{"id":6873,"date":"2010-04-20T09:03:37","date_gmt":"2010-04-20T12:03:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=6873"},"modified":"2010-04-20T09:03:37","modified_gmt":"2010-04-20T12:03:37","slug":"nossa-amazonia-pecuaristas-buscam-caminhos-para-produzir-sem-desmatar-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/20\/nossa-amazonia-pecuaristas-buscam-caminhos-para-produzir-sem-desmatar-a-amazonia\/","title":{"rendered":"Nossa Amaz\u00f4nia: Pecuaristas buscam caminhos para produzir sem desmatar a Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"pecuaristas\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_tUkHHCyk8_k\/SlIqudCNkGI\/AAAAAAAAFh8\/lGpLHqGLJFg\/s400\/GADO+AMAZONIA.jpg\" alt=\"\" width=\"168\" height=\"240\" \/>Com 1.300 cabe\u00e7as de gado, Querino de Marchi, fazendeiro de L\u00e1brea (AM) poderia se considerar um homem realizado, principalmente para quem saiu do interior de S\u00e3o Paulo h\u00e1 mais de trinta anos sem dinheiro algum.<\/p>\n<p>O sucesso econ\u00f4mico, no entanto, n\u00e3o trouxe tranquilidade. O t\u00edtulo da \u00e1rea que ele comprou est\u00e1 sendo contestado pela Justi\u00e7a. E, ainda por cima, ele desmatou mais do que os 20% permitidos hoje na Amaz\u00f4nia. Se n\u00e3o reflorestar, pode perder a fazenda.<\/p>\n<p>\u201cSe o povo do Ibama, Incra tivesse orientado como seria a mata, ningu\u00e9m tinha feito todo esse terreno n\u00e3o. Eu ia aproveitar a madeira e ia ficar a mata beleza, que ia me dar o mesmo lucro do boi ou mais. S\u00f3 que hoje n\u00e3o tenho mais recurso para isso. Como vou reflorestar tudo isso aqui? N\u00e3o tenho recurso\u201d, conta De Marchi.<\/p>\n<p><strong>Empurrados<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a hist\u00f3ria comum a muitos criadores de gado da Amaz\u00f4nia. Eles dizem que foram empurrados para o desmatamento: nas d\u00e9cadas de 70 e 80, quem n\u00e3o abria pasto, n\u00e3o recebia t\u00edtulo de propriedade.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEm Boca-do-Acre, tamb\u00e9m no Amazonas, 80% das fazendas de gado est\u00e3o irregulares. O munic\u00edpio j\u00e1 foi uma terra sem lei. Os pecuaristas chegavam, compravam uma posse, ocupavam uma terra p\u00fablica, desmatavam sem respeitar qualquer limite. Mas os tempos s\u00e3o outros, muitos fazendeiros receberam multas pesadas e est\u00e3o sendo pressionados a se legalizar. Sem alternativa, eles decidiram negociar com o governo.<\/p>\n<p>Ao todo, 132 fazendeiros aderiram ao &#8220;Boca do Acre legal&#8221;, projeto que tenta p\u00f4r ordem nas propriedades de um munic\u00edpio devastado por pastagens.<\/p>\n<p>Gilvan Onofre Souza, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Pecuaristas de Boca do Acre diz o que pede ao governo: \u201cNos perdoe os crimes que cometemos porque n\u00e3o foi de prop\u00f3sito. Os fazendeiros se comprometeram a recuperar os danos que causaram\u201d, relata.<\/p>\n<p>\u201cVamos reflorestar margens de igarap\u00e9s, nascentes que a gente est\u00e1 vendo que cometemos um erro grandioso nesse sentido\u201d. Hoje, al\u00e9m das multas, existe a press\u00e3o do mercado, que rejeita produtos que venham de \u00e1reas desmatadas da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>&#8220;O mundo pede pra voc\u00ea ser legal hoje. Como \u00e9 que n\u00f3s vamos vender boi sem estar legal?&#8221; questiona o pecuarista Lincoln Fioreze.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o pode estar no aumento da produtividade. Em Tom\u00e9-A\u00e7u (PA), o pecuarista Mauro L\u00facio de Castro Costa consegue 415 quilos de carne por hectare contra uma m\u00e9dia de apenas 120 na regi\u00e3o. Ele usou todas as t\u00e9cnicas j\u00e1 conhecidas para enriquecer o solo pobre da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea tem um pasto de boa qualidade e uma das coisas muito importantes no solo \u00e9 a mat\u00e9ria org\u00e2nica. Quando voc\u00ea trabalha com sobra de capim, vai apodrecendo e vai virando mat\u00e9ria org\u00e2nica para o solo, voc\u00ea consegue ter todos os micronutrientes\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Agr\u00f4nomos e ambientalistas est\u00e3o convencidos de que a recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para conciliar a produ\u00e7\u00e3o de carne e leite na Amaz\u00f4nia com a preserva\u00e7\u00e3o da floresta. Uma das t\u00e9cnicas \u00e9 integrar lavoura com pecu\u00e1ria, por exemplo plantando o capim junto com milho. A lavoura do milho \u00e9 que vai pagar a aduba\u00e7\u00e3o e o pasto vai crescer depois da colheita, a um custo bem mais baixo.<\/p>\n<p>\u201cSe todo mundo resolvesse recuperar pastagem degradada, voc\u00ea no m\u00ednimo conseguiria dobrar ou at\u00e9 triplicar a produ\u00e7\u00e3o de carne e leite da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, sem a necessidade de derrubar uma s\u00f3 \u00e1rvore.\u201d afirma Moacir Dias filho, agr\u00f4nomo da Embrapa.<\/p>\n<p>Globo Amaz\u00f4nia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com 1.300 cabe\u00e7as de gado, Querino de Marchi, fazendeiro de L\u00e1brea (AM) poderia se considerar um homem realizado, principalmente para quem saiu do interior de S\u00e3o Paulo h\u00e1 mais de trinta anos sem dinheiro algum. O sucesso econ\u00f4mico, no entanto, n\u00e3o trouxe tranquilidade. O t\u00edtulo da \u00e1rea que ele comprou est\u00e1 sendo contestado pela Justi\u00e7a. E, ainda por cima, ele desmatou mais do que os 20% permitidos hoje na Amaz\u00f4nia. Se n\u00e3o reflorestar, pode perder a fazenda. \u201cSe o povo do Ibama, Incra tivesse orientado como seria a mata, ningu\u00e9m tinha feito todo esse terreno n\u00e3o. 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