{"id":61122,"date":"2014-07-28T13:52:41","date_gmt":"2014-07-28T16:52:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=61122"},"modified":"2014-07-28T13:52:41","modified_gmt":"2014-07-28T16:52:41","slug":"o-eleitor-esta-revoltado-e-critico-diz-o-diretor-geral-do-datafolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2014\/07\/28\/o-eleitor-esta-revoltado-e-critico-diz-o-diretor-geral-do-datafolha\/","title":{"rendered":"&#8216;O eleitor est\u00e1 revoltado e cr\u00edtico&#8217;, diz o diretor-geral do Datafolha"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo &#8211; \u00c0 frente do Datafolha Instituto de Pesquisas h\u00e1 16 anos, o soci\u00f3logo Mauro Paulino afirma que esta elei\u00e7\u00e3o ser\u00e1 imprevis\u00edvel, e com caracter\u00edsticas \u00fanicas, por ser a primeira ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es de junho do ano passado, que geraram enorme m\u00e1 vontade do eleitor com a pol\u00edtica. \u201cHoje h\u00e1 uma rejei\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos e aos partidos que talvez s\u00f3 se compare \u00e0 \u00e9poca do impeachment do Collor. O Datafolha aponta que 67% dos eleitores n\u00e3o t\u00eam prefer\u00eancia por nenhum partido, \u00e9 um recorde hist\u00f3rico\u201d, conta. Este ano, acredita Paulino, a elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o dominada por temas econ\u00f4micos quanto em 2010. \u201cA economia \u00e9 importante, mas divide a aten\u00e7\u00e3o com a exig\u00eancia por melhores servi\u00e7os p\u00fablicos\u201d. Paulino avalia que a presidenta Dilma Rousseff deveria investir numa vit\u00f3ria em primeiro turno. \u201cSe for para o segundo turno, a possibilidade de ser uma campanha muito acirrada \u00e9 maior\u201d, alerta o soci\u00f3logo, que se incomoda com a especula\u00e7\u00e3o na bolsa de valores sobre as pesquisas eleitorais: \u201c\u00c9 pura jogatina\u201d.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ejesa.statig.com.br\/bancodeimagens\/21\/2n\/0s\/212n0s7w35b5xmxbwajfq93bu.jpg\" width=\"449\" height=\"252\" \/><figcaption>\n<div>&#8220;O eleitor hoje \u00e9 pragm\u00e1tico e quer melhoria na sua vida&#8221;, diz o diretor-geral do Datafolha Instituto de Pesquisas, Mauro Paulino<\/div>\n<p><cite>Foto:\u00a0\u00a0Murillo Constantino<\/cite><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Quem vence a elei\u00e7\u00e3o presidencial deste ano?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma elei\u00e7\u00e3o bastante imprevis\u00edvel, com caracter\u00edsticas diferentes. Em dezembro de 2009, a ent\u00e3o candidata Dilma Rousseff estava bem atr\u00e1s de seu advers\u00e1rio tucano, Jos\u00e9 Serra. Mas fizemos um exerc\u00edcio com o poder de transfer\u00eancia de votos do Lula e chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que, no m\u00ednimo, ela iria empatar com o Serra. Mas nessa elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 para fazer um exerc\u00edcio como antes. Em 2010, havia um desejo de continuidade da popula\u00e7\u00e3o, com um candidato de oposi\u00e7\u00e3o conhecido, o Serra, e uma candidata da situa\u00e7\u00e3o desconhecida, Dilma. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 inversa. H\u00e1 um desejo amplo, de 74% do eleitor, por mudan\u00e7as; uma candidata do governo conhecida; e dois candidatos da oposi\u00e7\u00e3o desconhecidos. A taxa dos que conhecem muito bem Dilma \u00e9 de 53%. No caso do A\u00e9cio, 17%. Tem uma avenida a ser percorrida pelos candidatos de oposi\u00e7\u00e3o para serem conhecidos e passar suas mensagens.<!