{"id":54909,"date":"2014-01-17T22:19:40","date_gmt":"2014-01-18T01:19:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/?p=54909"},"modified":"2014-01-17T22:19:40","modified_gmt":"2014-01-18T01:19:40","slug":"entrevista-hoje-a-cidade-e-dividida-em-areas-por-traficantes-declara-odilson-pereira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.walcordeiro.com.br\/v1\/2014\/01\/17\/entrevista-hoje-a-cidade-e-dividida-em-areas-por-traficantes-declara-odilson-pereira\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA: \u201cHoje a cidade \u00e9 dividida em \u00e1reas por traficantes\u201d, declara Odilson Pereira"},"content":{"rendered":"<div>\n<h2><a style=\"font-size: 14px; line-height: 1.5em;\" href=\"http:\/\/blogdofabiosena.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/odilson.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"&quot;Os usu\u00e1rios que n\u00e3o pagam morrem, os pequenos traficantes tamb\u00e9m, os soldados que est\u00e3o ali recebendo, eles muitas vezes s\u00e3o presos, pois eles s\u00e3o a face vis\u00edvel&quot;\" src=\"http:\/\/blogdofabiosena.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/odilson.jpg\" width=\"384\" height=\"257\" \/><\/a><\/h2>\n<\/div>\n<div>\n<p>\u201cOs usu\u00e1rios que n\u00e3o pagam morrem, os pequenos traficantes tamb\u00e9m, os soldados que est\u00e3o ali recebendo, eles muitas vezes s\u00e3o presos, pois eles s\u00e3o a face vis\u00edvel\u201d<\/p>\n<p>O coordenador-geral da 10\u00aa Coordenadoria Regional de Pol\u00edcia Civil, Odilson Pereira, \u00e9 um homem cuja vis\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica extrapola a mera quest\u00e3o do combate estritamente policial \u00e0 criminalidade. Ele argumenta em todos os n\u00edveis. Tem uma vis\u00e3o privilegiada da sociedade, n\u00e3o apenas por sua larga experi\u00eancia policial, mas, sobretudo, por ser um estudioso, um analista cl\u00ednico de todos os aspectos que envolvem viol\u00eancia e criminalidade.<\/p>\n<p>O Blog do F\u00e1bio Sena teve o privil\u00e9gio de uma entrevista exclusiva com este bacharel em Direito, formado pela Federal de Rond\u00f4nia, na qual foi poss\u00edvel discutir temas pol\u00eamicos, como a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, o combate ao tr\u00e1fico de drogas, os \u201csoldados\u201d do tr\u00e1fico, os conflitos de gangues pelo dom\u00ednio de territ\u00f3rios de tr\u00e1fico, a remunera\u00e7\u00e3o dos policiais e a unifica\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias brasileiras. Cada tema mereceu a mais honesta argumenta\u00e7\u00e3o do delegado-chefe, para o qual a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, por exemplo, n\u00e3o implica em solu\u00e7\u00e3o de nenhum problema de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Odilson Pereira foi respons\u00e1vel por um criterioso mapeamento para identifica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas e dos tipos de crimes praticados em cada uma delas. O trabalho, feito inicialmente de forma artesanal, alcan\u00e7ou aspectos cient\u00edficos, permitindo \u00e0 pol\u00edcia local melhorar significativamente sua atua\u00e7\u00e3o. \u201cA gente come\u00e7ou a fazer esse trabalho, \u00e9 um trabalho longo que ainda est\u00e1 em andamento, porque isso n\u00e3o se conclui, mas nesse per\u00edodo a gente j\u00e1 p\u00f4de tirar algumas conclus\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Abaixo, a \u00edntegra da entrevista, cuja leitura ser\u00e1 fundamental a todos aqueles que se debru\u00e7am sobre este palpitante tema, que divide opini\u00f5es e que pode se tornar a principal pauta nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais e estaduais deste ano de 2014.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Inicialmente, eu gostaria que o senhor se apresentasse e explorasse um pouco de sua atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea policial.<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Sou delegado de pol\u00edcia h\u00e1 doze anos, sou bacharel em Direito, formado pela Universidade Federal de Rond\u00f4nia e, nesse curso desta nossa forma\u00e7\u00e3o em delegado de pol\u00edcia, n\u00f3s j\u00e1 pudemos vivenciar muitas coisas. Aqui em Vit\u00f3ria da Conquista, principalmente, n\u00f3s j\u00e1 estamos trabalhando h\u00e1 dez anos, dos quais dois anos em delegacias da cidade, na Delegacia de Furtos e Roubos, a 1\u00aa Delegacia Territorial, que est\u00e1 situada ali no bairro Alto Maro<b>n,<\/b>\u00a0e na Coordenadoria Regional, que hoje eu ocupo. Estou Coordenador Regional da 10\u00aa CORPIN h\u00e1 seis anos. J\u00e1 passei tamb\u00e9m por outras coordenadorias regionais, a Coordenadoria de Eun\u00e1polis, Coordenadoria de Guanambi, o que nos fez inclusive ter uma vis\u00e3o j\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao crime, em rela\u00e7\u00e3o ao criminoso que o pratica e em rela\u00e7\u00e3o ao territ\u00f3rio em que ele est\u00e1.<!--more--><\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0E quais as an\u00e1lises derivadas dessa experi\u00eancia?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Ent\u00e3o, desta an\u00e1lise, que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil, n\u00f3s chegamos a algumas conclus\u00f5es e chegamos tamb\u00e9m a alguns entendimentos em rela\u00e7\u00e3o a como funciona essa din\u00e2mica da criminalidade, principalmente em rela\u00e7\u00e3o a que o crime est\u00e1 ligado a um territ\u00f3rio e a um processo hist\u00f3rico de forma\u00e7\u00e3o do seu povo. Ent\u00e3o, a gente p\u00f4de perceber isso quando visitou e passou por outras coordenadorias, tive na Coordenadoria de Eun\u00e1polis por cerca de um ano, mais ou menos, e o tr\u00e1fico de drogas que opera naquela regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 igual ao tr\u00e1fico de drogas que opera na regi\u00e3o de Vit\u00f3ria da Conquista, por uma s\u00e9rie de fatores. Primeiro, principalmente, por essa quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do povo, da territorialidade da regi\u00e3o. Ent\u00e3o, a gente observa que \u00e9 diferente inclusive esse modus operandi do crime, ele \u00e9 diferente em cada regi\u00e3o, porque o indiv\u00edduo se especializa numa \u00e1rea territorial, cometendo um determinado tipo de crime, o que \u00e9 muito mais f\u00e1cil para ele, inclusive com uma probabilidade menor de erro.