0s 15h.<\/p>\n<p>Entre os times, condi\u00e7\u00f5es bem diferentes de prepara\u00e7\u00e3o. No Maranh\u00e3o, o Esporte Clube Viana tem dificuldades para conseguir campo para treinar e as jogadoras n\u00e3o t\u00eam chuteiras. J\u00e1 o Kindermann, de Santa Catarina, tem estrutura pr\u00f3pria, como campo e alojamento, que garante a prepara\u00e7\u00e3o das jogadoras. Nos dois casos, os times s\u00e3o os \u00fanicos a representar seus estados na competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A atacante do Viana, Alessandra Moreira, 20 anos, terminou o ensino m\u00e9dio no ano passado e conta com o apoio da m\u00e3e para continuar a jogar. \u201cA gente tem que se virar, porque aqui ningu\u00e9m ajuda. Eu penso em investir na carreira, mas se depender de S\u00e3o Lu\u00eds, vai ser dif\u00edcil\u201d, relatou a jogadora criticando a falta de incentivo do Poder P\u00fablico e de interesse de patrocinadores.<\/p>\n<p>A jovem batalha por um convite para jogar em times mais estruturados do Sul e do Sudeste e sonha com uma convoca\u00e7\u00e3o para a Sele\u00e7\u00e3o Feminina Permanente. Os planos encontram obst\u00e1culos, entretanto, na falta de itens b\u00e1sicos para os treinos. \u201c\u00c0s vezes, tem campo, mas n\u00e3o tem chuteira. Tem que pedir emprestado. \u00c9 dif\u00edcil imaginar, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, n\u00e3o \u00e9?\u201d, declarou.<!--more--><\/p>\n<p>A menos de duas semanas do campeonato, essa era a situa\u00e7\u00e3o do time maranhense que completou duas d\u00e9cadas este ano. Viturino Santos, presidente do clube, conta que tem dificuldades para conseguir recursos para viabilizar o treino do time. Para o aluguel do campo de futebol, ele precisava de R$ 150 (para duas horas). Para custeio da passagem das jogadoras, mais R$ 120, a cada treino.\u00a0 \u201cA gente faz das tripas cora\u00e7\u00e3o para fazer o futebol feminino. \u00c9 uma dificuldade danada. A gente tira do bolso mesmo para poder fazer\u201d, lamentou. Diante das dificuldades, n\u00e3o h\u00e1 uma regularidade nos treinos. \u201cA gente treina um dia e passa quatro sem\u201d, relatou.<\/p>\n<p>As jogadoras tamb\u00e9m n\u00e3o recebem ajuda de custo ou sal\u00e1rio. \u201cFico muito triste com isso. Tem umas que trabalham e outras n\u00e3o, porque estudam. As meninas mais novas, que t\u00eam entre 16 e 18 anos, moram com os pais ainda. Os treinos s\u00e3o \u00e0 noite justamente por isso\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Viturino conta que o Viana, que \u00e9 origin\u00e1rio do munic\u00edpio de mesmo nome, a 230 km de S\u00e3o Lu\u00eds, precisou mudar sua sede para a capital para viabilizar a participa\u00e7\u00e3o das jogadoras. \u201cEstamos em S\u00e3o Lu\u00eds mesmo, porque as meninas s\u00e3o daqui. Em 2011, tivemos apoio [da prefeitura de Viana] e contratamos at\u00e9 jogadoras de outros estados\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>A capit\u00e3 e zagueira do S\u00e3o Jos\u00e9 Esporte Clube, Daiane Rodrigues, ou Bag\u00e9, como foi batizada por causa da cidade em que nasceu no Rio Grande do Sul, conhece bem as dificuldades de mulheres que decidem apostar no futebol.<\/p>\n<p>\u201cMinha hist\u00f3ria \u00e9 de muita luta. Meu tio emprestava a chuteira. Eu cal\u00e7ava 36 e ele, 38. Tinha que p\u00f4r dois mei\u00f5es e duas palmilhas. Estou contando minha hist\u00f3ria, mas a grande maioria das meninas passam [por isso]. Meus professores faziam vaquinha para eu poder viajar\u201d, disse.<\/p>\n<div class=\"know_more\">\n<h3>Saiba Mais<\/h3>\n<ul class=\"field-items\">\n<li class=\"field-item first\"><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2015-09\/persistencia-de-jogadoras-contribuiu-para-crescimento-do-futebol-feminino\">Persist\u00eancia de jogadoras contribuiu para crescimento do futebol feminino<\/a><\/li>\n<li class=\"field-item last\"><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2015-09\/futebol-feminino-clubes-cedem-escudo-mas-apoio-e-garantido-pelo-poder-publico\">Futebol feminino: clubes cedem escudo, mas apoio \u00e9 garantido pelo Poder P\u00fablico<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Desde o in\u00edcio da carreira, Bag\u00e9 treina em times paulistas e conseguiu se manter como profissional do futebol, mas fez quest\u00e3o de concluir a gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica.