{"id":58302,"date":"2014-04-17T16:52:07","date_gmt":"2014-04-17T19:52:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=58302"},"modified":"2014-04-17T16:52:07","modified_gmt":"2014-04-17T19:52:07","slug":"aluna-evangelica-e-proibida-de-estudar-por-usar-saia-em-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2014\/04\/17\/aluna-evangelica-e-proibida-de-estudar-por-usar-saia-em-escola\/","title":{"rendered":"Aluna evang\u00e9lica \u00e9 proibida de estudar por usar saia em escola"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Estado defende decis\u00e3o de diretor de escola p\u00fablica, mas especialistas criticam restri\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade religiosa\" src=\"http:\/\/www.verdadegospel.com\/adwp02\/content\/uploads\/2014\/04\/alunas-evangelicas-saia-miolo.jpg\" width=\"280\" height=\"168\" \/><\/p>\n<p>Estado defende decis\u00e3o de diretor de escola p\u00fablica, mas especialistas criticam restri\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade religiosa<\/p>\n<p>Um impasse envolvendo o uso de uniforme est\u00e1 causando pol\u00eamica na escola estadual Caic Euclides da Cunha, em Rio das Pedras, bairro do Rio de Janeiro. Com o sonho de se formar no ensino m\u00e9dio, a diarista Ana Cristina Silva Torres, de 37 anos, contou que, h\u00e1 cerca de duas semanas, foi impedida de frequentar as aulas do curso de Educa\u00e7\u00e3o Para Jovens e Adultos (EJA), \u00e0 noite, porque a dire\u00e7\u00e3o da unidade proibiu o uso de saia para as alunas. Nos \u00faltimos dias, Ana Cristina conseguiu voltar a estudar, mas ainda n\u00e3o sabe como sua situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 resolvida. A Secretaria estadual de Educa\u00e7\u00e3o informou que existe um padr\u00e3o de uniforme escolar na rede p\u00fablica de ensino, composto por cal\u00e7a, camisa e t\u00eanis, que deve ser respeitado por todos os alunos.<\/p>\n<p>\u201cSou evang\u00e9lica e a saia \u00e9 a vestimenta que eu costumo utilizar no meu dia a dia. N\u00e3o \u00e9 nem que a religi\u00e3o me obrigue a s\u00f3 usar saia, mas \u00e9 como eu me sinto bem. A dire\u00e7\u00e3o da escola foi trocada e o novo diretor disse para mim que n\u00e3o podia abrir m\u00e3o do (uso) do uniforme, e que iria cortar o meu nome da lista de alunos matriculados no col\u00e9gio. E ele nem quis conversar, ouvir meus argumentos. Foi uma situa\u00e7\u00e3o que me deixou muito magoada\u201d, contou a diarista.<\/p>\n<p><!--more-->Ana Cristina era analfabeta at\u00e9 seis anos atr\u00e1s, quando come\u00e7ou a estudar, pensando principalmente em poder acompanhar os estudos das duas filhas. Depois de completar a alfabetiza\u00e7\u00e3o, a diarista resolveu fazer o curso supletivo do ensino fundamental e agora se esfor\u00e7a para conseguir o diploma do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>\u201cEssa decis\u00e3o me pegou de surpresa. (O diretor) falar que iria cortar meu nome da lista (dos matriculados) foi um golpe num sonho que eu tenho desde crian\u00e7a, de conseguir me formar. Os meus pais n\u00e3o me deixaram estudar. Hoje, \u00e9 um objetivo n\u00e3o s\u00f3 meu como tamb\u00e9m das minhas filhas. \u00c9 como se tivessem jogado um balde de \u00e1gua fria na gente\u201d, acrescentou Ana Cristina.<\/p>\n<p>Em nota, a secretaria argumentou que \u201ctodas as escolas, (das redes) p\u00fablica ou privada, t\u00eam que possuir regras, como o uso do uniforme, para garantir a seguran\u00e7a de toda a comunidade escolar. Os direitos e deveres s\u00e3o para todos, independentemente da religi\u00e3o que professem\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o caso espec\u00edfico da diarista, a secretaria disse ainda que \u201ccaso o diretor abra exce\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 que liberar para todos, acabando com o uso do uniforme\u201d. E concluiu afirmando que a estudante foi a \u00fanica pessoa que se recusou a frequentar a escola com o padr\u00e3o exigido de cal\u00e7a, camisa e t\u00eanis.<\/p>\n<p><strong>Compara\u00e7\u00e3o \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o do uso de burca na Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pelo \u2018Globo\u2019 foram un\u00e2nimes em questionar a postura da escola e da secretaria. Consideram que o exerc\u00edcio da manifesta\u00e7\u00e3o religiosa, refletido na roupa, n\u00e3o pode ser tolhido. O coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, Daniel Cara, compara a restri\u00e7\u00e3o de que a aluna foi v\u00edtima \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das estudantes mu\u00e7ulmanas na Fran\u00e7a, que foram proibidas de usar a burca para ter acesso \u00e0s escolas: \u201c\u00c9 uma luta entre o sistema de ensino, querendo impor regras de comportamento, versus uma op\u00e7\u00e3o religiosa. A restri\u00e7\u00e3o \u00e9 equivocada, e tanto a identidade individual quanto sua cidadania est\u00e3o sendo desrespeitadas\u201d.<\/p>\n<p>O educador destaca que a escola \u00e9 laica, o que n\u00e3o significa que ela tenha que obrigar um padr\u00e3o de comportamento e impedir a manifesta\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo e diretor do Iuperj, Geraldo Tadeu Monteiro, chama aten\u00e7\u00e3o para semelhan\u00e7as entre a situa\u00e7\u00e3o carioca e a pol\u00eamica nas escolas francesas, em que \u201cuma norma religiosa colide com uma outra norma, secular\u201d:<\/p>\n<p>\u201cA estudante n\u00e3o est\u00e1 pedindo nada de mais, ela n\u00e3o quer ficar nua, por exemplo. E a obedi\u00eancia \u00e0s normas religiosas n\u00e3o traz preju\u00edzo aos outros alunos. Pelo que temos visto em termos de decis\u00e3o judicial nos \u00faltimos tempos e pela nossa cultura, \u00e9 poss\u00edvel que a Justi\u00e7a se posicione favoravelmente \u00e0 aluna\u201d.<\/p>\n<p>Ao ser informada pelo \u2018Globo\u2019 sobre a pol\u00eamica, a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da OAB\/RJ ofereceu amparo jur\u00eddico \u00e0 estudante. O vice-presiente da comiss\u00e3o, Aderson Bussinger, defende que, frente a uma situa\u00e7\u00e3o de convic\u00e7\u00e3o religiosa \u201cprofunda\u201d, tem que haver flexibilidade. Diz que o caso deve ser tratado como algo de car\u00e1ter excepcional, para que ela use a roupa que quiser.<\/p>\n<p>\u201cConsiderando o preceito da liberdade religiosa como causa p\u00e9trea da nossa Constitui\u00e7\u00e3o e uma quest\u00e3o internacional de direitos humanos, a escola tem que se adequar a essa realidade religiosa\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">Fonte:\u00a0<\/span><em style=\"line-height: 1.5em;\">O Globo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estado defende decis\u00e3o de diretor de escola p\u00fablica, mas especialistas criticam restri\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade religiosa Um impasse envolvendo o uso de uniforme est\u00e1 causando pol\u00eamica na escola estadual Caic Euclides da Cunha, em Rio das Pedras, bairro do Rio de Janeiro. 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