--more--><\/p>\n<p><strong>O que esse desejo de mudan\u00e7as significa?<\/strong><\/p>\n<p>Os tr\u00eas candidatos colocaram a palavra mudan\u00e7a no slogan. Esse desejo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao governo, e sim uma vontade do eleitor de os pol\u00edticos agirem de outra forma. Hoje h\u00e1 uma rejei\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos e aos partidos em geral que talvez s\u00f3 se compare \u00e0 \u00e9poca do impeachment do Collor. O Datafolha aponta que 67% dos eleitores n\u00e3o t\u00eam prefer\u00eancia por nenhum partido, \u00e9 um recorde hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><strong>Isso seria um resqu\u00edcio\u00a0das manifesta\u00e7\u00f5es\u00a0de junho de 2013?<\/strong><\/p>\n<p>Certamente. Junho de 2013 foi um momento muito rico e de import\u00e2ncia fundamental no desenvolvimento da cultura pol\u00edtica do brasileiro. O cidad\u00e3o vem exercitando o voto a cada dois anos e se conscientiza gradativamente sobre o significado de votar. Isso \u00e9 o desenvolvimento da democracia, que ainda \u00e9 muito jovem. A conscientiza\u00e7\u00e3o do eleitor cresce em uma velocidade muito mais r\u00e1pida que a dos pol\u00edticos em geral. Isso acaba acarretando essa rejei\u00e7\u00e3o aos partidos. At\u00e9 mais importante do que a quantidade de pessoas que foram \u00e0s ruas, foi o n\u00famero das pesquisas, que apontaram que mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o apoiavam as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 um contrassenso as pessoas continuarem votando nos mesmos pol\u00edticos, uma vez que n\u00e3o acreditam mais neles?<\/strong><\/p>\n<p>A oferta de pol\u00edticos n\u00e3o deixa muita escolha, as pessoas acabam votando por exclus\u00e3o. Os anseios que se manifestaram em junho n\u00e3o s\u00e3o contemplados. Desde 2008, o principal problema apontado no pa\u00eds, com respostas espont\u00e2neas, \u00e9 a sa\u00fade p\u00fablica. Mesmo em meio \u00e0 pol\u00eamica, o Programa Mais M\u00e9dicos tinha o apoio de 51% da popula\u00e7\u00e3o no seu lan\u00e7amento. O que havia de indigna\u00e7\u00e3o antes das manifesta\u00e7\u00f5es, caminhou para algo que podemos chamar de revolta. Teve um epis\u00f3dio naquela \u00e9poca muito significativo: no segundo dia de manifesta\u00e7\u00f5es, a imprensa transmitia ao vivo a pancadaria da pol\u00edcia em jovens de classe m\u00e9dia. No programa \u201cBrasil Urgente\u201d, da TV Bandeirantes, o Jos\u00e9 Luiz Datena apresentou uma enquete para saber se a popula\u00e7\u00e3o era a favor do movimento, mesmo com a viol\u00eancia, e 60% disseram que sim. Ent\u00e3o ele repetiu a pergunta, fez um discurso para tentar induzir a resposta, mas aumentou ainda mais o n\u00famero de favor\u00e1veis. Essas enquetes n\u00e3o t\u00eam valor cient\u00edfico, mas foi significativo o fato de o p\u00fablico do Datena responder dessa forma. Por conta disso, ele mudou o discurso.<\/p>\n<p><strong>Essa indigna\u00e7\u00e3o se reflete no n\u00famero de 13% de votos brancos e nulos, e 14% de indecisos? Essa \u00e9 uma taxa considerada alta?<\/strong><\/p>\n<p>A taxa de 27% de eleitores sem candidatos \u00e9 in\u00e9dita neste per\u00edodo da elei\u00e7\u00e3o. Quando comparamos com elei\u00e7\u00f5es anteriores, ficava em torno de 12%. Esse \u00e9 um dos ind\u00edcios de que o eleitor est\u00e1 revoltado e cr\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Que outros ind\u00edcios s\u00e3o importantes?