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Essa experi\u00eancia, portanto, j\u00e1 foi aplicada em Vit\u00f3ria da Conquista?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Aqui em Vit\u00f3ria da Conquista a gente come\u00e7ou a perceber isso j\u00e1 em 2008, quando iniciamos os trabalhos na coordena\u00e7\u00e3o, quando a gente partiu para mapear os crimes, primeiro de uma forma r\u00fastica, em um mapa colado na parede, e ia colocando os alfinetes onde estavam as manchas criminais nos bairros, principalmente os mais importantes, os homic\u00eddios, o tr\u00e1fico de drogas, os roubos, ou seja, os crimes mais violentos, que s\u00e3o os mais interessantes da gente tratar e os mais importantes. Ent\u00e3o, feito isso, foi-se evoluindo esse mapeamento, onde foram criadas outras ferramentas atrav\u00e9s de um sistema geogr\u00e1fico de mapeamento e a partir da\u00ed criamos outras ferramentas para facilitar o trabalho da Pol\u00edcia Civil e da Pol\u00edcia Militar no entendimento de como funciona a criminalidade, n\u00e3o s\u00f3 especificamente em dar uma solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e policial ao crime, mas levar tamb\u00e9m ao entendimento da sociedade como o crime funciona, por que funciona e por que ele se potencializa em determinadas \u00e1reas da cidade. Ent\u00e3o, a gente come\u00e7ou a fazer esse trabalho, \u00e9 um trabalho longo que ainda est\u00e1 em andamento, porque isso n\u00e3o se conclui, mas nesse per\u00edodo a gente j\u00e1 p\u00f4de tirar algumas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0E o senhor pode nos fornecer essas conclus\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Aqui em Conquista, por exemplo, a gente tem alguns fatores que potencializam a criminalidade, por exemplo, \u00e9 um entroncamento Norte-Sul, Leste-Oeste. Aqui existe muita gente transitando e passando. Segundo, Vit\u00f3ria da Conquista \u00e9 uma cidade, \u00e9 um entreposto comercial, de servi\u00e7o, educacional principalmente, que atrai pessoas de uma macrorregi\u00e3o. Outro fator importante que potencializa a criminalidade aqui \u00e9 a quest\u00e3o da fronteira com o Estado de Minas Gerais. \u00c9 uma fronteira extensa, o que faz com que a criminalidade use isso para cometer crimes em um Estado e as suas consequ\u00eancias serem em outro, o que dificulta a investiga\u00e7\u00e3o policial porque todos n\u00f3s sabemos que as pol\u00edcias do Brasil, que \u00e9 uma Rep\u00fablica Federativa, s\u00e3o estaduais e, infelizmente, a gente n\u00e3o tem uma perfeita interlocu\u00e7\u00e3o entre elas e a Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0O senhor poderia exemplificar?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0O que acontece, por exemplo, \u00e9 a quest\u00e3o do roubo de cargas que aconteceu muito na regi\u00e3o de Conquista e a carga distribu\u00edda nas cidades de Minas Gerais, pr\u00f3ximas aqui. Agora inverteu, o roubo est\u00e1 sendo na regi\u00e3o de Salinas, na regi\u00e3o de Pedra Azul, mas a carga tem sido recuperada aqui em Conquista, o que dificulta o trabalho de investiga\u00e7\u00e3o, porque a gente tem que estar aqui falando com os delegados e investigadores de outro Estado e trocando informa\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, na verdade, esses fatores e mais alguns outros potencializam a quest\u00e3o da criminalidade, sem contar tamb\u00e9m a quest\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas, que hoje \u00e9 importante e tem que ser tratada de forma s\u00e9ria, principalmente a quest\u00e3o do Crack, por conta de que \u00e9 esse grande entroncamento e esta quest\u00e3o fronteiri\u00e7a, ent\u00e3o facilita muito a entrada de drogas, drogas que passam, que v\u00e3o abastecer cidades do litoral nordestino e drogas tamb\u00e9m que ficam aqui na cidade. E, como Conquista \u00e9 um grande entreposto, uma cidade que cresce muito, ent\u00e3o, na an\u00e1lise do tr\u00e1fico, \u00e9 uma \u00e1rea\u00a0 atrativa para o uso. Como tem muitos estudantes, essa quest\u00e3o toda de passar muita gente, ent\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea atrativa para o tr\u00e1fico.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Esta quest\u00e3o do tr\u00e1fico parece ser um dos calcanhares de Aquiles no combate \u00e0 criminalidade\u2026<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0O tr\u00e1fico se territorializa em espa\u00e7os no interior da cidade, em espa\u00e7os muito bem definidos, ou seja, hoje a cidade \u00e9 dividida em \u00e1reas por traficantes e esse trabalho \u00e9 o trabalho da pol\u00edcia descobrir que territ\u00f3rio est\u00e1 sendo dominado por cada traficante e \u00e9 por isso que ocorrem as mortes, porque, na verdade, o traficante divide a cidade, pega as \u00e1reas mais atrativas, e esse tr\u00e1fico est\u00e1 embasado principalmente nos bairros mais perif\u00e9ricos; \u00e9 diferente dos crimes contra patrim\u00f4nio, de roubos que acontecem mais em bairros onde as pessoas t\u00eam maior poder aquisitivo, mas o tr\u00e1fico se embasa mais nesses bairros mais pobres, onde se aproveita da pr\u00f3pria circunst\u00e2ncia de dif\u00edcil acesso da pol\u00edcia e de outros servi\u00e7os p\u00fablicos, falta de saneamento b\u00e1sico e uma s\u00e9rie de outras coisas e ali ele se prolifera. Ent\u00e3o, essas bocas de fumo s\u00e3o abertas exatamente nessa divis\u00e3o territorial desse tr\u00e1fico, principalmente a quest\u00e3o do craque hoje.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Essa a\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico, ou seja, quando um traficante escolhe uma determinada \u00e1rea, claro que para fazer essa inicia\u00e7\u00e3o ele vai ter que ser extremamente atrativo naquela regi\u00e3o e oferecer alternativas econ\u00f4micas numa \u00e1rea em que o poder p\u00fablico n\u00e3o consegue chegar com pol\u00edticas p\u00fablicas. Como voc\u00eas conseguem chegar ao n\u00edvel de observa\u00e7\u00e3o e como \u00e9 que ocorre isso?