{"id":64322,"date":"2015-01-12T14:41:28","date_gmt":"2015-01-12T17:41:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=64322"},"modified":"2015-01-12T14:41:28","modified_gmt":"2015-01-12T17:41:28","slug":"brasil-concede-no-recorde-de-refugios-em-2014-sirios-ja-sao-o-maior-grupo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2015\/01\/12\/brasil-concede-no-recorde-de-refugios-em-2014-sirios-ja-sao-o-maior-grupo\/","title":{"rendered":"Brasil concede n\u00ba recorde de ref\u00fagios em 2014; s\u00edrios j\u00e1 s\u00e3o o maior grupo"},"content":{"rendered":"<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"O engenheiro s\u00edrio Talal Al Tinawi vive com a fam\u00edlia em S\u00e3o Paulo e diz que n\u00e3o pensa em voltar ao pa\u00eds natal. A admira\u00e7\u00e3o pelo Ocidente \u00e9 vista na cole\u00e7\u00e3o de souvenirs de lugares que visitou, exposta na sala de casa (Foto: F\u00e1bio Tito\/G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/AR8fZ6J4x8Fx_yZSEHBcpf20r40=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/01\/09\/al-tinawi_ftito-13a.jpg\" alt=\"O engenheiro s\u00edrio Talal Al Tinawi vive com a fam\u00edlia em S\u00e3o Paulo e diz que n\u00e3o pensa em voltar ao pa\u00eds natal. A admira\u00e7\u00e3o pelo Ocidente \u00e9 vista na cole\u00e7\u00e3o de souvenirs de lugares que visitou, exposta na sala de casa (Foto: F\u00e1bio Tito\/G1)\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><strong>O engenheiro s\u00edrio Talal Al Tinawi vive com a fam\u00edlia em S\u00e3o Paulo e diz que n\u00e3o pensa em voltar ao pa\u00eds natal. A admira\u00e7\u00e3o pelo Ocidente \u00e9 vista na cole\u00e7\u00e3o de souvenirs de lugares que visitou, exposta na sala de casa (Foto: F\u00e1bio Tito\/G1)<\/strong><\/div>\n<div id=\"6993\" class=\"flash componente_materia\"><object width=\"300\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=10.0,0,0,0\"><\/object><\/div>\n<p>O Brasil concedeu no ano passado 2.320 ref\u00fagios a estrangeiros, um recorde. \u00c9 o que mostram dados do Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (Conare), do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, obtidos pelo <strong>G1<\/strong>. Isso representa mais de tr\u00eas vezes o n\u00famero de solicita\u00e7\u00f5es aceitas em 2013 (649), o maior registro at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Dos pedidos aceitos, mais da metade \u2013 1.405 \u2013 s\u00e3o de s\u00edrios, que agora ocupam o primeiro lugar no total de refugiados no pa\u00eds. S\u00e3o 1.740. Eles ultrapassaram os colombianos (1.263) e os angolanos (1.071). Com as novas concess\u00f5es, o Brasil tem, ao todo, 7.662 refugiados de 81 nacionalidades diferentes \u2013 um aumento de 47% em um ano (<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/mundo\/refugiados-brasil-2014.html\">veja mapa com a origem de todos<\/a>).<\/p>\n<p><!--more-->Milh\u00f5es de pessoas deixaram a S\u00edria em busca de ref\u00fagio em na\u00e7\u00f5es vizinhas e, em alguns casos, em pa\u00edses distantes como o Brasil, em raz\u00e3o da guerra civil que n\u00e3o cessa e j\u00e1 provocou a morte de quase 200 mil pessoas, segundo ONGs de direitos humanos.<\/p>\n<p>Desde 2013, quando foi identificado o fluxo de s\u00edrios, o Conare implementou, a pedido da Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (Acnur), um \u201cprocedimento acelerado\u201d no momento de analisar as solicita\u00e7\u00f5es de ref\u00fagio. Houve uma simplifica\u00e7\u00e3o dos procedimentos, com a redu\u00e7\u00e3o de question\u00e1rios e a unifica\u00e7\u00e3o de entrevistas com diferentes autoridades antes da an\u00e1lise do pedido.<\/p>\n<p>De acordo com o Conare, a produtividade do \u00f3rg\u00e3o saltou de 33 solicita\u00e7\u00f5es analisadas por plen\u00e1ria em 2011 para 368 em 2014 (mais de 1.000% de aumento).