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje temos a maior taxa de eleitores que n\u00e3o t\u00eam um partido de prefer\u00eancia, 67%. Pela primeira vez, a maioria dos eleitores se mostra contra o voto obrigat\u00f3rio. E a maioria n\u00e3o votaria se n\u00e3o fosse obrigat\u00f3rio. Quando observamos esses n\u00fameros em cidades com mais de 200 mil habitantes, eles aumentam muito. O eleitor est\u00e1 mais desconfiado da pol\u00edtica, principalmente nas capitais e centros urbanos.<\/p>\n<p><strong>Essa desconfian\u00e7a tende\u00a0a crescer?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma grande parcela do eleitorado buscando mudan\u00e7as, que ainda n\u00e3o enxerga na oposi\u00e7\u00e3o a concretiza\u00e7\u00e3o disso e nem v\u00ea claramente no governo um vetor de mudan\u00e7a. Desde a semana passada, come\u00e7ou a exposi\u00e7\u00e3o maior das campanhas.<\/p>\n<p><strong>Como os candidatos\u00a0se comportar\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o\u00a0a essa demanda?<\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma elei\u00e7\u00e3o na qual o marketing pol\u00edtico ter\u00e1 um papel fundamental. Cada um dos tr\u00eas principais candidatos tem uma mensagem a passar muito espec\u00edfica. A de Dilma \u00e9 mudar sem perder o que j\u00e1 foi conquistado. A de A\u00e9cio, de que ele faz a oposi\u00e7\u00e3o mais expl\u00edcita ao governo, mas tem que se defender da imagem negativa do segundo mandato do Fernando Henrique Cardoso \u2014 que \u00e9 um cabo eleitoral negativo, mais tira votos do que agrega. Eduardo Campos tem a miss\u00e3o mais dif\u00edcil, que \u00e9 fazer oposi\u00e7\u00e3o a Dilma sem criticar Lula, e ao mesmo tempo convencer o eleitor da Marina Silva que est\u00e1 em sintonia com suas ideias. E a oposi\u00e7\u00e3o ainda tem que se tornar conhecida.<\/p>\n<p><strong>Na elei\u00e7\u00e3o passada, Serra abandonou Fernando Henrique. Mas parece que A\u00e9cio n\u00e3o pretende fazer o mesmo. Como \u00e9 poss\u00edvel trabalhar a imagem dessa parceria?<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 um risco para a campanha de A\u00e9cio. Mostrar a imagem de Fernando Henrique e se remeter aos governos dele pode ser negativo. Tanto que, na primeira inser\u00e7\u00e3o, a campanha deu sinais de que n\u00e3o ir\u00e1 usar tanto isso.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Campos tenta colar na imagem do Lula e se afastar de Dilma, o que at\u00e9 parece uma quest\u00e3o simples, s\u00f3 que\u00a0Lula e Dilma est\u00e3o juntos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>O Lula est\u00e1 explicitamente mostrando que Dilma \u00e9 a candidata dele. Ele n\u00e3o tem a mesma for\u00e7a de transfer\u00eancia de votos que esbanjava em 2010, mas ainda \u00e9 o maior cabo eleitoral do pa\u00eds. E Dilma tem um tempo de televis\u00e3o farto. Embora isso n\u00e3o garanta a vit\u00f3ria. Ulysses Guimar\u00e3es, que tinha 20 minutos em 1989, ainda assim n\u00e3o conseguiu passar sua mensagem. \u00c0s vezes, muito tempo de televis\u00e3o pode se voltar contra o candidato.<\/p>\n<p><strong>Mas hoje n\u00e3o existe uma diferen\u00e7a por conta das inser\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, a inser\u00e7\u00e3o \u00e9 mais importante que o hor\u00e1rio pol\u00edtico. At\u00e9 porque, mais do que nunca, os pol\u00edticos n\u00e3o s\u00e3o bem-vindos \u00e0s casas hoje. O hor\u00e1rio pol\u00edtico fixo deve perder muita audi\u00eancia depois da primeira e da segunda semana. J\u00e1 era assim, mas ser\u00e1 intensificado nesta elei\u00e7\u00e3o, pois ningu\u00e9m est\u00e1 com vontade de receber os pol\u00edticos em casa.