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Primeiro \u00e9 essa quest\u00e3o do mapeamento. A gente mapeia e observa essas \u00e1reas onde pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o chegam, principalmente por conta de a gente visitar e perceber isso. Ent\u00e3o, a gente vai observar como o tr\u00e1fico est\u00e1 ali inserido. E ele oferece o qu\u00ea? Obviamente o jovem sem emprego, sem lazer, sem esporte, sem uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada, ele vai oferecer alguma coisa para aquele jovem, primeiro os soldados do tr\u00e1fico, que v\u00e3o proteger aquela regi\u00e3o, v\u00e3o portar uma arma de fogo que \u00e9 do traficante e aquilo vai dar um status para ele, uma revela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade que ele existe e que ele est\u00e1 ali. Ent\u00e3o, o que ocorre \u00e9 que essas a\u00e7\u00f5es em determinadas comunidades acabam por substituir a a\u00e7\u00e3o do Estado. Ent\u00e3o, a partir de toda essa cria\u00e7\u00e3o que o jovem faz de que ele \u00e9 um ser da sociedade e est\u00e1 ali portando uma arma, tem t\u00eanis, tem roupas decentes porque o traficante vai bancar isso. Em contrapartida, ele vai dar suporte e apoio a toda aquela estrutura e \u00e9 a\u00ed que vem aquele problema que \u00e9 a quest\u00e3o dos homic\u00eddios.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Ent\u00e3o, quando essa \u00e1rea se torna muito atrativa para a venda de drogas, vai ocorrer que outro traficante vai querer tomar aquela \u00e1rea. \u00c9 nesse momento existe o embate e ocorrem as mortes?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Ocorre tamb\u00e9m, principalmente a quest\u00e3o do pequeno traficante e do usu\u00e1rio, dos soldados do tr\u00e1fico em que, por exemplo, o traficante, a partir de um certo momento, em que o individuo j\u00e1 deve uma quantia significativa, a gente tem casos emblem\u00e1ticos aqui em Conquista, ele vai cobrar. A cobran\u00e7a, geralmente, \u00e9 feita de duas formas: a primeira forma, o individuo pode trocar trabalho pela d\u00edvida e, num segundo momento, se ele n\u00e3o consegue fazer, e geralmente n\u00e3o consegue, eles matam, porque \u00e9 a forma que o tr\u00e1fico tem de se impor perante a sociedade, dizendo que quem n\u00e3o paga suas d\u00edvidas morre. Ent\u00e3o isso ocorre. Os usu\u00e1rios que n\u00e3o pagam morrem, os pequenos traficantes tamb\u00e9m, os soldados que est\u00e3o ali recebendo, eles muitas vezes s\u00e3o presos, pois eles s\u00e3o a face vis\u00edvel. \u00c0s vezes, \u00e9 dif\u00edcil chegar aos traficantes. Realmente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Muitas vezes eles nem est\u00e3o em Vit\u00f3ria da Conquista, s\u00e3o donos de bocas de fumo; a gente tem aqui traficantes do Sul do Estado e de outros Estados. A gente tinha recentemente um traficante dominando uma \u00e1rea grande em Conquista e eles estavam no Estado do Esp\u00edrito Santo. Conseguimos prender ele, em S\u00e3o Miguel, na regi\u00e3o litor\u00e2nea do Esp\u00edrito Santo. Hoje ele est\u00e1 no pres\u00eddio de Colatina. Ele de l\u00e1 comandava essa regi\u00e3o toda chamada Borracha Queimada, aqui em Conquista.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Se o senhor pudesse tra\u00e7ar um painel sobre a quest\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica em Vit\u00f3ria da Conquista, qual \u00e9 a real situa\u00e7\u00e3o hoje?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Na verdade, a gente precisa fazer uma compara\u00e7\u00e3o. Primeiro \u00e9 que Conquista tem os mesmos problemas que outras cidades, \u00e0s vezes um pouco mais, \u00e0s vezes um pouco menos, focada em determinadas \u00e1reas, mas hoje em Vit\u00f3ria da Conquista a gente tem um progn\u00f3stico bom. Eu digo que um investimento em pol\u00edticas p\u00fablicas, na \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica, iria gerar realmente uma melhoria. Conquista n\u00e3o \u00e9 \u00e1rea produtora de drogas, aqui n\u00e3o se produz droga nenhuma, nem maconha, nem coca\u00edna, e isso j\u00e1 \u00e9 um fator excelente, porque ele vai ter que chegar de fora, a gente j\u00e1 tem essa dificuldade no Sul da Bahia, porque no Sul da Bahia tem muito laborat\u00f3rio de refino, tem planta\u00e7\u00f5es de maconha e aqui a gente n\u00e3o tem esse tipo de atividade. Ent\u00e3o, isso j\u00e1 \u00e9 uma coisa muito boa. A droga potencializa todos os outros crimes; eu posso dizer seguramente que a maioria dos crimes hoje e os crimes violentos est\u00e3o relacionados ao tr\u00e1fico de drogas. S\u00f3 isso a\u00ed para n\u00f3s j\u00e1 \u00e9 um fator bom em rela\u00e7\u00e3o ao progn\u00f3stico e tamb\u00e9m tem um detalhe muito grande e importante que \u00e9 a pr\u00f3pria quest\u00e3o da localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de Conquista, eu digo assim em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de ser o Sert\u00e3o. Na verdade o povo sertanejo \u00e9 muito ordeiro. De maneira geral, a gente v\u00ea uma certa dificuldade, por exemplo, no litoral voc\u00ea tem uma dificuldade maior de levar pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de maneira geral. Ent\u00e3o, hoje, a gente, fora das a\u00e7\u00f5es policiais, tamb\u00e9m outras pol\u00edticas p\u00fablicas que podem ser tamb\u00e9m levadas em conta para minimizar o problema da viol\u00eancia, a quest\u00e3o do adolescente que hoje \u00e9 um problema que Conquista passa, mas a gente acredita que no futuro isso vai ser enxergado, visto e corrigido em algum momento. Hoje, n\u00f3s aqui na regi\u00e3o, n\u00e3o temos ainda um local para internar adolescentes. N\u00e3o que a interna\u00e7\u00e3o seja a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o, como diz o ECA, \u00e9 em \u00faltima an\u00e1lise que voc\u00ea vai encarcerar ou internar um adolescente, mas existe tamb\u00e9m aquele efeito rem\u00e9dio, quando o adolescente v\u00ea que vai cometer qualquer ato infracional, ele vai ser apreendido e tem um local adequado para ele ficar, ent\u00e3o, automaticamente, a viol\u00eancia diminui.