{"id":55500,"date":"2014-01-30T08:03:20","date_gmt":"2014-01-30T11:03:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=55500"},"modified":"2014-01-30T08:03:20","modified_gmt":"2014-01-30T11:03:20","slug":"brasileiros-dominam-prostituicao-masculina-em-londres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2014\/01\/30\/brasileiros-dominam-prostituicao-masculina-em-londres\/","title":{"rendered":"Brasileiros \u2018dominam\u2019 prostitui\u00e7\u00e3o masculina em Londres"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" alt=\"Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Luiz Costa\" src=\"http:\/\/www.verdadegospel.com\/adwp02\/content\/uploads\/2014\/01\/Prostitui%C3%A7%C3%A3o-masculina-Luiz-CostaHoje-em-Dia.jpg\" width=\"290\" height=\"199\" \/>\u201cN\u00e3o \u00e9 que os brasileiros s\u00f3 querem fazer programa. S\u00e3o os clientes que s\u00f3 querem os brasileiros. Se for de outro pa\u00eds, n\u00e3o d\u00e1 certo\u201d, simplifica Renato (nome fict\u00edcio), catarinense de 25 anos que mora em Londres desde 2012. Sua profiss\u00e3o: garoto de programa em tempo integral.<\/p>\n<p>Renato \u00e9 um dos v\u00e1rios brasileiros que v\u00eam para a Gr\u00e3-Bretanha em busca de oportunidades de trabalho em v\u00e1rias \u00e1reas, inclusive na ind\u00fastria do sexo.<\/p>\n<p>Muitos encontram emprego em bares, hot\u00e9is e restaurantes, mas decidem complementar a renda fazendo programa. Outros nem tentam as vias formais de trabalho. J\u00e1 chegam em Londres decididos a ganhar o sustento e fazer economias vendendo sexo.<\/p>\n<p>\u201cMuitos brasileiros chegam ao aeroporto e v\u00eam direto aqui anunciar antes mesmo de achar um lugar para ficar\u201d, diz \u00e0 BBC Brasil Russell Reeks, editor da se\u00e7\u00e3o de classificados da revista masculina brit\u00e2nica QX.<!--more--><\/p>\n<p>Segundo ele, metade dos cerca de 70 anunciantes semanais s\u00e3o brasileiros. Homens, segundo Reeks, bonitos e atraentes, que investem na apar\u00eancia e apostam na rentabilidade da ind\u00fastria do sexo londrina.<\/p>\n<p>\u201cApesar da recess\u00e3o, Londres continua sendo um mercado lucrativo para os trabalhadores do sexo\u201d, opina Reeks, acrescentando que um an\u00fancio na revista (edi\u00e7\u00f5es impressa e online) custa em m\u00e9dia \u00a340 por semana.<\/p>\n<p>Renato concorda. Ele diz que cobra cerca de 200 libras (R$ 800) por hora e que j\u00e1 chegou a fazer cerca de 3.000 libras (R$12 mil) num \u00fanico final de semana.<\/p>\n<p>O catarinense diz frequentar a academia ao menos tr\u00eas vezes por semana para manter a forma, compra roupas caras das marcas Diesel e Ralph Lauren e divide um apartamento de dois quartos com um amigo tailand\u00eas, tamb\u00e9m garoto de programa, no bairro chique de South Kensington, no oeste da cidade.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m investe pesado em publicidade: cerca de mil libras (R$4 mil) por m\u00eas em an\u00fancios em sites e revistas.<\/p>\n<p>Ele acredita que os prostitutos brasileiros fazem sucesso entre clientes londrinos por causa da \u201cmarca Brasil\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe vender como brasileiro d\u00e1 muito certo. Podemos at\u00e9 cobrar mais caro. Os clientes nos acham sexy, gostam do nosso sotaque, do nosso jeito e personalidade\u201d, diz Renato, cuja maioria da clientela \u00e9 composta de homens, a maior parte turistas ou em viagem de neg\u00f3cios. Ocasionalmente ele atende casais.<\/p>\n<p><strong>Aids<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas oficiais sobre o n\u00famero de garotos de programa brasileiros na Inglaterra, mas um estudo recente, publicado em dezembro pela British HIV Association (BHIVA) afirma que 39% dos trabalhadores do sexo no pa\u00eds s\u00e3o sul-americanos. Deste total, 97% s\u00e3o brasileiros.<\/p>\n<p>Ainda segundo a pesquisa, homens que trabalham na ind\u00fastria do sexo t\u00eam tr\u00eas vezes mais chances de serem diagnosticados com o v\u00edrus HIV e outras doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis (DST), como clam\u00eddia e gonorreia, do que outros homens.<\/p>\n<p>O trabalho n\u00e3o traz dados sobre o \u00edndice de DST entre os brasileiros, mas um outro dado, divulgado em outubro do ano passado pela Health Protection Agency (HPA), aponta que, em Londres, entre 2007 e 2011, o maior n\u00famero de contamina\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus HIV entre homens estrangeiros que fazem sexo com outros homens se deu entre brasileiros (7%).<\/p>\n<p>Eles ficaram apenas atr\u00e1s dos brit\u00e2nicos (44%). O levantamento n\u00e3o analisa o perfil dessas pessoas, mas o brasileiro Jos\u00e9 Resinente, coordenador do projeto Naz Vidas, sup\u00f5e que eles fa\u00e7am parte da comunidade gay e trabalham como garotos de programa.