{"id":57716,"date":"2014-03-31T16:10:43","date_gmt":"2014-03-31T19:10:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=57716"},"modified":"2014-03-31T16:10:43","modified_gmt":"2014-03-31T19:10:43","slug":"elomar-figueira-publica-texto-sobre-o-transito-em-vitoria-da-conquista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2014\/03\/31\/elomar-figueira-publica-texto-sobre-o-transito-em-vitoria-da-conquista\/","title":{"rendered":"Elomar Figueira publica texto sobre o tr\u00e2nsito em Vit\u00f3ria da Conquista"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">Depois de publicar seu \u00faltimo artigo, em outubro de 2001, o \u201cHebdomad\u00e1rio Estado do Sert\u00e3o\u201d, de proposta essencialmente cr\u00edtico-ensa\u00edstica, lan\u00e7a o mais novo texto de Elomar Figueira Mello: \u201cInc\u00f4mpt et Impromptus\u201d. Escrito em 27 de mar\u00e7o de 2014, o artigo faz uma cita\u00e7\u00e3o da coragem destemida dos fabulistas gregos Fedro e Esopo, para, como que um desabafo, sem ter a quem indagar, fazer uma reflex\u00e3o sobre o tr\u00e2nsito em Vit\u00f3ria da Conquista. Para ler, acesse o \u201cHebdomad\u00e1rio Estado do Sert\u00e3o\u201d, na Porteira Oficial de Elomar Figueira Mello:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\".\" src=\"http:\/\/www.balancododia.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Elomar-porteira.jpg\" width=\"510\" height=\"286\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Por Rossane Nascimento<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Terss\u00e1lia, Urgente \u2013 Do Correspondente especial de Guerra para o Estado do Sert\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/elomar.com.br\/estado\/index.html\">\u00a0Elomar Figueira Mello.\u00a0<\/a><\/p>\n<h1>Inc\u00f4mpt et Impromptus*<\/h1>\n<p>H\u00e1 muitos, muitos s\u00e9culos passados, coisa de dois mil quinhentos e um bom punhado de anos, viveu na lend\u00e1ria Gr\u00e9cia um escravo muito inteligente e destemido. Veio a este mundo com distor\u00e7\u00f5es f\u00edsicas cru\u00e9is; era deformado de rosto e de corpo, corcunda rejeitado por quem quer que o olhasse, contudo senhor de um fino esp\u00edrito cr\u00edtico e pleno de sabedoria na separa\u00e7\u00e3o do que \u00e9 justo, daquilo que \u00e9 perverso. No meu ju\u00edzo eu sempre o tive como o mais importante dos pr\u00e9-socr\u00e1ticos, mesmo que relegado a um simples fabulista pelo tribunal classificat\u00f3rio da pedante e preconceituosa academia dos tempos modernos. Digo mais, S\u00f3crates n\u00e3o passa de um simples p\u00f3s-Ele. Mesmo sendo escravo encoleirado, sua superioridade intelectiva for\u00e7ou em seu senhor o reconhecimento da grandeza de sua pessoa, n\u00e3o s\u00f3 consentindo o assentamento de seu fabul\u00e1rio, \u2013 de cr\u00edtica severa e implac\u00e1vel \u00e0 Ordem sist\u00eamica de ent\u00e3o \u2013 como tamb\u00e9m o alforriando ap\u00f3s a ci\u00eancia de tal fato. Seu nome, Esopo.<!--more--><\/p>\n<p>Quinhentos anos ap\u00f3s os dias deste genial escravo \u2013 por quais caprichos n\u00e3o se sabe \u2013 surge em Roma um outro igualmente escravo e quas\u00edmodo tamb\u00e9m, tamb\u00e9m fabulista de verve similar que n\u00e3o s\u00f3 vertera para o Latim as f\u00e1bulas daquele, como tamb\u00e9m criou outro bel\u00edssimo besti\u00e1rio, num compendio de hist\u00f3rias que envolvendo como personagens os animais passavam li\u00e7\u00f5es de fundo moral para a est\u00fapida e cruel sociedade sua coet\u00e2nea, este chamava-se Fedro.