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Este parece ser um tema relevante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, a quest\u00e3o dos menores sem local para serem custodiados\u2026<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Teve, digamos assim, uma explos\u00e3o recente de roubos onde foi dada uma ordem para a pol\u00edcia para n\u00e3o custodiar no DISEP, que \u00e9 hoje o \u00fanico local que n\u00f3s temos para cust\u00f3dia, inclusive provisoriamente, mas depois da morte de um adolescente, h\u00e1 um tempo atr\u00e1s, essa cust\u00f3dia foi interditada e hoje n\u00e3o temos em Conquista um lugar para internar. Ent\u00e3o, a Justi\u00e7a, o Minist\u00e9rio P\u00fablico recomendaram aos delegados que n\u00e3o internem, para n\u00e3o acontecer problemas e tal. O que acontece \u00e9 que houve uma certa sensa\u00e7\u00e3o de impunidade por parte do jovem, do adolescente, e fez potencializar, porque ele sabia que era levado a delegacia e muitas vezes ouvido e liberado. Ent\u00e3o, isso gerou um certo aumento da viol\u00eancia. Ent\u00e3o, \u00e9 importante hoje corrigir esse problema em Vit\u00f3ria da Conquista. Hoje os jovens s\u00e3o levados para a delegacia e n\u00f3s temos que apresent\u00e1-los rapidamente ao juiz, se ele tiver pauta para fazer audi\u00eancia, ou para internar provisoriamente ou para internar definitivamente, ele faz, e em um dia n\u00f3s conseguimos remover ou para Feira de Santana ou para Salvador. Se ele n\u00e3o tiver pauta, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que solte e entregue aos pais. Ent\u00e3o isso \u00e9 um grande problema e que vai ser um grande desafio para Conquista no futuro, mas a gente acredita que em algum momento isso vai ser visto. E um grande problema tamb\u00e9m \u00e9 a quest\u00e3o do pres\u00eddio regional. N\u00f3s temos hoje um pres\u00eddio regional para presos provis\u00f3rios que est\u00e1 no centro da cidade, onde se passa tudo, celular, droga, pela pr\u00f3pria estrutura dele. Como est\u00e1 no centro da cidade, chegam pessoas para visitas e no momento do banho de sol, eles atiram objetos, drogas, celulares etc. Isso dificulta muito o controle e hoje a quantidade de vagas oferecidas em Conquista \u00e9 pequena para a demanda e para a onda de pris\u00f5es. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos mais ou menos, na nossa estat\u00edstica, um n\u00famero praticamente igual de pris\u00f5es e alvar\u00e1s de soltura num m\u00eas, para equilibrar o efetivo de presos. N\u00f3s j\u00e1 vimos aqui, h\u00e1 mais ou menos dois anos levantando, praticamente todo m\u00eas entra cinquenta e sai cinquenta, entra cinquenta e sai cinquenta.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Delegado, alguns estudos que o senhor tem feito mostram que em algumas \u00e1reas que a viol\u00eancia aparece ela n\u00e3o est\u00e1 vinculada \u00e0 quest\u00e3o da criminalidade, mas que a viol\u00eancia permite, inclusive, a inser\u00e7\u00e3o da criminalidade naqueles locais e geralmente nos locais em que n\u00e3o tem uma assist\u00eancia melhor do Munic\u00edpio e do Estado, por exemplo, tem alguns conjuntos do Minha Casa Minha Vida em que se n\u00e3o houver um trabalho de re-cidadania ou de cidadania, voc\u00ea tem um crescimento da viol\u00eancia e depois a entrada da criminalidade. Isso a\u00ed de forma muito separada, porque nenhum conjunto desses j\u00e1 nasce com um traficante l\u00e1 dentro, mas ele se cria a partir da\u00ed. Qual \u00e9 a an\u00e1lise que voc\u00ea faz disso e qual \u00e9 a pol\u00edtica p\u00fablica que poderia ser feita junto com a pol\u00edcia ou de forma at\u00e9 separada, mas que pudesse, inclusive, colaborar com a seguran\u00e7a p\u00fablica da cidade?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Na verdade, todos esses projetos habitacionais e populacionais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de um determinado territ\u00f3rio ele primeiro precisa vir acompanhado de um planejamento em Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Esporte, Lazer e em Seguran\u00e7a P\u00fablica tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, o que tem ocorrido \u00e9 exatamente isto, que as pessoas, e a\u00ed nesse exemplo do Sul da Bahia, de Eun\u00e1polis com uma empresa de l\u00e1 da regi\u00e3o, quando aumentou a sua capacidade, dobrou a sua capacidade praticamente, foram mais quatro mil profissionais, ou seja, mais ou menos doze mil pessoas a mais chegando em uma cidade que n\u00e3o tinha estrutura de hospitais, de escolas, de seguran\u00e7a p\u00fablica para receber aquilo. E n\u00f3s fizemos a previs\u00e3o: \u2018vai haver uma explos\u00e3o de viol\u00eancia\u2019; e foi o que ocorreu e n\u00f3s estamos at\u00e9 hoje vivendo. As coisas que eu falava naquela \u00e9poca est\u00e3o acontecendo exatamente agora, o dif\u00edcil controle da criminalidade. E, aqui especificamente em Conquista, e esses conjuntos habitacionais Minha Casa Minha Vida, tamb\u00e9m, porque traz uma quantidade de pessoas e principalmente da zona rural. Chegam, \u00e0s vezes vem da zona rural, entram nesse programa, trazem a sua fam\u00edlia e quando chegam n\u00e3o encontram suporte ali naquele momento em seguran\u00e7a. S\u00e3o condom\u00ednios grandes e uma s\u00e9rie de problemas e a\u00ed o tr\u00e1fico de drogas entra silenciosamente ou, \u00e0s vezes, at\u00e9 ostensivamente. N\u00f3s tivemos aqui invas\u00f5es de apartamentos por traficantes para querer impor. Inclusive, tivemos aqui, at\u00e9 por uma a\u00e7\u00e3o dessas, aquele problema do menino Maicon, que foi exatamente por causa da quest\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas que se inseriu naquela comunidade e houve depois um problema s\u00e9rio, um problema grave, a a\u00e7\u00e3o policial foi realizada, mas n\u00e3o se pensou naquele momento em seguran\u00e7a p\u00fablica naqueles locais. Ent\u00e3o, quando foram ser inaugurados e alguns antes de inaugurados, n\u00f3s fomos procurados para, digamos assim, dar um rem\u00e9dio, um paliativo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Mas, n\u00e3o foi pensado numa estrutura de um m\u00f3dulo policial, na implanta\u00e7\u00e3o de uma tecnologia de seguran\u00e7a naquela \u00e1rea que pudesse minimizar as a\u00e7\u00f5es dos bandidos.