{"id":64019,"date":"2014-12-28T10:23:52","date_gmt":"2014-12-28T13:23:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=64019"},"modified":"2014-12-28T10:23:52","modified_gmt":"2014-12-28T13:23:52","slug":"petrolao-delivery-de-propina-fazia-entrega-ate-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2014\/12\/28\/petrolao-delivery-de-propina-fazia-entrega-ate-no-exterior\/","title":{"rendered":"Petrol\u00e3o: delivery de propina fazia entrega at\u00e9 no exterior"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"subtitle t-medium-darkgray heavy\">Investiga\u00e7\u00f5es revelam conex\u00f5es no exterior do esquema de corrup\u00e7\u00e3o da Petrobras. A OAS, uma das empreiteiras envolvidas, mantinha uma \u201cconta-corrente\u201d usada, entre outras coisas, para enviar dinheiro sujo a v\u00e1rios pa\u00edses<\/h4>\n<div class=\"signature dotted-border-top\">Robson Bonin<\/div>\n<div class=\"img-article veja\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy\" title=\"O entregador?- Rafael  ngulo Lopez era o respons\u00e1vel na quadrilha pela distribui\u00e7\u00e3o de dinheiro dentro e fora do Brasil\" src=\"http:\/\/veja1.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/12\/254223\/RAFAEL-DENUNCIANTE-size-598.jpg?1419632208\" alt=\"O entregador?- Rafael  ngulo Lopez era o respons\u00e1vel na quadrilha pela distribui\u00e7\u00e3o de dinheiro dentro e fora do Brasil\" width=\"598\" height=\"336\" data-original=\"http:\/\/veja1.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/12\/254223\/RAFAEL-DENUNCIANTE-size-598.jpg?1419632208\" \/><\/p>\n<p class=\"t-smaller-darkgray\">O entregador?- Rafael \u00c2ngulo Lopez era o respons\u00e1vel na quadrilha pela distribui\u00e7\u00e3o de dinheiro dentro e fora do Brasil<span class=\"t-smaller-lightgray\">(Jefferson Coppola\/VEJA)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 duas semanas, VEJA revelou em detalhes como funcionava a entrega de propina em domic\u00edlio, o j\u00e1 imortalizado \u201cmoney delivery\u201d do petrol\u00e3o, um servi\u00e7o inovador em mat\u00e9ria de corrup\u00e7\u00e3o criado pelo doleiro Alberto Youssef para agradar a \u201cclientes especiais\u201d da quadrilha que desviou bilh\u00f5es da Petrobras. Rafael \u00c2ngulo Lopez, bra\u00e7o-direito do doleiro, era quem comandava esse setor. Durante a \u00faltima d\u00e9cada, ele cruzou o pa\u00eds de norte a sul em voos comerciais com fortunas em c\u00e9dulas escondidas sob as roupas que eram entregues aos figur\u00f5es da Rep\u00fablica em hot\u00e9is, apartamentos, escrit\u00f3rios, estacionamentos, postos de gasolina e aeroportos. Rafael aprimorou o trabalho do cl\u00e1ssico \u201chomem da mala\u201d. Em vez de valise, ele cumpria suas miss\u00f5es mais delicadas com o corpo coberto por camadas de notas fixadas com fita adesiva e filme pl\u00e1stico, daquele usado para embalar alimentos. Ciente da influ\u00eancia e do prest\u00edgio dos destinat\u00e1rios de suas \u201cencomendas\u201d, Rafael registrou o dia, o local e o montante de cada entrega que realizou a pol\u00edticos. Um arquivo valioso que, para desespero dos corruptos, ele resolveu entregar \u00e0 Justi\u00e7a em troca de um acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada. Isso era o que se sabia at\u00e9 agora. Detalhes in\u00e9ditos do arquivo em poder da Pol\u00edcia Federal mostram que, al\u00e9m de implantar a entrega de propina em domic\u00edlio em todo o territ\u00f3rio nacional, a quadrilha estendeu o servi\u00e7o de remessas a outros pa\u00edses.