<\/p>\n<p>Aos 32 anos, com vit\u00f3rias pela sele\u00e7\u00e3o brasileira e com carreira reconhecida no futebol feminino, ela lamenta que a falta de apoio ainda seja uma realidade para muitas jogadoras.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rios estados n\u00e3o t\u00eam estrutura para o esporte. Muitas meninas est\u00e3o fazendo porque amam o que fazem. Olhar para a companheira do lado e ver que ela n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es corta o cora\u00e7\u00e3o dentro do campo, mesmo ela sendo sua advers\u00e1ria\u201d, disse.<\/p>\n<p>No S\u00e3o Jos\u00e9, Bag\u00e9 recebe uma ajuda de custo, que \u00e9 paga com apoio da prefeitura de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP). O clube permite o uso do escudo, mas n\u00e3o oferece infraestrutura \u00e0 equipe feminina. O time da cidade mant\u00e9m apenas a masculina.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente para as jogadoras do Kindermann, de Santa Catarina. O clube tem a pr\u00f3pria estrutura de treino, as atletas recebem ajuda de custo (entre R$ 500 e R$ 3,8 mil), contam com alojamentos com cl\u00ednica de fisioterapia, al\u00e9m de receber bolsa integral de estudos em raz\u00e3o da parceria com a Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (Uniarp).<\/p>\n<p>O clube, que existe h\u00e1 40 anos no munic\u00edpio catarinense de Ca\u00e7ador, deixou de lado o futebol masculino e, desde 2004, aposta apenas na modalidade feminina. De acordo com o presidente Sal\u00e9zio Kindermann, a decis\u00e3o de investir nas mulheres veio depois da divis\u00e3o dos times em s\u00e9rie, o que diminuiu o tamanho dos campeonatos locais.<\/p>\n<p>O Kindermann \u00e9 um dos favoritos do Brasileir\u00e3o deste ano. O time feminino de futebol de campo, que existe desde 2008, \u00e9 heptacampe\u00e3o catarinense, atual vice-campe\u00e3o brasileiro e campe\u00e3o da Copa do Brasil. Da equipe, duas jogadoras foram convidadas para a sele\u00e7\u00e3o: Andressinha e Gabi Zanotti.<\/p>\n<p>Sal\u00e9zio Kindermann explica que o time n\u00e3o tem muitos patrocinadores e que ele mesmo investe, anualmente, de R$ 150 mil a R$ 180 mil. \u201cConsidero que seja um trabalho social. \u00c9 como a gente pode contribuir para o esporte. \u00c9 uma paix\u00e3o que a gente tem\u201d, declarou o presidente, dono de um hotel na cidade com o mesmo nome do time.<\/p>\n<p><strong>Brasileir\u00e3o das mulheres<\/strong><\/p>\n<p>Os times que disputam o Campeonato Brasileiro Feminino est\u00e3o divididos em quatro grupos com cinco equipes cada, que se enfrentam na primeira fase da competi\u00e7\u00e3o. Os dois melhores de cada grupo seguem para as etapas seguintes: segunda fase (oito clubes distribu\u00eddos em dois grupos), semifinal (quatro clubes distribu\u00eddos em dois grupos) e final (um grupo de dois clubes).<\/p>\n<p>Uma novidade nesta edi\u00e7\u00e3o \u00e9 que, na segunda fase da competi\u00e7\u00e3o, os times poder\u00e3o contar com o refor\u00e7o de jogadoras da sele\u00e7\u00e3o permanente. Os crit\u00e9rios do sistema de sele\u00e7\u00e3o, conhecido como draft, ainda ser\u00e3o divulgados.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo \u00e9 o estado com o maior n\u00famero de times na competi\u00e7\u00e3o. Ser\u00e3o seis na disputa pelo t\u00edtulo: Adeco, Ferrovi\u00e1ria, Portuguesa, Rio Preto, Santos e S\u00e3o Jos\u00e9. Em seguida, est\u00e1 o Rio de Janeiro com dois clubes: Duque de Caxias e Flamengo. Os demais estados participantes t\u00eam apenas um clube: Iranduba (AM), S\u00e3o Francisco (BA), Caucaia (CE), Viana (MA), Mixto (MT), Am\u00e9rica (MG), Pinheirense (PA), Botafogo (PB), Foz Cataratas (PR), Vit\u00f3ria (PE), Tiradentes (PI) e Kindermann (SC). Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante dois meses, vinte times de futebol feminino, de 14 estados, v\u00e3o participar do campeonato brasileiroRafael Ribeiro\/Divulga\u00e7\u00e3o CBF Vinte times de futebol feminino, de 14 estados, iniciaram a disputa pelo t\u00edtulo de campe\u00e3o brasileiro no dia 7 de setembro. Durante dois meses, as equipes v\u00e3o participar do campeonato que ocorre anualmente desde 2013 e \u00e9 organizado pela Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF). Pela primeira vez, os jogos poder\u00e3o ser assistidos em TV aberta. A transmiss\u00e3o pela TV Brasil come\u00e7a hoje (9) com a partida entre Santos e Pinheirense, \u00e0s 15h. 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