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Hoje, o Congresso Nacional, a C\u00e2mara e o Senado tem debatido muito a quest\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, em fun\u00e7\u00e3o, inclusive, das manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 da popula\u00e7\u00e3o, como de setores organizados como a imprensa. Como o senhor, como delegado, acabou de dizer que h\u00e1 um problema identificado, avalia esta quest\u00e3o da maioridade, inclusive do ponto de vista da sua forma\u00e7\u00e3o jur\u00eddica? Voc\u00ea v\u00ea a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal como solu\u00e7\u00e3o? Essa redu\u00e7\u00e3o, se fosse, seria para que idade?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0N\u00e3o. Eu particularmente n\u00e3o sou a favor e vou dizer por qu\u00ea. Na verdade, o grande problema do Brasil \u00e9 que as leis s\u00e3o feitas e n\u00e3o s\u00e3o aplicadas. O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente \u00e9 uma lei muito bem feita, que pune realmente. O grande problema \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o dessa lei. Ela \u00e9 criada e na hora de aplicar, voc\u00ea n\u00e3o consegue aplicar, porque voc\u00ea n\u00e3o tem, digamos assim, os elos da corrente completos. A Pol\u00edcia Militar, a Pol\u00edcia Civil, O Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Justi\u00e7a e o cumprimento da medida socioeducativa, porque se tivesse havendo, de uma forma rigorosa, de uma forma s\u00e9ria, com certeza n\u00e3o aconteceriam tantos crimes. O problema \u00e9 que o pr\u00f3prio Estado em si ele n\u00e3o consegue fazer cumprir a lei e a\u00ed vem a quest\u00e3o da impunidade e o adolescente volta \u00e0s ruas. Sem contar esse problema, existe tamb\u00e9m a quest\u00e3o da desagrega\u00e7\u00e3o familiar e a cada dia que passa a gente v\u00ea as pessoas menos se relacionando e muito mais em redes sociais. Ent\u00e3o, a fam\u00edlia, de maneira geral hoje, vem perdendo a sua import\u00e2ncia perante a sociedade. As pessoas n\u00e3o se preocupam mais, os pais, e a\u00ed eu dou um exemplo recente de uma investiga\u00e7\u00e3o que n\u00f3s estamos realizando sobre esse problema de divulga\u00e7\u00e3o de fotos de adolescentes em whatsapp e redes sociais, onde n\u00f3s estamos investigando e n\u00f3s estivemos conversando com as v\u00edtimas e elas foram categ\u00f3ricas em falar que postaram a sua imagem em redes sociais para grupos. Ent\u00e3o, qual a seguran\u00e7a que se tem, quando a gente posta e envia uma foto \u00edntima para algu\u00e9m, de que essa imagem vai ser preservada? Depois que caiu na rede, acabou. A sua imagem j\u00e1 est\u00e1 enxovalhada, est\u00e1 para quantos quiserem ver. Ent\u00e3o, o que ocorre \u00e9 isso. Na verdade, a gente observa que o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente precisa ser aplicado. O problema, eu acredito, que n\u00e3o seja numa redu\u00e7\u00e3o da maioridade. Isso \u00e9 uma discuss\u00e3o muito grande, \u00e9 uma discuss\u00e3o sociol\u00f3gica que ainda precisa se verificar se hoje, com todo o aparato de m\u00eddia, de internet, os adolescentes est\u00e3o ficando mais precoces nas coisas. Mas, n\u00e3o significa tamb\u00e9m que, porque est\u00e3o ficando precoces em algumas coisas, que tem o entendimento de outras. Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 um estudo muito mais detalhado. Hoje, eu vejo muito mais importante \u00e9 voc\u00ea fazer aplicar o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente do jeito que est\u00e1 e fazer com que o adolescente, ele, se descumprir a lei, sofra a puni\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, a gente observa no Brasil todo que n\u00e3o tem um local que voc\u00ea tem um cumprimento como manda a lei para a quest\u00e3o, ou uma pol\u00edtica p\u00fablica voltada tamb\u00e9m especificamente para a crian\u00e7a e para o adolescente, n\u00e3o s\u00f3 de puni\u00e7\u00e3o, mas uma pol\u00edtica p\u00fablica tamb\u00e9m de esporte, lazer, cultura e de combate \u00e0s drogas no meio da juventude. Eu acho, particularmente, que n\u00e3o seja a solu\u00e7\u00e3o diminuir a maioridade, apesar de que muitos defendem, mas a gente acha que \u00e9 mais uma solu\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea. Houve a\u00ed a exposi\u00e7\u00e3o de fotos de Carolina Dieckmann e no outro dia algu\u00e9m pega e publica uma lei para proteger, mas todo mundo sabe que isso acontece. Ent\u00e3o, as leis acontecem muito no Brasil, na nossa forma de ver, n\u00e3o por uma discuss\u00e3o em um momento social e pol\u00edtico, mas sim por um fato que chocou a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0As escolas, de um modo geral, seja da rede municipal ou estadual, n\u00e3o est\u00e3o um pouco distantes desse debate, apegadas ao formalismo do ensino e sem fazer a grande discuss\u00e3o pol\u00edtica, das quest\u00f5es morais e \u00e9ticas da sociedade?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Na verdade, discuti isso esses dias; na minha \u00e9poca e acredito que na \u00e9poca de voc\u00eas tamb\u00e9m, a gente tinha algumas disciplinas que eram: \u201cOrganiza\u00e7\u00e3o Social e Pol\u00edtica do Brasil\u201d, \u201cEduca\u00e7\u00e3o, Moral e C\u00edvica\u201d, na escola. Isso foi acabando. Tinham alguns cursos t\u00e9cnicos que o jovem j\u00e1 estava al\u00e9m de formando, ele j\u00e1 estava profissionalizando e hoje n\u00e3o. A escola hoje, na nossa forma de ver, ela est\u00e1 muito monet\u00e1ria e al\u00e9m de estar monet\u00e1ria ela est\u00e1 muito preocupada apenas com aquela quest\u00e3o de concluir-se o ensino e solta o jovem, mas n\u00e3o est\u00e1 preocupada com o que o jovem vai fazer depois. Ent\u00e3o, muitas vezes, al\u00e9m dessa desagrega\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia que a gente percebe, mas tamb\u00e9m a escola que tem um papel interessante de trazer a fam\u00edlia e fazer aquele complemento do sistema, ent\u00e3o ela n\u00e3o se preocupa com isso. E os pais tamb\u00e9m hoje deixam os jovens, como eu dei o exemplo desses adolescentes que estavam postando fotos intimas em redes sociais, dentro de uma casa onde tem pai, m\u00e3e e pessoas maiores e a gente percebe que est\u00e3o saindo essas fotos. Filhas sendo fotografadas dentro de quartos na casa e disseminando essas fotos. Aqui em Conquista tem um caso emblem\u00e1tico recentemente divulgado em m\u00eddia e tudo e que os pais simplesmente fazem de conta que n\u00e3o est\u00e3o vendo nada. Ent\u00e3o, essa quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, da orienta\u00e7\u00e3o e do dizer a verdade, hoje a gente percebe que diminuiu muito. Uma s\u00e9rie de valores do passado v\u00e3o se perdendo e tanto valores familiares como valores tamb\u00e9m na escola.