{"id":6464,"date":"2010-04-16T07:43:22","date_gmt":"2010-04-16T10:43:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=6464"},"modified":"2010-04-16T07:43:22","modified_gmt":"2010-04-16T10:43:22","slug":"confrontos-por-terra-tornaram-se-mais-frequentes-no-governo-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2010\/04\/16\/confrontos-por-terra-tornaram-se-mais-frequentes-no-governo-lula\/","title":{"rendered":"Confrontos por terra tornaram-se mais frequentes no governo Lula"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/mepr.org.br\/midia\/imagens\/noticias\/2010\/fevereiro\/lula_usando_o_bon_do_mst.jpg\" alt=\"\" width=\"371\" height=\"236\" \/><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 25 anos, o per\u00edodo com o maior n\u00famero de conflitos agr\u00e1rios no Pa\u00eds foi o do governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. De acordo com estudo divulgado ontem pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), a m\u00e9dia anual de conflitos registrados entre 2003, quando Lula assumiu, e 2009 chegou a 929.<\/p>\n<p>\u00a0O recorde anterior havia sido observado no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, com a m\u00e9dia de 800 conflitos por ano. &#8220;O per\u00edodo entre 2003 e 2009 \u00e9 claramente o de maior conflitividade desde o in\u00edcio da redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, em 1985&#8221;, disse o ge\u00f3grafo Carlos Walter Porto-Gon\u00e7alves, pesquisador da Universidade Federal Fluminense e autor do estudo que aponta o grau de tens\u00e3o no campo em diferentes fases da hist\u00f3ria recente do Pa\u00eds.<\/p>\n<p><!--more-->Assessor do setor de documenta\u00e7\u00e3o da CPT, Porto-Gon\u00e7alves lastreou seu trabalho em s\u00e9ries estat\u00edsticas produzidas pela institui\u00e7\u00e3o. Para fazer sua an\u00e1lise, ele dividiu a hist\u00f3ria recente do Pa\u00eds em cinco per\u00edodos &#8211; de acordo com ciclos de a\u00e7\u00f5es dos movimentos sociais e da vida democr\u00e1tica. O primeiro, de 1985 a 1990, \u00e9 o per\u00edodo imediatamente ap\u00f3s a ditadura militar, quando a viol\u00eancia no campo atinge o maior volume de assassinatos j\u00e1 registrado na hist\u00f3ria recente. Foram quase 130 mortes por ano naquela \u00e9poca, quando existia uma grande expectativa de mudan\u00e7a, em meio aos debates da Assembleia Constituinte.<\/p>\n<p>No segundo per\u00edodo, de 1991 a 1995, a democracia se consolida e os movimentos de sem-terra ganham for\u00e7a. O terceiro per\u00edodo dura de 1996 a 2000. \u00c9 quando, sob o governo de Fernando Henrique Cardoso, os sem-terra se tornam mais ousados e promovem a maior onda de invas\u00f5es de terras j\u00e1 registrada.<\/p>\n<p>O quarto per\u00edodo envolve os dois \u00faltimos anos do mandato de Fernando Henrique, que, para conter a onda de invas\u00f5es, baixou uma medida provis\u00f3ria que tornava indispon\u00edveis para a reforma agr\u00e1ria as propriedades rurais invadidas pelos sem-terra. O ato provocou um refluxo nas invas\u00f5es e fez a m\u00e9dia anual de conflitos cair de 800 para 536.<\/p>\n<p>O \u00faltimo per\u00edodo \u00e9 o que trata do governo Lula, quando a medida provis\u00f3ria do governo anterior \u00e9 praticamente ignorada e as invas\u00f5es aumentam &#8211; assim como as rea\u00e7\u00f5es dos propriet\u00e1rios rurais e da m\u00e1quina do Estado, especialmente o Judici\u00e1rio. A m\u00e9dia anual de fam\u00edlias despejadas quase dobrou, passando de 11.781 nos dois \u00faltimos anos do governo Fernando Henrique para 22 mil nos 7 anos do governo Lula.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Porto-Gon\u00e7alves, esse aumento das tens\u00f5es na zona agr\u00e1ria nos \u00faltimos sete anos tem uma correla\u00e7\u00e3o direta com o avan\u00e7o da democracia.<\/p>\n<p>Despejo. &#8220;A elei\u00e7\u00e3o de Lula, um oper\u00e1rio ligado ao Partido dos Trabalhadores, significou a afirma\u00e7\u00e3o do processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o, criou enormes expectativas de mudan\u00e7as e, ao mesmo tempo, a\u00e7ulou o medo das oligarquias rurais, que passaram a reagir com maior intensidade e mais viol\u00eancia&#8221;, disse o pesquisador. &#8220;Mas n\u00e3o foi s\u00f3 a viol\u00eancia do poder privado que aumentou. No per\u00edodo recente houve um crescimento not\u00e1vel no n\u00famero de fam\u00edlias despejadas de \u00e1reas ocupadas, o que significa que a viol\u00eancia do poder p\u00fablico tamb\u00e9m aumentou.&#8221;<\/p>\n<p>Os n\u00fameros da pesquisa foram apresentados em S\u00e3o Paulo, durante evento organizado para marcar os 25 anos de s\u00e9ries estat\u00edsticas da CPT sobre conflitos no campo. Na ocasi\u00e3o, o presidente da comiss\u00e3o, bispo Ladislau Biernaski, tamb\u00e9m divulgou o relat\u00f3rio de 2009 &#8211; indicando que a tens\u00e3o aumentou em rela\u00e7\u00e3o a 2008. O n\u00famero de conflitos, envolvendo invas\u00f5es, mortes, despejos e outros acontecimentos, subiu de 1.170 para 1.184.<\/p>\n<p>O bispo anunciou ainda que a CPT vai apoiar em setembro a realiza\u00e7\u00e3o de plebiscito para saber se a popula\u00e7\u00e3o aprova ou n\u00e3o a ideia de impor um limite ao tamanho da propriedade rural no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Estad\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos 25 anos, o per\u00edodo com o maior n\u00famero de conflitos agr\u00e1rios no Pa\u00eds foi o do governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. 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