{"id":6586,"date":"2010-04-17T18:37:49","date_gmt":"2010-04-17T21:37:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=6586"},"modified":"2010-04-17T18:37:49","modified_gmt":"2010-04-17T21:37:49","slug":"nossa-amazonia-gerar-riqueza-sem-devastacao-e-desafio-para-o-futuro-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/17\/nossa-amazonia-gerar-riqueza-sem-devastacao-e-desafio-para-o-futuro-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Nossa Amaz\u00f4nia: Gerar riqueza sem devasta\u00e7\u00e3o \u00e9 desafio para o futuro da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" title=\"amazonia\" src=\"http:\/\/www.globoamazonia.com\/Amazonia\/foto\/0,,40184970-EX,00.jpg\" alt=\"\" width=\"291\" height=\"141\" \/>Os tempos s\u00e3o outros e a\u00a0mentalidade dos fazendeiros da Amaz\u00f4nia aos poucos come\u00e7a a mudar. A\u00a0agropecu\u00e1ria fez o desmatamento avan\u00e7ar sobre a floresta, mas formas de recupera\u00e7\u00e3o t\u00eam surgido para compensar o estrago que foi feito.<\/p>\n<p>Everton Melchior, produtor de soja em Mato Grosso, por exemplo, tem um projeto do qual se orgulha muito: a recupera\u00e7\u00e3o da mata original em uma \u00e1rea de nascente de \u00e1gua. \u201cH\u00e1 5 anos n\u00e3o existia essa \u00e1gua que tem aqui hoje. Vai ser \u00e1gua com correnteza forte aqui, se Deus quiser\u201d, diz.<\/p>\n<p>Melchior plantou mogno, cedro, jatob\u00e1, aroeira, pau-brasil. Ele fez isso n\u00e3o s\u00f3 para se enquadrar na lei ambiental, mas tamb\u00e9m por raz\u00f5es econ\u00f4micas. Ao recuperar as reservas de \u00e1gua, a soja vai render mais.\u00a0<\/p>\n<div>\n<h2>\u00a0<!--more--><\/h2>\n<\/div>\n<p>No estado do Par\u00e1, Massao Ozaki, pioneiro da Amaz\u00f4nia, agora vive de reflorestamento de dend\u00ea, e diz que a ocupa\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de 40 anos atr\u00e1s virou crime e n\u00e3o \u00e9 mais vi\u00e1vel economicamente: \u201cO modelo dos colonos naquela \u00e9poca ele derrubava um alqueire de terra, plantava o arroz, a\u00ed outro ano ele derruba outro alqueire de terra, aqui virava capoeira\u201d.<\/p>\n<p>Fazendeiros que respeitam o meio ambiente se ressentem com a imagem negativa que ficou. \u201cQuando fomos chamados pra vir, fomos chamados com o lema que era \u2018integrar pra n\u00e3o entregar\u2019. Quem veio naquela \u00e9poca, na d\u00e9cada de 60, 70, era um her\u00f3i. E hoje n\u00f3s somos considerados bandidos\u201d, queixa-se o fazendeiro Mauro L\u00facio de Castro Costa.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o sobre a Amaz\u00f4nia passou por fases distintas. At\u00e9 as d\u00e9cadas de 70 e 80, a floresta era vista como terreno a ser conquistado e explorado intensivamente. Depois, quando se despertou para a import\u00e2ncia da biodiversidade da floresta passou-se para o extremo oposto, toda esta \u00e1rea deveria permanecer intocada. Agora surge uma nova vis\u00e3o, a da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica racional da Amaz\u00f4nia. Ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel gerar riqueza sem destruir a floresta?<\/p>\n<p><strong>Intensifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, acredita que sim. \u201cTemos que reduzir a quantidade de gado nos pastos, trazendo para confinamentos ou semi-confinamentos, e liberar esses espa\u00e7os para a agricultura, que hoje \u00e9 da pecu\u00e1ria. Ao mesmo tempo, n\u00e3o deixar com que a pecu\u00e1ria avance sobre novas \u00e1reas da floresta\u201d<\/p>\n<p>A pecu\u00e1ria ser\u00e1 vigiada pelo mercado, prev\u00ea o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, com base num acordo com supermercados para banir a carne de desmatamento. \u201cNo segundo semestre desse ano, carne originada de desmatamento tanto da Amaz\u00f4nia quanto do cerrado, do Pantanal, vai estar fora das prateleiras dos supermercados. Acho isso mais eficaz do que muitos fiscais e muitos policiais\u201d, aponta Minc.<\/p>\n<p><strong>Madeira<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA madeira vai se tornar mais rara e mais cara, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon), que usa imagens de sat\u00e9lite para ca\u00e7ar madeireiros ilegais.<\/p>\n<p>\u201cTem um grande Big Brother que permite o setor madeireiro ser vigiado de todos os lados. Vai ficar muito dif\u00edcil o madeireiro se esconder do sat\u00e9lite. Ele vai localizar onde tem explora\u00e7\u00e3o ilegal, essa informa\u00e7\u00e3o vai para o governo, vai para os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, vai para a imprensa e vai ter uma press\u00e3o muito grande pra coibir qualquer explora\u00e7\u00e3o ilegal que tenha na Amaz\u00f4nia\u201d, prev\u00ea Adalberto Ver\u00edssimo, pesquisador-s\u00eanior e coordenador de pesquisas do Imazon.<\/p>\n<p>\u201cTemos agora que provar para o mundo que somos bons gestores da floresta amaz\u00f4nica. Isso n\u00e3o significa manter a floresta intocada e o povo pobre. Tamb\u00e9m n\u00e3o significa desenvolvimento a qualquer custo, desmatar a floresta. \u00c9 o equil\u00edbrio que poucos pa\u00edses no mundo conseguiram. A maioria que tinha floresta n\u00e3o conseguiu. Estamos em busca de algo in\u00e9dito. O Brasil tem as condi\u00e7\u00f5es para isso. Agora, precisamos avan\u00e7ar\u201d conclui Justiniano de Queiroz Netto, diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias Exportadoras de Madeira do Estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Globo Amazonas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tempos s\u00e3o outros e a\u00a0mentalidade dos fazendeiros da Amaz\u00f4nia aos poucos come\u00e7a a mudar. A\u00a0agropecu\u00e1ria fez o desmatamento avan\u00e7ar sobre a floresta, mas formas de recupera\u00e7\u00e3o t\u00eam surgido para compensar o estrago que foi feito. Everton Melchior, produtor de soja em Mato Grosso, por exemplo, tem um projeto do qual se orgulha muito: a recupera\u00e7\u00e3o da mata original em uma \u00e1rea de nascente de \u00e1gua. \u201cH\u00e1 5 anos n\u00e3o existia essa \u00e1gua que tem aqui hoje. Vai ser \u00e1gua com correnteza forte aqui, se Deus quiser\u201d, diz. Melchior plantou mogno, cedro, jatob\u00e1, aroeira, pau-brasil. 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