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Delegado, como o senhor enxerga essa quest\u00e3o dessas duas pol\u00edcias, elas conseguem atuar em conjunto? Existe uma raz\u00e3o de ser desse modelo atual de seguran\u00e7a, com dois tipos de pol\u00edcia?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Existe. Eu acredito e acredito que pode ser feito um trabalho, no modelo que est\u00e1, muito bom. Um trabalho de integra\u00e7\u00e3o, de operacionaliza\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias, de troca de informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 como eu falo, a gente tem um arcabou\u00e7o legal no Brasil, muito bom, que falta muitas vezes ser cumprido. A Constitui\u00e7\u00e3o, no seu artigo 144, ela estipula as fun\u00e7\u00f5es e atribui\u00e7\u00f5es de cada pol\u00edcia. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edcias estaduais, militares e civis estipula com muita clareza, o que acontece \u00e9 que \u00e0s vezes extrapola, uma extrapola e adentra na atribui\u00e7\u00e3o da outra. \u00c9 Pol\u00edcia Civil que, ao inv\u00e9s de se especializar na investiga\u00e7\u00e3o, cada dia mais ela querendo entrar e fazer policiamento ostensivo. E a Pol\u00edcia Militar, por sua vez, ao inv\u00e9s de se especializar em todas as quest\u00f5es de mapeamento, manchas criminais e coloca\u00e7\u00e3o de efetivo em locais onde tem manchas, ela quer investigar. E, a\u00ed acaba ocorrendo esse problema. Eu acredito que o modelo que est\u00e1 a\u00ed hoje ainda \u00e9 \u00fatil. N\u00e3o sei se a desmilitariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia hoje na sociedade brasileira vai trazer algum benef\u00edcio, esses s\u00e3o questionamento que ainda precisam ser levados a debate, porque, inclusive, modelos experimentais para n\u00f3s verificarmos em alguns Estados se isso vai funcionar, porque n\u00e3o se sabe hoje com a sociedade que muda todos os dias se esse tipo de governo vai ser interessante. A gente sabe que existem os lobbies e vaidades de cada corpora\u00e7\u00e3o, de cada institui\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, eu volto a repetir, o modelo que hoje est\u00e1 a\u00ed, se ele for bem empregado, ele consegue trazer resultados pr\u00e1ticos. N\u00e3o \u00e9 essa mudan\u00e7a de modelo que vai hoje diminuir a criminalidade. A criminalidade, al\u00e9m de uma solu\u00e7\u00e3o policialesca, ela passa por uma solu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios outros problemas, que n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3 na quest\u00e3o de \u201cse \u00e9 pol\u00edcia civil, se \u00e9 pol\u00edcia militar, se \u00e9 pol\u00edcia federal\u201d. Essa face perversa do crime tamb\u00e9m tem fatores condicionantes em educa\u00e7\u00e3o, em pol\u00edticas p\u00fablicas, em esporte, em lazer e na falta de op\u00e7\u00f5es que hoje os jovens t\u00eam.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Quais os caminhos para que, de fato, a pol\u00edcia seja entendida pela popula\u00e7\u00e3o como uma parceira? \u00c9 poss\u00edvel vencer aqueles pequenos problemas que a gente verifica ainda? Onde est\u00e1 o problema?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Na verdade, as pol\u00edcias foram formadas no mundo todo com base de prote\u00e7\u00e3o inicialmente de reis e formadas, algumas, em modelos militares de for\u00e7as armadas e em outras \u00e9pocas, inclusive de Ditadura Militar, se usou muito a trucul\u00eancia, tortura e, muito menos a t\u00e9cnica de investiga\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica de se chegar a resultados pr\u00e1ticos. Hoje, eu posso lhe afirmar seguramente que isso vem mudando e mudando muito r\u00e1pido. Hoje, no Brasil, a pr\u00f3pria Secretaria Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SENASP) promove cursos permanentes onde qualquer um pode se matricular e s\u00e3o cursos muito bons. Eu mesmo j\u00e1 devo ter tomado uns onze cursos desses. Voc\u00ea dialoga, conversa com professores e, hoje, a gente tem at\u00e9 doutrinado mais as t\u00e9cnicas. De forma, que essa trucul\u00eancia, essa quest\u00e3o de tortura, a pr\u00f3pria quest\u00e3o de disparo de fogo, a pr\u00f3pria implementa\u00e7\u00e3o mais na pol\u00edcia de armamentos menos letais, o que hoje tem facilitado bastante at\u00e9 o trabalho das pol\u00edcias. Mas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura policial, hoje mudou muito. A gente v\u00ea, tanto na pol\u00edcia militar que n\u00f3s tratamos todos os dias, recebendo condu\u00e7\u00f5es etc., quanto na pol\u00edcia civil que \u00e9 a nossa institui\u00e7\u00e3o. A gente percebe que os pr\u00f3prios policiais j\u00e1 n\u00e3o querem cumprir determinadas dilig\u00eancias sem um mandado de busca e apreens\u00e3o, sem mandado de pris\u00e3o eles n\u00e3o v\u00e3o. E hoje nenhum delegado, acredito, fa\u00e7a mais esse tipo de coisa. A cultura policial vem mudando muito, at\u00e9 porque ningu\u00e9m quer responder processo, ningu\u00e9m quer responder por abuso de autoridade, por um crime de tortura ou qualquer outro tipo de crime. Ent\u00e3o, na verdade, os policias tem muito se conscientizado nesse sentido.