<\/p>\n<p><strong>Dilma e A\u00e9cio j\u00e1 sinalizaram\u00a0que travar\u00e3o uma batalha de n\u00fameros na televis\u00e3o. A petista deve comparar as taxas de juros e a infla\u00e7\u00e3o com o \u00faltimo governo de Fernando Henrique, enquanto A\u00e9cio deve utilizar os \u00faltimos n\u00fameros fracos da economia. Como isso ser\u00e1 visto pela popula\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o grande embate: a forma como cada um vai comunicar os vetores que v\u00e3o definir a elei\u00e7\u00e3o. Vai levar vantagem aquele que souber conversar com o eleitor de uma forma mais natural e fact\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Lula vai participar da campanha de Dilma e deve esbanjar carisma na televis\u00e3o. Isso se refletir\u00e1 em vantagem para a petista?<\/strong><\/p>\n<p>O maior trunfo da campanha da Dilma ser\u00e1 o Lula. Normalmente, a propaganda na televis\u00e3o melhora a avalia\u00e7\u00e3o do governo. Dilma vai passar a mostrar seus feitos de forma atraente e \u00e9 fundamental que ela melhore a taxa de aprova\u00e7\u00e3o, hoje em 32%, para vencer no primeiro turno. H\u00e1 um estudo que mostra que, quando o candidato tem uma taxa de aprova\u00e7\u00e3o de at\u00e9 34%, n\u00e3o vence elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A campanha dela prioriza a vit\u00f3ria no primeiro turno?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a maior chance de vit\u00f3ria da Dilma. Se for para o segundo turno, a possibilidade de ser uma campanha muito acirrada \u00e9 maior. A reelei\u00e7\u00e3o \u00e9 um plebiscito \u2014 ou a popula\u00e7\u00e3o aprova, ou n\u00e3o aprova. As principais simula\u00e7\u00f5es de segundo turno mostram que o aperto \u00e9 cada vez maior.<\/p>\n<p><strong>Dilma vem se mantendo com cerca de 35% da prefer\u00eancia do eleitor, enquanto A\u00e9cio n\u00e3o ultrapassa os 23%. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel para o PT, ou j\u00e1 pode ser considerada<\/strong><br \/>\n<strong>um sinal de alerta?<\/strong><\/p>\n<p>A Dilma permanece como favorita para ganhar no primeiro turno, mesmo com a queda de popularidade. Por outro lado, quando observamos a evolu\u00e7\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o do governo Dilma, ela voltou para o patamar mais baixo, verificado durante o per\u00edodo das manifesta\u00e7\u00f5es do ano passado (32%). A probabilidade de ter segundo turno \u00e9 de 50%.<\/p>\n<p><strong>As pesquisas tendem a mudar com o hor\u00e1rio eleitoral?<\/strong><\/p>\n<p>Isso varia. Em 2002, era uma disputa entre Serra, Ciro Gomes (ent\u00e3o no PPS), Lula e Anthony Garotinho (na \u00e9poca no PSB). A partir do hor\u00e1rio eleitoral, Ciro Gomes passou a crescer muito e encostou no Lula, mas deu uma declara\u00e7\u00e3o ruim em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atriz global Patricia Pillar (sua mulher naquele per\u00edodo) e despencou. Em 2010, Dilma era desconhecida e, na medida em que teve o nome vinculado a Lula na televis\u00e3o, conseguiu ultrapassar Serra. \u00c9 poss\u00edvel que, neste ano, o hor\u00e1rio eleitoral tamb\u00e9m funcione dessa forma.<\/p>\n<p><strong>O Datafolha aponta que 45% dos eleitores acreditam que a Copa foi favor\u00e1vel a Dilma.\u00a0O que o sr. acha?