<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-310\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Para a s\u00edria Dana Albalkhi, que d\u00e1 aulas de ingl\u00eas, conseguir emprego \u00e9 um dos maiores desafios dos refugiados (Foto: Dana Albalkhi\/Arquivo pessoal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/AbbaToTXQcLJwX08YgDdSIJknGM=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/01\/06\/dana.jpg\" alt=\"Para a s\u00edria Dana Albalkhi, que d\u00e1 aulas de ingl\u00eas, conseguir emprego \u00e9 um dos maiores desafios dos refugiados (Foto: Dana Albalkhi\/Arquivo pessoal)\" width=\"310\" height=\"465\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-310\"><strong>Para a s\u00edria Dana, que d\u00e1 aulas de ingl\u00eas,conseguir<br \/>\nemprego \u00e9 um dos maiores desafios dos<br \/>\nrefugiados (Foto: Dana Albalkhi\/Arquivo pessoal)<\/strong><\/div>\n<p>Layla Ielo, brasileira que participa de um grupo de apoio a refugiados s\u00edrios na Mesquita do Br\u00e1s, em S\u00e3o Paulo, confirma que o processo de obten\u00e7\u00e3o do protocolo de ref\u00fagio tem sido muito mais \u00e1gil. \u201cAntes eles esperavam quatro, cinco meses para conseguir a documenta\u00e7\u00e3o. No meio do ano passado, a espera foi zerada. Agora voltou a se acumular por causa do volume de pessoas que chegam, mas est\u00e1 demorando s\u00f3 uma semana\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O ref\u00fagio \u00e9 um direito de estrangeiros garantido por uma conven\u00e7\u00e3o da ONU de 1951 e ratificada por lei no Brasil em 1997. Segundo o minist\u00e9rio, o ref\u00fagio pode ser solicitado por &#8220;qualquer estrangeiro que possua fundado temor de persegui\u00e7\u00e3o por motivos de ra\u00e7a, religi\u00e3o, opini\u00e3o p\u00fablica, nacionalidade ou por pertencer a grupo social espec\u00edfico e tamb\u00e9m por aqueles que tenham sido obrigados a deixar seu pa\u00eds de origem devido a uma grave e generalizada viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos\u201d.<\/p>\n<div class=\"saibamais componente_materia\"><strong>saiba mais<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/mundo\/siria\/index.html\">Crise na S\u00edria<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/revolta-arabe\/noticia\/2013\/08\/entenda-guerra-civil-da-siria.html\">Entenda a guerra civil<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Em 2014, os libaneses foram o segundo grupo com mais pedidos de ref\u00fagio aceitos: 361. O n\u00famero se explica, em parte, tamb\u00e9m devido \u00e0 guerra na S\u00edria. Al\u00e9m de enfrentar problemas econ\u00f4micos, j\u00e1 que os refugiados do pa\u00eds vizinho j\u00e1 comp\u00f5em 1\/3 da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, houve agravamento de tens\u00f5es sect\u00e1rias e um aumento consider\u00e1vel da viol\u00eancia, especialmente nas \u00e1reas de fronteira.<\/p>\n<p>Na terceira posi\u00e7\u00e3o aparecem os congoleses. Conflitos entre governo e opositores do regime do presidente Joseph Kabila t\u00eam causado mortes e continuam a gerar p\u00e2nico na popula\u00e7\u00e3o. De acordo com os dados do Conare, 174 habitantes do pa\u00eds africano obtiveram o status no ano passado.<\/p>\n<p><strong>\u2018Invas\u00e3o s\u00edria\u2019<\/strong><br \/>\nA brasileira Layla Ielo diz que o principal problema agora \u00e9 encontrar lugar para alojar os s\u00edrios que chegam a S\u00e3o Paulo \u2013 segundo ela, s\u00e3o, em m\u00e9dia, tr\u00eas fam\u00edlias toda semana. \u201cAgora a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria ficou muito pior por causa desse grupo, o Estado Isl\u00e2mico, que mata at\u00e9 crian\u00e7as e idosos. A\u00ed eles querem sair de l\u00e1 desesperadamente\u201d, afirma.<\/p>\n<div class=\"olho componente_materia\">\n<div>1.740<\/div>\n<div>\u00e9 o n\u00famero de refugiados s\u00edrios, o maior grupo agora no pa\u00eds<\/div>\n<\/div>\n<p>Muitas vezes s\u00e3o tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es que fogem juntas ao mesmo tempo. \u201cVem o pai, a m\u00e3e, as crian\u00e7as, os av\u00f3s. A comunidade \u00e1rabe da cidade, que no in\u00edcio abrigava o pessoal, j\u00e1 absorveu o m\u00e1ximo que poderia. T\u00ednhamos conseguido hot\u00e9is que cobravam uma taxa simb\u00f3lica, mas eles n\u00e3o querem mais cobrar menos. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ca\u00f3tica. Tem alguns dormindo na rua por causa disso\u201d, conta.