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Como s\u00e3o feitos os treinamentos e reciclagem dentro da pol\u00edcia e qual \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o que voc\u00ea, como delegado-chefe, tem dado para o conjunto de delegados e para o restante da pol\u00edcia para que seja muito mais pr\u00f3xima da popula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Quando eu iniciei, falei exatamente para a Secretaria Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Com a cria\u00e7\u00e3o da SENASP, ligada ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, esses cursos foram padronizados, tanto os cursos virtuais, desde policiamento comunit\u00e1rio, t\u00e9cnicas de abordagem, cursos mais avan\u00e7ados, lavagem de dinheiro e outros cursos de todos os tipos, mas tamb\u00e9m a SENASP, atrav\u00e9s de conv\u00eanio com as academias de pol\u00edcia dos Estados, vem trazendo aos policiais, aqui mesmo teve recentemente um curso (Est\u00e1gio de pr\u00e1tica policial) onde se treina todos os tipos de abordagem, desde a verbaliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 a abordagem correta e os policiais s\u00e3o treinados por v\u00e1rias vezes. Ent\u00e3o, essa forma de padroniza\u00e7\u00e3o, depois de criada, tem tomado uma dimens\u00e3o muito boa e ganhou uma aceita\u00e7\u00e3o muito grande perante os policiais. Hoje, tem uma quantidade muito pequena de policiais que n\u00e3o se atentam \u00e0s t\u00e9cnicas e a doutrina, do que est\u00e1 previsto, o uso de algemas, o respeito ao cidad\u00e3o, a abordagem bem feita, com seguran\u00e7a tamb\u00e9m para o policial, porque \u00e9 \u00f3bvio que tem que ser firme e tamb\u00e9m ter a seguran\u00e7a. Mas, na verdade essa palavra, \u201cpadroniza\u00e7\u00e3o\u201d, inclusive com regras internacionais, vem sendo usada pelas pol\u00edcias, de forma que a gente viu agora recentemente nas manifesta\u00e7\u00f5es que assolaram o pa\u00eds de fora a fora, o trabalho sistem\u00e1tico e s\u00e9rio das pol\u00edcias. Foi utilizada a for\u00e7a necess\u00e1ria, foi controlada em certos momentos, foi inclusive recuado em certos momentos, porque n\u00e3o houve como avan\u00e7ar porque sen\u00e3o haveria riscos \u00e0 vida e integridade das pessoas. Inclusive aqui na Bahia, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, foi preciso a pol\u00edcia retornar e no Rio de Janeiro tamb\u00e9m, de forma que a pol\u00edcia hoje pensa muito mais do que age com a for\u00e7a bruta. A palavra \u201cintelig\u00eancia policial\u201d, de seguran\u00e7a p\u00fablica, vem ganhando destaque tanto na Pol\u00edcia Civil como na Pol\u00edcia Militar. Ela vem ganhando destaque, de forma que hoje a gente age integrado com o sistema de informa\u00e7\u00e3o. O crime \u00e9 organizado e a\u00ed vem a quest\u00e3o da lavagem de dinheiro, roubo a banco e outras quadrilhas organizadas internacionais do tr\u00e1fico de drogas e a gente vem utilizando a intelig\u00eancia de uma forma muito satisfat\u00f3ria e conseguindo levar esses infratores \u00e0s barras da lei.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Hoje, Vit\u00f3ria da Conquista, diante do quadro que se apresenta, o que seria necess\u00e1rio, do ponto de vista da estrutura, seja de recursos humanos ou de estrutura f\u00edsica, para dar conta do recado? O que precisa ser feito?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Efetivo e eu falo a\u00ed \u00e9 da Pol\u00edcia Civil. A gente precisa realmente. N\u00f3s temos um concurso p\u00fablico em andamento, estamos com delegados, investigadores e escriv\u00e3es de pol\u00edcia para serem nomeados, acredito que no inicio do ano at\u00e9 abril ou maio n\u00f3s estaremos com esse pessoal trabalhando. Vai minimizar o problema, n\u00e3o vai resolver, porque a gente sabe que o efetivo desses indiv\u00edduos concursados \u00e9 pequeno para atender a demanda do Estado. J\u00e1 \u00e9 uma quest\u00e3o hist\u00f3rica, mas a gente percebe que, em rela\u00e7\u00e3o ao efetivo, tamb\u00e9m outros concursos p\u00fablicos est\u00e3o sendo feitos. A Pol\u00edcia Civil aqui na Bahia ficou doze anos sem concurso para delegado e para investigador e agente em torno de dezessete anos que n\u00e3o existe. Ent\u00e3o, imagine para repor hoje o efetivo que a Pol\u00edcia Civil trabalha em Vit\u00f3ria da Conquista e regi\u00e3o \u00e9 menor do que em 2006. A criminalidade \u00e9 menor e muitos aposentaram e muitos procuraram outras carreiras, alguns investigadores colaram grau em outras \u00e1reas e fizeram concursos p\u00fablicos e sa\u00edram da pol\u00edcia. Ent\u00e3o, a gente observa que realmente h\u00e1 uma defasagem muito grande, mas que existe tamb\u00e9m a quest\u00e3o das leis de responsabilidade fiscal a qual o Governo est\u00e1 atrelado e que isso tamb\u00e9m tem que ir melhorando aos poucos. N\u00e3o tem como hoje o Governo pegar aqui, porque em lugar nenhum do mundo t\u00eam policiais, digamos assim, uma quantidade de policiais prontos para atender, at\u00e9 porque \u00e9 muito dif\u00edcil saber a quantidade de policiais necess\u00e1ria. A gente percebe que cada local voc\u00ea tem, porque, tamb\u00e9m, eu digo sempre, a quantidade de policiais tamb\u00e9m est\u00e1 voltada para o aspecto cultural e educacional do povo, porque, \u00e0s vezes voc\u00ea pode chegar aqui num determinado local e vai colocar uma dupla de policiais em cada esquina e n\u00e3o vai resolver o problema da criminalidade. Ent\u00e3o, tem locais que voc\u00ea vai colocar dois policiais para rondar a cidade e voc\u00ea vai sair \u00e0 noite e n\u00e3o vai ver ningu\u00e9m, porque \u00e9 cultural dali a criminalidade baixa.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0No caso de Vit\u00f3ria da Conquista, que tem uma zona rural grande, existe uma solu\u00e7\u00e3o para o policiamento? \u00c9 poss\u00edvel pensar uma estrat\u00e9gia?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0\u00c9, sim, sem d\u00favida nenhuma. \u00d3bvio que a pol\u00edcia pode abrir bases, mas a\u00ed tamb\u00e9m depende de efetivo. Independente de qualquer coisa essas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o aumentando muito. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes a gente v\u00ea em determinados bairros nobres e vai se criando tamb\u00e9m bols\u00f5es de pobreza em \u00e1reas suburbanas ou \u00e1reas at\u00e9 rurais, assentamentos etc., que tem que se levar seguran\u00e7a p\u00fablica tamb\u00e9m ao local. Ent\u00e3o, a pol\u00edcia militar, principalmente que \u00e9 a pol\u00edcia ostensiva, tem que fazer e acredito que se fa\u00e7a dentro do que se pode dispor, bases de policiais montadas e fixadas atrav\u00e9s da pol\u00edcia rural, da patrulha rural para minimizar, mas tudo isso tamb\u00e9m passa pelo problema do efetivo. \u00d3bvio que se o problema maior se encontra no centro da cidade \u00e9 \u00f3bvio que a quantidade de policiais vai ser deslocada para esse centro e as \u00e1reas suburbanas, periurbanas ou rurais v\u00e3o sendo deixadas at\u00e9 o momento que se tem um efetivo ideal, n\u00e3o sei se um dia a gente vai ter um efetivo ideal para isso.