{"id":59633,"date":"2014-05-31T20:04:43","date_gmt":"2014-05-31T23:04:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=59633"},"modified":"2014-05-31T20:04:43","modified_gmt":"2014-05-31T23:04:43","slug":"aeroportos-da-copa-testados-e-reprovados-pela-pf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2014\/05\/31\/aeroportos-da-copa-testados-e-reprovados-pela-pf\/","title":{"rendered":"Aeroportos da Copa: testados e reprovados pela PF"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Veja<\/em><\/strong><\/p>\n<div>Leslie Leit\u00e3o<\/div>\n<div><\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Al\u00e9m das filas e dos atrasos, aeroportos tamb\u00e9m preocupam pela falta de seguran\u00e7a\" alt=\"Al\u00e9m das filas e dos atrasos, aeroportos tamb\u00e9m preocupam pela falta de seguran\u00e7a\" src=\"http:\/\/veja2.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/5\/225727\/AEROPORTO-GALEAO-2014-size-598.jpg?1401500873\" width=\"598\" height=\"336\" data-original=\"http:\/\/veja2.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/5\/225727\/AEROPORTO-GALEAO-2014-size-598.jpg?1401500873\" \/>Al\u00e9m das filas e dos atrasos, aeroportos tamb\u00e9m preocupam pela falta de seguran\u00e7a\u00a0(ALE SILVA\/FUTURA PRESS)<\/p>\n<\/div>\n<p>A poucos dias do in\u00edcio da Copa do Mundo, os aeroportos brasileiros j\u00e1 come\u00e7am a maltratar os turistas que v\u00eam ver os jogos. Mesmo remendados para se adequarem \u00e0s exig\u00eancias da Fifa, o que se prev\u00ea s\u00e3o filas e a desinforma\u00e7\u00e3o de sempre \u2014 tudo potencializado pela explos\u00e3o da demanda. Estima-se que 600.000 turistas estrangeiros circulem por esses locais durante o Mundial. Mas, al\u00e9m dos gargalos mais conhecidos por quem costuma percorrer os tortuosos caminhos dos aeroportos brasileiros, h\u00e1 outro, menos vis\u00edvel, que vem afligindo autoridades em Bras\u00edlia: a falta de seguran\u00e7a nas portas de entrada do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Oficialmente, a Pol\u00edcia Federal garante que est\u00e1 tudo sob controle. Dois relat\u00f3rios reservados da pr\u00f3pria PF, por\u00e9m, mostram a dist\u00e2ncia entre a realidade e a vers\u00e3o oficial. Um dos documentos descreve os resultados dos testes de seguran\u00e7a realizados em dezesseis aeroportos. Catorze foram reprovados em mais de 50% dos itens analisados. O segundo relat\u00f3rio trata apenas do Gale\u00e3o, no Rio de Janeiro, e \u00e9 bastante did\u00e1tico quanto \u00e0 extens\u00e3o do descalabro: n\u00e3o raro, traficantes armados perambulam por ali em \u00e1reas restritas, informa o texto.<\/p>\n<p><!--more-->VEJA teve acesso ao documento de dezembro de 2012 que traz \u00e0 luz o atoleiro de notas vermelhas na \u00e1rea da seguran\u00e7a. Naquele ano, os aeroportos que pior se sa\u00edram na avalia\u00e7\u00e3o da PF foram precisamente os que ter\u00e3o maior movimento na Copa: Congonhas foi reprovado em 85% dos itens; Gale\u00e3o, em 75%; Confins, em 70%; e Guarulhos, em 69%. Em um dos testes, agentes disfar\u00e7ados conseguiram facilmente embarcar simulacros de artefatos explosivos em bagagens de voos internacionais. Entrar em \u00e1reas proibidas com credenciais irregulares tampouco foi um problema.<\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Uma peneira federal\" alt=\"Uma peneira federal\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2014\/5\/225728\/Rasg-DOC-RIO-2-size-620.jpg\" data-original=\"\/assets\/images\/2014\/5\/225728\/Rasg-DOC-RIO-2-size-620.jpg\" \/>UMA PENEIRA FEDERAL \u2013\u00a0Documentos a que VEJA teve acesso exp\u00f5em a vulnerabilidade dos aeroportos do pa\u00eds: um deles mostra a facilidade com que policiais disfar\u00e7ados colocaram simulacros de explosivos em bagagens de voos internacionais; outro revela que traficantes chegam a roubar at\u00e9 cabos dentro do Gale\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>O exerc\u00edcio se repetiu no fim do ano passado, dessa vez em todos os aeroportos da Copa, e s\u00f3 serviu para enfatizar o que j\u00e1 havia sido constatado. \u201cNada mudou. \u00c9 uma bagun\u00e7a generalizada\u201d, afirma um policial que integrou a equipe. Entre as constata\u00e7\u00f5es, descobriu-se uma zona de sombra que amea\u00e7a um ponto-\u00adchave da seguran\u00e7a: a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos passaportes. Faltam agentes para realizar a tarefa e, segundo o relato de mais de uma dezena de policiais ouvidos em quatro grandes aeroportos, o sistema de computadores da imigra\u00e7\u00e3o, por causa da manuten\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, funciona com extrema lentid\u00e3o \u2014 quando funciona. \u201cOperamos a maior parte do tempo off-\u00adline, recolhendo apenas o formul\u00e1rio de entrada. Do contr\u00e1rio, as filas seriam intermin\u00e1veis\u201d, diz um delegado da PF. \u201c\u00c9 o que chamamos de abrir a porteira.