<\/p>\n<p>Estes dois grandes fabulistas, do baixo de suas m\u00edseras condi\u00e7\u00f5es de escravo, ante o estado de injusti\u00e7a e tirania que reinava em seus pobres dias de vida aqui na terra, tiveram a ousadia e a coragem de se alevantar contra aquela sociedade perversa que os esmagava como insetos pe\u00e7onhentos sob o tac\u00e3o de suas botas e sapatilhas. Escreveram curt\u00edssimos ensaios cr\u00edticos em forma de f\u00e1bulas, est\u00f3rias onde todo enredo se passa no mundo dos animais num tempo em que os bichos falavam. Pois bem, hoje passados mais de vinte s\u00e9culos de Esopo e Fedro, no que pese o est\u00fapido \u201cavan\u00e7o\u201d alcan\u00e7ado pela sociedade humana, o quadro n\u00e3o mudou, d\u00e9spotas e tiranos continuam com a plena coniv\u00eancia da mesma sociedade, a nos esmagar como insetos pe\u00e7onhentos sob a luz do mesmo sol que os outrora alumiava.\u00a0 O quadro continua, nada mudou. Apenas uma coisa mudou, n\u00e3o existe mais um escravo encoleirado, como Esopo, nem algum Fedro, s\u00e3o outras as coleiras marteladas pelo consumismo escravizante e mais que est\u00fapido, tendo como gravame maior a pusilanimidade, a fr\u00f4xura que achaca o grande rebanho encoleirado pelo pesco\u00e7o. Quando aqueles escreveram suas pe\u00e7as, em momento algum se deixaram ser assaltados por temores noturnos de retalia\u00e7\u00f5es, execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, ju\u00edzos singular\u00edssimos, o que era tido como pr\u00f3prio, natural e justo naquela \u00e9poca. Inspirados pela fagulha divina \u2013 que n\u00e3o vinda do pante\u00e3o Grego ou Romano \u2013 sentiram-se no dever de clamar em brava voz por amor de si mesmos e extensivamente aqueloutros destitu\u00eddos de verve e tribuna.<\/p>\n<p>N\u00e3o tendo no presente, eu, a quem indagar, face ao despreparo geral que tomou conta desta pobre gera\u00e7\u00e3o, inquiro eu a quem (?). N\u00e3o tendo m\u00ednimus, minimorum de uma ideia a quem me dirigir, vez que a Ordem despersonificou in totum o meu falso defensorium que o \u201cavan\u00e7o\u201d da sociedade descaradamente me mente eu possuir!; se indago ao mar \u201cveloz a vaga resvala como um c\u00famplice fugaz\u201d; aos poderes constitu\u00eddos (?), s\u00e3o sequazes de presas afiadas; ao meu vizinho que perpassa (?), vocifera-me: Tu est\u00e1 atrasado, cara!; do intelectual\u00f3ide ou\u00e7o: \u00e9 a f\u00faria do capitalismo selvagem! E assim \u00e9 uma s\u00f3 cantiga de grilo em obstinatum.<\/p>\n<p>&#8211; Mas Cavaleiro, eu aqui estou \u00e0 sua inteira disposi\u00e7\u00e3o, desde que voc\u00ea chegou, tentando me convencer de que eu \u2013 por quest\u00e3o de justi\u00e7a e educa\u00e7\u00e3o \u2013 devo pelo menos me fazer de gentil e educado, durante o tempo m\u00e1ximo que meu sistema sensitivo possa suportar lhe ouvir, na esperan\u00e7a de que se fa\u00e7a logo concluir esta exposi\u00e7\u00e3o long\u00e9rima de fatos\u2026<\/p>\n<p>&#8211; Desculpas, desculpas, rogo-me dar por escusado, si\u2019l vous plait.<br \/>\n&#8211; V\u00e1 logo na mosca, rapaz, arrasta o gatilho.<br \/>\n&#8211; Ora, ora, onde est\u00e1vamos?!<br \/>\n&#8211; Sei l\u00e1! N\u00e3o est\u00e1vamos, voc\u00ea \u00e9 que estava e agora est\u00e1 completamente perdido mais que perro d\u00ea pobre ch\u00ea em dia d\u00ea \u00a0mudan\u00e7a!<br \/>\n&#8211; \u201cA\u00ed \u00e9 que est\u00e1 seu engano<br \/>\nApenas tirei um cochilo<br \/>\nSonhei que tava pescano<br \/>\nNas Marge do Rio Nilo<br \/>\nE l\u00e1 peguei uma tra\u00edra<br \/>\nQue s\u00f3 a cabe\u00e7a deu um quilo\u201d.<br \/>\n&#8211; Ave, Louro!<\/p>\n<p>Perdido? Se de novo engana meu amigo. Lascado est\u00e1 voc\u00ea que \u00e9 brasileiro e que \u00e9 fr\u00f4xo. Que aceita tudo que lhe \u00e9 imposto, tudo que lhe fere, que lhe muito causa mal durante os dias e as noites quando se queda em revis\u00e3o de coisas e fatos e\u2026 que quando n\u00e3o elogia, entra em sil\u00eancio na presen\u00e7a de seu predador que lhe ceifa e lhe colhe em feixes como se faz \u00e0 erva do campo.