{"id":58806,"date":"2014-05-03T21:53:51","date_gmt":"2014-05-04T00:53:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=58806"},"modified":"2014-05-03T21:53:51","modified_gmt":"2014-05-04T00:53:51","slug":"fornecedores-da-petrobras-sob-suspeita-doaram-r-856-milhoes-a-campanhas-de-2006-a-2012-politicos-baianos-estao-na-lista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2014\/05\/03\/fornecedores-da-petrobras-sob-suspeita-doaram-r-856-milhoes-a-campanhas-de-2006-a-2012-politicos-baianos-estao-na-lista\/","title":{"rendered":"Fornecedores da Petrobras sob suspeita doaram R$ 856 milh\u00f5es a campanhas de 2006 a 2012, pol\u00edticos baianos est\u00e3o na lista"},"content":{"rendered":"<div>Daniel Haidar, do Rio de Janeiro<\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\" Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras\" alt=\" Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras\" src=\"http:\/\/veja1.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/3\/211412\/-Paulo-Roberto-Costa-size-598.jpg?1395327058\" width=\"598\" height=\"336\" data-original=\"http:\/\/veja1.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/3\/211412\/-Paulo-Roberto-Costa-size-598.jpg?1395327058\" \/>\u00a0Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras\u00a0(Folhapress)<\/p>\n<\/div>\n<p>Ao mapear o caminho percorrido pelos mais de 10 bilh\u00f5es de reais lavados pelo grupo comandado pelo doleiro Alberto Youssef, a opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, da Pol\u00edcia Federal, encontrou um duto que abastecia diretamente pol\u00edticos, partidos e campanhas eleitorais. Policiais e procuradores de Justi\u00e7a j\u00e1 sabem que, para manter a influ\u00eancia e garantir contratos para \u201camigos\u201d, o doleiro e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, destinavam grandes somas de dinheiro a autoridades. Um levantamento feito pelo site de VEJA, a partir dos registros oficiais de doa\u00e7\u00f5es de campanha, revela que, de 2006 a 2012, as empresas\u00a0e seus diretores\u00a0agora investigados por participa\u00e7\u00e3o no esquema destinaram pelo menos 856 milh\u00f5es de reais para financiar candidaturas.<\/p>\n<p>O PT lidera com ampla vantagem o ranking de doa\u00e7\u00f5es do grupo, com 266,4 milh\u00f5es de reais recebidos. Em seguida, est\u00e3o PSDB (158,1 milh\u00f5es), PMDB (149,8 milh\u00f5es), PSB (70,7 milh\u00f5es), DEM (43,9 milh\u00f5es) e PP (34,2 milh\u00f5es). \u00a0<!--more--><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/brasil\/empresas-sob-suspeita-faturaram-r-31-bilhoes-com-a-petrobras-na-era-pt\">Empresas sob suspeita faturaram\u00a0R$ 31 bilh\u00f5es com a Petrobras na era PT<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/brasil\/ex-diretor-da-petrobras-comprou-13-imoveis-nos-ultimos-cinco-anos\">Fam\u00edlia de ex-diretor da Petrobras comprou 13 im\u00f3veis nos \u00faltimos cinco anos<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a cruzar empresas, siglas, candidatos beneficiados e contratos com a estatal. Um dos neg\u00f3cios esmiu\u00e7ados pela investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, Pernambuco. Costa e Youssef j\u00e1 viraram r\u00e9us em processo por desvio de verbas da refinaria. Dados banc\u00e1rios e fiscais obtidos pela pol\u00edcia revelaram que o Cons\u00f3rcio Nacional Camargo Corr\u00eaa (CNCC), respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o do empreendimento, pagou comiss\u00f5es para a subcontratada Sanko Sider. Parte do dinheiro, no entanto, foi parar na MO Consultoria \u2013 uma das empresas de fachada do doleiro. Pelo menos 26 milh\u00f5es de reais foram desviados entre 2009 e 2013 para a firma de Youssef. A Sanko Sider, que forneceria tubos para a obra, fez doa\u00e7\u00f5es para o PT pelo menos em 2006 \u2013 ano em que doou 6.000 reais para a campanha de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. Esta foi a \u00fanica doa\u00e7\u00e3o oficial registrada pela empresa desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 se sabe tamb\u00e9m que outros doadores de campanhas, como OAS, Galv\u00e3o Engenharia, Jaragu\u00e1 Equipamentos e Arcoenge depositaram recursos diretamente em contas da MO Consultoria. S\u00f3 a OAS repassou 1,6 milh\u00e3o de reais para a empresa de fachada, bem menos, no entanto, do que efetivamente registrou em doa\u00e7\u00f5es legais a campanhas pol\u00edticas desde 2006 (131,3 milh\u00e3o de reais).