<\/strong><\/p>\n<p>A Copa n\u00e3o vai pesar nada. A expectativa de caos nos aeroportos e de uma organiza\u00e7\u00e3o ruim acabou se revertendo. Fizemos pesquisas antes da Copa, durante, e depois que terminou. Notamos que, durante o evento, os brasileiros se mostraram com mais orgulho do Brasil em meio ao sucesso da organiza\u00e7\u00e3o. A taxa de vergonha de ser brasileiro, que havia chegado a 27% antes da Copa, se reverteu. Com a derrota da sele\u00e7\u00e3o, esse e outros indicadores sobre o evento voltaram ao patamar do come\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o o sucesso da organiza\u00e7\u00e3o acabou anulando a derrota hist\u00f3rica da sele\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, acabou sendo um zero a zero. Houve uma movimenta\u00e7\u00e3o durante o evento. O \u00e2nimo do brasileiro melhorou, uma vez que a perspectiva de caos se tornou festa.<\/p>\n<p><strong>O que sai como plataforma poss\u00edvel das manifesta\u00e7\u00f5es\u00a0de rua para os candidatos?<\/strong><\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es anteriores, o comportamento da economia ditava a conduta do eleitor. Isso continua importante, mas divide a aten\u00e7\u00e3o do eleitor e a formula\u00e7\u00e3o do voto com a exig\u00eancia por um melhor padr\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos, especialmente na \u00e1rea de sa\u00fade. O eleitor hoje \u00e9 pragm\u00e1tico, quer melhoria na vida.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 por isso que vimos tantas voltas na discuss\u00e3o sobre\u00a0o Mais M\u00e9dicos?<\/strong><\/p>\n<p>O programa foi criado para dar resposta a essa demanda pela melhora no setor de sa\u00fade. A partir do seu lan\u00e7amento, a taxa de eleitores que citam a sa\u00fade como principal problema vem caindo. Ela saiu de um patamar de 50% e hoje est\u00e1 em 38%. Isso \u00e9 um reflexo da boa avalia\u00e7\u00e3o do Mais M\u00e9dicos.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Campos colocou entre suas prioridades de campanha a bandeira para que 10% do Produto Interno Bruto sejam investidos em sa\u00fade. Isso pode ajudar a angariar votos?<\/strong><\/p>\n<p>As propostas t\u00eam de ser fact\u00edveis. O eleitor vai observar isso tamb\u00e9m. Ele precisa demonstrar de onde vai tirar recursos para chegar a esses 10%. Em um primeiro momento, ele pode estampar essa proposta no hor\u00e1rio eleitoral gratuito e agradar, mas, se no debate ele for questionado sobre o assunto e titubear, pode perder o que ganhou.<\/p>\n<p><strong>O sr. falou dos impactos dessa rejei\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos no plano nacional. Essas quest\u00f5es aparecem tamb\u00e9m nos estados?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Mas em S\u00e3o Paulo \u00e9 um pouco diferente, pois existe uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima do eleitorado com os governos do PSDB, principalmente no Interior. E, tamb\u00e9m, os candidatos de oposi\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidos. O eleitor acorda para a elei\u00e7\u00e3o estadual mais tarde, a partir do hor\u00e1rio eleitoral, quando percebe a necessidade de escolher governador, deputados e senadores. Grande parte dos eleitores n\u00e3o acordou ainda para a elei\u00e7\u00e3o. Em S\u00e3o Paulo, o governador Geraldo Alckmin sai com favoritismo grande, de 56% das inten\u00e7\u00f5es de voto, para ganhar no primeiro turno. No entanto, existe a preocupa\u00e7\u00e3o com a falta de \u00e1gua e a viol\u00eancia urbana. Temos ainda um ter\u00e7o dos eleitores que n\u00e3o escolheu candidatos em S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma taxa recorde. No Rio de Janeiro, S\u00e9rgio Cabral (ex-governador) foi tirado da disputa pol\u00edtica deste ano como reflexo das manifesta\u00e7\u00f5es. O Rio \u00e9 uma cidade mais cr\u00edtica e politizada, busca mais mudan\u00e7as. Foi onde a ex-ministra Marina Silva, ent\u00e3o candidata \u00e0 Presid\u00eancia pelo PV, teve mais votos em 2010. S\u00e3o Paulo \u00e9 mais conservador.