<\/p>\n<p>O Naz Vidas \u00e9 uma ONG que oferece orienta\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade sexual e planejamento familiar para a comunidade lus\u00f3fona na Gr\u00e3-Bretanha. Desde 2009, oferece testes de HIV e, segundo Resinente, at\u00e9 agora foram registrados cinco casos da doen\u00e7a entre brasileiros, todos heterossexuais.<\/p>\n<p>O brasileiro est\u00e1 usando os dados da HPA como base para sua tese de doutorado, que defende que os casos de Aids entre brasileiros em Londres se concentra entre os gays e trabalhadores do sexo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o identificamos garotos de programa com HIV na Naz porque eles n\u00e3o passam por aqui. Eles evitam contato com a comunidade brasileira por medo de serem identificados\u201d, afirma Resinente.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que atende, em m\u00e9dia, 12 brasileiros por semana em busca de check-ups de sa\u00fade sexual ou de tratamento para DST.\u00a0Em sua avalia\u00e7\u00e3o, os trabalhadores do sexo est\u00e3o mais expostos ao risco de HIV por v\u00e1rios fatores, entre os quais o uso de drogas.<\/p>\n<p>\u201cQuando est\u00e3o sob o efeito de entorpecentes, \u00e9 mais f\u00e1cil esquecer de usar o preservativo e o risco de contamina\u00e7\u00e3o aumenta\u201d, diz ele.<\/p>\n<p><strong>Autonomia<\/strong><\/p>\n<p>Resinente concorda com a ideia de que o \u201csex appeal\u201d pode explicar porque h\u00e1 tantos brasileiros vendendo sexo na Gr\u00e3-Bretanha. Mas vai al\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cAqui \u00e9 facil ser an\u00f4nimo, ter mais liberdade e criar uma vida nova, ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses, que tamb\u00e9m atraem muitos garotos brasileiros, como Portugal. A mesma l\u00edngua e o risco de poder ser reconhecido facilmente botam medo\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da falta de dados oficiais, agentes de sa\u00fade sexual acreditam que o n\u00famero de brasileiros na ind\u00fastria do sexo londrina diminuiu desde 2008 por causa da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMas ainda \u00e9 est\u00e1vel e ainda \u00e9 a maioria\u201d, afirma Gregory King, enfermeiro-chefe do Working Men Project, cl\u00ednica de sa\u00fade sexual do servi\u00e7o de sa\u00fade p\u00fablico brit\u00e2nico (NHS), umas das maiores do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A cl\u00ednica atende entre 100 e 150 garotos de programa por ano. Desde total, 60% s\u00e3o latino-americanos e a maioria brasileiros.\u00a0\u201dS\u00e3o homens com idades entre 25 e 35 anos que fazem programa durante um ano e meio, em m\u00e9dia. Muitos s\u00f3 fazem isso para pagar estudos, apoiar a fam\u00edlia no Brasil e juntar dinheiro para depois voltar\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cMas h\u00e1 muitos que apreciam a abertura de Londres ao estilo de vida gay e querem se estabelecer por aqui\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que Resinente acredita, King afirma que h\u00e1 baixa incid\u00eancia de contamina\u00e7\u00e3o por HIV entre trabalhadores do sexo.<\/p>\n<p>Ele diz que, no geral, os brasileiros s\u00e3o cuidadosos com a sa\u00fade e procuram a cl\u00ednica para conseguir camisinhas e fazer check-ups.<\/p>\n<p>\u201cSou paranoico com a minha sa\u00fade\u201d, confirma Renato.\u00a0\u201dAntes de come\u00e7ar a trabalhar procurei uma cl\u00ednica e o atendimento foi muito bom. Fiquei sabendo tudo sobre os meus riscos e como \u00e9 importante me proteger\u201d, diz ele, acrescentando que evita tomar drogas para n\u00e3o \u201cperder o controle\u201d.<\/p>\n<p>O catarinense diz estar chegando ao seu limite e pretende deixar a prostitui\u00e7\u00e3o no final deste ano, quando expira seu visto de estudante.<\/p>\n<p>\u201cTem gente que faz porque gosta. Eu s\u00f3 fa\u00e7o por dinheiro. Quero voltar para o Brasil, terminar a faculdade de jornalismo e abrir um neg\u00f3cio\u201d, diz ele, sem querer revelar quanto j\u00e1 tem guardado.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 mais para levar uma vida escondida\u201d, desabafa. \u201cMinha m\u00e3e n\u00e3o pode nem sonhar que fa\u00e7o isso para viver\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">Fonte:\u00a0<\/span><em style=\"line-height: 1.5em;\">Folha\/BBC Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 que os brasileiros s\u00f3 querem fazer programa. S\u00e3o os clientes que s\u00f3 querem os brasileiros. Se for de outro pa\u00eds, n\u00e3o d\u00e1 certo\u201d, simplifica Renato (nome fict\u00edcio), catarinense de 25 anos que mora em Londres desde 2012. Sua profiss\u00e3o: garoto de programa em tempo integral. Renato \u00e9 um dos v\u00e1rios brasileiros que v\u00eam para a Gr\u00e3-Bretanha em busca de oportunidades de trabalho em v\u00e1rias \u00e1reas, inclusive na ind\u00fastria do sexo. Muitos encontram emprego em bares, hot\u00e9is e restaurantes, mas decidem complementar a renda fazendo programa. Outros nem tentam as vias formais de trabalho. 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