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/brasil\/racha-no-clube-do-bilhao-camargo-correa-negocia-acordo\">Racha no clube do bilh\u00e3o: Camargo Corr\u00eaa negocia acordo<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Destacado nos \u00faltimos anos para fazer a entrega de quantias que variavam de 50?000 a 900?000 reais a figuras importantes da Rep\u00fablica, como o ex-presidente e senador Fernando Collor, o tesoureiro nacional do PT, Jo\u00e3o Vaccari Neto, governadores (Roseana Sarney), ministros do governo Dilma Rousseff (M\u00e1rio Negromonte) e deputados federais (Nelson Meurer, Luiz Arg\u00f4lo e Andr\u00e9 Vargas), o \u201chomem das boas not\u00edcias\u201d, como o carregador de dinheiro era conhecido, tamb\u00e9m cumpria miss\u00f5es para as grandes empreiteiras do cartel da Petrobras. Uma delas, a Construtora OAS, com 10 bilh\u00f5es de reais em contratos com a estatal, usava os servi\u00e7os de Rafael \u00c2ngulo para levar dinheiro sujo a pelo menos tr\u00eas destinos da Am\u00e9rica Latina, Panam\u00e1, Peru e Trinidad e Tobago, todos pa\u00edses onde a Petrobras e a OAS mant\u00eam escrit\u00f3rios e neg\u00f3cios milion\u00e1rios com governos locais. Com quantias que variavam de 300?000 a 500?000 reais presas ao pr\u00f3prio corpo, o bra\u00e7o-direito do doleiro deixava o Brasil pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. A porta de sa\u00edda do pa\u00eds era estrat\u00e9gica, porque l\u00e1 ele contava com a cobertura de outro comparsa da quadrilha, o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o \u201cCareca\u201d, que, infiltrado no aeroporto, conseguia garantir a passagem tranquila de Rafael pela fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma vez alojado na sala de embarque, Rafael \u00c2ngulo alternava as entregas em tr\u00eas principais destinos: Lima, Cidade do Panam\u00e1 e Porto de Espanha. No arquivo em poder dos investigadores, o entregador de dinheiro narra em detalhes o roteiro de cada \u201cservi\u00e7o\u201d internacional. A miss\u00e3o come\u00e7ava no escrit\u00f3rio central da OAS em S\u00e3o Paulo. A empreiteira tinha uma esp\u00e9cie de \u201cconta-corrente\u201d que era administrada pelo doleiro. Rafael retirava o dinheiro na sala do executivo Jos\u00e9 Ricardo Nogueira Breghirolli, preso e apontado como o elo financeiro entre a empreiteira e o esquema de corrup\u00e7\u00e3o que atuava na Petrobras. Alojados em grandes sacolas pretas, os pacotes de c\u00e9dulas, divididos \u2014 dependendo da ocasi\u00e3o \u2014 em euros, d\u00f3lares e reais, eram levados do escrit\u00f3rio da OAS para o escrit\u00f3rio de Alberto Youssef, em S\u00e3o Paulo. Depois, com a passagem comprada e o dia da viagem definido, Rafael \u00c2ngulo viajava para o Rio de Janeiro, onde iniciava a parte mais arriscada do trabalho. Em Lima, a capital do Peru, Rafael entregava o dinheiro ao gerente de contratos da OAS Alexandre Mendon\u00e7a. O ponto de encontro era em uma universidade. O estilo reservado e a apar\u00eancia europeia do carregador \u2014 um senhor de 61 anos com dupla nacionalidade, brasileira e espanhola \u2014 ajudavam Rafael a se passar por um prov\u00e1vel acad\u00eamico \u2014 ningu\u00e9m desconfiaria de sua \u201cbagagem cultural\u201d no c\u00e2mpus. \u00a0 \u00a0 \u00a0As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o da Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investiga\u00e7\u00f5es revelam conex\u00f5es no exterior do esquema de corrup\u00e7\u00e3o da Petrobras. 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