\u201d Sem o sistema, os agentes trabalham no escuro, ignorando se o turista que deixaram entrar \u00e9, por exemplo, um terrorista procurado.<\/p>\n<p>Com os jatinhos particulares \u2014 e milhares deles est\u00e3o prestes a pousar em terreno brasileiro \u2014 a situa\u00e7\u00e3o se agrava ainda mais. Nesses casos, os viajantes nem sequer costumam passar pelos guich\u00eas da imigra\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 o piloto quem informa o n\u00famero de passageiros pelo r\u00e1dio e encaminha os passaportes. Se quiser, ele poder\u00e1 omitir a presen\u00e7a de uma pessoa e ela entrar\u00e1 clandestinamente no pa\u00eds, na maior tranquilidade\u201d, conta um experiente funcion\u00e1rio da Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac).<\/p>\n<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria n\u00e3o se limita ao espa\u00e7o a\u00e9reo \u2014 a peneira furada \u00e9 a dura realidade tamb\u00e9m nos portos do pa\u00eds. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cruzeiros Mar\u00edtimos (Abremar) estima que 23?000 turistas desembarcar\u00e3o no Rio de Janeiro, em Santos e em Salvador por estes dias. No Porto do Rio, a confer\u00eancia da documenta\u00e7\u00e3o dos cerca de 3?000 passageiros de cada embarca\u00e7\u00e3o caber\u00e1 a dois ou, no m\u00e1ximo, tr\u00eas agentes. \u201cEntramos no navio e registramos a pilha de passaportes que nos entregam. N\u00e3o chegamos nem a ver as pessoas, quanto mais saber se todas foram contabilizadas\u201d, relata um agente.<\/p>\n<p>Segundo aeroporto mais movimentado do pa\u00eds, o Gale\u00e3o mereceu um relat\u00f3rio \u00e0 parte por causa de uma caracter\u00edstica singular: ele est\u00e1 circundado de favelas tomadas por bandidos que agem n\u00e3o s\u00f3 nas suas imedia\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m no seu interior. O vaiv\u00e9m dos traficantes n\u00e3o se d\u00e1 nos sagu\u00f5es, mas em \u00e1reas menos vis\u00edveis, onde praticamente inexiste vigil\u00e2ncia. O relat\u00f3rio mapeia oito pontos especialmente vulner\u00e1veis. Em alguns deles, os bandos se infiltram para surrupiar cabos, crime contumaz no local e uma das causas dos apag\u00f5es que a toda hora deixam o Gale\u00e3o \u00e0s escuras.<\/p>\n<p>Numa via que leva \u00e0 \u00e1rea de apoio do aeroporto, a investiga\u00e7\u00e3o flagrou uma solit\u00e1ria cancela desativada. \u201cH\u00e1 acesso irrestrito a qualquer ve\u00edculo, tornand\u00ado-se um potencial alvo de atentados\u201d, conclui o texto. Para refor\u00e7ar o contingente durante a Copa com policiais de outras cidades, a PF est\u00e1 oferecendo o dobro do valor das di\u00e1rias. Pode funcionar por ora, mas \u00e9 solu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria. Dado o apito final no Maracan\u00e3, a seguran\u00e7a nas portas de entrada do pa\u00eds voltar\u00e1 a ser como antes: padr\u00e3o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja Leslie Leit\u00e3o Al\u00e9m das filas e dos atrasos, aeroportos tamb\u00e9m preocupam pela falta de seguran\u00e7a\u00a0(ALE SILVA\/FUTURA PRESS) A poucos dias do in\u00edcio da Copa do Mundo, os aeroportos brasileiros j\u00e1 come\u00e7am a maltratar os turistas que v\u00eam ver os jogos. Mesmo remendados para se adequarem \u00e0s exig\u00eancias da Fifa, o que se prev\u00ea s\u00e3o filas e a desinforma\u00e7\u00e3o de sempre \u2014 tudo potencializado pela explos\u00e3o da demanda. Estima-se que 600.000 turistas estrangeiros circulem por esses locais durante o Mundial. Mas, al\u00e9m dos gargalos mais conhecidos por quem costuma percorrer os tortuosos caminhos dos aeroportos brasileiros, h\u00e1 outro, menos vis\u00edvel,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-59633","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"views":687,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59633"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59635,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59633\/revisions\/59635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}