<\/p>\n<p>Entre as empresas que Costa anotou como alvo de cobran\u00e7as de doa\u00e7\u00f5es, a Andrade Gutierrez foi a que mais fez contribui\u00e7\u00f5es oficiais. De 2006 a 2012, o conglomerado distribuiu 189,5 milh\u00f5es de reais a pol\u00edticos e partidos. Nesse per\u00edodo, PT, PMDB e PP ficaram com 53% do total doado. Na gest\u00e3o dele, um \u00fanico contrato rendeu 958 milh\u00f5es de reais para a construtora Andrade Gutierrez, depois de prorroga\u00e7\u00f5es e aumentos de gastos com 45 aditivos.<\/p>\n<p>O segundo maior doador oficial foi a Camargo Corr\u00eaa, que j\u00e1 tem conex\u00e3o identificada com o esquema de Youssef. O conglomerado doou 176,9 milh\u00f5es de reais para campanhas desde 2006. S\u00f3 em 2010 foram distribu\u00eddos 56 milh\u00f5es de reais &#8211; dos quais metade ficou com PT, PMDB e PP. No total, em 2010, o grupo financiou oficialmente 83 candidatos a deputado estadual, 70 candidaturas a deputado federal, 16 campanhas a governador e 25 candidatos a senador. O deputado federal Eduardo Cunha, l\u00edder do PMDB e comandante dos rebeldes na base do governo, levou sozinho 500.000 reais para sua candidatura naquele ano.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal suspeita que o ex-diretor da Petrobras agia para abastecer o caixa de pol\u00edticos mesmo ap\u00f3s deixar o cargo na estatal, que ocupou de 2004 a 2012. Em um caderno, ele tinha anotado nomes de s\u00f3cios e executivos de fornecedores da estatal e a situa\u00e7\u00e3o de cada cobran\u00e7a. Aparecem nessa lista empresas como a Andrade Gutierrez, Mendes J\u00fanior, UTC Engenharia, Engevix, Iesa, Hope e Toyo Setal. Em 2010, Paulo Roberto Costa fez, como pessoa f\u00edsica, uma doa\u00e7\u00e3o de 10.000 reais ao Comit\u00ea Financeiro \u00danico do PT no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Caixa dois &#8211;<\/strong>\u00a0Investigadores desconfiam que os recursos angariados pelo doleiro e pelo ex-diretor da Petrobras tenham sido destinados ao caixa dois de partidos. Pelo endere\u00e7o de email paulogoia@hotmail.com, Youssef indicou em 17 de agosto de 2010 uma conta banc\u00e1ria para que Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor da construtora Queiroz Galv\u00e3o, depositasse uma s\u00e9rie de valores para pol\u00edticos e diret\u00f3rios. Uma parte da lista bate com os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Youssef cobrou 500.000 reais para o PP da Bahia; 250.000 reais para o deputado federal Roberto Teixeira (PP); 500.000 reais para o deputado federal Nelson Meurer (PP); 100.000 reais para o deputado federal Roberto Britto (PP); e 100.000 para o ex-deputado federal Pedro Henry (PP), um dos condenados no esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o. Na Justi\u00e7a Eleitoral, estes s\u00e3o exatamente os valores doados pelo grupo Queiroz Galv\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras cobran\u00e7as, no entanto, com valores divergentes entre o que foi proposto pelo doleiro e efetivamente registrado \u2013 o que refor\u00e7a a tese de que havia tamb\u00e9m um esquema de caixa dois operado por Youssef. No caso do diret\u00f3rio Nacional do PP, a cobran\u00e7a era de 2.540.000 reais, mas foram registrados 2.740.000. H\u00e1 outros valores que, nos registros do TSE, s\u00e3o superiores aos do email enviado pelo doleiro, como o pedido de 250.000 reais para a deputada federal Aline Corr\u00eaa (PP), que recebeu oficialmente da empresa 350.000. J\u00e1 para o PP de Pernambuco, a cobran\u00e7a era de 100.000, mas foram doados formalmente 1.640.000.<\/p>\n<p>Youssef tamb\u00e9m fez contato com Cristian Silva da Jaragu\u00e1 Equipamentos para cobrar dados e emitir recibos de doa\u00e7\u00f5es. De acordo com os registros do TSE, a Jaragu\u00e1 doou 250.000 reais para o deputado federal Roberto Teixeira (PP), 250.000 reais para a deputada federal Aline Corr\u00eaa (PP), 100.000 reais para o deputado federal Pedro Henry (PP) e 50.000 reais para o deputado federal Roberto Britto (PP). Mas a opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato constatou, com base em dados banc\u00e1rios e fiscais oficiais, que a Jaragu\u00e1 fez dep\u00f3sitos em contas da MO Consultoria, de Youssef. A empresa pagou 1,94 milh\u00e3o de reais. A pol\u00edcia desconfia que esse valor foi distribu\u00eddo como propina para o esquema de Youssef e Costa.