<\/p>\n<p>O grupo O\u00e1sis, do qual Layla participa, quer montar uma casa de acolhida para os refugiados s\u00edrios e tem se reunido com representantes dos governos municipal, estadual e federal para buscar uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra batalha \u00e9 para conseguir emprego para os que chegam \u2013 muitos deles, profissionais com curso superior. Uma das ideias para 2015 \u00e9 montar um curso de \u00e1rabe para brasileiros, em que os professores sejam refugiados s\u00edrios.<\/p>\n<div class=\"frase-materia componente_materia expandido\">\n<div class=\"frase\">Acho que falta muito tempo ainda para a guerra acabar. Aqui j\u00e1 tenho meu trabalho, meus filhos falam portugu\u00eas bem. Temos nossa vida aqui&#8221;<\/div>\n<div class=\"autor\">Talal Al Tinawi, engenheiro s\u00edrio<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Emprego<\/strong><br \/>\nConseguir emprego tem sido um dos maiores desafios para a professora de ingl\u00eas Dana, de 26 anos, que est\u00e1 no Brasil h\u00e1 pouco mais de um ano. Em S\u00e3o Paulo, a jovem j\u00e1 trabalhou em uma loja de roupas no Bom Retiro, ensinou ingl\u00eas em uma escola de idiomas, deu aulas particulares de \u00e1rabe para brasileiros e trabalhou em uma entidade ligada a uma mesquita. Agora, ela trabalha em uma sociedade beneficente mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>Com o portugu\u00eas afiado, Dana, que no in\u00edcio s\u00f3 se comunicava por gestos, diz que pensa em viver no Brasil por muito tempo. \u201cNo come\u00e7o foi muito dif\u00edcil, mas depois que fiz amigos brasileiros, ficou f\u00e1cil. Agora estou feliz\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ela diz que nem todos os s\u00edrios que chegam conseguem se adaptar bem ao Brasil, mas a maioria se esfor\u00e7a para aprender o idioma e se estabelecer.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Talal Al Tinawi posa para foto com a fam\u00edlia na sala de sua casa, no Br\u00e1s (Foto: F\u00e1bio Tito\/G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/3fZ-KUKmRSjdLRsfYo_dzXcfV88=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/01\/09\/al-tinawi_ftito-21a.jpg\" alt=\"Talal Al Tinawi posa para foto com a fam\u00edlia na sala de sua casa, no Br\u00e1s (Foto: F\u00e1bio Tito\/G1)\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><strong>Talal Al Tinawi posa para foto com a fam\u00edlia na sala<br \/>\nde sua casa, no Br\u00e1s (Foto: F\u00e1bio Tito\/G1)<\/strong><\/div>\n<p>\u00c9 o caso do engenheiro Talal Al Tinawi, que chegou a S\u00e3o Paulo em dezembro de 2013 com a mulher e os dois filhos. Ele \u00e9 um dos poucos refugiados que j\u00e1 conseguiram emprego em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s passar um tempo vendendo roupas infantis no Br\u00e1s, Talal obteve o protocolo de ref\u00fagio em fevereiro de 2014. Hoje, trabalha em uma empresa de engenharia.<\/p>\n<p>Os filhos, Yara e Riad, est\u00e3o na escola e j\u00e1 falam portugu\u00eas. Ele e a mulher, Ghazal, esperam outro beb\u00ea, que nascer\u00e1 no Brasil.<\/p>\n<p>\u00c1vidos por se adaptarem \u00e0 vida no novo pa\u00eds, eles costumam fazer passeios em museus e parques da cidade junto com novos amigos brasileiros. O Natal e o r\u00e9veillon eles passaram na casa de uma fam\u00edlia de S\u00e3o Paulo. Mesmo quando a guerra chegar ao fim, n\u00e3o pensam em voltar para a S\u00edria. \u201cAcho que falta muito tempo ainda para a guerra acabar. Aqui j\u00e1 tenho meu trabalho, meus filhos falam portugu\u00eas bem. Temos nossa vida aqui. No futuro s\u00f3 quero voltar l\u00e1 para visitar\u201d, conclui. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O engenheiro s\u00edrio Talal Al Tinawi vive com a fam\u00edlia em S\u00e3o Paulo e diz que n\u00e3o pensa em voltar ao pa\u00eds natal. A admira\u00e7\u00e3o pelo Ocidente \u00e9 vista na cole\u00e7\u00e3o de souvenirs de lugares que visitou, exposta na sala de casa (Foto: F\u00e1bio Tito\/G1) O Brasil concedeu no ano passado 2.320 ref\u00fagios a estrangeiros, um recorde. \u00c9 o que mostram dados do Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (Conare), do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, obtidos pelo G1. Isso representa mais de tr\u00eas vezes o n\u00famero de solicita\u00e7\u00f5es aceitas em 2013 (649), o maior registro at\u00e9 ent\u00e3o. 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