<\/p>\n<p><strong>Essa rela\u00e7\u00e3o do eleitor de S\u00e3o Paulo com o PSDB mexe com a decis\u00e3o do Paulo Skaf (candidato a governador pelo PMDB) de n\u00e3o querer fazer campanha para a presidenta Dilma Rousseff?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, pois S\u00e3o Paulo \u00e9 um dos estados onde se tem a maior rejei\u00e7\u00e3o aos governos do PT.<\/p>\n<p><strong>Isso explicaria o fraco desempenho do ex-ministro Alexandre Padilha, que tem\u00a04% das inten\u00e7\u00f5es de voto,\u00a0para o governo paulista?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, \u00e9 mais pelo desconhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Ele vai se apresentar no hor\u00e1rio eleitoral. O prefeito Fernando Haddad, neste mesmo momento da elei\u00e7\u00e3o, tinha 3% das inten\u00e7\u00f5es de votos. Durante a campanha, ele foi lentamente sendo conhecido e, quando foi relacionado ao Lula, acabou ganhando a elei\u00e7\u00e3o. O Padilha pode se transformar em uma candidatura forte.<\/p>\n<p><strong>E o Skaf?<\/strong><\/p>\n<p>Ele j\u00e1 aproveitou muito tempo de televis\u00e3o com as propagandas da Fiesp (entidade da qual \u00e9 presidente licenciado) e chegou a esse patamar (16% de inten\u00e7\u00e3o de voto) gra\u00e7as a essa exposi\u00e7\u00e3o. Conseguiu ainda um tempo de televis\u00e3o consider\u00e1vel e tem um marqueteiro de primeira linha, o Duda Mendon\u00e7a. Pode se consolidar, nas primeiras tr\u00eas semanas de hor\u00e1rio eleitoral, como uma alternativa vi\u00e1vel para derrotar Alckmin. Pode ser que o eleitor do Padilha pratique o voto \u00fatil, uma vez que Skaf pode se tornar o candidato mais vi\u00e1vel para vencer Alckmin.<\/p>\n<p><strong>Enquanto em S\u00e3o Paulo Alckmin \u00e9 o favorito, no Rio a disputa est\u00e1 bem acirrada, com Garotinho e Crivella empatados. Mas Garotinho tem uma taxa de rejei\u00e7\u00e3o de 39%. Isso pode se traduzir em vantagem para o Crivella?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. E tamb\u00e9m o Rio tem um percentual de evang\u00e9licos acima da m\u00e9dia nacional. Ent\u00e3o, o Crivella teria duas vantagens, embora os evang\u00e9licos estejam divididos entre os dois candidatos. O Rio \u00e9 um estado que guarda surpresas.<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o da queda da popularidade de Haddad vai pesar para o PT em S\u00e3o Paulo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o diria isso. A avalia\u00e7\u00e3o do Haddad \u00e9 reflexo em boa parte dessa resist\u00eancia do paulistano ao PT. Desse sentimento de revolta e contesta\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos, que \u00e9 maior em grandes cidades, especialmente S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Dilma perdeu seis pontos percentuais de popularidade no Nordeste, que \u00e9 a regi\u00e3o onde tem a maior parte do eleitor, de 49%. Isso \u00e9 preocupante?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Temos que relativizar as varia\u00e7\u00f5es por regi\u00e3o, porque a margem de erro \u00e9 maior. A grande quest\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao Nordeste \u00e9 como o Eduardo Campos vai se comportar, se vai conseguir extrapolar as fronteiras de Pernambuco, superar um certo preconceito que outros estados t\u00eam com Pernambuco e tirar votos da Dilma.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Campos se instalou em S\u00e3o Paulo, A\u00e9cio tem visitado o estado. Qual ser\u00e1 o peso do maior col\u00e9gio eleitoral do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Neste momento, todos os candidatos v\u00e3o tentar marcar territ\u00f3rio em S\u00e3o Paulo. \u00c9 uma parte do pa\u00eds que est\u00e1 um pouco descoberta, o que cria a necessidade nas campanhas de conquistar a empatia dos paulistas.