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, apenas o deputado federal Andr\u00e9 Vargas (ex-PT), amigo de Youssef, foi diretamente atingido pelas revela\u00e7\u00f5es da opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. A Pol\u00edcia Federal suspeita que o doleiro e o deputado eram s\u00f3cios em opera\u00e7\u00f5es, mas o retorno financeiro auferido pelo parlamentar ainda \u00e9 desconhecido.\u00a0O Comit\u00ea Financeiro \u00danico do PT no Paran\u00e1 recebeu, na campanha de 2010, pelo menos 1,6 milh\u00e3o de reais de fornecedores da estatal que aparecem entre os contatos do esquema. Essas empresas garantiram mais da metade da arrecada\u00e7\u00e3o do comit\u00ea paranaense petista e esse \u00f3rg\u00e3o partid\u00e1rio injetou cerca de 20 mil reais na campanha de Vargas. O deputado teve de renunciar \u00e0 vice-presid\u00eancia da C\u00e2mara e se desfiliar ao PT para minimizar os danos ao partido. Pode tamb\u00e9m ter o mandato cassado pelo Conselho de \u00c9tica da C\u00e2mara dos Deputados, porque h\u00e1 ind\u00edcios de que ele ajudou a Labogen, um laborat\u00f3rio de fachada de Youssef, na assinatura de um contrato milion\u00e1rio com o governo federal. O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se o envolvimento de Vargas com o doleiro deve ser investigado no \u00e2mbito criminal.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o de Vargas para favorecer o doleiro no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade respingou no ex-ministro Alexandre Padilha, pr\u00e9-candidato petista ao governo de S\u00e3o Paulo. Subordinados de Padilha assinaram o conv\u00eanio que permitiria ao laborat\u00f3rio de Youssef faturar at\u00e9 31 milh\u00f5es de reais. A opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato revelou tamb\u00e9m que Vargas recebeu a indica\u00e7\u00e3o de um ex-assessor de Padilha para ser contratado como lobista da Labogen em Bras\u00edlia. Em conversa com o doleiro, o deputado federal diz que a indica\u00e7\u00e3o para o posto partiu do ex-ministro da Sa\u00fade. E Youssef falava a interlocutores como se tivesse capacidade de influenciar a nomea\u00e7\u00e3o de cargos em eventual governo de Padilha, como revelou o site de VEJA.<\/p>\n<p>Nos palanques de candidaturas a governos estaduais, os estragos da Lava-Jato trazem mais riscos ao PT. Tamb\u00e9m no Paran\u00e1 os nervos dos petistas est\u00e3o \u00e0 flor da pele. Vargas era cotado para chefiar a campanha da senadora Gleisi Hoffman ao governo paranaense. Ela tamb\u00e9m faz parte da bancada que recebeu recursos de fornecedores suspeitos de contribuir em doa\u00e7\u00f5es intermediadas por Costa e Youssef. Oficialmente, Gleisi\u00a0foi a candidata ao Senado que mais recebeu recursos da Camargo Corr\u00eaa, com 1 milh\u00e3o de reais embolsados na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o. Conseguiu ainda doa\u00e7\u00f5es de outras empreiteiras na lista de Costa. A UTC Engenharia deu 250.000 reais para a campanha da senadora e a OAS repassou 780.000 reais. Angariou\u00a0ainda 100.000 reais da Contax, uma coligada da Andrade Gutierrez, para sua candidatura.<\/p>\n<p>Fonte: Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Haidar, do Rio de Janeiro \u00a0Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras\u00a0(Folhapress) Ao mapear o caminho percorrido pelos mais de 10 bilh\u00f5es de reais lavados pelo grupo comandado pelo doleiro Alberto Youssef, a opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, da Pol\u00edcia Federal, encontrou um duto que abastecia diretamente pol\u00edticos, partidos e campanhas eleitorais. Policiais e procuradores de Justi\u00e7a j\u00e1 sabem que, para manter a influ\u00eancia e garantir contratos para \u201camigos\u201d, o doleiro e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, destinavam grandes somas de dinheiro a autoridades. 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