<\/p>\n<p>Eu sou filho desta terra, Serra do Peri Peri, no que pese ser radicalmente urban\u00f3fono, tenho forma\u00e7\u00e3o superior em Arquitetura e Urbanismo; isto em quadra pret\u00e9rita quando a Universidade Brasileira sobretudo a da Bahia n\u00e3o era assistida por simples professores, sim por mestres. Pelo que ,estou a falar de c\u00e1tedra.<\/p>\n<p>Estou aqui referindo-me parabolicamente, ao assalto de que foram tomados n\u00e3o s\u00f3 os comerciantes das vias radiais do quadrante noroeste desta cidade (Avenida Brumado, Par\u00e1 e interparalela) como todos os que por ela perpassam no entra e sai ,face \u00e0s bruscas e impensadas mudan\u00e7as de sentido de tr\u00e2nsito que ali recentemente se implantou.<br \/>\nCreio que os t\u00e9cnicos tiveram a melhor das inten\u00e7\u00f5es de aprimoramento na vaz\u00e3o daquelas art\u00e9rias, no que pese o populismo do prop\u00edcio do momento. Todavia n\u00e3o acertaram. O tiro saiu pela culatra! Casos deste modelo n\u00e3o se resolvem com quebra- molas, m\u00e3os e contra m\u00e3os, \u201cpares\u201d, sinaleiras, etc. N\u00e3o se pode jogar dados, tem-se que \u00a0ser feito estudos profundos sobre as causas e, em seguida, por dedu\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica, diagnosticar o fator ou fatores que est\u00e3o provocando o assoreamento que emperra a melhor fluidez do tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Esta cidade alcan\u00e7ou (infelizmente!) o est\u00e1gio de arrancada para o grande avan\u00e7o explosivo, contudo pelo despreparo em que se encontra, piriga, dentro de pouco tempo, implodir. Est\u00e1 lentamente aos poucos tendendo \u00e0 morte por asfixia, porquanto, necessita de um tratamento de urg\u00eancia. E \u00e9 bom lembrar que num corpo moribundo n\u00e3o se come\u00e7a um tratamento por dedos e artelhos, ataca-se logo, aprioristicamente o tronco: onde est\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o, pulm\u00f5es, est\u00f4mago e intestino.<\/p>\n<p>As cidades s\u00e3o organismo como que vivos, se parecem com as \u00e1rvores, nascem, crescem e morrem. E a morte delas, assim como das \u00e1rvores, se d\u00e1 pelo cerne, o miolo, no caso, o centro.\u00a0 E como j\u00e1 \u00e9 tarde at\u00e9 que arde, vou me recolher. Antes, por\u00e9m, vou contar uma historinha curta:<\/p>\n<p>Uma, quatro, etc. vezes eu tive que com o viol\u00e3o nas m\u00e3os me confrontar com grande orquestra e apresentar uma s\u00f3 pe\u00e7a ou composi\u00e7\u00f5es durante hora e mais para plateias de mil ou duas mil pessoas. O fiz (e todas as vezes que isto se deu) sem titubear, sem o menor deslize, sendo no final ovacionado pelas plateias onde contentes batiam os cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por favor, e, por um outro lado, n\u00e3o me chame para instalar um programa nesta zorra de computador. T\u00f4 fora, nun sei!<\/p>\n<p>Os inc\u00f4mpts \u2013 parafraseando meu saldoso amigo Vin\u00edcius de Moraes \u2013 e aqueles que s\u00e3o de impronptus, que me perdoem, compet\u00eancia \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p align=\"center\">Casa dos Carneiros, no minguante da Lua.<\/p>\n<p>Elomar Figueira Mello.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de publicar seu \u00faltimo artigo, em outubro de 2001, o \u201cHebdomad\u00e1rio Estado do Sert\u00e3o\u201d, de proposta essencialmente cr\u00edtico-ensa\u00edstica, lan\u00e7a o mais novo texto de Elomar Figueira Mello: \u201cInc\u00f4mpt et Impromptus\u201d. 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