<\/p>\n<p><strong>Como as elei\u00e7\u00f5es nacional\u00a0e estadual se conversam\u00a0em cada estado?<\/strong><\/p>\n<p>Tradicionalmente, o eleitor acaba n\u00e3o fazendo liga\u00e7\u00e3o, tanto que muitos votam no Alckmin e na Dilma. Historicamente, os eleitores votam mais no nome do que no partido. A empatia com o candidato, com a figura que \u00e9 criada pelos marqueteiros, acaba decidindo a elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Isso tem alguma rela\u00e7\u00e3o com a impress\u00e3o de que a Dilma fica com quase toda a rejei\u00e7\u00e3o do Lula, mas n\u00e3o consegue ficar com parte expressiva da aprova\u00e7\u00e3o dele?<\/strong><\/p>\n<p>Quando a gente lembra de Dilma entregando a ta\u00e7a da Copa do Mundo para o jogador da Alemanha, j\u00e1 d\u00e1 uma ideia de como \u00e9 dif\u00edcil para os marqueteiros superarem a imagem que a personalidade da presidenta acaba passando para o eleitorado. \u00c9 diferente da empatia que Lula cria espontaneamente. Essa \u00e9 uma dificuldade, fazer com que o candidato se torne simp\u00e1tico, mesmo que ele n\u00e3o seja no dia a dia. Dilma n\u00e3o tem, nem de perto, o carisma do seu padrinho.<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pesquisas. Enquanto Datafolha e Sensus apontaram que haveria empate t\u00e9cnico no segundo turno, para o Ibope, Dilma ganharia. Como explicar essa diferen\u00e7a de cen\u00e1rio, se os levantamentos foram feitos na mesma \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p>Ainda bem que os institutos permanecem com as suas convic\u00e7\u00f5es, cada um utilizando um m\u00e9todo pr\u00f3prio, apesar de a lei eleitoral tentar cada vez mais igualar os m\u00e9todos. Sutilezas metodol\u00f3gicas explicam essa diferen\u00e7a. Por exemplo, todo question\u00e1rio do Datafolha \u00e9 voltado para trazer o entrevistado para uma situa\u00e7\u00e3o presente, com quest\u00f5es como \u201cSe o segundo turno fosse hoje, em quem voc\u00ea votaria?\u201d. O Ibope n\u00e3o traz o eleitor para pensar se o segundo turno fosse hoje. N\u00e3o digo que um esteja certo e o outro errado, s\u00e3o apenas diferentes.<\/p>\n<p><strong>O reflexo dessa diferen\u00e7a foi sentido principalmente na bolsa de valores, que vem oscilando de maneira contundente a cada divulga\u00e7\u00e3o de pesquisa eleitoral. J\u00e1 aconteceu em outras elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 esdr\u00faxulo. A especula\u00e7\u00e3o na bolsa \u00e9 algo que est\u00e1 me incomodando muito. As pesquisas eleitorais est\u00e3o supervalorizadas. A pesquisa n\u00e3o pode ser vista como um progn\u00f3stico, ela \u00e9 um diagn\u00f3stico do que j\u00e1 aconteceu, pois quando \u00e9 divulgada, j\u00e1 est\u00e1 velha. Tem muito a se percorrer na cultura de leitura de pesquisa no Brasil. Aconteceu algo parecido em 2002, quando o Lula era considerado uma amea\u00e7a e, a cada ponto que subia, o d\u00f3lar subia junto. Esse movimento da bolsa, peculiar desta elei\u00e7\u00e3o, \u00e9 pura especula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o vejo l\u00f3gica e nem justificativa para que resultados de pesquisas que mostram estabilidade e varia\u00e7\u00f5es dentro da margem de erro possam influenciar as a\u00e7\u00f5es desse jeito. Isso \u00e9 pura jogatina, cassino. E essa especula\u00e7\u00e3o \u00e9 estimulada pela lei eleitoral.<\/p>\n<p><strong>De que maneira?