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0O senhor acha que a remunera\u00e7\u00e3o dos policiais civis \u00e9 compat\u00edvel com a fun\u00e7\u00e3o que eles exercem?<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Acredito que n\u00e3o seja, porque, na verdade, a profiss\u00e3o \u00e9 estressante. Policial de uma maneira geral, policial civil ou militar, \u00e9 um sacerd\u00f3cio, porque voc\u00ea pode ser acionado a qualquer momento para a atividade. Na verdade, a gente muitas vezes deixa o lazer, deixa a fam\u00edlia, para ir nesse embate e muitas vezes alguns n\u00e3o voltam. \u00c9 uma atividade perigosa, posso lhe afirmar porque da forma que a criminalidade vem com essa sensa\u00e7\u00e3o de impunidade, a criminalidade hoje n\u00e3o tem medo e eu estava relatando a pouco, o exemplo de ontem, quando houve confronto com policiais civis e dois marginais morreram. E o marginal estava usando o carro roubado com a mesma placa que ele roubou. Ele pegou o carro, nem a preocupa\u00e7\u00e3o nem o medo dele tirar a placa ele teve. Ele estava com o carro que tinha roubado h\u00e1 vinte dias com a mesma placa. Ent\u00e3o, \u00e9 um profissional realmente e acredito que essa forma de pensar, at\u00e9 com bonifica\u00e7\u00f5es, tem sido feito. Hoje mesmo eu peguei na imprensa em rela\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Paulo que est\u00e1 adotando esse mesmo sistema aqui da Bahia de pagamento por produtividade. Aqui na Bahia j\u00e1 tem. Agora em abril v\u00e3o ser pagas as primeiras equipes que conseguiram reduzir a criminalidade, mas isso tem que permanecer, pois \u00e9 uma forma at\u00e9 de gratificar o bom policial, o policial excelente, aquele policial que trabalha conforme as determina\u00e7\u00f5es dadas pela chefia. Estatisticamente haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o, fruto desse trabalho da pol\u00edcia, isso \u00e9 importante, at\u00e9 mesmo colocar como voc\u00eas est\u00e3o vendo, para finalizar. A gente trabalha com esse plano de metas, que foi criado h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos pela atual gest\u00e3o do Governo do Estado e a gente j\u00e1 trabalha com isso. Ent\u00e3o, praticamente ao finalizar o ano e iniciar o outro, n\u00f3s fazemos o nosso plano estrat\u00e9gico baseado em estudos de dados estat\u00edsticos do ano anterior ou dos anos anteriores. Como eu falo, a criminalidade \u00e9 muito m\u00f3vel, mas a gente pode perfeitamente estudar e tra\u00e7ar metas. Ent\u00e3o, por exemplo, para o ano de 2014, os meses de janeiro e fevereiro, que, por exemplo, tem caracter\u00edsticas de viol\u00eancia, principalmente o m\u00eas de janeiro que existe o \u201csaid\u00e3o\u201d. Nesses said\u00f5es sa\u00edram mais de cento e cinquenta pessoas do pres\u00eddio para passar o Natal. Esses indiv\u00edduos v\u00e3o voltar a cometer crime. No ano passado, o m\u00eas de janeiro foi o mais violento por causa desse said\u00e3o. Quando n\u00f3s descobrimos o que estava acontecendo, exatamente os indiv\u00edduos que sa\u00edram nesses said\u00f5es. A gente j\u00e1 lan\u00e7ou as estrat\u00e9gias para fazer frente, n\u00f3s e a Pol\u00edcia Militar sentamos em gabinete de gest\u00f5es e discutimos o que n\u00f3s vamos fazer, por exemplo, os meses de janeiro e fevereiro j\u00e1 temos estrat\u00e9gias. A partir de mar\u00e7o, a gente vai fazendo as estrat\u00e9gias de acordo com os meses do ano, nos meses mais frios, junho, julho, agosto, s\u00e3o os meses em que a criminalidade \u00e9 menor por causa do frio. Conquista \u00e9 uma cidade fria e isso na acontece em outras \u00e1reas. Quando chega a \u00e9poca do grande evento \u201cFestival de Inverno\u201d, a gente v\u00ea um aumento de novo, porque o tr\u00e1fico de drogas volta a inserir droga na cidade. Ent\u00e3o, a gente lan\u00e7a m\u00e3o da estrat\u00e9gia, verificar quem s\u00e3o os traficantes que est\u00e3o operando, os que est\u00e3o soltos e ir no encal\u00e7o. Baseado nessa estrat\u00e9gia de estudo e an\u00e1lise da criminalidade, a gente tem conseguido, aqui em Conquista, resultados satisfat\u00f3rios. Desde o ano de 2010, quando n\u00f3s come\u00e7amos a fazer efetivamente no ano de 2011 em rela\u00e7\u00e3o a 2010, n\u00f3s conseguimos uma redu\u00e7\u00e3o recorde na Bahia, onde oitenta e cinco vidas foram poupadas, n\u00f3s conseguimos uma redu\u00e7\u00e3o de 46% aqui. Foi inclusive destaque pelo Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO F\u00c1BIO SENA:<\/strong>\u00a0Em resumo, esse trabalho \u00e9 exatamente voltado para um estudo de criminalidade, j\u00e1 que n\u00e3o se pode combater e simplesmente s\u00f3 atuar na \u00e1rea de inqu\u00e9ritos policiais, porque j\u00e1 se sabe que hoje esse sistema de justi\u00e7a criminal da forma que est\u00e1 a\u00ed, j\u00e1 n\u00e3o atende mais\u2026<\/p>\n<p><strong>ODILSON PEREIRA:<\/strong>\u00a0Temos que lan\u00e7ar pol\u00edticas p\u00fablicas e voltadas a verificar por que a criminalidade est\u00e1 agindo, e atuar mais nas causas em vez de simplesmente s\u00f3 pris\u00e3o. Ent\u00e3o, essa \u00e9 a nossa meta e a gente acredita que no ano de 2014 a gente vai conseguir reduzir mais ainda, porque os estudos e as pol\u00edticas de atua\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias est\u00e3o voltadas, exatamente, em cima dessas an\u00e1lises criminais.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs usu\u00e1rios que n\u00e3o pagam morrem, os pequenos traficantes tamb\u00e9m, os soldados que est\u00e3o ali recebendo, eles muitas vezes s\u00e3o presos, pois eles s\u00e3o a face vis\u00edvel\u201d O coordenador-geral da 10\u00aa Coordenadoria Regional de Pol\u00edcia Civil, Odilson Pereira, \u00e9 um homem cuja vis\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica extrapola a mera quest\u00e3o do combate estritamente policial \u00e0 criminalidade. Ele argumenta em todos os n\u00edveis. Tem uma vis\u00e3o privilegiada da sociedade, n\u00e3o apenas por sua larga experi\u00eancia policial, mas, sobretudo, por ser um estudioso, um analista cl\u00ednico de todos os aspectos que envolvem viol\u00eancia e criminalidade. 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