<\/strong><\/p>\n<p>Todo instituto que divulga a pesquisa tem que registrar a realiza\u00e7\u00e3o do levantamento cinco dias antes da divulga\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 anacr\u00f4nico, n\u00e3o tem utilidade nenhuma. Em tese, seria para os partidos poderem fiscalizar as pesquisas, mas a fiscaliza\u00e7\u00e3o na maioria das vezes se d\u00e1 ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o. Esse intervalo de cinco dias proporciona a possibilidade de outro instituto, contratado por financeiras, fazer uma pesquisa tentando copiar exatamente o question\u00e1rio que j\u00e1 foi registrado e repete a mesma amostra. Isso \u00e9 uma pesquisa\u00a0<em>clone<\/em>\u00a0, confeccionada para ser entregue um dia antes da divulga\u00e7\u00e3o oficial. N\u00e3o com o objetivo de informar, e sim de tentar antecipar o n\u00famero que Datafolha e Ibope entregar\u00e3o no dia seguinte, o que d\u00e1 mais margem para especula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Em 2010, as campanhas tentaram abordar temas morais. Qual a possibilidade de esses temas voltarem agora?<\/strong><\/p>\n<p>Devem voltar. As quest\u00f5es do aborto e da legaliza\u00e7\u00e3o da maconha devem ser levantadas, principalmente ap\u00f3s a atitude do Uruguai. E como \u00e9 um tema no qual Fernando Henrique se envolveu diretamente, e como h\u00e1 acusa\u00e7\u00f5es na internet em rela\u00e7\u00e3o ao A\u00e9cio, a quest\u00e3o das drogas pode voltar sim.<\/p>\n<p><strong>A\u00e9cio pode ser prejudicado?<\/strong><\/p>\n<p>Se a elei\u00e7\u00e3o ficar muito acirrada, principalmente na reta final, pode ser decisivo. Mudan\u00e7as de pequenas parcelas do eleitorado podem levar a elei\u00e7\u00e3o a um segundo turno.<\/p>\n<p><strong>E a quest\u00e3o do aeroporto\u00a0de Claudio (MG), constru\u00eddo\u00a0em terras desapropriadas\u00a0de parentes de A\u00e9cio Neves?<\/strong><\/p>\n<p>Algum impacto tem, n\u00e3o saberia dizer em que grau. N\u00e3o creio que seja decisivo, pois s\u00e3o muitas den\u00fancias envolvendo diversos partidos e correntes. Isso chega ao eleitor mais como um exemplo de \u201colha a\u00ed como os pol\u00edticos s\u00e3o\u201d. Tem mais o efeito de aumentar a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica pol\u00edtica do que um impacto pontual em um candidato.<\/p>\n<p><strong>Os marqueteiros j\u00e1 aprenderam a lidar com as redes sociais?<\/strong><\/p>\n<p>Os partidos conseguiram desenvolver uma forma de utilizar a internet para fazer o trabalho sujo. Jogam na rede tudo aquilo que n\u00e3o pode ir ao ar na televis\u00e3o, como boatos, associa\u00e7\u00e3o de determinados candidatos a uso de drogas, acusa\u00e7\u00f5es levianas. Mas como as coisas se equilibram, as redes t\u00eam status de neutralidade na elei\u00e7\u00e3o. Fonte: IG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo &#8211; \u00c0 frente do Datafolha Instituto de Pesquisas h\u00e1 16 anos, o soci\u00f3logo Mauro Paulino afirma que esta elei\u00e7\u00e3o ser\u00e1 imprevis\u00edvel, e com caracter\u00edsticas \u00fanicas, por ser a primeira ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es de junho do ano passado, que geraram enorme m\u00e1 vontade do eleitor com a pol\u00edtica. \u201cHoje h\u00e1 uma rejei\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos e aos partidos que talvez s\u00f3 se compare \u00e0 \u00e9poca do impeachment do Collor. O Datafolha aponta que 67% dos eleitores n\u00e3o t\u00eam prefer\u00eancia por nenhum partido, \u00e9 um recorde hist\u00f3rico\u201d, conta. 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